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Câncer de intestino: o que é, como prevenir e quais exames ajudam no diagnóstico precoce

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O câncer de intestino costuma crescer devagar e, muitas vezes, começa em lesões que podem ser retiradas antes de virar tumor. Conhecer os sinais, os fatores de risco e os exames de rastreamento faz diferença no diagnóstico precoce.

 

O câncer de intestino, também chamado de câncer colorretal, está entre os tumores mais frequentes no Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), ele é o segundo tipo mais comum entre homens e entre mulheres no país, sem contar o câncer de pele não melanoma, e responde por cerca de 10% dos casos em cada sexo na estimativa para o triênio de 2026 a 2028.

 

Ao mesmo tempo, é um dos cânceres com mais possibilidades de prevenção. Isso acontece porque a maior parte dos casos se desenvolve lentamente, ao longo de anos, a partir de pequenas lesões na parede do intestino. Quando essas lesões são encontradas e retiradas a tempo, o tumor nem chega a se formar. Por isso, informação e exames no momento certo são as principais ferramentas contra a doença.

O que os brasileiros sabem sobre o câncer de intestino

Um levantamento nacional do A.C.Camargo Cancer Center, feito pela Nexus, mostra que a população reconhece os sinais de alerta, mas ainda conhece pouco os exames que encontram a doença antes dos sintomas.

 

  • Sinais de alerta: oito em cada dez entrevistados disseram considerar grave notar sangue nas fezes ou uma alteração prolongada no funcionamento do intestino. Mesmo assim, parte dessas pessoas demora a procurar atendimento;
  • Exame de sangue oculto nas fezes: 67% dos entrevistados nunca tinham ouvido falar do teste, e apenas 11% disseram já ter feito o exame.

Esses números mostram por que falar de rastreamento é tão importante. O exame de fezes é simples, mas só ajuda quem sabe que ele existe e o faz no momento certo.

O que é o câncer de intestino

O câncer de intestino é o tumor que surge no intestino grosso, formado pelo cólon e pelo reto. O cólon é a parte mais longa do intestino grosso e tem a função de absorver água e sais minerais do bolo alimentar. O reto é o trecho final, que funciona como um reservatório das fezes até a evacuação.

 

Por isso, os termos câncer de intestino, câncer colorretal, câncer de cólon e câncer de reto aparecem com frequência como sinônimos no dia a dia. Na prática médica, a localização exata do tumor importa, porque o tratamento do câncer de reto pode seguir caminhos diferentes do tratamento do câncer de cólon.

 

O tipo mais comum é o adenocarcinoma, que se origina nas células que revestem a parte interna do intestino. Há outros tipos, bem mais raros, que também podem surgir no aparelho digestivo, mas que têm comportamento e tratamento próprios.

Como o tumor se forma a partir dos pólipos

Grande parte dos casos de câncer colorretal começa em um pólipo, uma pequena elevação na parede interna do intestino. A maioria dos pólipos é benigna e nunca vai se transformar em câncer. Alguns tipos, porém, como os adenomas, podem sofrer alterações ao longo dos anos e evoluir para um tumor maligno.

 

Esse processo costuma ser lento, o que abre uma janela importante para a prevenção. Durante a colonoscopia, o médico consegue identificar os pólipos e, na maior parte das vezes, retirá-los no mesmo procedimento. O material é analisado em laboratório, o que ajuda a definir o intervalo dos próximos exames. Entenda por que a remoção dos pólipos colorretais é uma forma de evitar o câncer.

Quais são os sinais e sintomas do câncer de intestino

Nas fases iniciais, o câncer de intestino costuma não causar nenhum sintoma. É por isso que os exames de rastreamento são recomendados mesmo para quem se sente bem. Quando os sinais aparecem, os mais comuns são:

 

  • Sangue nas fezes: pode ser vermelho vivo ou mais escuro, misturado às fezes;
  • Mudança no hábito intestinal: diarreia ou prisão de ventre que persiste por semanas, ou alternância entre as duas;
  • Alteração no formato das fezes: fezes mais finas que o habitual;
  • Dor ou desconforto abdominal: cólicas frequentes, gases e sensação de inchaço;
  • Sensação de evacuação incompleta: vontade de evacuar mesmo logo depois de ir ao banheiro;
  • Dor ao evacuar;
  • Perda de peso sem explicação, cansaço e anemia: a anemia pode ser resultado de pequenos sangramentos que não são percebidos a olho nu.

Esses sintomas têm muitas outras causas, a maioria benigna, como hemorroidas, fissuras, infecções e síndrome do intestino irritável. Nenhum deles, sozinho, significa câncer. O que merece atenção é a persistência: um sinal que dura semanas, que se repete ou que aparece junto com outros deve ser avaliado por um médico.

 

O sangramento é um dos sinais que mais geram dúvidas. Veja quando o sangue nas fezes pede investigação e leia mais sobre os sinais e sintomas do câncer de cólon e reto.

Fatores de risco para o câncer colorretal

Alguns fatores aumentam a chance de desenvolver câncer de intestino. Parte deles não pode ser modificada; outra parte está ligada ao estilo de vida.

Fatores que não podem ser modificados

  • Idade: o risco aumenta com o passar dos anos, e a maior parte dos casos acontece em pessoas acima dos 45 anos;
  • Histórico familiar: ter pai, mãe, irmãos ou filhos com câncer colorretal, especialmente quando o diagnóstico ocorreu antes dos 60 anos, aumenta o risco;
  • Histórico pessoal: quem já teve pólipos adenomatosos ou câncer colorretal precisa de acompanhamento mais próximo;
  • Doenças inflamatórias intestinais: retocolite ulcerativa e doença de Crohn, quando atingem o intestino grosso por muitos anos, estão associadas a maior risco;
  • Síndromes hereditárias: uma parcela menor dos casos está ligada a alterações genéticas herdadas, como a síndrome de Lynch e a polipose adenomatosa familiar. Nessas situações, os tumores podem surgir mais cedo e a família também precisa de orientação.

Fatores ligados ao estilo de vida

Segundo o INCA, os principais fatores de risco comportamentais para o câncer de cólon e reto são o tabagismo, o sedentarismo, o excesso de gordura corporal, o consumo de bebidas alcoólicas, o consumo elevado de carne vermelha e de carnes processadas e a baixa ingestão de alimentos ricos em fibras, como cereais integrais, leguminosas, frutas e vegetais.

 

Esses fatores não agem de forma isolada. Uma alimentação pobre em fibras, somada à falta de atividade física e ao excesso de peso, cria um ambiente mais favorável ao surgimento de lesões no intestino ao longo dos anos.

Como prevenir o câncer de intestino

A prevenção do câncer de intestino tem duas frentes que se complementam: hábitos que reduzem o risco e exames que encontram lesões antes que elas se tornem um problema.

Hábitos que reduzem o risco

  • Comer mais fibras: frutas, verduras, legumes, feijões, lentilhas, grão-de-bico e cereais integrais favorecem o funcionamento do intestino;
  • Moderar a carne vermelha e evitar carnes processadas: o World Cancer Research Fund e o American Institute for Cancer Research associam o consumo excessivo desses alimentos ao aumento do risco. A orientação não é eliminar a carne vermelha, mas moderar a quantidade e evitar embutidos como salsicha, presunto, linguiça, salame e bacon;
  • Praticar atividade física com regularidade: o movimento ajuda no controle do peso e no trânsito intestinal;
  • Manter o peso adequado: o excesso de gordura corporal é um fator de risco reconhecido para esse e outros tipos de câncer;
  • Não fumar e evitar bebidas alcoólicas: os dois hábitos aumentam o risco de câncer colorretal.
  •  

Não existe um alimento único que proteja contra o câncer, mas o padrão alimentar como um todo faz diferença. Veja 6 dicas de alimentação que ajudam na prevenção do câncer colorretal.

Rastreamento: exames antes dos sintomas

Mesmo com hábitos saudáveis, o risco não chega a zero. Por isso, o rastreamento é a medida mais eficaz para reduzir a mortalidade pelo câncer de intestino. Rastrear significa fazer exames em pessoas sem sintomas, com o objetivo de encontrar pólipos ou tumores ainda em fase inicial.

 

Para pessoas sem histórico familiar e sem outros fatores de risco, a orientação do A.C.Camargo é começar a colonoscopia de rastreamento aos 45 anos. Quem tem parente de primeiro grau que teve câncer colorretal antes dos 60 anos, ou tem doença inflamatória intestinal, deve começar antes dessa idade e repetir o exame com maior frequência, conforme orientação médica. O intervalo entre os exames depende do resultado de cada colonoscopia e é definido pelo médico.

 

No SUS, o programa de rastreamento com o exame de fezes é voltado para pessoas de 50 a 75 anos sem sintomas, como mostramos mais abaixo. Em qualquer caso, a melhor estratégia para cada pessoa deve ser definida em conversa com o médico, levando em conta a idade, o histórico familiar e a saúde intestinal.

Quais exames ajudam a detectar o câncer de intestino

Diferentes exames têm papéis diferentes: alguns servem para rastrear a doença em quem não tem sintomas, outros para investigar uma suspeita e confirmar o diagnóstico.

Exame de sangue oculto nas fezes

O exame de sangue oculto nas fezes procura pequenas quantidades de sangue que não são visíveis a olho nu. É um exame simples, feito com uma amostra coletada em casa, e por isso é muito usado no rastreamento de grandes grupos de pessoas.

 

Um resultado positivo não significa câncer, porque o sangramento pode ter outras causas. Mas indica a necessidade de investigar o intestino com uma colonoscopia. Da mesma forma, um resultado negativo não exclui a doença, já que nem todo pólipo ou tumor sangra o tempo todo. Por isso, o exame precisa ser repetido periodicamente, conforme a orientação médica.

Teste imunoquímico fecal (FIT) no SUS

Em 2026, o Ministério da Saúde adotou o teste imunoquímico fecal, conhecido pela sigla FIT, como exame de referência para o rastreamento do câncer colorretal no SUS. Segundo o INCA, o teste usa anticorpos para detectar sangue humano nas fezes em quantidades que não podem ser vistas, o que pode indicar pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer no intestino.

 

O FIT é indicado para homens e mulheres de 50 a 75 anos, sem sintomas, e a estratégia pode ampliar o acesso à detecção precoce para mais de 40 milhões de brasileiros. Entre as vantagens do teste estão:

 

  • Coleta em casa: a pessoa recebe um kit e envia a amostra para análise;
  • Sem dieta e sem preparo intestinal: não é preciso mudar a alimentação antes da coleta;
  • Boa sensibilidade: de acordo com o INCA, o teste identifica possíveis alterações em 85% a 92% dos casos.

Se o resultado indicar sangue oculto, a pessoa é encaminhada para exames complementares, principalmente a colonoscopia.

Colonoscopia

A colonoscopia é o principal exame para o diagnóstico e a prevenção do câncer de intestino. Um tubo flexível, com uma microcâmera na ponta, é introduzido pelo ânus e percorre todo o intestino grosso, permitindo ao médico observar a parede interna do cólon e do reto.

 

A grande vantagem da colonoscopia é que ela não apenas encontra lesões: durante o próprio exame, o médico pode retirar pólipos e coletar amostras para biópsia. É a biópsia que confirma se uma lesão é ou não um câncer.

 

O exame é feito com sedação, o que torna o procedimento confortável para o paciente. Para que o médico consiga enxergar bem a mucosa, o intestino precisa estar limpo, por isso o preparo nos dias anteriores é parte essencial do exame. Confira as orientações de preparo para colonoscopia.

Exames de imagem

Quando o diagnóstico de câncer é confirmado, exames como tomografia computadorizada e ressonância magnética ajudam a definir a extensão da doença, o chamado estadiamento. No câncer de reto, a ressonância da pelve tem papel importante para avaliar o tumor e orientar o planejamento do tratamento. Em situações específicas, a tomografia também pode ser usada para avaliar o intestino, no exame conhecido como colonoscopia virtual, que não permite a retirada de pólipos.

Câncer de intestino tem cura?

Sim. Quando descoberto em fase inicial, o câncer de intestino tem altas chances de cura. Quanto mais cedo o tumor é encontrado, mais simples tende a ser o tratamento e melhores costumam ser os resultados.

 

"O diagnóstico precoce está diretamente ligado a taxas de cura mais elevadas, o que reforça o papel de exames simples", afirma o Dr. Samuel Aguiar Jr, líder do Centro de Referência em Tumores Colorretais do A.C.Camargo Cancer Center.

 

O tratamento é definido de acordo com a localização do tumor, o estágio da doença e as condições de saúde de cada paciente. Em linhas gerais, ele pode incluir:

 

  • Cirurgia: é a base do tratamento na maior parte dos casos, com a retirada do trecho do intestino afetado e dos gânglios próximos. Lesões muito iniciais podem, em casos selecionados, ser retiradas durante a própria colonoscopia;
  • Quimioterapia: pode ser indicada antes ou depois da cirurgia, conforme o estágio da doença;
  • Radioterapia: tem papel mais frequente no câncer de reto, muitas vezes associada à quimioterapia;
  • Terapias-alvo e imunoterapia: em situações específicas, de acordo com as características do tumor. Saiba mais sobre os novos tratamentos para câncer de cólon metastático.

Como cada caso tem particularidades, o plano de tratamento costuma ser discutido por uma equipe multidisciplinar, que reúne cirurgiões, oncologistas clínicos, radioterapeutas, radiologistas e patologistas, entre outros especialistas, em reuniões conhecidas como Tumor Board.

Câncer de intestino não é uma doença só de pessoas mais velhas

Embora o risco aumente com a idade, o câncer de intestino também pode acontecer em pessoas mais jovens. Nesses casos, o diagnóstico às vezes demora, porque sintomas como sangue nas fezes e alteração do hábito intestinal acabam atribuídos a hemorroidas ou a problemas passageiros.

 

A recomendação vale para qualquer idade: sintomas persistentes, como sangramento, mudança no ritmo intestinal que não melhora, dor abdominal frequente ou perda de peso sem motivo, devem ser avaliados por um médico, mesmo antes da idade indicada para o rastreamento.

Atendimento especializado em tumores colorretais

O A.C.Camargo conta com um Centro de Referência em Tumores Colorretais, liderado pelo Dr. Samuel Aguiar Jr, com equipe multidisciplinar dedicada à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento dos tumores de cólon e reto.

 

Se você tem sintomas que persistem ou chegou à idade de iniciar o rastreamento, converse com um médico. Para marcar uma consulta ou um exame, acesse a página de agendamentos ou encontre um médico do A.C.Camargo.

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