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É fake news: termômetro infravermelho não causa danos ao cérebro

Linha Fina

Notícia falsa está circulando na internet dizendo que o aparelho pode causar danos à glândula pineal, localizada no cérebro

Em algumas redes sociais, circula a notícia falsa (fake news) de que o termômetro digital infravermelho pode causar danos aos olhos e à glândula pineal, localizada na cabeça, logo abaixo no cérebro e responsável pela produção de hormônios.

As mensagens, frequentemente compartilhadas em perfis no Facebook e WhatsApp, dizem que o termômetro digital, quando apontado para a testa, oferece perigo a quem tem a temperatura medida. Essa informação não é verdadeira e o aparelho não causa dano ao cérebro ou a alguma glândula.

Seu uso, contudo, deve ser feito de forma responsável, evitando a região dos olhos: "Quando utilizado de forma correta, o comprimento da onda, a baixa potência e o baixo tempo de exposição da luz ultravioleta utilizado por esses termômetros não acarretam malefícios para a retina", explica a Dra. Martha Chojniak, Head de Oftalmologia do A.C.Camargo Cancer Center.

Termômetro digital infravermelho: o que é?

É um aparelho com uma tecnologia que utiliza luz infravermelha para captar ondas de calor de nosso corpo e fornecer a temperatura imediatamente.

Em nossa Instituição, o termômetro digital infravermelho é utilizado para medir a temperatura de todos(as) pacientes e visitantes.

O que o paciente com câncer deve saber sobre interações medicamentosas?

Chás e alguns medicamentos podem interferir na ação dos quimioterápicos 

Por Daniel Garcia, médico oncologista clínico do A.C.Camargo Cancer Center

Pacientes com câncer têm um risco particularmente alto de interações medicamentosas, que, por definição, são um efeito do uso de duas (ou mais) drogas, ou uma interação entre uma droga e alimentos, bebidas ou suplementos, levando a uma mudança na eficácia ou toxicidade de um fármaco. Por geralmente tomarem muitos medicamentos durante o tratamento, incluindo quimioterapia, terapia-alvo, medicamentos de suporte (para náuseas, diarreia, dor, entre outros) e medicamentos para comorbidades (como hipertensão arterial sistêmica, arritmias, epilepsia), os pacientes com câncer acabam expostos a diversos fármacos. Além disso, os pacientes frequentemente apresentam mudanças do ritmo gastrointestinal, mucosites (inflamação das mucosas), alterações hepáticas e renais, mudanças no peso corporal e retenções de líquidos, que acabam por influenciar ainda mais a forma como os medicamentos são absorvidos, metabolizados e distribuídos pelo corpo.

Quase 1/3 dos pacientes com câncer são suscetíveis a interações medicamentosas

De acordo com artigo publicado na revista eCancer Global Foundation pela Dra. Rachel P. Riechelmann, head do departamento de Oncologia Clínica do A.C. Camargo Cancer Center, quase um terço dos pacientes com câncer em tratamento ficam expostos a interações medicamentosas. Fatores de risco para este tipo de ocorrência são idade avançada, uso de múltiplos medicamentos e ter comorbidades. Pacientes que possuem alguns tipos de câncer são mais propensos, como no caso do câncer de cérebro e câncer ginecológico.

As combinações de maior risco de interação envolvem medicamentos não oncológicos, como corticoides, fenitoína e warfarina. Apesar de parecer simples, diagnosticar uma interação medicamentosa é frequentemente um desafio para o médico, que precisa elucidar se aquele efeito é o esperado pelo medicamento, se é causado por interação, se é uma manifestação da doença subjacente ou eventualmente combinações destes eventos.

Algumas interações medicamentosas no tratamento oncológico

Para se ter uma ideia de como as interações são importantes, o medicamento erlotinibe, utilizado para tratamento de câncer de pulmão, depende do pH ácido do estômago para sua absorção. Quando administrado junto com um protetor gástrico, como o omeprazol, o pH do estômago se torna alcalino, o que resulta numa diminuição em torno de 50% da sua absorção. Um estudo holandês testou administrar o erlotinibe e esomeprazol junto com refrigerante a base de Cola, uma bebida sabidamente de pH ácido. O resultado foi um aumento de 39% na absorção do erlotinibe, quando comparado ao uso dos dois medicamentos tomados com água. De maneira semelhante, o quimioterápico capecitabina também depende de um pH ácido para sua absorção. Se tomado junto com protetores gástricos, pode ter sua eficácia reduzida. 

Outro exemplo de interação é com o medicamento tamoxifeno, muito utilizado para o tratamento do câncer de mama. O tamoxifeno é metabolizado pelo fígado em sua substância ativa, o endoxifeno. Quando utilizado junto com alguns anti-depressivos (como fluoxetina, paroxetina, sertralina), esta conversão para endoxifeno é reduzida em cerca de 60%, podendo interferir na eficácia do tratamento. Algumas vezes, a interação medicamentosa pode ser o efeito desejado e destinado a melhorar a eficácia do tratamento, como o efeito da leucovorina, que potencializa o quimioterápico 5-fluorouracil. A leucovorina também interage com o quimioterápico metotrexate, reduzindo seus efeitos colaterais.

Alimentos e medicamentos alternativos também podem interagir

O grapefruit, por exemplo, pode aumentar os níveis sanguíneos da ciclosporina em 38%, tacrolimo em 110% e oxicodona em 67%. A abiraterona, medicamento para tratar o câncer da próstata, se tomado junto com alimentos pode ter sua absorção aumentada em até 17 vezes, devendo ser ingerido de estômago vazio. A erva de são João, medicamento fitoterápico algumas vezes utilizado como calmante e anti-depressivo, pode reduzir os níveis sanguíneos do quimioterápico irinotecano em 40% e aumentar os níveis de ciclosporina e tacrolimo em mais de 50%. Medicamentos oncológicos como imatinibe, osimertinibe e lapatinibe também podem ter suas concentrações sanguíneas reduzidas por influência da erva de são João. 

Na dúvida, procure o seu médico

Portanto, é importante utilizar medicamentos com o aval do médico, principalmente os pacientes em tratamento de câncer. A mesma recomendação serve para o uso de medicamentos e terapias alternativas, que geralmente são menos estudadas e de eficácia questionável e, no entanto, podem interferir de maneira negativa nos tratamentos convencionais e comprovadamente eficazes.
 

Touca de resfriamento - Uma forma de colaborar com a autoestima e preservar a privacidade dos pacientes

Tentar manter a autoestima durante o tratamento de câncer ajuda no bem-estar e na qualidade de vida e também a paciente a se sentir mais bonita e até mais forte para seguir com os cuidados necessários. Nem sempre isso é tão simples. Um dos efeitos colaterais mais temidos por quem precisa fazer quimioterapia é a perda de cabelos.

Embora muitas mulheres se adaptem a lenços, perucas, chapéus, ou mesmo a sair careca, valorizando o rosto com brincos ou uma bonita maquiagem, outras sentem que estar careca é sinônimo de ficar estigmatizada. Para essas pacientes, ficar com os cabelos é algo muito mais importante do que a estética: permite fazer a quimioterapia com discrição, sem precisar se expor com relação à doença.

Uma forma de ajudar a preservar a saúde psicológica e a privacidade da paciente é o uso da touca de resfriamento, técnica que resfria o couro cabeludo e reduz a queda dos fios de cabelo. "A touca diminui a circulação sanguínea no couro cabeludo e isso reduz muito a queda dos fios de cabelo", explica a Dra. Solange Sanches, do Departamento de Oncologia Clínica. "Em média, 50% dos fios são preservados (em cerca de 2/3 das pacientes com câncer de mama que utilizam a touca)", diz ela. Homens também podem usar a touca. "Ela é indicada para pacientes que usam medicamentos quimioterápicos que provocam a queda dos fios, mas em geral é usada em pacientes de câncer de mama".

Alguns pacientes podem sentir dor no início e desconforto com a sensação de frio intenso no couro cabeludo, mas a maioria se adapta. É preciso tomar certos cuidados: os cabelos ficam mais ralos, mais frágeis, não podem ser lavados com tanta frequência.

Importante: O sucesso do tratamento depende de vários fatores, como tipo e estágio do câncer, idade, tipo do cabelo e estado de saúde em geral. Seu médico vai avaliar se a touca é indicada para você.

Converse com seu médico a respeito do uso da touca.

Como funciona

A touca está acoplada a uma serpentina que sai de uma caixa de resfriamento. O líquido de refrigeração circula na serpentina a uma temperatura de 4 ºC para que o couro cabeludo se mantenha em torno de 11 ºC. A baixa temperatura promove uma vasoconstrição na região, dificultando que a droga utilizada na quimioterapia penetre e danifique o folículo capilar.

  • A touca é colocada 30 minutos antes da sessão de quimioterapia. O paciente permanece com ela durante toda a sessão e ainda por mais 90 minutos. Depois disso, fica ainda 10 minutos.
  • Deve ser usada em todas as sessões de quimioterapia.
  • A touca é bem leve e protegida por uma capa de neoprene. O paciente pode ler, ocupar-se com outras atividades e até ir ao banheiro sem afetar o seu tratamento.

Por que a quimioterapia faz o cabelo cair

A quimioterapia tem como alvo todas as células de divisão rápida no organismo.

A divisão celular acontece de forma muito rápida nos fios capilares e esta é a razão para que várias drogas quimioterápicas causem a queda do cabelo. Os cabelos costumam cair em duas semanas após o início do tratamento com quimioterapia.

Como o pioneirismo em cirurgia robótica acelera a recuperação de pacientes

Artigo científico descreve como foi a implementação dessa tecnologia aqui no A.C.Camargo e que temos, hoje, expertise similar aos melhores do mundo

Somos pioneiros na América Latina em cirurgia robótica de cabeça e pescoço, com expertise similar aos centros de referência do mundo. A primeira cirurgia robótica aqui no A.C.Camargo foi feita em novembro de 2014 - uma dissecção retroauricular de pescoço - e desde junho do mesmo ano cirurgiões da nossa equipe de Cabeça e Pescoço já participavam de um programa colaborativo de treinamento com a Yonsei University, da Coréia. Os resultados positivos comprovados, tanto nos aspectos funcionais quanto estéticos, impulsionaram o A.C.Camargo a disseminar esse conhecimento. Começamos a desenvolver, com a colaboração da universidade coreana, um treinamento para cirurgiões da América do Sul.

Assinado pelos cirurgiões Dr. Renan Bezerra Lira, Dr. Thiago Chulam e Dr. Luiz Paulo Kowalski, do Departamento de Cabeça e Pescoço, o artigo Safe implementation of retroauricular robotic and endoscopic neck surgery in South America (Implementação segura da cirurgia robótica e endoscópica retroauricular de pescoço na América do Sul), publicado na Gland Surgery, descreve em detalhes essa ampla experiência. "Ele conta a história de como abraçamos a ideia de fazer robótica, o caminho que percorremos para desenvolver e adaptar técnicas, os primeiros resultados", diz Dr. Kowalski. "É o passo a passo da implementação segura do método". 

O robô Da Vinci foi criado em 2005, nos Estados Unidos, e chamou a atenção de cirurgiões do mundo pelas muitas possibilidades de avanço em cirurgias. Nossa história na robótica para cabeça e pescoço se inicia com supervisão online de um professor da Coreia (os coreanos são referência mundial na área, com mais de 500 robôs) e, em seguida, três cirurgiões da nossa equipe foram a Seul para assistir cirurgias e debater casos clínicos. De 2014 a 2016 fizemos 121 cirurgias retroauriculares de pescoço, sendo 65 robóticas e 56 endoscópicas.

A parceria com os coreanos continua a todo vapor: o A.C.Camargo participa, com instituições de referência do mundo na área, de uma organização de pesquisa, o International Guild of Endoscopic & Robotic Head and Neck Surgery (IGERHNS), que promove encontros anuais. O próximo, de 2018, será no Brasil.

Estamos tão reconhecidos na cirurgia robótica que em novembro passado o Dr. Renan Lira venceu como melhor apresentação oral do Congresso Asiático de Cirurgia Robótica, com o trabalho "Esvaziamento cervical robótico em casos de câncer de boca".

Para acessar a pesquisa na íntegra, clique aqui. 

Dr. Luiz Paulo Kowalski - CRM 36404
Diretor do Departamento de Cabeça e Pescoço
Especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço - RQE nº 56910

Reconhecimento: estamos entre as empresas mais inovadoras do setor de serviços médicos pelo anuário Valor Inovação

A 3ª edição do anuário Valor Inovação Brasil, divulgada na última semana, aponta o A.C.Camargo Cancer Center como a 4ª empresa do setor de serviços médicos que mais se destacou em 2016. A publicação também listou as 150 empresas mais inovadoras do país, considerando todos os setores. Nesse ranking, ocupamos a 84ª posição.

Para acessar a matéria completa, clique aqui.

Os principais exemplos de inovação surgiram na área de Pesquisa: nossa relevância como produtor de ciência com a publicação de 185 artigos científicos, a implementação do Tumor Board, o desenvolvimento da Biópsia Líquida e a nossa primeira patente, o T1-Sure.

"Estamos bastante satisfeitos com esse reconhecimento. A inovação é um de nossos valores e já percebemos o reflexo disso em nosso dia a dia. Queremos ampliar as iniciativas de inovação por meio de um programa de ideias e engajar todos para contribuir com sugestões de melhoria em qualquer atividade", comenta José Marcelo de Oliveira, Superintendente Executivo de Negócios.

Para a Dra. Vilma Martins, Superintendente de Pesquisa, o grande objetivo da nossa área de Pesquisa é transformar a inovação em aplicações práticas, na entrega de valor para o paciente e a sociedade. "É para isso que direcionamos todos os nossos esforços e esse reconhecimento vem para mostrar que estamos no caminho certo", conclui.

Saiba mais sobre a metodologia

O anuário Valor Inovação está em sua 3ª edição e é desenvolvido pelo jornal Valor Econômico em parceria com a Strategy&, consultoria estratégica da PwC – empresa que presta serviços em auditoria, consultoria tributária e de negócios. Nesse ano, foram 195 empresas inscritas de 18 setores.

O resultado é obtido por meio da avaliação de questionário respondido pela empresa, entrevista e avaliação do mercado sobre a conduta das empresas, considerando o aspecto inovação. A metodologia usa como base quatro grandes critérios: intenção de inovar, esforço para realizar a inovação, resultados obtidos e avaliação de mercado.

 

Orientações sobre a gripe 2018

A gripe

A influenza ou gripe é uma infecção respiratória aguda, causada pelo vírus influenza, com alto potencial de transmissão. Os primeiros sintomas geralmente são: febre, dor muscular e tosse seca. A evolução costuma ser branda e autolimitada, por período de quatro dias a sete dias, mas pode apresentar formas graves, levando o paciente à internação.

Existem três tipos de vírus influenza que circulam no Brasil: A, B e C. Os vírus influenza A e B são responsáveis por epidemias sazonais, sendo o vírus influenza A responsável pelas grandes pandemias.

Tipo A - Entre os subtipos de vírus influenza A, atualmente os subtipos A(H1N1) e A(H3N2) circulam com frequência  e infectam humanos. 

Não há circulação do vírus H2N3 no Brasil.

A vacina

 A vacina contra gripe é segura e é a intervenção mais importante para evitar casos graves e mortes pela doença.  

A vacina contra influenza é uma vacina de vírus inativado (incapaz de provocar doença).

Anualmente, são definidas as cepas que constituirão a vacina. Em 2018, a vacina trivalente será constituída de duas cepas similares ao vírus influenza A (H1N1 e H3N2) e uma cepa similar ao influenza B (disponível em todos os postos de saúde).

A vacina tetravalente inclui mais uma cepa similar ao influenza B (somente disponível em clínicas particulares).

Indicações para tomar a vacina

- Todo paciente em tratamento de câncer pode e deve tomar a vacina contra gripe.

- Pacientes com tumores sólidos ou hematológicos têm maior risco para infecção e complicações de influenza, tendo prioridade e recomendação formal para vacinação.

- Pacientes que recebem radioterapia, quimioterapia venosa ou oral, terapia-alvo (incluindo rituximabe) ou pacientes pós-transplante.

- Pacientes que utilizam imunoterapia (anticorpos anti-PD-L1 e anti-CTLA4) podem receber a vacina.

- Pacientes em estudo clínico devem ter a conduta individualizada, sempre após consulta à equipe médica responsável pelo estudo.

- Pessoas em contato com pacientes com câncer (principalmente crianças) e profissionais de saúde, que não apresentem contraindicação, devem receber também a vacina.

Demais grupos prioritários:

  • Crianças de 6 meses a menores de 5 anos
  • Gestantes
  • Puérperas (até 45 dias após o parto)
  • Trabalhadores de saúde
  • Povos indígenas
  • Indivíduos com 60 anos de idade ou mais 
  • População privada de liberdade
  • Funcionários do sistema prisional
  • Professores da rede pública e privada
  • Pessoas portadoras de doenças crônicas não transmissíveis
  • Pessoas portadoras de outras condições clínicas especiais (doença respiratória crônica, doença cardíaca crônica, doença renal crônica, doença hepática crônica, doença neurológica crônica, diabetes, imunossupressão, obesos, transplantados e portadores de trissomias)

Não se pega a gripe tomando a vacina.

A reação com febre baixa e dor no corpo por um ou dois dias pode acontecer com qualquer vacina e não se trata de gripe.

Prevenção

Para redução do risco de adquirir ou transmitir doenças respiratórias, especialmente as de grande infectividade, como vírus influenza, orienta-se que sejam adotadas medidas gerais de prevenção, tais como:

  • Frequente higienização das mãos, principalmente antes de consumir algum alimento
  • Utilizar lenço descartável para higiene nasal
  • Cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir
  • Evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca
  • Higienizar as mãos após tossir ou espirrar
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas
  • Manter os ambientes bem ventilados
  • Evitar contato próximo a pessoas que apresentem sinais ou sintomas de influenza
  • Evitar sair de casa em período de transmissão da doença
  • Evitar aglomerações e ambientes fechados (procurar manter os ambientes ventilados)
  • Orientar o afastamento temporário (trabalho, escola etc.) até 24 horas após cessar a febre

Indivíduos que apresentem sintomas de gripe devem:

  • Evitar sair de casa em período de transmissão da doença (até 7 dias após o início dos sintomas)
  • Evitar visitar pacientes em hospitais
  • Restringir ambiente de trabalho para evitar disseminação
  • Evitar aglomerações e ambientes fechados, procurando manter os ambientes ventilados

Importante

O serviço de saúde deve ser procurado imediatamente caso a pessoa apresente algum destes sintomas: dificuldade para respirar, lábios com coloração azulada ou roxeada, dor ou pressão abdominal ou no peito, tontura ou vertigem, vômito persistente, convulsão.

Referências:

O exame de sangue oculto nas fezes é o método ideal para rastreamento do câncer colorretal em grandes populações

Pouca gente se lembra de fazer – e às vezes até mesmo os médicos se esquecem de pedir – o exame de sangue oculto nas fezes. Entretanto, ele é muito eficiente para ajudar no diagnóstico do câncer de intestino e tem a vantagem de ser simples, não invasivo ou caro como a colonoscopia.

Na verdade, o exame de sangue oculto funciona como uma espécie de triagem: ele indica quem realmente precisa fazer colonoscopia. E, com isso, facilita a vida dos pacientes que acabam adiando a colonoscopia (que muitos preferem evitar por ser um exame que exige tempo, preparo, sedação) e ajuda a reduzir custos. É o método ideal para rastreamento em grandes populações.

"É importante enfatizar que o exame de sangue oculto não substitui a colonoscopia, que ainda é essencial para um diagnóstico preciso", diz Dr. Samuel Aguiar Jr., Diretor do Departamento de Tumores Colorretais.

Como funciona?

O exame de sangue oculto avalia a presença de pequenas quantidades de sangue nas fezes, que podem não ser visíveis a olho nu. Ajuda a detectar a presença de sangramentos no intestino grosso, que podem ser sinais de úlceras, colite ou até câncer. De todos os pacientes que realizaram o exame de sangue oculto aqui, em torno de 10% apresentaram resultados positivos e precisaram fazer exames complementares.

Nosso estudo

Em entrevista ao site da Revista Saúde, Dr. Samuel Aguiar conta sobre nosso estudo: de 1.200 pacientes que tinham indicação para realizar o exame de sangue oculto, 540 participantes (45% do total) simplesmente não retornaram sequer para entregar a coleta da amostra de fezes que seria analisada no laboratório. E a desistência foi maior entre os adultos de 50-60 anos, com um trabalho formal. Ou seja, percebemos que a falta de tempo para voltar ao médico é um dos fatores que mais contribuem para a baixa adesão.

Câncer colorretal

No Brasil, o tumor maligno no cólon e no reto é o  tipo mais comum em homens e o  em mulheres. Diagnosticado no início, o câncer colorretal pode apresentar cerca de 90% de chances de sucesso no tratamento.

Dr. Samuel Aguiar Jr. - CRM 84495
Diretor do Departamento de Tumores Colorretais
Especialista em Cancerologia Cirúrgica - RQE nº 4342

Diferenças entre câncer infantil e de adultos

Ao contrário do que acontece com adultos, o câncer em crianças não tem fatores de risco, como falta de exercícios físicos ou exageros na dieta. Suas causas ainda são desconhecidas.

O número: 12.600 novos casos de câncer infantil por ano no Brasil.

Câncer de criança é igual ao de adulto? Não.

O câncer em adultos, na maioria dos casos, está relacionado a fatores de risco do meio ambiente. Por exemplo, o câncer de pulmão, à exposição ao tabaco, o câncer de colo de útero, ao HPV. É preciso anos de exposição a fatores de risco até que a célula comece a se multiplicar de forma desorganizada dando origem ao câncer. Na criança, o câncer é formado por uma célula que não amadureceu como deveria e começou a se multiplicar de forma desordenada.

Leucemia linfoide aguda é o principal câncer na infância.

Sua principal característica é a juventude das células, que se proliferam rapidamente e ocupam a medula óssea acima de sua capacidade. Já em adultos, a incidência da leucemia é de apenas 1,6% e a mais comum é a leucemia linfoide crônica, que não ocorre na faixa etária pediátrica.

Linfomao 3º tipo de câncer mais comum na infância, também aparece em adultos, na 10ª posição. É o câncer no sistema linfático, que pode ser de dois tipos: linfoma não Hodgkin e linfoma de Hodgkin. O mais comum, tanto nas crianças quanto nos adultos jovens, é o linfoma não Hodgkin, agressivo, de rápido crescimento. O linfoma de Hodgkin, mais vagaroso, costuma aparecer nos adultos mais velhos.

Sarcomas são mais comuns entre crianças, com 10% dos casos.

Entre os adultos, a frequência é de apenas 1%. O rabdomiossarcoma é o tipo de sarcoma mais frequente entre crianças e adolescentes; atinge as partes moles (nos rabdomios, células que vão se tornar músculos esqueléticos do corpo), principalmente na região da cabeça e do pescoço, gênito-urinária (bexiga, próstata, testículo, vagina) e nas extremidades. Entre os adultos, os tipos mais incidentes de sarcomas de partes moles são o leiomiossarcomalipossarcoma e o fibrossarcoma. Entre os sarcomas ósseos, os mais comuns são o osteossarcoma e o sarcoma de Ewing, ambos mais frequentes na adolescência.

Conheça outros tipos de tumores pediátricos

  • Tumor de Wilms: tumor renal. Pode afetar um rim ou, raramente, ambos e é mais comum na faixa dos 2 a 3 anos de idade.
  • Neuroblastoma: mais comum no abdome e no mediastino. Costuma ser diagnosticado nos dois primeiros anos de vida.
  • Retinoblastoma: câncer nas células da retina e que tem como característica um brilho nos olhos, conhecido como reflexo do olho de gato. Pode ser hereditário ou não. Costuma aparecer em crianças de 0 a 3 anos de idade.
  • Tumores do Sistema Nervoso Central: são os tumores malignos sólidos mais comuns em crianças. Podem ocorrer em qualquer faixa etária.

O que muda no tratamento com a idade

Leucemia aguda: a resposta à quimioterapia costuma ser melhor em crianças, que apresentam prognóstico favorável em cerca de 80% dos casos. Esse número diminui um pouco entre os adultos.

Sarcomas: para as crianças, a quimioterapia é recomendada, pois o rabdomiossarcoma é bastante sensível a esse tratamento. Adultos com sarcomas são tratados com cirurgia e radioterapia na maioria das vezes.

 

Dra. Cecília Maria Lima da Costa CRM 77799
Diretora do Departamento de Oncologia Pediátrica
Especialista em Pediatria - RQE nº 57880

Febre Amarela: orientações para nossos pacientes

O aumento no número de casos de febre amarela, principalmente em São Paulo, tem gerado uma grande preocupação na população, e também nos nossos pacientes.

A febre amarela é uma doença infecciosa, causada por vírus e transmitida por vetores, ou seja, pela picada de mosquitos infectados com o vírus.

Importante

A doença não é contagiosa, ou seja, não há transmissão de pessoa para pessoa. Ela é transmitida somente pela picada de mosquitos infectados com o vírus da febre amarela.

Principais sintomas

Geralmente, quem contrai esse vírus não chega a apresentar sintomas ou os apresenta de forma sutil. As primeiras manifestações da doença são repentinas:

  • Febre e calafrios
  • Dor de cabeça, dores nas costas, dores no corpo em geral
  • Náuseas e vômitos
  • Fadiga e fraqueza

É importante procurar o médico logo nos primeiros sintomas, quando ainda não se tem certeza se é febre amarela. Os sintomas são muito parecidos com os de outras doenças. Em casos graves, a pessoa pode desenvolver febre alta, icterícia (coloração amarelada da pele e do branco dos olhos), hemorragia e, eventualmente, choque e insuficiência múltipla dos órgãos.

Tratamento

O tratamento é apenas sintomático, com cuidados ao paciente, que, sob hospitalização, deve permanecer em repouso, com reposição de líquidos e das perdas sanguíneas, quando indicado. Em casos graves, deverá receber suporte de terapia intensiva.

Vacinação

A única forma de evitar a febre amarela é por meio de vacina.

A vacina é indicada para pessoas que residam em áreas de risco ou que vão viajar para áreas de risco de transmissão.

Informações gerais

Crianças 
É indicada a vacinação em crianças a partir de 9 meses de idade. A vacina, no entanto, pode ser administrada em crianças a partir de 6 meses que residam em áreas de risco de transmissão de febre amarela.

Uso de corticoides sistêmicos 
É contraindicada a vacina para indivíduos em uso de 20 mg/dia ou mais de prednisona (ou outro corticoide com dose equivalente) por pelo menos 2 semanas ou dose menor por período maior que 2 semanas.

Gestantes e mulheres amamentando lactentes menores de 6 meses
É indicada a vacina apenas para aquelas que residam em áreas de risco de transmissão. Para mulheres que amamentam, deve ser suspensa a amamentação por 10 dias após a vacinação. Mulheres amamentando crianças acima de 6 meses podem ser vacinadas, e não há necessidade de suspensão da amamentação.

Pacientes com diagnóstico de HIV 
Indicada a vacina se esses pacientes estiverem assintomáticos, com CD4=350 células/mm3 e carga viral indetectável.

Doença falciforme
Sem uso de hidroxiureia podem ser vacinados. Se em uso de hidroxiureia, vacinar se a contagem de neutrófilos >1.500 células/mm3.

Indivíduos com história de reação anafilática relacionada a ovo de galinha e seus derivados 
É contraindicada a vacinação.

Pacientes com diagnóstico de doenças do timo (miastenia gravis, timoma) 
É contraindicada a vacinação.

Pacientes em uso de imunossupressores (azatioprina, ciclofosfamida, ciclosporinas, sirolimus, tacrolimus, fludarabina)
É contraindicada a vacinação.

Idosos
Pessoas com 60 anos ou mais devem ser vacinadas, desde que não apresentem nenhuma das contraindicações citadas nas recomendações específicas para pacientes oncológicos.

Recomendações específicas para pacientes oncológicos

Pacientes em quimioterapia 
É indicada a vacinação após 3 meses do término da quimioterapia. Para leucemias e linfomas, 6 meses após o final do tratamento. Pacientes com síndrome mieloproliferativa crônica devem ser vacinados se o padrão laboratorial estável e os neutrófilos estiverem acima de 1.500 células/mm3.

Pacientes que não fazem quimioterapia e usam isoladamente tamoxifeno, anastrazol, letrozol, trastuzumabe, pertuzumabe ou zoladex
Podem tomar a vacina.

Pacientes que fazem uso de nivolumabe, pembrolizumabe, avelumabe ou everolimo
É contraindicada a vacinação.

Pacientes em radioterapia ou radioiodoterapia:
Indicada a vacinação 3 meses após o final do tratamento.

Pacientes em uso de imunobiológicos (incluindo os anticorpos monoclonais)
Indicada a vacinação 6 meses após a suspensão do imunobiológico.

Cirurgias eletivas 
Para crianças, suspender a cirurgia por 3 semanas após a data da vacina. Adultos assintomáticos podem ser submetidos a cirurgia.

Leucemias agudas (mieloide e linfoide) e linfomas de Hodgkin e não Hodgkin
A vacina é contraindicada durante o tratamento e até 6 meses após a última administração do quimioterápico ou da última sessão de radioterapia.

Mieloma múltiplo e leucemias crônicas
O paciente deve consultar o especialista para avaliação do caso de forma individual.

 

Observação

Pacientes com contraindicação à vacina devem ser orientados a evitar viagens para áreas de risco de transmissão de febre amarela, usar repelentes e roupas claras de mangas compridas. Pacientes em radioterapia devem evitar a aplicação de repelente nas áreas irradiadas.

Doadores de sangue

Estão aptos a doar sangue 4 semanas depois de terem tomado a vacina da febre amarela e 4 semanas após o retorno de região de risco de transmissão de febre amarela.

Em caso de dúvidas, entre em contato com a nossa Central de Relacionamento, pelo telefone (11) 2189-5000, de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h e aos sábados, das 8h às 14h.

Tudo o que um prato saudável pode fazer por você

Comer bem e em cores é garantia de saúde. Com os alimentos certos e seu corpo em equilíbrio, a vida parece melhor. Então, olho no prato: suas escolhas são fundamentais para prevenir doenças, inclusive o câncer. E, caso você já seja paciente, mais uma boa razão para se alimentar bem: você encara o tratamento com mais energia e pode se recuperar mais rapidamente.

Prevenir é sempre bom

Uma alimentação saudável, equilibrada, diminui as chances de você ter câncer. É uma via de mão dupla: quem não pensa em saúde na hora de fazer o prato corre mais riscos de ter câncer.

Para todas

Fibras, proteínas, antioxidantes, carboidratos, frutas, vegetais: comida saudável é a que equilibra bem todos esses elementos – 50% vegetais, 25% proteínas e 25% de carboidratos em cada refeição. Ao longo do dia, consuma frutas sempre. O ideal são cinco porções de frutas por dia.

Limpeza boa

Antioxidantes fazem uma faxina no organismo. Onde encontrar esses agentes da limpeza?

Vitamina A - Pense em alimentos com tons solares, alaranjados, vermelhos, amarelos.

Vitamina C - Laranja, acerola, limão, nas frutas cítricas.

Vitamina E - Nozes e os óleos vegetais.

Zinco - Castanha-do-pará, amêndoa, castanha de caju.

Selênio - Outro mineral encontrado na castanha-do-pará e também no leite, nas carnes, nas nozes.

Fibras também são essenciais: estão presentes em frutas, verduras, arroz integral, farinhas integrais, aveia, linhaça, cevada, feijão, lentilha, ervilha.

Nada de excessos

Em dias de festa, você até pode beber um pouco, mas, mesmo assim, sem exageros. Evite beber quase todos os dias, e nunca beba além da conta.

Açúcar demais, nem pensar. E, quando adoçar, troque o açúcar branco, refinado, por uma versão mais saudável, como o demerara. Ou use mel.  Se optar pelo adoçante, também prefira os mais naturais como o stevia.

Muito sal também não: em excesso, o sal retém líquidos e eleva sua pressão arterial. Experimente substituir o sal por temperos naturais, como ervas (orégano, tomilho, sálvia, o que for do seu gosto) para saborear ainda mais sua comida.

O tempero da vida

Moderar no sal, sim, mas uma pitada salgada dá mais sabor à vida. Então, que tal fazer em casa um sal de ervas? É simples: a cada grama de sal, um grama de ervas da sua preferência. Fica uma delícia.

Água, bendita água

Muita! Água hidrata, refresca, ajuda no bom funcionamento dos intestinos; é tudo de bom. Beba de seis a oito copos por dia. Sucos – de preferência, naturais e sem açúcar – e chás são bem-vindos. Sobre o chá, um aviso importante: o chá verde é ótimo, mas pode não cair bem com alguns medicamentos quimioterápicos. Se você estiver fazendo quimioterapia, avise a nutricionista que pretende tomar chá verde.

Picolé dá água na boca

Andar sossegada chupando um picolé de limão tem cara de verão e efeito terapêutico. Boca seca é um sintoma desagradável, porque altera o gosto dos alimentos. O limão, que é ácido, atenua a boca seca e a alteração do paladar. Balinhas azedas ou mentoladas também ajudam.

Mais leveza

Se a sua boca está com feridas, troque o picolé por sorvete de massa. E coma alimentos macios, leves, como gelatinas, iogurtes, frutas macias como banana e mamão. Com a boca machucada, não dá para comer um pão francês, por exemplo, porque as casquinhas podem ferir ainda mais. Troque-os por pães macios, muito melhores.

Tem jeito para tudo

Intestino desregulado é um pesadelo, certo? A boa alimentação é o remédio.

Preso: se o seu intestino teima em não funcionar, beba muita água, aumente o consumo de fibras, abuse de frutas que dão aquele empurrãozinho para soltá-lo: mamão, laranja, morango, banana nanica.

Solto: quando o intestino funciona mais do que devia, você fica fraca, desidratada. Então, vamos regular a situação. Frutas que ajudam a prendê-lo: banana-maçã, goiaba, maçã, melão, melancia. Diminua, até tudo voltar ao normal, o consumo de fibras. Evite leite e derivados.

Fazer ou não dieta?

Mais uma vez, a palavra equilíbrio define tudo. Se você está em tratamento, fazendo quimioterapia, por exemplo, precisa comer para não enfraquecer. Um corpo fraco sofre mais com os efeitos colaterais. E você precisa de energia para seguir em frente.

Bem, comer demais e engordar muito também não pode. O excesso de peso é um risco. Pode aumentar a reincidência da doença. Pesquisas mostram que os quilos a mais contribuem para os riscos de câncer. Então, vamos pelo meio-termo: comer bem e variado, mas fazendo exercícios, caminhando, de olho na balança.

Sob medida

A nutricionista vai prescrever qual a dieta certa para você. Essas dicas aqui valem para todos, mas, dependendo do seu tratamento, existem itens específicos. E cada corpo é de um jeito: há pacientes que enjoam muito na quimioterapia, e outros não. Você pode detestar comer algo em um dia, mas, depois, esse sintoma passa e, dali a alguns dias, tudo muda e o apetite volta. Então, converse sempre com o médico e a nutricionista.

 

 

Thais Manfrinato Miola - CRN 24947
Titular da equipe de Nutrição e Dietética do A.C.Camargo Cancer Center