7 entre 10 casos de câncer de fígado e estômago são relacionados com Hepatites B e C e H. pylory

Publicado em: 28/06/2015 - 21:06:00

Estimativa realizada pelo A.C.Camargo Cancer Center aponta que 70% dos tumores de estômago são associados à presença da bactéria H. pylori. O mesmo percentual é atribuído às Hepatites B e C em relação ao hepatocarcinoma, tipo mais comum de câncer no fígado. Além dessas infecções virais, os demais fatores de risco determinantes para a incidência desses tumores e também de pâncreas e esôfago são o etilismo, tabagismo, doença do refluxo, obesidade, pancreatite crônica, diabetes e consumo em excesso de sal e carnes defumadas. A instituição é responsável pelo diagnóstico e tratamento de cerca de 2 mil novos casos de tumores gastrointestinais por ano, oriundos de todos o Estados brasileiros, além de países da América Latina e outros continentes.

Com a proposta de difundir esse conhecimento sobre os fatores que podem levar ao desenvolvimento desses tumores, orientar a população sobre como preveni-los e mostrar os principais avanços no tratamento, especialistas do departamento de Cirurgia Abdominal do A.C.Camargo anunciam o "Encontro com Especialistas – Prevenção e Avanços no Tratamento do Câncer do Aparelho Digestivo". Gratuito e voltado ao público leigo, acontecerá na terça, 30, às 17h30, no Auditório do A.C.Camargo, em São Paulo.
 

Câncer de estômago

Estima-se que anualmente sejam diagnosticados mais de 20 mil novos casos de câncer de estômago no Brasil. Trata-se da segunda maior causa de morte por câncer no mundo, de acordo com o Globocan 2012, muito disso devido ao diagnóstico tardio. No Brasil, o Inca estima que mais de 8 mil mortes são em decorrência dessa doença. A negligência dos fatores de risco e dos sintomas iniciais leva ao alto índice de diagnóstico tardio hoje no país. Menos de 20% dos tumores de estômago são diagnosticados precocemente. "Os sintomas iniciais são bastante inespecíficos, podendo ser confundidos com outras doenças como gastrite, por exemplo. Com isso, os pacientes demoram a buscar um especialista e realizar o exame de endoscopia digestiva", destaca o diretor de Cirurgia Abdominal do A.C.Camargo, Felipe José Fernàndez Coimbra, que ministrará a palestra que abrirá o Encontro com Especialistas. 

Segundo Felipe Coimbra, em alguns casos os pacientes podem se queixar de dificuldade de deglutição (engolir) e refluxo ácido. Além disso, em estágios mais avançados podem ocorrer perda de peso importante, vômitos e aumento do volume do abdome pela presença de líquido em seu interior (ascite). O principal fator de risco para esse câncer é a infecção pelo H. pylori, bactéria presente em água e alimentos contaminados e que acomete metade da população mundial e que em cerca de 5% dos casos leva a um processo inflamatório crônico do estômago que pode evoluir para neoplasia gástrica.

alto consumo de sal, de alimentos com conservantes e defumados e a pouca ingestão de frutas e verduras também são fatores de risco relacionados ao desenvolvimento do tumor de estômago. Outros fatores que podem ser destacados incluem o tabagismo, história familiar de câncer gástrico e cirurgia prévia do estômago. Também pertencem ao grupo de risco famílias oriundas de países com alta incidência de câncer de estômago como Japão, China e Coreia do Sul.
 

Câncer de fígado

diagnóstico desse tumor é feito pela associação de exames de imagem (ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância nuclear magnética) e laboratoriais (dosagem de alfafetoproteína – uma substância produzida pela maior parte desses tumores). Eventualmente, uma biópsia de lesões suspeitas pode ser necessária. O PET-CT tem se demonstrado útil no estadiamento e na decisão terapêutica em casos selecionados. Geralmente a doença é pouco sintomática nas fases iniciais e, quando os principais sintomas aparecem, já indicam doença em fase não inicial, incluindo a perda de peso, o aumento do volume abdominal (acúmulo de líquido dentro do abdome – ascite) e a icterícia (coloração amarelada dos olhos e da pele pelo acúmulo de bilirrubina no organismo). Quadros de Hepatite B ou C precisam ser tratados por um especialista, pois podem gerar cirrose ou levar ao desenvolvimento de hepatocarcinoma, o tipo mais comum de câncer de fígado. 
 

Câncer de esôfago

O câncer de esôfago afeta mais de 450 mil pessoas no mundo a cada ano. De acordo com o Globocan 2012, são estimados 456 mil novos casos por ano e 400 mil mortes no mundo, a maioria em países desenvolvidos. Em termos de incidência, o câncer do esôfago é de três a quatro vezes mais comum entre homens. Para o ano de 2015, no Brasil, esperam-se 8.010 novos casos de câncer de esôfago em homens e 2.770 em mulheres.
  
Os fatores de risco relacionados ao câncer do esôfago são idade, história familiar e fatores extrínsecos como álcool, fumo (fumado, mascado ou aspirado), infecções orais por fungos, agentes infecciosos (como o HPV), deficiência de riboflavina e vitamina A, contaminação de produtos alimentícios por micotoxina fumonisina e ingestão excessiva em temperatura elevada de erva-mate, muito comum no sul do Brasil, na Argentina e no Uruguai. Além disso, a doença de refluxo pode aumentar em 70% o risco de uma pessoa desenvolver câncer de esôfago. Levantamento do A.C.Camargo junto a 120 pacientes com esse tipo de câncer mostra que 40% sofriam de refluxo, doença que atinge cerca de 20 milhões de brasileiros.
  
Comum em pessoas com mais de 50 anos, o refluxo é causado pelo retorno do conteúdo do estômago ou do duodeno ao esôfago. A sensação causada é de azia e queimação no peito ou garganta. Com o contato constante das enzimas digestivas com a parede do esôfago, o órgão passa a apresentar lesões e tecido parecido com o do intestino. As células danificadas por esse processo sofrem mutações e podem se tornar cancerígenas. O tratamento é feito com dietas e mudança de hábitos alimentares. Os pacientes devem evitar ingerir café, chá, refrigerantes, bebidas alcoólicas e alimentos com muito molho, principalmente o de tomate, que tendem a piorar os sintomas. É recomendado também que as pessoas não se deitem logo após a refeição e mantenham o peso adequado. Alguns sintomas como anemia, perda de peso, vômitos e dificuldade de engolir podem indicar um tumor. 

Câncer de pâncreas

Na maioria dos pacientes portadores de câncer de pâncreas, o quadro clínico é inespecífico, com icterícia (coloração amarelada da pele, nos tumores que acometem a região da cabeça do órgão) indolor ou dor nas costas associada à perda de peso. A presença de urina escurecida (colúria) e fezes esbranquiçadas (hipocolia fecal) também podem estar presentes. Emagrecimento é uma queixa comum, podendo ser acompanhado de dores nas costas e depressão. Há relação direta entre o número de cigarros consumidos e sua incidência. Fumantes têm risco aumentado em duas a seis vezes em relação a não fumantes. Há risco aumentado para os que apresentam quadros de pancreatite crônica ou diabetes. Antecedente familiar de câncer de pâncreas também está relacionado ao risco de aparecimento desse tipo de câncer. Estudo recente também correlacionou o consumo crônico de bebida alcoólica com aumento de risco. Há relação também com síndromes hereditárias. Outro fator de risco importante é a própria idade avançada dos pacientes, pois após os 50 anos, a cada década que se vive, observa-se um aumento de risco, o que deve levar a uma elevação da incidência desse tumor com o aumento da expectativa de vida da população. Outro fator de risco importante é a presença de cistos do tipo mucinoso no pâncreas, que deve ser acompanhado por um especialista.
 

SERVIÇO

Encontro com Especialistas do A.C.Camargo Cancer Center
Tema:
 Prevenção do Câncer do Aparelho Digestivo
Data: terça-feira, 30 de junho de 2015.
Local: A.C.Camargo Cancer Center: Auditório José Ermírio de Moraes. 
Endereço: Rua Professor Antônio Prudente, 211, Liberdade, São Paulo
Horário: 17h30.
Inscrições gratuitas: [email protected]

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