Rastreamento do câncer de mama após a pandemia - A.C.Camargo Pular para o conteúdo principal
 
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Impacto da pandemia nas desigualdades de acesso ao rastreamento do câncer de mama

A queda das mamografias em 2020 foi recuperada nos números gerais, mas não apagou as diferenças de acesso entre regiões, níveis de escolaridade e grupos da população.

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O câncer de mama é, sem contar o câncer de pele não melanoma, o tipo mais frequente entre as mulheres no Brasil. A Estimativa 2026 a 2028 do Instituto Nacional de Câncer (INCA) prevê cerca de 78,6 mil casos novos por ano no país, o que corresponde a 30% dos tumores esperados na população feminina. Diante desse volume, o rastreamento é uma das ferramentas mais importantes para encontrar a doença cedo, quando o tratamento tende a ser menos agressivo e as chances de controle são maiores.

 

A pandemia de covid-19 interrompeu essa rotina em todo o mundo. No Brasil, o impacto foi medido em milhões de exames que deixaram de ser feitos e se somou a desigualdades que já existiam antes de 2020. Neste Outubro Rosa, vale entender o que aconteceu, quem ficou mais para trás e o que mudou nas regras do rastreamento, para que cada mulher saiba como retomar o próprio cuidado.

O que é rastreamento do câncer de mama

Rastreamento do câncer de mama é a realização periódica de exames em mulheres sem sintomas, com o objetivo de encontrar o tumor antes que ele provoque sinais perceptíveis. O principal exame usado para isso é a mamografia.

 

É importante separar dois conceitos. O rastreamento é voltado a quem está bem e não tem queixa. Já o diagnóstico precoce é a investigação rápida de quem apresenta algum sinal, como um nódulo ou uma alteração na pele da mama. As duas estratégias se complementam, e nenhuma substitui a outra.

 

A mamografia é uma radiografia das mamas feita com baixa dose de radiação, capaz de mostrar alterações muito pequenas, inclusive microcalcificações que não podem ser sentidas ao toque. Para entender como o exame funciona, qual é o preparo e o que esperar do resultado, o site reúne um conteúdo completo sobre mamografia.

O que aconteceu com a mamografia durante a pandemia

Os números oficiais mostram a dimensão da interrupção. Segundo o relatório "Controle do câncer de mama no Brasil: dados e números", do INCA, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 2.527.833 mamografias de rastreamento em 2019. Em 2020, foram 1.473.277, uma queda de 41% em relação ao ano anterior.

 

O pior momento foi o início da crise sanitária. Um estudo publicado na Revista Brasileira de Cancerologia, que analisou o volume de mamografias no país entre 2017 e 2021, mostrou que em maio de 2020 foram realizados apenas 20,69% dos exames feitos no mesmo mês de 2019. No acumulado daquele ano, cerca de 1,7 milhão de mamografias deixaram de acontecer.

 

A recuperação veio aos poucos. O INCA registrou 2.055.283 exames de rastreamento em 2021 e 2.543.757 em 2022, patamar semelhante ao de antes da pandemia.

Por que voltar ao volume anterior não resolve tudo

Retomar o número de exames por ano não significa recuperar as mulheres que ficaram sem mamografia em 2020 e 2021. Muitas delas passaram dois, três ou mais anos sem nenhum exame, e parte não voltou à rotina.

 

Esse intervalo maior entre um exame e outro aumenta a chance de que um tumor seja encontrado quando já está maior ou quando já provoca sintomas. Segundo o INCA, cerca de 40% dos casos de câncer de mama no Brasil ainda são diagnosticados em estágios avançados (III e IV), um indicador que já preocupava antes da pandemia e que reforça a importância de não adiar o exame.

Quem ficou mais para trás: as desigualdades no acesso

A pandemia não atingiu todas as mulheres da mesma forma. Ela se somou às diferenças de acesso que os dados oficiais registram há anos.

 

De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, citada pelo INCA, 58,3% das brasileiras de 50 a 69 anos tinham feito mamografia nos dois anos anteriores. Por trás dessa média, há contrastes importantes.

Diferença entre cidade e zona rural

A cobertura de mamografia era de 60,5% entre as mulheres que vivem em áreas urbanas e de 41,6% entre as que vivem em áreas rurais. A distância até o serviço, a oferta menor de mamógrafos fora dos grandes centros e a dependência de transporte explicam parte dessa diferença. Na pandemia, com transporte reduzido e serviços reorganizados para atender a covid-19, esses obstáculos ficaram ainda maiores.

Escolaridade e informação

A escolaridade é um dos fatores que mais pesam. A cobertura variou de 49% entre mulheres sem instrução ou com ensino fundamental incompleto a 77,8% entre aquelas com ensino superior completo. Acesso à informação, facilidade para agendar o exame e flexibilidade no trabalho ajudam a explicar por que o rastreamento chega mais a quem estudou mais.

Raça, cor e região

O INCA aponta menor proporção de exames entre mulheres pardas e maior cobertura nas regiões Sul e Sudeste e no Distrito Federal. Isso significa que a mesma política de rastreamento produz resultados diferentes dependendo de onde a mulher mora e de quais condições ela tem para chegar ao exame.

 

Na prática, os grupos que já tinham menos acesso antes de 2020 são justamente os que tiveram mais dificuldade de retomar a rotina depois da pandemia: mulheres que dependem exclusivamente do SUS, que moram longe dos serviços, que acumulam trabalho e cuidado com a família ou que não recebem orientação sobre o momento certo de fazer o exame.

Mulher em área rural sai de casa pela manhã com bolsa no ombro

O que mudou nas regras do rastreamento no SUS

Em setembro de 2025, o Ministério da Saúde atualizou as orientações para a mamografia na rede pública. As principais mudanças são estas:

 

  • De 40 a 49 anos: a mulher passa a ter direito ao exame a partir de uma decisão conjunta com o profissional de saúde, mesmo sem sintomas, considerando histórico, fatores de risco e preferências.
  • De 50 a 74 anos: a mamografia de rastreamento é recomendada a cada dois anos. Antes, a faixa prioritária ia até os 69 anos.
  • A partir dos 75 anos: a indicação passa a ser individualizada, de acordo com o histórico clínico e as condições de saúde de cada mulher.

A mudança amplia o acesso e aproxima a rede pública das recomendações de sociedades médicas. Ela também exige que a mulher de 40 a 49 anos tenha espaço para conversar com a equipe de saúde sobre os benefícios e os limites do exame na sua idade.

 

Mulheres com risco aumentado, como aquelas com histórico familiar importante ou alterações genéticas conhecidas, podem precisar de uma estratégia diferente, com início mais cedo e exames complementares. Nesses casos, a avaliação em oncogenética ajuda a definir o acompanhamento mais adequado, que pode incluir a ressonância magnética das mamas.

Autoexame, mamografia e sinais de alerta

O autoexame das mamas não substitui a mamografia. Muitos tumores detectados no rastreamento são pequenos demais para serem percebidos pelo toque, e é justamente essa fase que o exame de imagem consegue alcançar.

 

Isso não significa que conhecer o próprio corpo seja inútil. A orientação atual é que a mulher observe e toque as mamas sempre que se sentir confortável, no banho ou na troca de roupa, sem necessidade de técnica ou data específica. O objetivo é perceber mudanças e procurar avaliação médica sem demora.

 

Os principais sinais que merecem consulta são:

 

  • nódulo ou caroço endurecido na mama ou na axila;
  • retração da pele ou do mamilo;
  • pele com aspecto de casca de laranja;
  • saída espontânea de secreção pelo mamilo, principalmente com sangue;
  • vermelhidão, feridas ou descamação persistentes na aréola;
  • mudança recente de formato ou tamanho de uma das mamas.

Diante de qualquer um desses sinais, não é preciso esperar a data do próximo rastreamento. A lista completa está no conteúdo sobre sinais e sintomas do câncer de mama.

 

Vale lembrar também que a mamografia com resultado normal não é uma garantia permanente. Alguns tumores surgem entre um exame e outro, e o site explica essa situação no texto sobre mamografia e tumor de intervalo. Por isso, manter a regularidade dos exames e ficar atenta aos sinais são atitudes que caminham juntas.

Como retomar o rastreamento depois de um intervalo longo

Quem ficou sem mamografia durante a pandemia, ou adiou o exame desde então, pode retomar o cuidado com alguns passos simples.

 

O primeiro é verificar a data da última mamografia. Se o intervalo passou de dois anos e a mulher está na faixa de 50 a 74 anos, é hora de procurar a unidade básica de saúde ou o médico que a acompanha para solicitar o exame. Entre 40 e 49 anos, vale agendar uma consulta para conversar sobre a indicação.

 

O segundo é levar os exames anteriores à consulta. A comparação com imagens antigas ajuda o radiologista a identificar o que é novo e o que já estava presente, o que evita repetições desnecessárias.

 

O terceiro é entender o laudo. O resultado da mamografia é descrito pela classificação BI-RADS, que vai de 0 a 6 e indica a conduta seguinte. Saber o que cada categoria significa reduz a ansiedade e ajuda a seguir a orientação correta. O site explica cada categoria no conteúdo sobre a classificação BI-RADS.

 

Quem tem receio do exame, seja pelo desconforto da compressão, seja pela radiação, pode encontrar respostas no conteúdo de mitos e verdades sobre a mamografia.

Os prazos garantidos por lei

Quando há suspeita de câncer, a legislação brasileira prevê prazos para a rede pública. A Lei nº 13.896, de 2019, estabelece que os exames necessários para confirmar o diagnóstico devem ser feitos em até 30 dias, mediante solicitação médica. A Lei nº 12.732, de 2012, determina que o primeiro tratamento no SUS deve começar em até 60 dias a partir do diagnóstico registrado em laudo.

 

Segundo o INCA, a proporção de casos de câncer de mama tratados depois de 60 dias diminuiu entre 2019 e 2021, mas voltou a crescer em 2022. Conhecer esses prazos ajuda a paciente a acompanhar o próprio percurso e a buscar orientação quando algo atrasa.

Acolhimento: por que o cuidado vai além do exame

Adiar a mamografia nem sempre é falta de informação. Medo do resultado, lembrança de experiências anteriores desconfortáveis, dificuldade de conciliar trabalho e cuidado com a família e insegurança diante de um laudo com termos técnicos também afastam as mulheres do rastreamento.

 

Por isso, o acolhimento faz parte da estratégia. Um atendimento que explica cada etapa, respeita o tempo da paciente e oferece caminho claro quando o resultado pede investigação pode aumentar a adesão aos exames e reduzir o intervalo entre suspeita e diagnóstico. Quando o câncer é confirmado, o cuidado integrado entre mastologia, radiologia, patologia, oncologia clínica, radioterapia e equipes de apoio, como psicologia e enfermagem, dá continuidade a esse acolhimento.

 

O A.C.Camargo Cancer Center conta com um Centro de Referência em Tumores de Mama, que reúne diagnóstico e tratamento em uma equipe multidisciplinar dedicada.

Médica conversa com paciente em consultório com atenção e tranquilidade

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Se a sua última mamografia foi há mais de dois anos, ou se você notou alguma alteração nas mamas, procure orientação médica. No A.C.Camargo Cancer Center, você pode agendar consultas e exames ou encontrar um médico da especialidade.

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