Mitos & Verdades

Mitos e verdades sobre os linfomas

Linha Fina

Em tempos de Dia Mundial de Conscientização sobre Linfomas (15/9), tire suas dúvidas sobre estes tumores hematológicos

Os linfomas estão entre os tipos mais comuns de câncer entre as mulheres brasileiras, considerando que o linfoma não Hodgkin ocupa a décima posição, com 5.540 novos casos em 2020, de acordo com a projeção do Instituto Nacional do Câncer (INCA).

Esses tipos de tumor são caracterizados pelo aumento de um gânglio linfático, causando um "inchaço" no local. 

Assim, veja abaixo quatro mitos comuns:


Todo diagnóstico de linfoma refere-se à mesma doença.

Mito. Trata-se de um grupo diversificado de doenças, divididas inicialmente entre o linfoma de Hodgkin e o não-Hodgkin, que se distinguem principalmente pela característica da célula tumoral e, consequentemente, pelo tipo de tratamento.

Ambos são tratados com quimioterapia, com a possibilidade de se associar ou não à radioterapia, de acordo com o caso.

Esses dois grupos englobam subdivisões ainda mais específicas, resultando em cerca de 50 subtipos. Entre os Linfomas não Hodgkin, por exemplo, há diferenciação na velocidade da evolução do câncer: os indolentes se expandem lentamente e demoram a apresentar sintomas; já os agressivos demonstram sinais de sua extensão rapidamente e podem exigir uma intervenção imediata. 

Já o Linfoma de Hodgkin pode ser clássico ou de predomínio Nodular Linfocitário, caracterizado de acordo com o tecido atingido pelo tumor. 
 

A incidência de linfomas é maior entre fumantes.

Verdade. Assim como a leucemia, o linfoma também é mais comum naqueles que apresentam o hábito do tabagismo. Segundo pesquisas, o risco de desenvolver um Linfoma de Hodgkin pode ser 50% maior para quem fuma, na média, 20 cigarros por dia. 
 

O surgimento da íngua nem sempre é um sintoma de linfoma.

Verdade. O aumento do tamanho de um gânglio linfático pode ocorrer devido ao desenvolvimento de um câncer como o linfoma, mas também ser causado por infecção ou inflamação. O recomendável é consultar um especialista para avaliar cada caso com o objetivo de identificar possíveis causas, principalmente se não houver infecção no local. 
 

O linfedema, acúmulo de circulação linfática em um gânglio, é fator de risco.

Mito. Esse tipo de inchaço costuma ser consequência de alguns tratamentos oncológicos. Geralmente provocado por um funcionamento anormal da drenagem linfática, o gânglio pode aumentar por diversas causas, como doenças imunológicas ou infecções. 

Mitos e verdades sobre a leucemia

leucemia, ainda que bastante conhecida pela população, é cercada de mitos relacionados aos seus fatores de risco. 

Veja a seguir os mais frequentes: 

A anemia pode se transformar em leucemia?

Mito. A anemia pode ser um sintoma, mas não um fator de risco para o desenvolvimento da leucemia.

As causas mais comuns de anemia na população são relacionadas à ausência de algum elemento no organismo. A mais comum é por deficiência de ferro, que pode estar relacionada à dieta ou por perda crônica de sangue. A anemia hemolítica (doença autoimune onde os anticorpos atacam os glóbulos vermelhos do próprio organismo) também não predispõe à leucemia.

No entanto, a exceção à regra ocorre somente se o paciente tiver uma síndrome mielodisplásica, doença da medula óssea que se inicia como anemia e posteriormente pode se desenvolver em uma leucemia. O ideal é sempre manter seus exames em dia e seguir as recomendações médicas. 

O tabagismo aumenta a predisposição para leucemia?

Verdade. Entre as diversas substâncias tóxicas encontradas no cigarro, algumas podem aumentar a incidência de cânceres hematológicos, como a leucemia. Elementos como metais pesados e o benzeno são os principais influenciadores. O tabagismo durante a gravidez pode influenciar no desenvolvimento dessas doenças para os filhos.

A alimentação não interfere no risco de leucemia?

Verdade. Apesar de os hábitos alimentares saudáveis serem importantes para a prevenção de tumores sólidos, como no intestino, na mama e no abdômen, não há estudos que apresentam a ligação da dieta com o risco de desenvolver leucemia. De qualquer modo, a alimentação balanceada colabora para a saúde como um todo e permanece como questão importante no cotidiano.

Medula espinhal e medula óssea é a mesma estrutura?

Mito. Quando se ouve a expressão "doação da medula óssea", costuma-se associar à estrutura localizada na região das costas, por dentro das vértebras. No entanto, essa é a medula espinhal - uma continuação do Sistema Nervoso Central.

A medula óssea está na parte de dentro de todos os ossos, em uma região conhecida como tutano. Atua na fabricação de todos os componentes celulares do sangue e, caso sua produção seja danificada, pode desencadear em doenças como a leucemia. A doação de medula óssea também pode ser importante para o tratamento desse câncer.

Somente quem tem contato com produtos químicos desenvolve leucemia?

Mito. A exposição a produtos químicos, como agrotóxicos, pesticidas e herbicidas, pode ser um fator de risco para o desenvolvimento da leucemia. Outras causas, como síndromes hereditárias e o tabagismo, também podem predispor a esse câncer hematológico, que ainda apresenta muitos casos de origem desconhecida. Mantenha seus exames em dia e siga sempre as orientações médicas. 

Leucemia tem cura?

Verdade. Receber o diagnóstico de um câncer nunca é um momento fácil, mas é preciso lembrar que a leucemia tem cura. Atualmente, todos os tipos dessa doença são tratáveis e, em grande parte das vezes, podem ser curados. Porém, para que isso aconteça, é preciso identificar o câncer precocemente e determinar, por meio de exames, qual o tratamento mais adequado. 

Crianças são muito suscetíveis à leucemia?

Mito. O câncer em crianças e adolescentes (de 0 a 19 anos) é considerado raro quando comparado com o câncer em adultos, correspondendo entre 2% e 3% de todos os tumores malignos registrados no Brasil, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Os tipos de câncer que aparecem em crianças e adolescentes são diferentes dos que ocorrem em adultos e costumam responder bem à quimioterapia. Como a quimioterapia, porém, tem efeitos de longo prazo, crianças que passam pelo tratamento precisam ter acompanhamento pelo resto da vida. 

Leucemia é o câncer que tem origem na medula óssea, onde são produzidas as células do sangue. Da medula, células leucêmicas atingem o sangue e, a partir dele, podem infiltrar os gânglios linfáticos, o baço, o fígado, o sistema nervoso central, os testículos e outros órgãos. Outras neoplasias malignas da infância, como neuroblastomas, linfomas e sarcomas, têm origem em outros órgãos e podem ter metástases para a medula, mas não são leucemias. 

A medula óssea é o tecido que fica no interior dos ossos (o tutano) e onde todas as células do sangue (glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas) são produzidas. 

Nas crianças, a medula ativa é encontrada em praticamente todos os ossos, enquanto nos adolescentes ela é encontrada principalmente nos ossos planos ou chatos (crânio, omoplatas, costelas, esterno e pelve) e nas vértebras. 

A medula é composta de células-tronco do sangue, também chamadas de células hematopoiéticas, células gordurosas e tecidos que ajudam no crescimento e amadurecimento das células sanguíneas. 

Quando as células-tronco do sangue se dividem, elas dão origem a uma nova célula-tronco e a uma célula primitiva que vai dar origem a células maduras como os glóbulos brancos, os glóbulos vermelhos e as plaquetas, que atuam na coagulação do sangue. 

Quando uma criança desenvolve leucemia, essas células se tornam anormais, não realizam suas funções e se multiplicam rapidamente, tomando o lugar das células saudáveis na medula e no sangue. 

Há dois tipos principais de leucemias, dependendo do tipo de célula-tronco em que têm origem. 

As células-tronco linfoides normais produzem diferentes tipos de glóbulos brancos para combater infecções. Na leucemia linfocítica (ou linfoide), elas não apenas proliferam demais, como também não conseguem lutar contra infecções. Já as células-tronco mieloides produzem diferentes células do sangue, tanto glóbulos vermelhos como brancos e plaquetas.

Na leucemia mieloide, um glóbulo branco imaturo, chamado mieloblasto, torna-se canceroso e passa a se multiplicar rapidamente, tomando o lugar das células saudáveis. As formas agudas representam praticamente 95% de todos os tipos de leucemia na infância (aproximadamente 75% são leucemia linfoide aguda e 20% leucemia mieloide aguda). 

As formas crônicas representam menos de 5% de todos os casos de leucemia na infância, na maioria, do tipo leucemia mieloide crônica. 

É possível retomar as rotinas cotidianas após o tratamento de leucemia?

Verdade. O tratamento para a leucemia mieloide aguda pode durar meses ou anos. Quando o tratamento termina, os médicos irão acompanhar o caso de perto por alguns anos. Por isso é muito importante comparecer a todas as consultas de acompanhamento. Nestas consultas o médico sempre o examinará, conversará com você sobre qualquer sintoma que tenha apresentado, poderá pedir alguns exames de laboratório ou de imagens para acompanhamento, reestadiamento da doença e avaliação dos efeitos colaterais.
 

Mitos & verdades sobre o câncer de pele

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Um tira-dúvidas para você não correr riscos 

O clima esquenta e o câncer de pele se faz um risco presente.

A radiação ultravioleta (UV), presente nos raios solares, é o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de pele, tumor maligno mais comum no brasileiro. Por isso, a prevenção é fundamental. Além de saber mais os cuidados com a pele no verão, esclareça algumas dúvidas com o Dr. João Pedreira Duprat Neto, diretor do Núcleo de Câncer de Pele do A.C.Camargo. Confira:
 

Pessoas com pele, cabelos e olhos claros têm mais chances de desenvolver o carcinoma basocelular.

Verdade. Quem possui menos pigmento na pele conta com menor proteção contra as radiações UV e, logo, têm mais risco de desenvolver câncer de pele.


Também é preciso se proteger dos raios solares em dias nublados.

Verdade. A emissão de raios ultravioletas independe de o céu estar ou não ensolarado. No caso de dias nublados, de nuvens claras e baixas, a insolação é menor - em torno de 40% - mas ainda assim é preciso se cuidar, principalmente em períodos maiores de exposição ao sol.

Para se proteger, acessórios como óculos de sol e chapéu são úteis, além do filtro solar. Essas recomendações são importantes principalmente para quem tem a pele muito clara (loiros e ruivos) e para aqueles que já foram diagnosticados com câncer de pele anteriormente. Se o rosto ou outras regiões do corpo ficam avermelhadas quando expostas ao sol, esses cuidados também devem ser sempre priorizados.
 

Protetor solar é fundamental na proteção da pele.

Verdade. O filtro solar é um dos principais modos de proteger a pele da emissão de raios ultravioletas (UVs), tornando-o um importante fator de prevenção do câncer de pele. Porém, seu uso deve ser feito corretamente: a aplicação deve ocorrer cerca de meia hora antes da exposição ao sol, para garantir melhor absorção na pele e deve ser reaplicado em cada duas ou três horas ou após se molhar.

Décadas atrás, no entanto, a maioria dos filtros solares protegia somente da incidência de raios UVB, pois acreditava-se que os raios UVA apenas bronzeavam a pele, sem causar danos. Posteriormente foi descoberta a relação do câncer de pele com a emissão de raios UVA e, atualmente a maioria dos filtros solares garante proteção para ambos os tipos de raios.

 

Na sombra, não é necessário passar filtro solar.

Mito. Mesmo na sombra, não estamos livres dos raios ultravioleta.


O guarda-sol nos blinda totalmente contra os raios solares.

Mito. Até debaixo dele, não se pode descuidar da proteção solar, pois a água do mar e a areia refletem a radiação solar expondo a pele aos raios UV.


Depilação a laser pode ser um fator de risco para o desenvolvimento do câncer de pele.

Mito. O laser pode ser importante tanto na parte estética quanto na médica. Pode ser utilizado, por exemplo, na fototerapia, método terapêutico empregado quando há muitas lesões no paciente. No entanto, são técnicas distintas e que não devem ser utilizadas no tratamento de lesões cancerígenas.
 

Câncer de pele não melanoma pode evoluir para melanoma.

Mito. Trata-se de lesões distintas, que surgem em estruturas diferentes do corpo. Os três principais tipos de câncer de pele são:

  • Carcinoma basocelular - é o mais prevalente e encontra-se na epiderme (camada superior da pele). Tem aparência de feridas ou lesões avermelhadas. Podem ter sangramentos com pequenos "raspões".
  • Carcinoma espinocelular - surge em células escamosas e também se manifesta como feridas. Na fase inicial possui  lesão avermelhada semelhante a um eczema.
  • Melanoma - é o tipo mais raro e também mais agressivo. Geralmente, tem aparência semelhante à de uma pinta, com alterações no formato, tamanho ou cor.


Queimadura pode evoluir para câncer de pele.

Verdade. Esse tipo de dano na pele é comum e grandes queimaduras podem sim causar câncer. Nestes casos exige uma constante avaliação médica - principalmente em pacientes que apresentam uma ferida que demora a cicatrizar. Isso pode resultar em um tumor de pele até 30 ou 40 anos depois da lesão, por isso, é recomendado o acompanhamento regular por um especialista.

Será que isso causa câncer?

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Confira seis mitos e verdades sobre oncologia na coluna “Fala, Doutor”, que traz as dúvidas mais frequentes entre os pacientes no consultório, por Daniel Garcia, oncologista clínico do A.C. Camargo Cancer Center

Há muitas informações sobre o câncer disponíveis na internet, mas algumas delas são enganosas ou erradas. 

Assim, alguns mitos e verdades são tema de conversas no dia a dia de um oncologista clínico no consultório.

A seguir, veja seis dos mitos mais comuns sobre o câncer.


Mito - Pessoas com câncer não devem comer açúcar, pois o alimento pode fazer com que o tumor cresça mais rápido

Fato - O açúcar não é uma substância cancerígena e não há evidências conclusivas de que ingerir açúcar fará o câncer crescer e se espalhar mais rapidamente. 

Todas as células do corpo, saudáveis ou cancerosas, dependem de açúcar (glicose) para funcionar. Não há provas, porém, de que o açúcar vai acelerar o crescimento do câncer ou que cortar o açúcar completamente impedirá seu progresso. 

No entanto, o consumo excessivo de açúcar, particularmente açúcares adicionados em bebidas e alimentos processados, pode contribuir para a obesidade, que é um importante fator de risco para o câncer e outros problemas de saúde.


Mito - Pacientes com câncer não podem tomar a vacina contra a covid-19

Fato - A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e diversas entidades internacionais oncológicas recomendam a vacinação contra a covid-19 para pessoas com câncer

Portadores de câncer são considerados grupo de risco e têm maiores chances de desenvolver as formas graves da covid-19

Não há preocupações teóricas de segurança para nenhuma das vacinas contra a covid-19 disponíveis no Brasil atualmente (CoronaVac, Pfizer, AstraZeneca ou Janssen) para pessoas com câncer, com base no conhecimento geral das vacinas. 

Evidências em vacinas semelhantes, como a que combate a gripe, sugerem que as vacinas para a covid-19 são seguras e eficazes para pacientes oncológicos. 

Se você tem câncer, a decisão sobre a vacinação contra a covid-19 deve ser feita em consulta com seu médico.

Conforme novas informações sobre as diferentes vacinas contra a covid-19 se tornam disponíveis, é possível que as orientações sobre as vacinas mudem. 

Por isso, é importante conversar com seu médico sobre como e quando tomar a vacina.


Mito - Câncer é contagioso

Fato - Câncer não é contagioso. Não há necessidade de evitar contato com pacientes oncológicos. É normal tocar alguém que está enfrentando a doença ou passar um tempo com essa pessoa. 

Na verdade, o seu apoio pode ser muito valioso. No entanto, alguns cânceres são causados por vírus e bactérias que podem ser transmitidos de pessoa para pessoa. 

O papilomavírus humano (HPV), por exemplo, pode causar câncer de colo de útero, anal e alguns tipos de tumores de cabeça e pescoço. 

Já a hepatite B e a hepatite C são vírus que aumentam o risco de desenvolver câncer de fígado. E bactérias como a H. pylori podem causar câncer de estômago. 

É importante lembrar que, enquanto os vírus e as bactérias que causam alguns tipos de câncer podem ser transmitidos de pessoa para pessoa, os cânceres causados por eles não são transmissíveis.


Mito - Pensamentos positivos podem curar o câncer

Fato - Não há evidências científicas de que uma atitude positiva irá prevenir câncer, ajudar pacientes oncológicos a viverem mais ou impedir o câncer de voltar. 

O tumor não é causado por pensamentos negativos. É normal experimentar uma série de emoções e cada um irá lidar de uma maneira diferente. 

Não existe uma maneira certa de se sentir

No entanto, atividades que promovem o pensamento positivo, como técnicas de relaxamento, grupos de apoio e uma rede de suporte de familiares e amigos, podem melhorar a qualidade de vida e as perspectivas do paciente. 

É essencial lembrar que colocar demasiada importância nas atitudes pode levar à ansiedade e a sentimentos de culpa desnecessários.


Mito - As empresas farmacêuticas, o governo e os médicos estão escondendo a cura para o câncer

Fato - Ninguém está escondendo a cura do câncer. Certo é que não haverá uma cura singular para o câncer. 

Existem centenas de tipos de câncer e eles respondem de forma diferente a vários tipos de tratamento.

Ainda há muito a aprender e, por isso, a pesquisa clínica é essencial para progredir na prevenção, no diagnóstico e no tratamento do câncer.


Mito - Alimentos alcalinos e água alcalina protegem contra o câncer

Fato - Na verdade, nosso organismo regula o equilíbrio ácido/base dentro de limites muito restritos. 

O pH medido no sangue arterial é ligeiramente alcalino, e quaisquer mudanças são rapidamente percebidas e corrigidas por nossos sistemas.

Portanto, dietas ricas em alimentos alcalinos (ou ácidos) dificilmente irão alterar o pH de quem as consome.

Além do mais, alterações do pH para fora da faixa da normalidade são potencialmente deletérias, podendo desencadear mudanças em nosso padrão respiratório, nas excreções renais e nos níveis sanguíneos de minerais importantes, como o potássio. 

Enfim, faltam estudos bem elaborados sobre dietas alcalinas e não há boas evidências de que elas possam ser usadas para prevenir ou tratar doenças como o câncer. 

Sarcoma de partes moles: 6 mitos & verdades

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Saiba mais sobre este raro tipo de câncer no mês da campanha Julho Amarelo, que chama a atenção para a conscientização 

sarcoma de partes moles pode apresentar características diferentes de outros tipos de câncer, principalmente em relação aos fatores de risco. 

Apesar de ser um câncer raro – não há estatísticas oficiais no Brasil –, é importante que se saiba quais são os sinais e sintomas da doença, algo que auxilia a possibilidade do diagnóstico precoce.

Para marcar a campanha Julho Amarelo de Conscientização para Sarcomas, conheça algumas das dúvidas mais comuns da população.

1. Os sarcomas podem se originar em qualquer parte do corpo.
Verdade. 
Os sarcomas se originam nas células mesenquimais presentes nos tecidos conectivos dos órgãos. Embora sejam muito mais prevalentes nas partes moles, como os músculos, podem aparecer na mama, no intestino, no fígado, entre outros órgãos. 

2. O sarcoma de partes moles pode ser causado por traumatismos?
Mito. 
Muitos pacientes acreditam nessa relação, principalmente nos membros superiores e inferiores. Geralmente, esses traumas chamam a atenção para nódulos já existentes no corpo, mas não são a causa desses tumores.
 
3. A hereditariedade é um fator de risco?
Verdade.
 Em geral, poucos casos de sarcomas são decorrentes de fatores hereditários – cerca de 5% somente. No entanto, alterações genéticas herdadas, como a Síndrome de Li-Fraumeni e a Neurofibromatose, podem ser responsáveis por elevar o risco de desenvolvimento desse tipo de câncer.
 
4. Vírus podem ser responsáveis pelo surgimento de um sarcoma?
Mito.
 Como foi dito no item 1, os sarcomas se originam a partir de uma alteração na célula mesenquimal primitiva, espécie de célula-tronco presente em todo o organismo. A exceção é o Sarcoma de Kaposi e sua relação com o HIV, que diminui a imunidade do paciente e aumenta o risco do desenvolvimento do câncer.

5. A radiação pode estar relacionada a esse câncer?
Verdade.
 Há pesquisas que demonstram maior incidência de sarcomas de partes moles em pacientes que se submeteram à radioterapia em um tratamento anterior, nas proximidades ou na parte do corpo que recebeu a terapia. A radiação emitida por acidentes nucleares ou bombas atômicas também predispõe a população sobrevivente a maiores riscos de desenvolver um sarcoma.
 
6. A alimentação pode facilitar ou prevenir o surgimento da doença?
Mito.
 Diferentemente de muitos outros tipos de câncer, os sarcomas não são influenciados pela alimentação ou outros hábitos de vida do indivíduo, como o tabagismo e o sedentarismo. De qualquer modo, recomenda-se um estilo de vida saudável para a prevenção dos outros tumores. 

Julho Verde: 9 mitos & verdades sobre o câncer de cabeça e pescoço

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No mês de conscientização por conta desses tumores, especialista do A.C.Camargo desmistifica dúvidas variadas sobre o tema 

Julho Verde: os tumores de cabeça e pescoço representam o nono tipo de câncer mais comum no mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Incluindo todas as áreas da cavidade oral, como a língua e boca, e órgãos como laringe, faringe, seios paranasais, cavidade nasal e glândulas salivares, aproximadamente 700 mil novos casos são registrados anualmente.

No cenário brasileiro, segundo o INCA, estima-se que houve em 2018 31.980 novos casos.

Esses são alguns dos pontos que deixam o Julho Verde ainda mais relevante. Trata-se de uma campanha mundial de conscientização e prevenção do câncer de cabeça e pescoço, nome dado a um conjunto de tumores que afetam regiões da boca, faringe, laringe, cavidade nasal e seios paranasais, glândulas salivares e tireoide.

A seguir, para abrir uma série de conteúdos que serão publicados neste Julho Verde, confira nove mitos e verdades sobre tumores de cabeça e pescoço selecionados por Luiz Paulo Kowalski, head do Departamento de Cirurgia de Cabeça e Pescoço.

 

1. O câncer não apresenta dores imediatas? Verdade

Trata-se de uma doença com caráter assintomático em seus primeiros estágios, confundida com uma série de enfermidades comuns, como gripe ou faringite. Muitos pacientes demoram a consultar um especialista por tentar justificar os próprios sintomas, mesmo que persistam por bastante tempo. Essa situação dificulta o diagnóstico precoce - que proporciona grandes chances de sucesso no tratamento. Portanto, é preciso um cuidado especial com feridas na boca, rouquidão ou inflamações que durem mais de duas semanas sem apresentar quadros de melhora, após seguir recomendações médicas.

 

2. Consultar-se sempre com o mesmo especialista pode ajudar em um diagnóstico mais precoce? Verdade

Mesmo após uma primeira consulta, quando os sintomas persistem, alguns pacientes buscam a opinião de outro médico. Por "começar do zero", este profissional pode também não encontrar a verdadeira causa desses sintomas - principalmente em caso de câncer, de caráter assintomático inicialmente e que necessita de um acompanhamento mais próximo e constante do médico.

A opinião de outro especialista, porém, é sim saudável: o problema é a alteração constante, em busca de um diagnóstico favorável ao que o paciente deseja ouvir. O conhecimento individual do caso pode colaborar para que o médico solicite exames mais apropriados e realize uma análise específica do paciente.

 

3. A queda do número de fumantes diminuiu os casos de câncer? Mito

Reconhecido como um dos principais fatores de risco para tumores na cavidade oral, a diminuição de fumantes no Brasil não determinou o mesmo efeito para a incidência do câncer. Isso porque, apesar desse hábito ter diminuído, aumentou o número de casos relacionados ao papilomavírus humano (HPV), decorrente do ato sexual sem proteção, resultando em um crescimento de pacientes com tumores na cabeça e no pescoço sem histórico de tabagismo ou etilismo.

 

4. O consumo em excesso de carne vermelha pode aumentar o risco de desenvolvimento de câncer na região? Verdade

Ingerir diariamente carne vermelha em grandes quantidades pode predispor a um tumor na boca ou garganta, principalmente quando preparada em churrasqueiras, uma vez que o carvão utilizado contém elementos carcinogênicos. O consumo ideal de carne é de 2 a 3 vezes por semana e recomenda-se variar a forma de preparo, além de incluir bastante salada na alimentação.

 

5. Alimentação rica em frutas e verduras pode ser fator de proteção? Verdade

Uma dieta com predominância de frutas cítricas e vegetais verdes, por exemplo, pode proteger diversos tipos de câncer, como os de cabeça e pescoço. Bebidas naturais, como chá verde, açafrão e própolis, também podem ser importantes fatores de proteção contra esses tumores, devido à presença de antioxidantes, componentes capazes de evitar a formação de lesões e tumores nas células.

 

6. Câncer na boca pode ser causado pelo uso de próteses dentárias? Mito

A utilização de próteses dentárias não provoca câncer. Porém, caso esteja solta e machuque continuamente a boca, pode causar um traumatismo crônico, lesão com possibilidade de predispor ao câncer. A boca deve ser higienizada corretamente, pois, de acordo com algumas pesquisas, a gengivite crônica pode acumular bactérias com potencial carcinogênico. No entanto, não há ligação entre cáries e câncer.

 

7. Enxaguantes bucais têm relação com a formação de tumores na boca? Verdade

A utilização de enxaguantes bucais com álcool em sua composição pode aumentar a incidência de câncer. Isso ocorre com o uso diário e em longo prazo, pois o álcool pode eliminar bactérias protetoras da boca e facilitar a proliferação de substâncias maléficas ao organismo.

 

8. A cirurgia de retirada da laringe impede que o paciente volte a falar? Mito

Atualmente, há métodos que permitem ao paciente laringectomizado a oportunidade de novamente se comunicar pela voz. A prótese traqueosofágica possibilita a fala para 90% dos operados e traz bons resultados em qualidade do som e tempo de fonação. Alternativas como a eletrolaringe e a voz esofágica, técnica em utilizar o esôfago para a produção de som, também são oferecidas ao paciente, permitindo maiores chances de sucesso na reabilitação pós-cirúrgica.

 

9. O câncer de cabeça e pescoço é uma doença exclusivamente masculina? Mito 

Décadas atrás, os homens eram mais acometidos por tumores na região da cabeça e pescoço, por representarem maior número de fumantes. No entanto, a proporção, outrora dividida em torno de 90% masculina e 10% feminina, hoje está igualada. A maior presença do tabagismo entre as mulheres, além do aumento da incidência de câncer de tireoide (causado principalmente por variações hormonais, mais constantes em organismos femininos) são as principais causas dessa mudança. A consulta com um especialista, a realização de exames periódicos e os cuidados com a saúde devem, portanto, ser realizados por ambos os sexos.

Função sexual e câncer urológico: mitos e verdades

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Conversamos com o Dr. Stênio de Cássio Zequi, líder do Centro de Referência em Tumores Urológicos do A.C.Camargo Cancer Center, para esclarecer as principais dúvidas sobre saúde do homem (tumores de bexiga, pelve, pênis, próstata, rim e testículos), impotência sexual e outras questões. Confira:

Todo tipo de tratamento contra câncer urológico pode resultar em impotência sexual.

Mito. Não é todo câncer urológico que pode causar impotência sexual após o tratamento. Na maioria das vezes, a disfunção erétil ocorre durante o tratamento cirúrgico para tumores de próstata ou de bexiga. Isso depende da condição física prévia do paciente, assim como o tipo e o nível do tumor. Atualmente, muitos médicos utilizam a cirurgia robótica, uma técnica minimamente invasiva que ajuda a proteger os tecidos e músculos da região. De qualquer forma, na maioria das vezes, existem alternativas para contornar o problema, como tratamentos hormonais, medicamentos ou próteses penianas.

Quanto mais cedo descobrir o câncer, menos devo sofrer com impotência sexual.

Verdade. Quanto mais cedo o câncer for descoberto, menores são as chances de uma possível impotência sexual. Os tratamentos empregados são menos agressivos e podem não impactar a função erétil do pênis.

É possível recuperar a impotência sexual após o tratamento oncológico.

Verdade. Mas, é importante analisar caso a caso. A resposta depende de alguns fatores, como idade do paciente, tipo do câncer e outros. No geral, homens jovens e sadios, que não sofriam de impotência sexual previamente, tendem a voltar com a disposição de antes. A notícia do câncer também pode impactar a condição psicológica do paciente, deixando-o ansioso e influenciando na qualidade da função erétil do pênis.

Posso ficar infértil após o tratamento contra um câncer urológico.

Verdade. A depender do tipo do câncer, saúde e idade do paciente e tratamento aplicado, o paciente pode sim ficar infértil. Portanto, para aqueles que desejam ser pais no futuro, é importante ter uma conversa franca com o médico urologista para pensar em alternativas de preservação de espermatozoides, como banco de sêmen.

Sou jovem, não terei problemas com impotência sexual após o tratamento contra o câncer.

Depende. Pacientes com menos de 65 anos e que já possuem uma boa potência sexual prévia, podem sofrer menos com disfunção erétil ou outros fatores decorrentes do tratamento oncológico.
 

Dr. Stênio de Cássio explica sobre impotência sexual, mitos e verdades sobre o tratamento do câncer urológico

 

 

Mitos & verdades sobre câncer colorretal

Tire suas dúvidas sobre quais hábitos são mais arriscados

O tumor de cólon e reto, mais conhecido como câncer colorretal, é o segundo mais frequente entre as mulheres e entre os homens no Brasil, descontando-se o câncer de pele não-melanoma. 

De acordo com as estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), para este ano de 2020 são esperados 40.990 novos casos, dos quais 20.470 em mulheres e 20.520 em homens..

Por ser um dos cânceres mais comuns, o A.C.Camargo esclarece alguns mitos ou verdades sobre a doença. Confira:

A colonoscopia é um exame arriscado e doloroso?

Mito. O paciente é sedado para não sentir desconfortos durante o exame endoscópico do intestino grosso. O procedimento é seguro, dura de 15 a 30 minutos e é realizado por um profissional especializado. Não é aconselhável dirigir, trabalhar ou realizar alguma atividade que exija atenção após o exame e a presença de um acompanhante é indispensável.

O temor sobre a colonoscopia ocorre por ser considerado invasivo e exigir um preparo desagradável: além do jejum líquido, é preciso realizar uma limpeza do intestino com a ingestão de laxantes horas antes do exame. Porém, trata-se do procedimento mais apropriado para a prevenção e diagnóstico precoce do câncer colorretal.
 

Mesmo sem apresentar sintomas, preciso realizar exames de diagnóstico?

Verdade. O câncer colorretal costuma ser uma doença silenciosa e assintomática no estágio inicial. Sinais como alterações nas fezes, sangramentos ou dores abdominais podem surgir quando a doença já está em um estágio mais avançado. Por isso, recomenda-se o exame da colonoscopia a partir dos 50 anos, ou a partir dos 40 em caso de histórico de câncer na família.
 

Alimentação é o único fator de risco para o desenvolvimento de câncer colorretal?

Mito. Realmente há alimentos que podem aumentar o risco de desenvolvimento do câncer e outros que ajudam a prevenir. No entanto, essa não é a única causa da incidência do câncer de intestino e do reto: há um conjunto de fatores, como sedentarismo, obesidade, tabagismo e excesso de bebidas alcoólicas, que pode contribuir para o surgimento de um tumor maligno.

Portanto, os principais fatores de prevenção do câncer colorretal são, além de evitar o consumo de embutidos e o excesso de carne vermelha, é uma alimentação equilibrada com frutas, verduras, legumes e cereais, praticar exercícios físicos e não fumar.

Dr. Samuel Aguiar Jr. - CRM 84495
Diretor do Núcleo de Tumores Colorretais
Especialista em Cancerologia Cirúrgica - RQE nº 43422

Doutor Samuel Aguiar e o câncer colorretal

Mitos & verdades sobre o câncer ginecológico

ginecologia é a especialidade médica dedicada ao sistema reprodutor feminino e estuda as principais alterações que podem ocorrer no organismo da mulher. Para esclarecer alguns mitos e verdade sobre o desenvolvimento do câncer, Dr. Glauco Baiocchi Neto, diretor do Núcleo de Ginecologia Oncológica do A.C.Camargo, responde a algumas dúvidas.

O aparecimento de um mioma pode ser fator de risco para desenvolvimento do câncer?

Mito. Tumor benigno formado na camada muscular do útero, o mioma não apresenta relação com câncer e sequer predispõe ao surgimento da doença. Mais frequente entre os 40 e 50 anos de idade, o mioma pode causar desconfortos ao se desenvolver e deve ser tratado quando surgirem sintomas, como compressão de órgãos próximos ao útero ou sangramento irregular.

A vacina contra o HPV é o principal modo de prevenção do câncer de colo de útero?

Verdade. Responsável por 99,7% de todos os casos de câncer de colo de útero, a infecção pelo HPV(Papilomavírus Humano) pode ser prevenida com a vacina, indicada principalmente para homens e mulheres de 9 a 26 anos que nunca tiveram contato sexual - e distribuída gratuitamente pelo Ministério da Saúde para meninas entre 9 e 13 anos. O HPV pode contaminar quem teve relação sexual sem o uso de preservativos e ainda não existe um medicamento terapêutico para o vírus.

A principal vacina distribuída atualmente chama-se quadrivalente, que previne quatro tipos de HPV: 6, 11, 16 e 18. Apesar de haver mais de 100 tipos de HPV, somente os tipos 16 e 18 são responsáveis por mais de 70% dos casos de câncer de colo de útero.

A menopausa tem relação direta com a incidência de câncer?

Mito. Apesar de o surgimento de tumores ginecológicos ser maior durante a menopausa, o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer é a idade avançada - exceção aos casos hereditários, correspondentes de 5 a 10% de todos os pacientes oncológicos. A menopausa costuma ocorrer a partir dos 50 anos, período de aumento da incidência de mulheres diagnosticadas com câncer.

Sangramento no período da menopausa deve ser investigado?

Verdade. Todos os sangramentos pós-menopausa devem ser avaliados por um especialista. Podem estar relacionados a doenças benignas (como atrofia do endométrio pela ausência de hormônios femininos) ou pólipos. Porém, há a possibilidade de ser um sinal de câncer de endométrio (em 95% dos casos, o sangramento irregular é um dos principais sintomas).

Faço reposição hormonal. Tenho risco aumentado de ter câncer ou devo tomar algum cuidado?

Depende. Todo tipo de reposição hormonal na menopausa deve ser discutida com um médico para avaliação de possíveis riscos, tanto no que se refere ao tipo e tempo de utilização do medicamento. É importante ressaltar que para mulheres com câncer de mama pode existir contra-indicações. 

É verdade que o anticoncepcional pode ajudar a prevenir o câncer ginecológico?

Verdade. Já é bem estabelecido que o uso do anticoncepcional por mais de 5 anos diminui o risco de câncer de ovário. Porém, não deve ser usado com esse propósito e sim indicado de maneira individualizada pelo médico. Veja mais sobre o tema nesse artigo


Dr. Glauco Baiocchi Neto - CRM 97501
Diretor do Núcleo de Ginecologia Oncológica
Especialista em Cancerologia Cirúrgica - RQE nº 42471