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Fala, doutor!

Setembro em Flor: o câncer de colo de útero e a diferença da acessibilidade a screening ou rastreamento

Nesta edição da coluna "Fala, doutor", a Dra. Andrea Gadelha conta um pouco mais sobre o câncer de colo de útero e a acessibilidade ao seu rastreamento

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Imagem da Dra. Andréa Gadêlha

Setembro em Flor: o câncer de colo de útero e a diferença da acessibilidade a screening ou rastreamento

Imagem da Dra. Andréa Gadêlha

Nesta edição da coluna "Fala, doutor", a Dra. Andrea Gadelha conta um pouco mais sobre o câncer de colo de útero e a acessibilidade ao seu rastreamento

Este ano, a campanha "Setembro em Flor" de conscientização do câncer ginecológico vem trazendo a temática de “Diversidade, inclusão e a busca por equidade de assistência a pacientes com câncer ginecológico” através de diferentes tipos de conteúdo e discussões.  

Por isso, hoje quero trazer até vocês um pouco das barreiras do câncer ginecológico, especificamente quando se trata do seu rastreamento (screening) de tumores no colo do útero para uma descoberta precoce e melhor eficácia do tratamento.  

Quando falamos em tumores ginecológicos, o câncer de colo de útero é um dos mais incidentes entre as mulheres e com sinais e sintomas mais tímidos. Por isso, merece uma atenção constante.  

1º Câncer de Mama

2º Câncer Colorretal

3º Câncer de colo de útero

  • Cerca de 17.010 novos casos no triênio (2023-2025)   
  • São quase 15,38 novos casos a cada 100 mil mulheres   
  • Aproximadamente 6.627 mortes por ano  

Fonte: INCA – Instituto Nacional do Câncer  

Apesar de ser um problema de saúde pública mundial, este é um tumor passível de prevenção, diagnóstico precoce e cura, através de medidas como vacinação contra HPV, prevenção de rotina e tratamento precoce de lesões precursoras do câncer. Em 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou uma estratégia global para acelerar a eliminação do câncer de colo útero no mundo, incluindo as seguintes metas (que devem ser alcançadas até 2030):

> 90% das meninas totalmente vacinadas contra HPV aos 15 anos

> 70% das mulheres submetidas a um teste de rastreamento de alta performance aos 35 e aos 45 anos

> 90% das mulheres identificadas com lesões precursoras e câncer recebendo tratamento

Screening ou rastreamento do câncer de colo de útero no Brasil   

Atualmente, o método de rotina de rastreamento de câncer de colo de útero na rede pública de saúde é o Papanicolaou ou citologia cervico-vaginal, que é realizado anualmente – ou a cada 3 anos, após 2 exames anuais seguidos com resultado normal - em mulheres de 25 a 64 anos, após o início da atividade sexual e tem o objetivo de detectar lesões pré-cancerígenas causados pelo HPV.   

A boa notícia, é que, recentemente, as sociedades médicas nacionais e internacionais têm sugerido a análise molecular do DNA do vírus do HPV como rastreio isolado ou combinado à citologia-cervico vaginal. Tudo isso pensando em identificar o vírus, seu tipo e risco. Vale dizer também que este teste tem uma sensibilidade superior ao que é praticado hoje, principalmente para pacientes a partir dos 30 anos.  

Ele ainda promete aumentar o intervalo do rastreio para cada a 3 ou 5 anos, identificar pacientes com maior risco de câncer e proporcionar um monitoramento mais rigoroso.  

Infelizmente, ainda não temos este teste disponível na rede pública de saúde do país, somente na suplementar. Fato que reforça ainda mais a importância de falarmos do assunto e da possibilidade de contribuirmos na inclusão deste no rastreamento o quanto antes.  

Escrito por Dra. Andréa Paiva Gadêlha Guimarães

Avanços no tratamento do câncer gástrico, classificação molecular e novas terapias

Confira esta edição da coluna Fala, Doutor" com o Dr. Felipe Coimbra e Dr. Tiago Felismino

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Dr. Thiago Felismino e Dr. Felipe Coimbra

Avanços no tratamento do câncer gástrico, classificação molecular e novas terapias

Dr. Thiago Felismino e Dr. Felipe Coimbra

Confira esta edição da coluna Fala, Doutor" com o Dr. Felipe Coimbra e Dr. Tiago Felismino

O câncer gástrico ocupa o quinto lugar em incidência global e é a quarta principal causa de morte relacionada ao câncer. Trata-se de uma doença distinta em diferentes regiões geográficas e isso é demonstrado pela variabilidade nos fatores de risco e prognóstico.  

Anteriormente, a classificação desses tumores se baseava apenas na caracterização histológica, ou seja, avaliação do tipo celular identificado apenas por exame mais superficial ao microscópio, o que limitava a interpretação do prognóstico e predição de resposta, por exemplo. 

Porém, em 2014, um estudo chamado The Cancer Genome Atlas (TCGA) publicou uma análise abrangente com a caracterização molecular do DNA, RNA e proteínas de 295 casos de câncer gástrico diagnosticados e ressecados, gerando um conhecimento ainda mais detalhado e, associado a outros progressos, um dos responsáveis pelo aumento dos resultados de sobrevida ao longo das últimas décadas. As amostras foram classificadas em quatro subgrupos de acordo com a classificação molecular, que são: 

  • Subgrupo positivo para vírus Epstein-Barr (EBV) (8,8%): relacionado à infecção pelo EBV, esses tumores exibem hipermetilação do DNA, superexpressão de PDL1 e mutações não silenciosas no gene PIK3CA. 
  • Instabilidade de microssatélites (MSI) (21,6%): mais comum em pacientes idosos e caracterizado por alta carga mutacional do tumor (TMB) e hipermetilação (incluindo o promotor do gene MLH1). 
  • Genomicamente estáveis (GS) (19,6%): caracterizados por um baixo número de mutações e fusões do gene CLDN-18. 
  • Instabilidade cromossômica (CIN) (49,8%): apresentam amplificações significativas de receptores tirosina quinase. 

Essa classificação revelou diferenças no prognóstico e levou a estratégias de tratamento mais personalizadas. Por exemplo, o subgrupo CIN frequentemente apresentou amplificação do fator de crescimento endotelial vascular A (VEGFA), que funciona como um alvo para determinados medicamentos, tornando-o mais sensível ao tratamento com Ramucirumab, por exemplo, um anticorpo monoclonal anti-VEGFR2, em pacientes com câncer gástrico metastático. 

O gene do receptor 2 do fator de crescimento epidermal humano (HER2) foi amplificado em 14-22% dos cânceres gástricos, principalmente em tumores CIN na junção gastroesofágica.  

Terapias direcionadas a HER2, como trastuzumabe e trastuzumabe-deruxtecan, mostraram eficácia clínica em estágios avançados. Além disso, a amplificação do receptor do fator de crescimento de fibroblastos (FGFR) é prevalente no subtipo CIN e recentemente mostrou-se tratável com o anticorpo anti-FGFR, bemarituzumabe, em tumores com amplificação ou superexpressão do FGFR2B. 

Nos demais subgrupos gástricos, tumores EBV e MSI frequentemente apresentam superexpressão de PDL1 e alta TMB, demonstrando benefício clínico da imunoterapia em doença avançada. A claudina 18-2 é superexpressa em 20-30% dos tumores gástricos, mais frequentemente em tumores GS. O tratamento com zolbetuximabe, um anticorpo monoclonal anti-claudina 18, mostrou eficácia clínica em ensaios clínicos de fase III em câncer gástrico metastático. 

Em suma, a classificação molecular do câncer gástrico pelo TCGA teve um grande impacto na implementação de novas terapias direcionada, permitindo tratamentos mais personalizados.

 

Dr. Tiago Cordeiro Felismino
"
É importante notar que os subgrupos TCGA não são estáticos, pois o tratamento pode desencadear mudanças moleculares ao longo do tempo, o que será relevante no futuro para entender essa evolução.
Dr. Tiago Cordeiro Felismino, vice-líder do Centro de Referência em Tumores do Aparelho Digestivo Alto


Temos observado um ganho significativo de sobrevida para pacientes com câncer de estômago e isso se deve também ao desenvolvimento da ciência em outras áreas, assim como a interação da pesquisa básica com a prática clínica. Também é importante ressaltar o enorme desenvolvimento dos tratamentos cirúrgicos, com o uso cada vez maior de cirurgias laparoscópicas e robóticas associadas a protocolos de recuperação precoce e pré-habilitação cirúrgica.   

Esses protocolos ainda pouco utilizados em centros não especializados e permitem uma recuperação mais rápida e segura, com menor risco de sangramento e ganho de qualidade de vida no pós-operatório imediato. O desenvolvimento de uma rede interdisciplinar com as diversas especialidades médicas e multiprofissionais permitiu também que o paciente ganhasse os melhores benefícios de cada área. 

Dr. Felipe José Fernández Coimbra
"
A integração da estrutura física e cultural alavancaram este desenvolvimento em conjunto com assistência, pesquisa e ensino no nosso cancer center, refletindo em maiores chances de cura para pacientes com câncer esôfago-gástrico e hepatobiliopancreáticos.
Dr. Felipe José Fernández Coimbra, líder do Centro de Referência em Tumores do Aparelho Digestivo Alto


Recentemente, o setor de registro hospitalar, coordenado pela Dra. Maria Paula Curado e Diego Rodrigues Silva, demonstraram esta mudança, com um ganho de 100% de sobrevida nos últimos 17 anos para o câncer gástrico tratados na instituição.  Abaixo, confira os dados do nosso Observatório do Câncer, que comprova o aumento da probablidade de sobrevida global em cinco anos para ambos os sexos.

Dados do Observatório do Câncer

 

Tudo sobre o câncer de pulmão

Confira uma seleção de conteúdos de prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação para esse tipo de tumor

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Fundo verde com ilustração branca de pulmão

Tudo sobre o câncer de pulmão

Fundo verde com ilustração branca de pulmão

Confira uma seleção de conteúdos de prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação para esse tipo de tumor

O câncer de pulmão é uma doença com grande incidência. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), estima-se que mais de 30 mil pessoas serão diagnosticadas com câncer de pulmão no Brasil para cada ano do triênio 2023-2025. 

Devido ao aumento dos casos de câncer de pulmão, foi criado o movimento Agosto Branco, com objetivo de conscientizar sobre a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento eficaz do câncer de pulmão.

No A.C.Camargo Cancer Center, os pacientes são cuidados por uma equipe multidisciplinar no Centro de Referência em Tumores de Pulmão e Tórax, que entende a necessidade individualizada de cada paciente.

Dr. Jefferson Luiz Gross, líder do Centro de Referência em Tumores de Pulmão e Tórax do A.C.Camargo Cancer Center
"
O paciente está no centro das nossas decisões e com a nossa experiência, dedicação ao ensino e à pesquisa, elaboramos um plano de cuidados personalizado. As nossas atividades percorrem toda a jornada do paciente, desde a prevenção até o seguimento.
Dr. Jefferson Luiz Gross, líder do Centro de Referência em Tumores de Pulmão e Tórax do A.C.Camargo Cancer Center

Para que você saiba mais sobre o universo dos tumores de pulmão e tórax para proteger sua saúde, apresentamos a seguir dezenas de publicações. Elas foram divididas pelas temáticas de prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação, os pilares que definem a jornada do nosso paciente na Instituição. Confira.

 

O que realmente importa para fechar o cerco ao câncer de pulmão?
Confira artigo sobre o impacto do tabagismo na prevenção da doença e o papel do rastreamento com exames em fumantes 

Câncer de pulmão: prevenção e fatores de risco
Especialista ensina a se proteger da doença, que é evitável em 90% dos casos

Câncer de pulmão: e-book gratuito
Saiba tudo sobre o tema ao baixar o material de graça

Mitos & verdades sobre câncer de pulmão
Materiais de construção atrapalham? E o mofo? 

Tuberculose pode causar câncer de pulmão?
Pneumologista explica as diferenças entre as doenças, como é feito o diagnóstico e a prevenção

O que o tabagismo faz com a minha saúde?
Especialistas do A.C.Camargo alertam sobre os danos causados por esse hábito

Quais são os benefícios de se largar o cigarro? E se eu parar por um ano?
Veja abaixo os benefícios para quem larga o vício

Vídeo: a prevenção 
Assista e entenda o câncer de pulmão

Cigarro eletrônico é droga?
Neste infográfico, confira as características deste dispositivo

O cigarro eletrônico é seguro?
A falsa sensação de segurança desse dispositivo esconde riscos que muitos não buscam conhecer antes de utilizá-lo

Cigarro na gravidez
Os possíveis riscos para mãe e bebê

O que acontece com o jovem que fuma?
Entenda essa perigosa relação 

Alimentos que ajudam na prevenção do câncer...
... para colo do útero, pulmão e estômago

Podcast Rádio Cancer Center #59 - Dia Mundial de Combate ao Câncer
Assista ao vídeo e aprenda a se defender

Podcast Rádio Cancer Center #14 - O cigarro eletrônico
Ouça e compreenda melhor este hábito que tem alcançado muita gente, sobretudo os jovens

Câncer de pulmão em não fumantes
Por que a incidência aumenta?

Broncoscopia e EBUS: saiba mais sobre estes tipos de exames
Confira um vídeo com a Dra. Juliana Folador, cirurgiã torácica e broncoscopista, explicando sobre os exames e esclarecendo as principais dúvidas

Oncologista do A.C.Camargo comenta sobre diagnóstico de Rita Lee
Oncologista clínico do A.C.Camardo comentou sobre o câncer de pulmão da cantora Rita Lee no programa É de Casa, da Rede Globo.  

Câncer de pulmão: como fazer o rastreamento
Entenda se você tem perfil para buscar o diagnóstico precoce

Câncer de pulmão: e-book gratuito
Saiba tudo sobre o tema ao baixar o material de graça

Broncoscopia e ecobroncoscopia pulmonar: a endoscopia dos pulmões
Exames permitem visualização e biópsia do sistema respiratório feitos de forma minimamente invasiva

Vídeo: prevenção e diagnóstico precoce
Assista e entenda o câncer de pulmão

Tenho casos de câncer na família, devo me preocupar?
Ouça o podcast e saiba como se antecipar

Tomografia computadorizada 
Exame favorece o diagnóstico precoce do câncer de pulmão em fumantes

O diagnóstico precoce do câncer de pulmão
Menos casos e maior sobrevida: a importância 

Genômica, a ciência que faz diferença
Assista ao vídeo e entenda melhor como ela contribui para o combate ao câncer

Câncer de pulmão: entenda as diferenças entre cura e remissão
Estimativas do INCA apontam que, em 2023, mais de 14 mil mulheres terão câncer de pulmão no Brasil

Câncer de pulmão: em busca de melhores resultados pós-cirúrgico
Projeto piloto de protocolo de recuperação precoce para pacientes cirúrgicos busca reduzir risco de complicações e tempo de internação

Pacientes do A.C.Camargo contam com Grupo de Apoio ao Tabagista
Grupo de apoio ajuda a lidar com o vício em tabaco e melhorar a qualidade de vida

Cirurgia robótica para câncer de pulmão: 7 vantagens
Técnica é utilizada em tumores pulmonares malignos e benignos, do mediastino e da parede torácica

Tenho câncer de pulmão: preciso parar de fumar?
Confira a coluna “Fala, Doutor”, que traz as dúvidas mais frequentes

Pulmão, um guia
Tudo sobre o tratamento

Vídeo: novos tratamentos no câncer de pulmão
Assista e confira os avanços

Câncer de pulmão: participe de nossos estudos clínicos
Com segurança, você pode contribuir com a ciência e ajudar a salvar vidas

Adenocarcinoma de pulmão: a transformação nos últimos 15 anos
Terapias-alvo e imunoterapia melhoraram o tratamento

O que o paciente com câncer deve saber sobre interações medicamentosas?
Chás e alguns medicamentos podem interferir na ação dos quimioterápicos 

Podcast Rádio Cancer Center - Como manter a mente calma em tempos de Covid-19
Uma conversa que ensina táticas para se reinventar e passar bem por esta atípica fase 

Vídeo: combata a disgeusia com esta salada caprese com pesto
Assista e aprenda uma receita feita para quem tem diminuição ou alteração no paladar

Tratamento oncológico e libido: entenda a relação
Fatores orgânicos ou emocionais podem desencadear problemas

Imagem de um tablet em cima da mesa, mostrando uma página do e-book

Baixe nosso e-book gratuito sobre câncer de pulmão

Você poderá conhecer melhor a doença, a relação com o hábito de fumar e as melhores alternativas para prevenir ou tratar um possível tumor.
 

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Qual a relação entre o câncer e o diabetes?

Neste artigo da coluna “Fala, Doutor!”, o Dr. Daniel Garcia, oncologista clínico, explica como o câncer pode influenciar o diabetes e vice-versa

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Qual a relação entre o câncer e o diabetes?

Neste artigo da coluna “Fala, Doutor!”, o Dr. Daniel Garcia, oncologista clínico, explica como o câncer pode influenciar o diabetes e vice-versa

Por Dr. Daniel Garcia, oncologista clínico

Diabetes é uma doença metabólica caracterizada por níveis elevados de glicose no sangue (ou açúcar no sangue), que pode levar ao longo do tempo a danos em órgãos como o coração, vasos sanguíneos, olhos, rins e nervos. O mais comum é o diabetes tipo 2, geralmente em adultos, que ocorre quando o corpo se torna resistente à insulina ou não produz insulina suficiente. 

Nas últimas três décadas, a prevalência de diabetes tipo 2 aumentou dramaticamente em todo o mundo. Diabetes tipo 1, conhecido como diabetes insulino-dependente, é uma condição na qual o pâncreas produz pouca ou nenhuma insulina. De 90% a 95% dos pacientes com diabetes têm o tipo 2, enquanto 5% a 10% têm o tipo 1.

Fatores de risco e epidemiologia

O câncer e o diabetes têm vários fatores de risco em comum, como obesidade, tabagismo, envelhecimento, sedentarismo e alimentação não saudável. Aproximadamente 1 em cada 5 pacientes com câncer tem diabetes. 

O diabetes, especialmente o tipo 2, também é um fator de risco para o desenvolvimento de algumas malignidades como o câncer de pâncreas, fígado, cólon, mama e endométrio. Uma revisão do tipo “guarda-chuva”, que analisou 27 estudos de metanálise, concluiu que o diabetes tipo 2 aumenta em 10% o risco relativo de desenvolver câncer. Além disso, vários novos tratamentos contra o câncer ou o uso de corticoides podem levar ao diabetes ou agravar o diabetes preexistente. 

Terapias contra o câncer e o diabetes

Nas últimas décadas, o cenário de tratamento da maioria das malignidades mudou com o surgimento das hormonioterapias, imunoterapias e terapias-alvo. Apesar dos avanços - que resultaram em aumento das taxas de cura, sobrevida e qualidade de vida dos pacientes -, estes tratamentos podem causar hiperglicemia. A quimioterapia convencional, por outro lado, tem efeito direto mínimo ou nenhum sobre a hiperglicemia, exceto quando utilizada juntamente com corticoides em doses mais elevadas.

As terapias que bloqueiam os hormônios – chamadas de hormonioterapias – revolucionaram o tratamento do câncer de mama e próstata. No entanto, também estão associadas ao aumento da resistência à insulina e desenvolvimento de diabetes.
Alguns tipos de imunoterapia ativam a imunidade e aumentam a resposta imune contra células malignas. Mas, ao mesmo tempo, podem causar fenômenos autoimunes como hipotireoidismo, hipertireoidismo, insuficiência adrenal e hipofisite. Raramente estão associados ao desenvolvimento de diabetes autoimune, reduzindo a produção de insulina das células β do pâncreas e simulando um diabetes tipo 1.

As terapias-alvo visam inibir a proliferação de células malignas, regulando o ciclo celular ou induzindo à apoptose (morte celular programada) destas células. No entanto, várias terapias-alvo têm sido associadas à hiperglicemia e uma específica pode induzir resistência à insulina semelhante à observada no diabetes tipo 2.

Screening e tratamento

A testagem para diabetes em pacientes com câncer, antes mesmo de iniciar o tratamento, é importante. Até um terço das pessoas com diabetes não são diagnosticadas. Isto é especialmente relevante em pacientes que têm fatores de risco para diabetes, como um alto índice de massa corporal (IMC), inatividade física, história familiar de diabetes e história de diabetes gestacional, ou aqueles que serão tratados com terapias associadas à hiperglicemia. Caso o tratamento indicado induza a um risco significativo de diabetes, o paciente deve ser educado sobre automonitoramento de glicose em seu domicílio.

O manejo do diabetes em pacientes com câncer deve ser idealmente multidisciplinar, envolvendo um especialista em diabetes (como o endocrinologista), nutricionista, farmacêutico e profissional de apoio psicossocial, em colaboração com a equipe de tratamento oncológico. Pacientes diabéticos em terapia anticâncer requerem controle de hiperglicemia com dieta apropriada, exercícios físicos, terapia antidiabética (hipoglicemiantes orais e/ou insulina, entre outros), controle de fluidos e eletrólitos, juntamente com tratamento das possíveis complicações do diabetes. 

 

Referência:
Shahid, R.K.; Ahmed, S.; Le, D.; Yadav, S. Diabetes and Cancer: Risk, Challenges, Management and Outcomes. Cancers 2021, 13, 5735

Câncer colorretal: uma seleção de conteúdos para você saber tudo

Confira dezenas de publicações (textos, vídeos e podcasts) separadas pelas temáticas de prevenção, diagnóstico e tratamento

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Câncer colorretal: uma seleção de conteúdos para você saber tudo

Confira dezenas de publicações (textos, vídeos e podcasts) separadas pelas temáticas de prevenção, diagnóstico e tratamento

O câncer colorretal, ou de cólon e reto, é o terceiro mais comum entre os homens e mulheres no Brasil.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), a estimativa para 2022 foi de 40.990 novos casos, dos quais, 20.520 em homens e 20.470 em mulheres.

O intestino grosso é a parte final do tubo digestivo, entre o intestino delgado e o ânus, e é dividido em cólon e reto. 

Para que você saiba como se prevenir, o A.C.Camargo Cancer Center apresenta a seguir dezenas de publicações.

Elas foram divididas pelas temáticas de prevenção, diagnóstico e tratamento.

Tem textos, vídeos, podcast... Confira:

 

 

Previna tumores colorretais com hábitos saudáveis
Conheça as formas de se antecipar a um eventual câncer 

Pólipos colorretais: a remoção é necessária para evitar um câncer
Entenda o que são os pólipos e os fatores de risco que contribuem para a formação de tumores

E-book: previna-se contra o câncer colorretal
Faça o download e confira dicas de hábitos saudáveis, alimentação e exames necessários

6 dicas de alimentação que ajudam na prevenção do câncer colorretal
Confira estas dicas para deixar sua vida mais saudável

Diverticulite causa câncer?
Saiba mais sobre a relação dessa inflamação gastrointestinal com tumores colorretais

Câncer colorretal, prevenção e diagnóstico precoce
Confira um infográfico com medidas preventivas e curiosidades 

Úlcera no intestino pode ser sinal de câncer?
Essa ferida que aparece em diversas áreas do organismo é detectada via colonoscopia

Centro de Referência em Tumores Colorretais
O A.C.Camargo e seu tratamento integrado com foco no paciente

Câncer de cólon e reto: conheça os fatores de risco, sinais e sintomas
Uma vez feito o diagnóstico precoce, este tipo de tumor apresenta 90% de chance de cura

Sangue nas fezes: devo me preocupar?
Veja a coluna “Fala, Doutor”, que traz as dúvidas mais frequentes entre os pacientes no consultório

Mitos & verdades sobre câncer colorretal
Tire suas dúvidas sobre quais hábitos são mais arriscados

O câncer colorretal e os impactos da Covid-19
Pesquisa realizada no A.C.Camargo analisou o contexto da pandemia no diagnóstico e no tratamento

Brasileiros com Li-Fraumeni teriam menos chance que americanos de ter câncer colorretal precoce
Explicação seria a mutação R337H, presente apenas em pacientes nascidos em nosso país 

Pesquisadores do A.C.Camargo identificam relação entre bactérias do intestino e câncer colorretal
O estudo, que ganhou destaque na Nature Medicine, mostrou que o tumor pode ter origem nas alterações da microbiota intestinal

Câncer colorretal metastático: células tumorais circulantes como prognóstico
Conduzido pelo corpo clínico do A.C.Camargo, trabalho foi apresentado em San Francisco

Pacientes com câncer colorretal podem voltar a comer de tudo?
Saiba mais sobre a alimentação para pacientes com tumores no cólon e no reto

A cirurgia robótica em tumores colorretais
Conheça as vantagens desta técnica 

Imunoterapia para tumores colorretais
Saiba em quais casos o tratamento é eficaz 

Vídeo: avanços no combate ao câncer colorretal metastático
Novos medicamentos auxiliam no aumento da sobrevida

Cuidados na recuperação após tratamento cirúrgico de câncer colorretal
A cirurgia é o principal método de tratamento para esses tumores

Colostomia: é possível reverter o procedimento
Quando a saúde do paciente está restabelecida e o método é temporário, é possível fazer a cirurgia de reversão

A evolução da mamografia: conforto e precisão nos resultados

Para comemorar o Dia Nacional da Mamografia (5/2), trazemos um especialista sobre o exame para explicar um pouco mais sobre o tema nesta edição da coluna "Fala, doutor" 

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A evolução da mamografia: conforto e precisão nos resultados

Para comemorar o Dia Nacional da Mamografia (5/2), trazemos um especialista sobre o exame para explicar um pouco mais sobre o tema nesta edição da coluna "Fala, doutor" 

Por Dr. Almir Galvão Vieira Bitencourt, médico radiologista do  Centro de Referência de Tumores da Mama

 

"Doutor, não é possível que ainda não tenham inventado um exame melhor do que esse”. Esta é uma das frases que o médico que trabalha com imagem da mama mais ouve quando os pacientes se referem à mamografia. A resposta é sempre a mesma: “Olha, já inventaram bastante coisa. Mas até agora, nada conseguiu substituir a mamografia”.  

Apesar do desconforto causado pela compressão das mamas durante o exame, a mamografia é bem tolerada pela grande maioria das pacientes quando realizada em um centro de referência, com técnicas bem treinadas e acostumadas com o exame.  Além disso, é um método de imagem sabidamente eficaz para detecção precoce do câncer de mama, um dos principais responsáveis por reduzir a mortalidade pela doença.

Ainda que, muitas vezes, necessite ser complementado com outros exames, como a ultrassonografia e a ressonância magnética, a mamografia ainda é o principal exame para avaliação das mamas, pois existem alterações que só são vistas por este método.

Os equipamentos de mamografia têm evoluído bastante nos últimos anos, incluindo ferramentas para proporcionar maior conforto da paciente durante o exame, como compressores curvos, com superfície mais macia, apoio para cabeça e braços. A técnica do exame também evoluiu bastante com o advento da mamografia digital, seguida da tomossíntese, que permitiram uma melhora na precisão dos resultados e redução do número de imagens adicionais realizadas durante o exame.

Outra inovação mais recente é a mamografia com contraste, que já está sendo incorporada e em breve estará disponível na nossa rotina para incrementar ainda mais os resultados da mamografia.

Mamografia e outros exames de imagem radiologia no A.C.Camargo

O A.C.Camargo Cancer Center conta com todos estes equipamentos de última geração, incluindo uma mesa específica para biópsia guiada por tomossíntese, disponível em poucos serviços em nosso meio e que permite a realização de procedimentos de forma mais rápida, precisa e com maior segurança para os pacientes. 

O Departamento de Imagem conta ainda com profissionais qualificados e especializados não só na assistência ao paciente, mas também no ensino e na pesquisa do câncer, aprimorando constantemente a nossa prática com os recursos mais modernos disponíveis.

Uma equipe multidisciplinar de especialistas em câncer de mama atuando na estrutura do nosso cancer center consegue proporcionar melhores índices de sobrevida para as pacientes em todos os estádios da doença. É o que revela um estudo feito por nossos pesquisadores com as pacientes do A.C.Camargo, mostrando que o modelo cancer center tem um impacto positivo no tratamento, levando em conta as características clínicas individuais e o perfil biológico do tumor.
 

Mesotelioma pleural: como um mineral outrora considerado mágico virou um vilão relacionado a este raro tumor

No Dia Mundial das Doenças Raras (28/2), confira a coluna "Fala, Doutor", assinada pelo Dr. Daniel Garcia, oncologista clínico do A.C.Camargo

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Foto do Dr. Daniel Garcia, oncologista clínico do A.C.Camargo

Mesotelioma pleural: como um mineral outrora considerado mágico virou um vilão relacionado a este raro tumor

Foto do Dr. Daniel Garcia, oncologista clínico do A.C.Camargo

No Dia Mundial das Doenças Raras (28/2), confira a coluna "Fala, Doutor", assinada pelo Dr. Daniel Garcia, oncologista clínico do A.C.Camargo

O mesotelioma pleural é um raro tipo de câncer associado ao asbesto, também conhecido como amianto, que já foi considerado um mineral mágico, mas passou a ser visto como perigoso.


O que é asbesto?

Asbesto, também chamado de amianto, é o nome de um grupo de minérios fibrosos compostos por silicatos de magnésio e cálcio, com ou sem outros elementos minerais, que possui a forma de fibras longas e finas. 

Por ter grande flexibilidade, resistência química, térmica e à tensão, foi apelidado de “mineral mágico”. Por muitos anos, o asbesto foi comumente utilizado em isolamentos térmicos e acústicos, freios e embreagens de carros, construção de navios, telhas, tubulações, tecidos e muitos outros materiais. 

Com o surgimento de casos de doenças relacionadas à exposição ao asbesto, em novembro de 2017 o Superior Tribunal Federal (STF) proibiu a extração, industrialização, comercialização e distribuição do asbesto no Brasil.


Como se dá a exposição ao asbesto?

A exposição ao asbesto, em algum momento da vida, é esperada. Baixos níveis de asbesto estão presentes no ar, água e solo. No entanto, a maioria das pessoas não adoece com esta exposição. 

As pessoas que adoecem com o asbesto são geralmente aquelas que são expostas a ele regularmente, geralmente em um trabalho onde se manuseia diretamente o material ou por meio de contato ambiental substancial. 

Existem algumas evidências de que familiares de trabalhadores altamente expostos ao asbesto enfrentam um risco aumentado de adoecer. Acredita-se que esse risco resulte da exposição às fibras de asbesto trazidas para dentro de casa nos sapatos, roupas, pele e cabelo dos trabalhadores. 

De acordo com a OMS, aproximadamente 125 milhões de pessoas estão expostas ao asbesto em seus locais de trabalho no mundo.


Quanto tempo leva para um problema relacionado ao asbesto se manifestar?

Embora seja claro que os riscos à saúde da exposição ao asbesto aumentam com a exposição mais pesada e o tempo de exposição mais longo, existem relatos de doenças relacionadas ao asbesto em indivíduos com exposições breves. 

Geralmente, aqueles que desenvolvem doenças relacionadas ao asbesto não apresentam sinais de doença por um longo tempo após a exposição. Podem levar de 10 a 40 anos ou mais para que os sintomas apareçam.


Quais problemas de saúde a exposição ao asbesto causa?

As fibras de asbesto são muito pequenas. Quando elas se soltam no ar, as pessoas podem inspirá-las para os pulmões, onde ficam presas. As fibras presas nos pulmões podem causar problemas como:

  • Asbestose: uma cicatriz nos pulmões, que dificulta a respiração
  • Câncer: de pulmão e mesotelioma maligno, um tumor raro que ocorre mais frequentemente no revestimento ao redor dos pulmões (região denominada pleura)
  • Problemas pleurais: cicatrizes, espessamentos e acúmulo de líquido nas pleuras


O que é o mesotelioma maligno?

O mesotelioma maligno é uma neoplasia rara e insidiosa com prognóstico reservado. Origina-se das superfícies mesoteliais da cavidade pleural, cavidade peritoneal, túnica vaginal ou pericárdio. 

O mesotelioma pleural maligno é o tipo mais comum e pode ser difícil de tratar porque a maioria dos pacientes tem doença avançada na apresentação.


Quais são os sintomas do mesotelioma pleural?

Os principais sinais são inespecíficos e ocorrem de forma gradual:

  • Falta de ar
  • Dor no peito
  • Tosse
  • Rouquidão
  • Dificuldade para engolir

Ter estes sintomas não significa que a causa seja o mesotelioma pleural. Muitas condições comuns causam falta de ar, dor no peito, tosse e os demais sintomas. A maioria dessas condições é muito mais comum do que o mesotelioma pleural.


Quais exames podem ser necessários?

  • Raio-X de tórax e outros exames de imagem como tomografia computadorizada, PET ou ressonância magnética
  • Espirometria: o paciente assopra através de um tubo onde os parâmetros da respiração são avaliados
  • Broncoscopia: um tubo fino é utilizado para visualizar o interior das vias aéreas
  • Biópsia: uma pequena amostra de tecido da pleura é coletada e o médico patologista a examina no microscópio para verificar se há mesotelioma ou outras alterações.


Como tratar o mesotelioma pleural?

O tratamento depende de diversos fatores, como idade, estado geral de saúde e sintomas causados pela doença. 
Alguns pacientes receberão uma combinação de tratamentos, dentre eles:

  • Cirurgia: durante a operação, os médicos podem:
  1.      Remover partes ou a totalidade do tumor
  2.      Drenar o fluido ao redor do pulmão
  3.      Colocar uma substância que causa aderência no espaço ao redor do pulmão (espaço pleural), o que pode ajudar a evitar que o fluido se acumule nesta região
  • Radioterapia: a radiação mata as células cancerígenas
  • Quimioterapia: consiste em medicamentos que matam as células cancerosas ou as impedem de crescer
  • Imunoterapia: consiste em medicamentos que estimulam o sistema imune a atacar o câncer


Existe prevenção para o mesotelioma?

O mesotelioma pode ser prevenido, mas é necessário se informar sobre onde o asbesto pode estar escondido, pois ele ainda permanece nos lugares em que vivemos e trabalhamos. 

O asbesto foi adicionado a milhares de produtos durante décadas. Muitos destes, especialmente materiais de construção, ainda podem ser encontrados em residências, escritórios e fábricas. 

Ter esses materiais em casa não traz riscos, desde que não estejam danificados ou se deteriorando. Esses materiais, se manipulados durante reformas e construções, podem liberar as fibras de asbesto no ar.

Trabalhadores de setores como construção naval, instalação de freios, demolição de prédios, entre outros, precisam utilizar equipamentos de proteção e seguir os procedimentos de segurança para reduzir o risco de exposição. 

Mais de 50 países no mundo já proibiram a utilização do asbesto. Atualmente, as nações em desenvolvimento são mais vulneráveis às pressões políticas e econômicas da indústria do asbesto em virtude da necessidade de novos investimentos e da manutenção e criação de empregos. 

Em decorrência dessa situação peculiar, é previsível que, no próximo século, as doenças relacionadas ao asbesto sejam mais incidentes em países em desenvolvimento.

Recidiva, seguimento, cura e remissão em oncologia

Nesta edição da coluna “Fala, doutor!”, saiba o que significam estes conceitos que confundem muitas pessoas

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Imagem do Dr. Daniel Garcia, de braços cruzados, com a legenda "Fala, doutor!"

Recidiva, seguimento, cura e remissão em oncologia

Imagem do Dr. Daniel Garcia, de braços cruzados, com a legenda "Fala, doutor!"

Nesta edição da coluna “Fala, doutor!”, saiba o que significam estes conceitos que confundem muitas pessoas

Por Dr. Daniel Garcia, oncologista clínico do A.C.Camargo Cancer Center


Quando o tratamento termina, muitos pacientes escutam de seus médicos oncologistas que se inicia o seguimento ou quais medicamentos adicionais serão necessários para manter o tumor em remissão. Ou, felizmente, que o câncer desapareceu e o paciente está curado. Neste momento, muitos têm dúvidas sobre qual é sua real situação e o que estes termos representam.

Seguimento

Todo paciente quando termina o tratamento que fez contra uma neoplasia maligna passa pela fase de seguimento, que significa fazer consultas médicas regulares mesmo estando sem sintomas. O paciente passa por exames físicos e outros que podem incluir análises laboratoriais e de imagem, com a finalidade de rastrear uma possível recidiva do câncer.

Cura e remissão

A cura significa que não há vestígios do câncer após o tratamento e que o tumor nunca mais voltará. 
A remissão significa que os sinais e sintomas do câncer estão reduzidos ou ausentes. A remissão pode ser parcial ou completa, quando todos os sinais e sintomas do câncer desapareceram. 

O paciente que permanece em remissão completa por cinco anos ou mais, normalmente, pode ser considerado curado. Mesmo assim, algumas células cancerosas podem permanecer no corpo por muitos anos após o tratamento e fazer com que o câncer volte um dia. 

Para os cânceres que retornam, a maioria acontece nos primeiros cinco anos após o tratamento. Mas, há uma chance de que o câncer volte mais tarde. Este é o motivo que leva os médicos a não conseguirem dizer com certeza se o paciente está curado.

Compreendendo a recidiva

Algumas células cancerosas podem permanecer despercebidas no corpo por anos após o tratamento. Se um câncer retorna após ter estado em remissão, é chamado de recidiva ou recorrência. 

O câncer pode reaparecer no mesmo local em que foi originalmente diagnosticado ou em uma parte diferente do corpo. Cada situação é diferente e não há como prever exatamente o que irá acontecer. O que podemos afirmar é se a probabilidade do câncer retornar é baixa ou alta. Para isto, o médico utiliza diversas ferramentas e informações sobre o câncer e o paciente.
 

Tumores digestivos: uma seleção de conteúdos para você saber tudo e se proteger

As publicações foram divididas pelas temáticas de prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação, os pilares que definem a jornada do paciente no A.C.Camargo Cancer Center

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Homem branco com as mãos na barriga

Tumores digestivos: uma seleção de conteúdos para você saber tudo e se proteger

Homem branco com as mãos na barriga

As publicações foram divididas pelas temáticas de prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação, os pilares que definem a jornada do paciente no A.C.Camargo Cancer Center

Tumores digestivos são aqueles que atingem estômago, esôfago, fígadopâncreas, intestino delgadoGIST (tumor estromal gastrointestinal) e vesícula biliar e vias biliares.

No A.C.Camargo Cancer Center, eles são tratados por uma equipe multidisciplinar no Centro de Referência em Tumores do Aparelho Digestivo Alto, que entende a necessidade individualizada de cada paciente e o coloca no centro do cuidado.

Algo importante. Em relação ao câncer de estômago, por exemplo, a estimativa é que haja 21 mil novos casos para cada ano do triênio 2020-2022, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer, o INCA, o que o coloca como o sexto tipo de câncer mais comum, se considerarmos o ranking geral, com homens e mulheres.

Mesmo em tempos de pandemia, temos um Atendimento Oncológico Protegido, implementado para que os pacientes possam seguir seus tratamentos com segurança, além de fazer suas consultas e exames para investigar eventuais sinais e sintomas.

Uma vez que os sintomas são ausentes ou inespecíficos na fase inicial do tumor (por exemplo, a sensação de estufamento), muitas vezes fica complicado perceber um câncer precocemente.

Por outro lado, baseado no histórico do paciente, nos exames clínicos e na análise anatomopatológica, é possível antecipar o diagnóstico e obter um tratamento mais efetivo.

E, claro, para afastar o risco, inclua alimentos mais saudáveis nas refeições, faça atividade física, não fume, não beba, previna-se contra a obesidade e não deixe de realizar os exames médicos. 

Para que você saiba mais sobre o universo dos tumores digestivos para proteger sua saúde, o A.C.Camargo Cancer Center apresenta a seguir dezenas de publicações.

Elas foram divididas pelas temáticas de prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação, os pilares que definem a jornada do nosso paciente na Instituição.

Confira:

Carnes e câncer: a vermelha é mais perigosa que a branca? 
Entenda se algum dos tipos de proteína animal apresenta risco maior para o desenvolvimento de um tumor

Macarrão instantâneo causa câncer? 
Descubra se aquela opção que fica pronta em 3 minutos é um risco para a sua saúde 

Câncer de pâncreas: dor nas costas poderia ser um sinal
Incômodo pode aparecer na região lombar, mas nunca é associado a um tumor

Churrasco e câncer: há relação?
Descubra se a carne vermelha no carvão sabota a sua saúde 

Um manual sobre o câncer de estômago
Sinais, sintomas, fatores de risco e formas de tratamento

Hepatite: vacinação e relação com o câncer
Imunização ajuda a blindar contra tumores de fígado; conheça os tipos 

Alimentação saudável contribui para evitar o câncer
Antioxidantes e fibras ajudam a prevenir tumores

Suco gástrico dos pacientes com câncer de estômago
Ele pode ser útil para identificação de tumor

Endoscopia
Um guia com tudo sobre o exame

Um manual sobre o câncer de fígado
Sinais, sintomas, fatores de risco e formas de tratamento

Podcast Rádio Cancer Center - Tumores do aparelho digestivo alto: saiba como se prevenir
Ouça esta conversa e saiba tudo sobre sinais, sintomas e fatores de risco (tem até cirurgia bariátrica)

Sangue nas fezes: devo me preocupar?
Confira a coluna “Fala, Doutor”, que traz as dúvidas mais frequentes no consultório

Um manual sobre o câncer de pâncreas
Sinais, sintomas, fatores de risco e formas de tratamento

Mitos & verdades: câncer de estômago e esôfago
Gastrite, refluxo e outros pontos recorrentes

Mitos & verdades: câncer de pâncreas, fígado e vesícula
Geralmente, esses tumores são assintomáticos no início

H.pylori pode ter relação com câncer de estômago
Aprenda a diminuir os riscos causados pela bactéria

Cirurgia para retirada do estômago é indicada para prevenir o câncer?
Aconselhamento genético pode ajudar na tomada de decisão

Um manual sobre o câncer de esôfago
Sinais, sintomas, fatores de risco e formas de tratamento

O papel do fumo e das toxinas alimentares em pacientes com tumores de fígado
Estudo analisou mutações celulares associadas a esses fatores de risco

Um manual sobre o câncer de intestino delgado
Sinais, sintomas, fatores de risco e formas de tratamento

A síndrome metabólica
E seus riscos de diabetes, doenças do coração e câncer de fígado

Câncer de fígado e estômago
7 entre 10 casos são relacionados com hepatites B e C e H.pylory

Um manual sobre o câncer de vesícula biliar e vias biliares
Sinais, sintomas, fatores de risco e formas de tratamento

A H.pylori na América Latina
Falta de saneamento básico e alimentos mal condicionados: as grandes causas de infecção pela bactéria

Um manual sobre o tumor estromal gastrointestinal
Sinais, sintomas, fatores de risco e formas de tratamento

Centro de Referência em Tumores do Aparelho Digestivo Alto
Entenda como a equipe multidisciplinar coloca o paciente no centro do cuidado 

Podcast Rádio Cancer Center - Atendimento Oncológico Protegido
Saiba como o A.C.C. está preparado para cuidar de seus pacientes com segurança e excelência em tempos de Covid-19

Tratamento oncológico e libido: entenda a relação
Fatores orgânicos ou emocionais podem desencadear problemas

Avanços da cirurgia robótica no câncer gástrico
Técnica permite realizar linfadenectomias e gastrectomias com mais precisão 

Radioterapia feita durante a cirurgia pode evitar volta de tumores digestivos
Estudo identificou que o procedimento garantiu sobrevida a pacientes 

A.C.Camargo apresenta cartilha sobre câncer de estômago
Material traz informações sobre tratamento, prevenção, sinais e sintomas 

Tumores do aparelho digestivo alto
Inovações e desafios no tratamento cirúrgico

Genômica, a ciência que faz diferença
Assista ao vídeo e entenda melhor como ela contribui para o combate ao câncer

A quimioterapia perioperatória 
Eis uma opção promissora para tumores gastroesofágicos

O que o paciente com câncer deve saber sobre interações medicamentosas?
Chás e alguns medicamentos podem interferir na ação dos quimioterápicos 

Presença de proteína no sangue é um importante biomarcador para controle de câncer de estômago
Oncogene HER 2 é maior nas células tumorais circulantes do que nos tumores primários

Estudo realizado no A.C.Camargo mostra resultados promissores em casos de câncer de pâncreas
Números são equivalentes aos de centros norte-americanos; tumor nesse órgão é complexo

Exercício e câncer: preparação pré-cirúrgica traz vantagens aos pacientes
Descubra os inúmeros benefícios que a atividade física proporciona durante e após a cirurgia

Podcast Rádio Cancer Center - Como manter a mente calma em tempos de Covid-19
Uma conversa que ensina táticas para se reinventar e passar bem por esta atípica fase 

Vídeo: histórias reais sobre o câncer
Conheça a paciente Edna Zorzim Amancio

Vídeo: combata a disgeusia com esta salada caprese com pesto
Assista e aprenda uma receita feita para quem tem diminuição ou alteração no paladar

Fisiatra, o médico que promove mobilidade e qualidade de vida
Conheça esse profissional de essencial importância para o “ir e vir”, inclusive para o paciente oncológico 

Exercícios durante ou após a quimioterapia em pacientes com câncer
Estudo holandês apresentado na ASCO analisou o impacto da atividade física

Fisioterapia contribui para a qualidade de vida de mulheres com câncer
Pacientes podem prevenir o acúmulo de líquido

Mutações genéticas e o câncer de próstata

Nesta edição da coluna Fala, Doutor!, o oncologista clínico Dr. Daniel Garcia explica como as mutações e o histórico familiar estão relacionados ao câncer de próstata

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Pai e filho abraçados e sorrindo, olhando para o celular

Mutações genéticas e o câncer de próstata

Pai e filho abraçados e sorrindo, olhando para o celular

Nesta edição da coluna Fala, Doutor!, o oncologista clínico Dr. Daniel Garcia explica como as mutações e o histórico familiar estão relacionados ao câncer de próstata


O Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata, comemorado em 17 de novembro, deu origem ao movimento Novembro Azul, com objetivo de falar sobre a doença, que afeta homens geralmente na meia-idade ou mais. Ao longo da vida, aproximadamente um em cada nove homens terão a doença. 

A próstata é uma glândula que envolve a uretra masculina e ajuda a produzir sêmen, o fluido que transporta os espermatozoides. Quando certas células da próstata tornam-se anormais e multiplicam-se sem controle, formam um tumor. 

A origem do câncer de próstata

A maioria dos casos de câncer de próstata ocorre esporadicamente, ou seja, por acaso e devido a combinações de fatores difíceis de identificar. No entanto, ter um histórico pessoal ou familiar de alguns tipos de câncer pode aumentar o risco.

Aproximadamente 12% dos homens com câncer de próstata metastático e 6% dos que têm a doença localizada na próstata, de alto risco, têm uma predisposição genética identificada. Os genes mais frequentemente envolvidos são o BRCA 1 e BRCA 2 - os mesmos genes que, entre as mulheres, são responsáveis por grande parte dos tumores de mama e ovário. 

Outras alterações genéticas, como a Síndrome de Lynch e mutações nos genes ATM, CHEK2 e PALB2, também podem ter associação com o câncer de próstata, apesar de serem menos frequentes. A ancestralidade também pode influenciar no risco, como é o caso dos descendentes de judeus asquenazes (provenientes da Europa central e oriental), que apresentam maior frequência de mutações nos genes BRCA 1 e BRCA 2.

Significado das mutações

Os homens portadores de mutação BRCA 1 têm um risco três vezes maior de desenvolver câncer de próstata do que os não portadores; para BRCA 2, este risco é ainda mais elevado, chegando a ser oito vezes maior quando comparado a não portadores. Além disso, as mutações em BRCA também aumentam as chances de desenvolver outros tipos de câncer, como pâncreas, colón e melanoma.

A Síndrome de Lynch está mais associada ao câncer colorretal. Até os 80 anos, o risco cumulativo de desenvolver o câncer colorretal varia de 8,7% a 61%; para o câncer de próstata, esse risco varia entre 2,5% e 15,9%. Outras neoplasias também têm um risco cumulativo maior entre os portadores da síndrome, como os tumores de endométrio, ovário, ureter/pelve renal, estômago, entre outros.

Quem deve realizar o teste genético

 As recomendações médicas atuais indicam  testes genéticos para homens com história pessoal de câncer de próstata metastático, com doença localizada de alto risco ou doença localizada com histologia intraductal, bem como uma história familiar de mutações germinativas de alto risco (por exemplo, BRCA 1 e BRCA 2 , mutação de Lynch, ascendência judaica asquenaze), ou para aqueles com um forte histórico familiar de câncer.

Como são realizados os testes

Os testes utilizados atualmente são exames que analisam o DNA do paciente por meio de exame de sangue ou saliva, e demoram algumas semanas para ficarem prontos.

O aconselhamento genético é importante antes e depois do teste. Especialistas em genética médica podem ajudar a responder perguntas sobre o teste e auxiliar a entender o que está envolvido. Se o teste for positivo para uma alteração genética, pode haver protocolos a seguir para detectar o câncer precocemente ou diminuir seus riscos. No entanto, o teste genético não é perfeito. A maioria das pessoas com câncer e/ou histórico familiar de câncer não tem um gene herdado anormal, assim como nem todas as pessoas que herdaram uma alteração genética desenvolverão câncer.