Ensino

Lançamento do 1º Prêmio Inovações pela Vida

 O A.C.Camargo Cancer Center e a Família José Ermírio de Moraes Neto, sua colaboradora histórica, lançaram durante o Next Frontiers o 1º Prêmio Inovações Pela Vida, inspirados pela trajetória empreendedora de José Eduardo Ermírio de Moraes (in memoriam). 

O Prêmio Inovações pela Vida busca dar visibilidade a soluções promissoras ao campo da oncologia, a partir de selo e chancela do A.C.Camargo Cancer Center e fomentar o ecossistema de inovação para responder aos desafios e oportunidades relacionadas à prevenção, tratamento e atendimento ao paciente oncológico. 

O papel do enfermeiro e sua atuação na jornada do paciente oncológico

No último dia do Next Frontiers to Cure Cancer, a sessão Atuação do Enfermeiro na Prevenção contou com a presença de diversos profissionais que discutiram o papel do enfermeiro oncológico na jornada do paciente, nos modelos de prevenção e rastreamento e a atuação do navegador no Brasil.

A sessão contou com a presença de Vanessa Camandoni, enfermeira e gerente de operações do A.C.Camargo Cancer Center; Paula Carvalho Ribeiro, enfermeira do Hospital de Amor de Barretos; a enfermeira americana Maria E. Daheri; e Tamara Otsuru A. Teixeira, enfermeira CEO da Veritas Oncologia.

Navegação de pacientes

Durante sua aula Reflexões sobre a navegação de pacientes na prevenção e rastreamento de câncer no Brasil, Tamara comentou que o número de casos novos e mortes por câncer demandam implementação de estratégias baseadas em evidências para prevenção, detecção precoce e tratamento oportuno de pessoa com câncer.

A especialista também abordou a importância do conhecimento e advocacy do navegador para apoio à prevenção e ao rastreamento do câncer; a necessidade de ajustar fluxos operacionais, envolver a comunidade e defender os diretos dos pacientes; e buscar a regulamentação do navegador no Brasil, para capacitar profissionais e captar parcerias de financiamento.

No contexto da pandemia, Tamara lembrou que “a navegação para prevenção e rastreamento é imperativa para mitigar os danos decorrentes da pandemia de Covid-19 no Brasil – a ‘epidemia’ de casos avançados e mortes por câncer ”.
 

Prática diária e novas perspectivas do câncer de ovário e endométrio

No terceiro dia do Next Frontiers to Cure Cancer, maior congresso de oncologia da América Latina, Dra. Andrea Paiva Gadelha Guimarães, vice-líder do Centro de Referência de Tumores Ginecológicos do A.C.Camargo, foi a coordenadora da aula Prática diária e novas perspectivas do câncer de ovário e endométrio, que contou com grandes nomes da área para discussão do tema. 

Entre os debatedores, estavam o Dr. Eduardo Paulino, oncologista clínico do Hospital do Câncer II - Instituto Nacional de Câncer/RJ, o Dr. João Paulo da Silveira Nogueira Lima, oncologista clínico do A.C.Camargo e a Dra. Louise De Brot Andrade, médica patologista do A.C.Camargo. 

A aula contou com a discussão de dois casos: uma paciente com câncer de endométrio e outra com câncer de ovário. 

Câncer de endométrio 

Dra. Louise explicou como é a rotina, no A.C.Camargo, de biomarcadores em uma paciente com câncer de endométrio. “Em todos os casos, utilizamos como marcadores os genes de reparo, P53 e L1Cam. O ideal seria se tivéssemos acesso à pesquisa de POLE em todos os casos, mas reservamos para casos que sejam morfologicamente ambíguos ou de alto grau. Mas, para que possamos classificar do ponto de vista molecular os casos de carcinoma de endométrio é importante fazer sempre a pesquisa de POLE”, explicou Dra. Louise. 

A especialista comentou também que principalmente para os carcinomas de alto grau do endométrio já existem muitas publicações mostrando que há variação intra-observador e a dificuldade do patologista de classificar esse tumor é muito grande. Ter o perfil molecular e classificá-lo é fundamental principalmente nos casos de alto grau. 

“Para o câncer de endométrio, a análise molecular é fundamental tanto para o prognóstico quanto para o preditivo de resposta para o tratamento que temos disponível”, comenta Dra. Andrea. 

Câncer de ovário 

Dr. João Paulo apresentou para discussão o caso de uma paciente de 75 anos de idade, branca, hipertensa e obesa com distensão abdominal e câncer ceroso de alto grau de ovário, estádio IV, sem perda de gene de reparo de DNA e sem mutações de BRCA1 e BRCA. 

Dr. Eduardo comentou que “essa paciente tem que ser muito bem avaliada com uma equipe multidisciplinar e é preciso ter um cirurgião experiente, pois o que é irressecável para um pode ser ressecável para outro”. 

O câncer de ovário é silencioso, demora a apresentar sintomas e pode crescer bastante antes de ser detectado. Por isso, cerca de 75% dos casos têm o diagnóstico quando a doença já está avançada. Cerca de 10% dos casos têm um componente genético e podem estar relacionados com a síndrome familial de mama e ovário.

Confira os destaques do terceiro dia do Next Frontiers

Nosso 3º dia do Next Frontiers to Cure Cancer foi um sucesso! Confira no vídeo um resumo com os principais acontecimentos de hoje.

No 4º e último dia ainda teremos muitas atividades em diversas salas, a divulgação dos selecionados dos Resumos Científicos e o lançamento do Prêmio Inovações pela Vida 2022. Acompanhe com a gente! 💚

👉🏽Confira a programação e não fique de fora: https://www.nextfrontiers.com.br/nfcc2022

 

Atualizações no diagnóstico dos tumores neuroendócrinos

No segundo dia do Next Frontiers to Cure Cancer, o Dr. Rodrigo Gomes Taboada, oncologista clínico do A.C.Camargo Cancer Center, abordou as atualizações no diagnóstico dos tumores neuroendócrinos em sua aula. 

O especialista explicou que os tumores neuroendócrinos são raros. “Embora rara, essa incidência está aumentando nos últimos 30 anos. Provavelmente devido ao refinamento dos métodos de imagem, maior uso desses métodos para rastreamento de outras condições e maior conhecimento da comunidade clínica e patológica”. 

O aumento de incidência ocorre a todos os sítios primários, mas principalmente nos pulmões, intestino delgado, pâncreas e estômago. Considerando todas as neoplasias malignas do trato gastrointestinal, os tumores neuroendócrinos representam cerca de 1,5%. 

Tumores neuroendócrinos: heterogeneidade e classificação 

Dr. Rodrigo explica que os tumores neuroendócrinos formam um grupo de neoplasias tão heterogêneo que sua imprevisibilidade torna o manejo desafiador. O diagnóstico é fundamentalmente patológico e depende da morfologia e de marcadores de imuno-histoquímica de diferenciação neuroendócrina. 

“Os marcadores imuno-histoquímicos são fundamentais para o diagnóstico, mas também podem ser úteis para a diferenciação de neoplasias de alto grau, que são divididas em tumores neuroendócrinos de grau 3 e carcinomas neuroendócrinos”, comenta Dr. Rodrigo. Ele também reforça a importância de saber que pode haver a mesma multiplicidade de marcadores positivos em distintos sítios. 

Em um grupo de neoplasias tão heterogêneo é natural que existam diversas classificações, a maioria delas com aplicações prognósticas ou terapêuticas. Podem ser diferenciadas pela localização do sítio primário e a presença de síndromes funcionantes ou associadas à predisposição hereditária ao câncer. 

Os médicos que tratam os pacientes com tumores neuroendócrinos precisam ficar sempre atentos e suspeitar de heterogeneidade tumoral, tanto no diagnóstico quanto durante o curso da doença. Pode ser útil combinar métodos de imagens funcionais se a doença está demonstrando um curso mais agressivo. Até mesmo repetir uma biópsia pode ser necessário em alguns casos. 

Dr. Rodrigo comenta que é preciso individualizar o tratamento, avaliar a carga de sintomas, a carga tumoral, a ressecabilidade, se é predominantemente metastática para o fígado, a taxa de progressão e a performance do paciente, que são características extremamente subjetivas. Tudo isso é essencial, assim como a análise desse paciente e definição de conduta em uma reunião multidisciplinar. 

“A área multidisciplinar reduz o atraso do diagnóstico, dos tratamentos, facilita a continuidade do cuidado, personaliza o tratamento do paciente e é uma possibilidade de educação e pesquisa para a Instituição”, finaliza. 

Cirurgia Robótica em Oncologia - Assistência, Ensino e Pesquisa

Linha Fina

Encontro reuniu grandes nomes para debater ampliação, ensino, certificações e o custo-efetividade do tema 

A cirurgia robótica foi destaque no segundo dia de apresentações no Next Frontiers to Cure Cancer. O Dr. Stênio de Cassio Zequi, líder do Centro de Referência de Tumores Urológicos, conduziu os trabalhos da sala. Foram discutidos pontos como a importância da formação de cirurgiões que operam por robô, as certificações, a efetividade dessa prática e as vantagens assistenciais, além de sua custo-efetividade. 

O procedimento, que é minimamente invasivo, traz diversos benefícios para pacientes quando comparado à cirurgia convencional. 

O A.C.Camargo Cancer Center é um dos principais centros da América Latina especializados em cirurgia robótica para o câncer. Além de especialista em oncologia, a experiência em robótica torna a Instituição uma referência neste tipo de procedimento para tratamento de tumores.  

Porém, para aproveitar o máximo potencial da cirurgia robótica, é preciso uma equipe multidisciplinar de especialistas em oncologia que atuam de forma integrada. Por isso, esse tipo de procedimento desse levar em consideração também o contexto de tratamento e como os demais profissionais, como nutricionistas e fisioterapeutas, por exemplo, estão capacitados. 

O trabalho destes profissionais na preparação do paciente para o procedimento também é importante. O preparo físico, nutricional e psicológico antes da cirurgia são essenciais para que o paciente tenha uma recuperação mais segura e eficiente. 

Em uma das salas de transmissão, no segundo dia de sessões do evento, o Dr. Stênio de Cassio Zequi explanou sobre a especialização da Instituição. São 9 anos e mais de 3.600 cirurgias.  

Segundo o Dr. Stênio, o programa de cirurgia robótica é um sucesso e muito bem estabelecido devido estratégias mercadológicas, programas de ensino e alta especialização de todos envolvidos no processo. “No Brasil, temos 90 robôs. Somente em São Paulo 32 e, mesmo assim, o A.C.Camargo foi um dos hospitais que mais operou por robótica durante a pandemia”, comenta o especialista.  

Já o Dr. Luiz Paulo Kowalski, Líder do Centro de Referência em Tumores de Cabeça e Pescoço, abordou o ensino de Cirurgia Robótica em fellowship de um cancer center. Entre seus comentários, a necessidade de levar assistência de qualidade para a população. “São 4.8 bi de pessoas no mundo que não têm acesso a cirurgias de qualidade”, dado que reforça a necessidade de ampliação de ensino, pesquisa e assistência no planeta.   

Ainda tivemos a participação do Dr. Héber Salvador De Castro Ribeiro, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica, que trouxe a importância das certificações. Segundo o Dr. Héber, as entidades de classe, como SBCO, tem um papel importante para assegurar as certificações de qualidade no país e, dessa forma, contribuir diretamente com o desenvolvimento da técnica e com o desfecho clínico para pacientes.   

O Dr. Walter Henriques da Costa, Gerente Médico do A.C.Camargo Cancer Center, finalizou o encontro trazendo o olhar da gestão sobre a cirurgia robótica, enumerou algumas vantagens diretas do procedimento, além de salientar o custo-efetividade. “Se num primeiro momento a cirurgia robótica se apresenta como mais cara para as operadoras de saúde, em médio e longo prazo mostra-se mais efetiva, pois reduz as complicações clínicas e retornos aos especialistas, tornando o processo todo menos dispendioso".

Saiba tudo sobre cirurgia robótica em nossa página especial dedicada ao tema.  

As tendências do design na área da saúde

No primeiro dia do Next Frontiers to Cure Cancer, a sessão de “Experiência do Paciente” trouxe profissionais que abordaram temas relacionados a arquitetura e design. 

Durante a aula Tendências do design – Hospitais do futuro, a arquiteta e urbanista Ana Paula Naffah Perez trouxe 10 tendências para a área da saúde.

Hospitais conectados

Segundo a arquiteta, adultos passam em média 11 horas por dia olhando uma tela. Por isso, é importante que as unidades de saúde estejam conectadas e que possam ser utilizadas de forma remota. “A unidade de saúde tem que refletir essa nova realidade e transformá-la em uma experiência interessante para o paciente, familiar e profissionais”, cometa Ana Paula.

Como contraponto à tecnologia, Ana Paula comenta sobre a tendência da biofilia, que é a natureza cada vez mais integrada às unidades hospitalares, trazendo bem-estar e conforto emocional.

Design limpável, durável e sustentável

Embora o controle de infecção não seja novidade, a avaliação correta no uso e especificação dos materiais se transformou num dos itens mais importantes dos projetos. A especificação ideal são materiais que possam alinhar facilidade de assepsia, durabilidade, estética e sustentabilidade.

Por isso, a sustentabilidade como tendência é um desafio para o arquiteto, que precisa trabalhar com revestimentos, por exemplo, de forma inteligente.

“A arquitetura é a vontade de uma época, traduzida em espaço, como diz o mestre da arquitetura, Mies Van Der Rohe. E precisamos traduzir o futuro na arquitetura para a área da saúde”, finaliza Ana Paula.
 

Ana Paula Naffah Perez

Câncer de pulmão em não fumantes: por que a incidência aumenta?

Na aula “Câncer de pulmão em não fumantes: por que a incidência aumenta”, a Dra. Viviane Alencar, oncologista clínica e oncogeneticista do A.C.Camargo, explicou que o câncer de pulmão em não fumantes apresenta alta mortalidade e é questão de saúde pública.

De 10% a 25% dos casos de câncer de pulmão no mundo são de não fumantes e sua incidência vem aumentando nas últimas décadas. Segundo a especialista, o principal fator de risco é a exposição ambiental ao tabaco, ou seja, tabagismo passivo.

Outros fatores de risco são: exposição a vapores de óleo de cozinha e carvão em uso domiciliar, poluição do ar, idade, fatores genéticos, doenças pulmores crônicas, alimentação desbalanceada, exposição a asbestos, dentre outros.