Aparelho de laserterapia, semelhante a um aparelho de ultrassonografia intravaginal.

Laserterapia: conheça a técnica que diminui possíveis sequelas do câncer ginecológico

Publicado em: 27/09/2021 - 14:09:28
Linha Fina

Procedimento pode ser usado como opção terapêutica na abrasão de lesões de HPV induzidas, por exemplo, bem como lesões precursoras do câncer de vagina e vulva

Laserterapia: durante o tratamento contra o câncer na região ginecológica, algumas lesões originadas de HPV induzidas, assim como a síndrome urogenital, por exemplo, podem ser tratados com a laserterapia.

O procedimento consiste em um aparelho transdutor, semelhante a um ultrassom transvaginal, que é introduzido na vagina. Quando acionado, libera feixes de laser que estimulam a região.

Laserterapia x câncer

Mais recentemente, a terapia em laser ginecológica passou a ser utilizada de forma fracionada, pelo método Monalisa Touch. O procedimento, inicialmente usado para rejuvenescimento vaginal, pode ser aplicado como coadjuvante no tratamento sintomático da síndrome urogenital provocada pela menopausa.

“A laserterapia diminui os sintomas relacionados à síndrome urogenital, tanto no pós-menopausa natural quanto naquelas induzidas por condições ou tratamentos que promovem o bloqueio ovariano hormonal temporário ou irreversível, como pode acontecer nas mulheres em tratamento para câncer de mama, ou por irradiação ovariana, como em alguns casos de mulheres submetidas ao tratamento adjuvante de câncer de útero”, explica a médica ginecologista Angélica Bogatzky Ribeiro, do Centro de Referência de Tumores Ginecológicos do A.C.Camargo Cancer Center.

A síndrome urogenital é um conjunto de alterações que ocorrem no sistema reprodutivo biologicamente feminino, que se dá pela falta de estrogênio durante a menopausa. Seus principais sintomas são atrofia genital, ressecamento vulvovaginal, dispareunia (dor durante a relação sexual), ardor urogenital e, em alguns casos, incontinência ou infecção urinária.

Como funciona na prática

“A laserterapia é uma técnica minimamente invasiva que emite luz monocromática. Quando direcionada de forma fracionada para o tecido genital, produz inúmeros estímulos microscópicos, em forma de microescoriações”, diz. “O resultado é uma rápida recuperação do tecido exposto, possibilitando uma ação remodeladora que pode melhorar de forma significativa e com mínimos efeitos colaterais os sintomas relacionados à atrofia vulvovaginal”.

O procedimento, porém, não é indolor. A paciente poderá sentir, sobretudo na região vulvar, desde simples desconforto quanto dor de leve a moderada e sensação de calor ou queimação. Por esse motivo, é recomendado o uso de pomada anestésica na região vulvar para realização do procedimento.

Os efeitos colaterais, quando ocorrem, são mínimos, como vermelhidão, inchaço e dor local, que usualmente desaparecem após um ou dois dias de repouso e com medidas simples.

“Por vezes, após o procedimento, pode haver secreção vaginal e até mesmo pequenas fissuras, eventos esses que, quando presentes, devem ser tratados de acordo com a orientação prévia emitida pelo médico assistente por ocasião do procedimento”, explica a especialista.

Cuidados da laserterapia

O efeito do laser Monalisa Touch é local e temporário. Os efeitos desejados sobre os sintomas podem, eventualmente, depender de fatores externos ao próprio procedimento, não orgânicos, de ordem emocional ou sexual, comprometendo à uma expectativa eventualmente superestimada pela paciente. 

De acordo com critérios médicos, uma mesma paciente poderá ser submetida a mais de uma aplicação de laser para o resultado almejado (normalmente três sessões em quatro meses), podendo se estender conforme a necessidade.

O A.C.Camargo oferece a laserterapia utilizando equipamentos e aparelhos de última geração, o que amplia de forma consciente e autônoma, a gama de benefícios ofertados ao suporte da paciente com câncer.

Com uma equipe multidisciplinar e capacitada para aplicar o procedimento, a paciente conta com um espaço com todo suporte técnico e humano para realizar a aplicação de forma confortável e segura. “Nossa luta diária é que esse importante procedimento possa ser disseminado e popularizado entre as pacientes oncológicas para que nossos sinceros esforços possam ser ferramentas de ajuda e superação dessas pessoas!”, diz Dra. Angélica. 

Uma sessão de laserterapia dura, aproximadamente 15 minutos. A paciente não pode estar no período menstrual e deve fazer a depilação íntima de três a cinco dias antes. A terapia não é indicada para grávidas ou usuárias de marca-passo e, após o tratamento, deve-se evitar relações sexuais por sete dias.

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