Covid-19: pandemia pode causar até 20% a mais de mortes por câncer

 
Publicado em: 20/05/2021 - 09:05:05
Linha Fina

 

Pesquisa liderada pela equipe médica do A.C.Camargo Cancer Center mostra o impacto da demora em se buscar tratamento oncológico durante a pandemia do Sars-CoV-2

 

 

Covid-19 e câncer: a pandemia mudou o estilo de vida de grande parte dos brasileiros. Sair de casa somente para o essencial e fazer o uso de medidas protetivas contra o vírus da Covid-19 viraram hábitos que já completam um ano.

Por isso, muitas pessoas, assustadas com o agravamento da saúde pública no Brasil, não procuram atendimento médico mesmo se apresentam sintomas oncológicos. Isso fez com que diversos pacientes diagnosticados com câncer tivessem seu quadro clínico agravado.

"Eles temiam usar transporte público ou ir a hospitais e clínicas. Suportaram a piora dos sintomas e somente quando tiveram complicações mais graves, como falta de ar, dificuldade para deglutir, sangramento ou muita dor, procuraram meios para diagnóstico e tratamento", explica Dr. Luiz Paulo Kowalski, líder do Centro de Referência em Tumores de Cabeça e Pescoço do A.C.Camargo Cancer Center e considerado um dos 100 mil cientistas influentes do mundo.

A redução do número de novos casos e atraso nas primeiras consultas e no retorno foi o objeto de estudo do Dr. Kowalski e sua equipe na pesquisa científica que analisou essa diminuição no atendimento oncológico e os riscos que isso causa em pacientes diagnosticados com câncer de cabeça e pescoço.

"Ainda em abril de 2020, houve uma redução no número de novos casos de câncer de até 30%, o que também foi percebido por colegas de instituições internacionais. Tendo por base o conhecimento prévio do efeito do atraso prognóstico, discutimos um metodologia objetiva, capaz de estimar os efeitos da magnitude e do tempo de atraso no prognóstico dos pacientes e como deveria ser planejada a retomada das atividades para reduzir os efeitos esperados. O modelo criado é bastante efetivo e deveria ser empregado para planejar a assistência após a primeira onda", explica Kowalski.

O câncer não espera

O impacto no atraso do diagnóstico do tratamento oncológico é devastador. Somente a primeira onda irá causar um aumento de cerca de 20% no número de mortes por câncer de Cabeça e Pescoço, analisado pela pesquisa.  "Diversos pacientes serão tratados em fases mais avançadas e, embora curados, terão mais sequelas do tratamento", diz. Kowalski também explica que os custos serão maiores, tanto para sistema público quanto privado. "Quanto maior a espera, piores os efeitos".

Outro efeito marcante a longo prazo da demora em se procurar atendimento oncológico: os programas de prevenção também foram afetados pela falta de procura dos pacientes. O efeito, segundo o médico, será um aumento no número de casos e de diagnósticos tardios de diversos tipos de câncer.

Covid-19 e câncer: e agora?

Passada a “primeira onda”, algumas lições foram anotadas: prevenção, diagnóstico e tratamento não podem ser adiados.

“Mesmo durante a pandemia, em plena segunda onda e esperando a terceira que com certeza virá, temos que manter e ampliar esses serviços, sempre que possível, oferecendo opções à distância e promovendo um ambiente seguro para que os pacientes possam ser encorajados a procurar uma instituição de saúde sem medo de serem contaminados por Covid-19. O câncer não espera e o paciente não deve esperar. Torna-se obrigatório oferecer serviços adequados a mudanças atuais”, diz.

A telemedicina é uma alternativa ao atendimento presencial, que pode auxiliar o paciente a buscar o melhor tratamento.
“Apesar dessa opção, invariavelmente os pacientes chegaram para a primeira consulta com tumores mais avançados, alguns sem possibilidade de tratamento com finalidade curativa. Mesmo pacientes já tratados interromperam o tratamento e alguns tiveram atraso no diagnóstico de recorrências” diz Kowalski. A pesquisa mostrou que atrasos superiores a 60 dias no início do tratamento piora o prognóstico. A pandemia confirmou categoricamente esses dados.

Covid-19: previna-se

Pacientes com câncer de cabeça e pescoço podem apresentar mais comorbidades e, por isso, se encaixam no grupo de risco da Covid-19. As recomendações de prevenção da doença devem ser intensificadas (como uso de máscara, distanciamento, uso de álcool em gel e evitar aglomerações).

O câncer não espera. Fique atento aos sinais e sintomas do câncer de cabeça e pescoço e marque sua consulta. Estamos à disposição para atender você com toda segurança e seguindo os protocolos de prevenção à Covid-19.


 

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