Imunoterapia

“A imunoterapia está mudando o tratamento do câncer e o futuro parece bem iluminado”

Linha Fina

Entenda mais sobre este tipo de tratamento e sobre as CAR-T Cells com o Doutor David Maloney, norte-americano da Universidade de Washington e do Fred Hutchinson Cancer Research Center

As CAR-T Cells – em português, células CAR-T – são uma modalidade de imunoterapia que promete revolucionar o tratamento do câncer, sobretudo tumores hematológicos.

Trata-se de terapias personalizadas que agem em alvos específicos, usando células do paciente e não medicamentos sintéticos. 

Nela, as células de defesa do organismo são extraídas do paciente e moldadas em laboratório para combaterem seu próprio tumor. Depois, são infundidas de volta no paciente. Ou seja, elas atuam reprogramando as próprias células do paciente contra a doença.

Essa modalidade de tratamento imunoterápico foi discutida não apenas em painéis do Next Frontiers to Cure Cancer, congresso internacional organizado pelo A.C.Camargo: foi o assunto da aula magna Terapias com células CAR-T na prática clínica, dada pelo Doutor David Maloney, norte-americano da Universidade de Washington e do Fred Hutchinson Cancer Research Center.


CAR-T Cells e imunoterapia: futuro promissor

“A imunoterapia está mudando o tratamento do câncer e o futuro parece bem iluminado”, comemora o Doutor David Maloney, sem se esquecer que ainda há desafios importantes, principalmente em relação às CAR-T Cells.

“Há vários estudos em andamento nos quais estamos discutindo o poder das CAR-T Cells para acabar com as células cancerígenas, mas é difícil, precisamos compreender melhor como os receptores funcionam e cuidar da questão da toxicidade”, acrescenta o médico.

O Doutor David Maloney explicou que os estudos demonstram que há melhores respostas em leucemias, linfomas e mieloma múltiplo, mas ainda é preciso avançar, por exemplo, em compreensão para tumores sólidos e de pulmão.

Doutor David, cabelo e cavanhaque brancos, fala de imunoterapia
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Para avançarmos para este futuro iluminado, há estudos em andamento que discutem o poder das CAR-T Cells para acabar com as células cancerígenas, mas precisamos compreender melhor como os receptores funcionam e cuidar da questão da toxicidade.
Doutor David Maloney, da Universidade de Washington e do Fred Hutchinson Cancer Research Center

CAR-T Cells: será o fim do transplante alogênico para a leucemia linfoide aguda?

Linha Fina

Confira o que acha o Doutor Ryan Cassaday, norte-americano que deu uma aula no Next Frontiers to Cure Cancer, congresso internacional organizado pelo A.C.Camargo

As CAR-T Cells, também conhecidas como células CAR-T, são uma grande novidade no tratamento de tumores hematológicos, embora seja um tratamento que não esteja disponível para o grande público.

O assunto foi tema no Next Frontiers to Cure Cancer, congresso internacional organizado pelo A.C.Camargo.

No painel Neoplasias Hematológicas - Leucemia Linfoide Aguda - O futuro da terapia com células CAR-T: será o fim do transplante alogênico?, o Doutor Ryan Cassaday, norte-americano que é professor na Universidade de Washington e no Fred Hutchinson Cancer Research Center, diz que ainda são necessários alguns avanços.


CAR-T Cells: o que são 

As CAR-T Cells são terapias personalizadas e agem em alvos específicos, usando células do paciente e não medicamentos sintéticos. 

Trata-se de células de defesa do organismo, que são extraídas do paciente e moldadas em laboratório para combaterem seu próprio tumor. 

Depois, são infundidas de volta no paciente. Ou seja, elas atuam reprogramando as próprias células do paciente contra a doença. 

Segundo o Doutor Ryan Cassaday, precisamos responder a perguntas para as quais ainda não temos respostas.

"Precisamos conseguir respostas mais rápidas, eficazes e seguras. Temos diferentes prognósticos, como fatores de pré-tratamento, o peso das doenças e terapias anteriores. Também precisamos de mais centros realizando as terapias com CAR-T Cells no mundo para entender mais sobre quais pacientes respondem melhor às CAR-T Cells. Enquanto não tivermos isso, o transplante pode seguir como uma opção interessante”, analisa o médico.

Doutor Ryan, branco, 40 anos, CAR-T Cells

Tudo sobre imunoterapia e saúde da mulher

A imunoterapia é uma modalidade de tratamento inovadora e eficaz para tumores ginecológicos.

Nesta live que foca na saúde da mulher, veja o papo entre a Dra. Rachel Simões Pimenta Riechelmann, Head da Oncologia Clínica do A.C.Camargo, e do Dr. Jayr Schmidt Filho, Head de Onco-Hematologia do A.C.Camargo.

Eles vão tirar todas as suas dúvidas sobre essa modalidade de tratamento:


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Live "Imunoterapia e saúde da mulher"

Segundo o INCA, são estimados mais de 66 mil novos casos de câncer de mama no Brasil em 2022, sendo a segunda maior incidência em mulheres de todas as regiões do país, atrás apenas de tumores de pele não melanoma.

A imunoterapia, que é uma importante aliada no tratamento de vários tipos de tumores, como pulmão, bexiga, cabeça e pescoço, também vem mostrando seu benefício em determinados subtipos do câncer de mama.

Preparamos uma live com o tema “Imunoterapia e Saúde da Mulher”, com a participação da Dra. Rachel Simões Pimenta Riechelmann, Head da Oncologia Clínica e do Dr. Jayr Schmidt Filho, Head de Onco-Hematologia aqui do A.C.Camargo, para tirar todas as suas dúvidas sobre o tema.

A live acontecerá no dia 26/05 às 17h e será transmitida simultaneamente em nosso Facebook, Linkedin e Youtube.
 

Car-T Cells: ANVISA aprova terapia para tratamento de mieloma múltiplo

Linha Fina

Nova modalidade de imunoterapia, que modifica geneticamente os linfócitos contra o tumor, será disponibilizada no A.C.Camargo Cancer Center

Car-T Cells: a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) anuncia a aprovação da primeira terapia à base de células Car-T para tratar o mieloma múltiplo, tipo de câncer que atinge a medula óssea.

Mais recorrente em pessoas com idade superior a 60 anos, seus sinais podem ser confundidos com questões inerentes ao envelhecimento, retardando o diagnóstico.

“No mieloma múltiplo, os plasmócitos são anormais e se multiplicam rapidamente, comprometendo a produção das outras células do sangue”, explica Dr. Jayr Schmidt Filho, Líder do Centro de Referência de Neoplasias Hematológicas do A.C.Camargo Cancer Center.

Atualmente, os meios de prevenção do mieloma múltiplo ainda não são conhecidos, bem como suas causas. Contudo, sabe-se que, além da idade, histórico familiar, exposição à radiação e a produtos químicos, como amianto e pesticidas, também são fatores de risco.

O diagnóstico é feito pelo hematologista ou oncologista, por meio de testes clínicos, sanguíneos, de urina e biópsia da medula. Exames de imagem, como tomografia e ressonância magnética, são usados para identificar se o câncer compromete outras regiões do corpo. Estima-se que cerca de 95% dos casos são diagnosticados em fases avançadas da doença. Nesse quadro avançado, a taxa de sobrevida de cinco anos é de 51%, enquanto esse percentual pode chegar a 74% quando identificado em estágio inicial.

A terapia por Car-T Cells é uma modalidade da imunoterapia que lança mão de células geneticamente modificadas e reprogramadas em laboratório para destruir os tumores. “Esta aprovação, que ainda depende de trâmites burocráticos para ser disponibilizada para os pacientes, pode significar a cura para pacientes que já tinham esgotado as possibilidades terapêuticas”, aponta o especialista.

A aprovação pela ANVISA é uma parte do processo de disponibilização do medicamento no país, que ainda será precificado pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos) do Governo Federal – órgão interministerial responsável pela regulação econômica do mercado de medicamentos no Brasil.


Como a terapia é realizada

A terapia por Car-T Cells é feita a partir da coleta de células T do sistema imunológico, os linfócitos, que são modificadas geneticamente e programadas para reconhecer e combater o tumor.

Há muita ciência por trás do desenho da molécula CAR. “Podemos dizer que as Car-T Cells são um grande feito da biotecnologia aplicada ao tratamento do câncer”, explica.


Como atuam as Car-T Cells

A primeira etapa é colher células do sistema imunológico a partir da centrifugação do sangue dos pacientes a serem tratados, procedimento conhecido como leucaférese, parecido com uma hemodiálise.

Em seguida, o especialista isola um tipo de leucócito (célula de defesa) conhecido como linfócito T, um dos principais responsáveis pela defesa do organismo. Esse linfócito consegue reconhecer antígenos existentes na superfície celular de agentes externos ou internos infecciosos e de tumores para combater tais invasores.

O próximo passo é enviar o material coletado a um laboratório que fará a manufatura dessas células, que consiste na modificação genética delas para programar os linfócitos para destruir o tumor.

Isso é feito com auxílio de um vetor viral, um vírus que tem o material genético alterado em laboratório para reconhecer e combater o tumor. Esse vetor entra no linfócito T, modifica o DNA dele e faz com que aquela célula expresse um receptor que reconheça o antígeno da doença e a ataque.

“A modificação faz os linfócitos T atacarem as células tumorais. Antes de introduzir a célula, é feita uma quimioterapia no paciente a fim de imunossuprimi-lo para que o sistema imune não combata as células”, explicou o Dr. Jayr Schmidt.

Dentro de sete dias após a infusão das Car-T Cells, pode haver uma reação inflamatória, sinal de que os linfócitos modificados estão se reproduzindo dentro do organismo e induzindo a liberação de substâncias para eliminar o tumor.

Nesse momento, além de febre, pode haver queda importante da pressão arterial e eventual necessidade de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Apenas quatro instituições foram credenciadas para oferecer esse tratamento de alta complexidade no país, e o A.C.Camargo é o único cancer center que poderá ministrar a terapia, que deve chegar aos pacientes no segundo semestre de 2022.

Tudo sobre células CAR-T

Em breve, estará disponível para pacientes do Brasil uma opção inovadora de tratamento contra o câncer.

Conhecida como células CAR-T, um dos medicamentos dessa terapia foi aprovado pela Anvisa em 23 de fevereiro e representa uma nova era na medicina. Aguardado há muitos anos, o tratamento com células CAR-T é uma nova forma de tratar alguns tipos de câncer por meio da reprogramação das células de defesa do corpo.

É um medicamento único, com o máximo de personalização.

O início em breve deste tratamento traz benefícios para os pacientes, ao tangibilizar novas possibilidades de tratamento e até mesmo um potencial de cura para doenças até então sem opções terapêuticas; e para a sociedade, ao propiciar que pacientes, familiares e/ou cuidadores tenham ganhos na qualidade de vida, voltando a trabalhar e buscar suas aspirações pessoais. 

Confira abaixo como é feito esse tratamento, quais tipos de tumor podem ser tratados, os possíveis efeitos colaterais e outras respostas para dúvidas comuns.
 

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 Células CAR-T

“CAR” é um acrônimo em inglês para chimeric antigen receptor (em português, receptor quimérico de antígeno). O “T” refere-se ao linfócito T, um tipo de célula do sistema imunológico que consegue reconhecer antígenos existentes na superfície celular de agentes externos ou internos infecciosos e de tumores, produzindo anticorpos para combater tais invasores. Ou seja, atua como defesa do corpo. Então, uma célula CAR-T é um linfócito T que passou por uma modificação genética.

Resumidamente, a terapia por células CAR-T é feita a partir da coleta de células T do sistema imunológico. Depois, é preciso levar o material a uma central especializada – todas até o momento são fora do Brasil –, fazer ali a modificação genética e trazer de volta, para então infundir no paciente. Essa modificação genética reprograma a célula para reconhecer e combater o tumor. Dessa forma, o próprio organismo do paciente torna-se um tratamento contra o câncer. Confira no vídeo abaixo.

 

 

 

O uso das células CAR-T tem mostrado importantes resultados, representando uma nova perspectiva no tratamento de alguns tipos de câncer que, até então, não tinham opções eficazes de terapia. É uma opção de tratamento transformadora com respostas potencialmente duradouras e até mesmo curativas.

Atualmente, as duas medicações desenvolvidas poderão ser utilizadas para pacientes com linfoma difuso de grandes células B (tipo de linfoma não-Hodgkin), leucemia linfoide aguda, leucemia linfoblástica aguda e mieloma múltiplo. 

Dr. Jayr Schmidt Filho, líder do Centro de Referência em Neoplasias Hematológicas do A.C.Camargo
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Podemos dizer que a célula CAR-T é o maior avanço no tratamento do câncer dos últimos anos e pode se estabelecer como um dos pilares do combate à doença ao lado de quimioterapia, cirurgia e radioterapia.
Dr. Jayr Schmidt Filho, líder do Centro de Referência em Neoplasias Hematológicas do A.C.Camargo

A terapia é feita com dose única, por meio de infusão intravenosa.

Dentro de sete dias após a infusão das células CAR-T, pode haver uma reação inflamatória, sinal de que os linfócitos modificados estão se reproduzindo dentro do organismo e induzindo a liberação de substâncias para eliminar o tumor. Nesse momento, além de febre, pode haver queda importante da pressão arterial e eventual necessidade de internação em unidade de terapia intensiva (UTI).

Nas primeiras semanas após infusão das células CAR-T, o paciente pode apresentar alguns sintomas neurológicos, que vão desde um quadro mais leve de confusão mental até a presença de crises convulsivas. Porém, todos estes efeitos colaterais podem ser controlados quando o paciente faz seu tratamento em um centro especializado e com equipe treinada. 

Atualmente, existem dois medicamentos aprovados pela Anvisa para uso no Brasil. A aprovação da Anvisa é apenas uma parte do processo de disponibilização do medicamento no país. No caso do medicamento aprovado, a próxima etapa é a precificação pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), órgão interministerial do Governo Federal responsável pela regulação econômica do mercado de medicamentos no Brasil.

Somente após a regulamentação do CMED, os medicamentos com células CAR-T poderão ser comercializados para o tratamento contra o câncer no Brasil.
 

Ainda não. Existem etapas de aprovação para inclusão no ROL de procedimentos obrigatórios da ANS, que devem disponibilizar o procedimento com cobertura completa pelas operadoras de saúde. A expectativa é de que, em alguns meses, o tratamento seja coberto e disponibilizado pelos planos de saúde.

A terapia com células CAR-T ainda é muito cara, pois envolve a logística de levar os infócitos T para serem reprogramados nos EUA, e, depois, voltarem ao Brasil e ser infundido no paciente, com um custo aproximado de US$ 400.000. 

O alto custo desta terapia reflete décadas de pesquisas científicas, investimentos em cadeia logística e manufatura em larga escala, bem como custos diretos e indiretos com capacitação de centros de referência, hospitais e profissionais de saúde.

Mas, existem estudos que apresentam eventuais saídas para uma aplicação mais ampla da terapia com células CAR-T, a fim de expandir a imunoterapia com CAR para um número maior de pacientes, ganhando escala e reduzindo custos, o que tem potencial para favorecer especialmente países de baixa renda.
 

Não. Cada tratamento é único e feito exclusivamente para um determinado paciente. As células T de um paciente são reprogramadas de forma personalizada, com dose preparada de acordo com seu peso.  

A quimioterapia é um tipo de tratamento que consiste na aplicação de medicamentos para destruir as células que formam os tumores, atuando em diversas etapas do metabolismo celular.

Já a imunoterapia age estimulando o sistema imunológico do paciente a atacar as células do câncer. 

O tratamento com células CAR-T é uma modalidade da imunoterapia, que utiliza células de defesa geneticamente modificadas e reprogramadas em laboratório para destruir os tumores. 
 

O A.C.Camargo Cancer Center foi um dos centros mundiais especializados no tratamento do câncer escolhidos para fazer um dos estudos clínicos de um dos novos medicamentos com células CAR-T.

Em relação ao medicamento já aprovado pela Anvisa, é uma das poucas instituições no Brasil selecionadas nesse primeiro momento e habilitada para este tipo de terapia.

Foram feitos diversos treinamentos da equipe para o processo de aférese, manuseio, recebimento e armazenamento de células dos pacientes para esta terapia específica. Os processos de qualidade também foram verificados para garantir a adesão aos requisitos necessários para fazer a terapia com segurança.
 

Células CAR-T, o sistema imune no combate ao câncer

Linha Fina

Nova modalidade de imunoterapia, que modifica geneticamente os linfócitos contra o tumor, será utilizada no A.C.Camargo Cancer Center 

O A.C.Camargo Cancer Center foi um dos centros mundiais especializados no tratamento do câncer escolhidos para a utilização da nova imunoterapia com células CAR-T no Brasil.  

Trata-se de modalidade da imunoterapia que lança mão de células geneticamente modificadas e reprogramadas em laboratório para destruir os tumores.  

Os cientistas a estão chamando de droga viva, e ela trata, por enquanto, linfoma difuso de grandes células, leucemia linfoide aguda e mieloma múltiplo.  

“Mas há a expectativa de que logo sejam identificados alvos de outras doenças oncológicas para ampliar as indicações”, afirmou o Dr. Jayr Schmidt, responsável pela imunoterapia na Instituição.


Células CAR-T, um avanço grandioso

A imunoterapia por células CAR-T representa avanço tamanho para o tratamento do câncer, que pode render um novo Nobel de Medicina à área, na opinião de Dr. Martín Bonamino, pesquisador do Instituto Nacional do Câncer (INCA) e da Fiocruz. 
O último Nobel à área veio em 2018, para o americano James P. Allison, do MD Anderson Cancer, uma das instituições parceiras do A.C.Camargo Cancer Center, e para o japonês Tasuku Honjo, da Universidade de Kyoto. 

Numa outra modalidade de imunoterapia, chamada de bloqueio de checkpoints imunológicos, os premiados desenvolveram pesquisas sobre duas proteínas produzidas por tumores – a CTLA-4 e a PD-1 – que paralisavam o sistema imune do paciente durante o desenvolvimento do câncer. Eram as proteínas chamadas de checkpoints, que bloqueavam o sistema imune, para que não atacasse o tumor. 

As drogas pesquisadas por Allison e Tasuku retiram esse bloqueio e recuperam o poder de ataque do sistema imunológico. 
A história da imunoterapia tem mais de um século. De acordo com Dr. Martín Bonamino, ela tem início no fim do século XIX, com o cirurgião William B. Coley, em Nova York. 
 

infográfico células car-t

Na época, sem quimioterapia ou radioterapia, o tratamento para o câncer era basicamente cirúrgico. Foi operando tumores que Dr. Coley notou que alguns deles regrediam se infeccionassem depois da cirurgia, também não existia ainda o antibiótico. Por associação, ele começou a tratar os pacientes com extratos de micro-organismos, bactérias, e alguns tumores começaram a ter regressão. 

“Essa é a primeira imunoterapia que a gente conhece bem documentada e com taxas de sucesso bem interessantes”, contou Bonamino.

Depois disso, a imunoterapia ficou um longo tempo em segundo plano. Vieram a radioterapia, depois as quimioterapias e, somente na década de 1980, ela renasceu, quando um grupo de pesquisadores estadunidenses passou a tirar células de defesa dos próprios tumores, expandi-las em laboratório e infundi-las no paciente. “É o que chamamos de TIL (sigla do inglês para linfócitos infiltrantes de tumor)”, explicou Bonamino.

No paralelo iniciaram-se os transplantes de medula. Na década de 1990, passada a fase inicial em que se pensava ter de matar até a última célula de leucemia, descobriu-se que parte do sucesso tinha a ver com os linfócitos do doador, que eram transplantados juntos com a medula.

Os estudiosos se deram conta de que tais linfócitos, especialmente os linfócitos T, são capazes de destruir as últimas células de leucemia. 

Segundo Bonamino, o estudo veio reforçar que os linfócitos, quando reconhecem o tumor, são capazes de destruir suas células. No entanto, boa parte dos tumores não tem muitos antígenos que possam ser reconhecidos pelo sistema imune, seja porque tem poucas mutações, seja por não ter mutações imunogênicas.

“É exatamente aqui que entra o conceito de CAR-T. Reparem que tanto os linfócitos infundidos com o transplante quanto os infiltrados no tumor contam com uma resposta imune natural. Tumores pobres em mutações podem ser manipulados geneticamente com um gene artificial, o CAR, para fazer o linfócito reconhecer o tumor”, resumiu Bonamino.


Como é feita a terapia

A terapia por células CAR-T é feita a partir da coleta de células T do sistema imunológico, os linfócitos, que são modificadas geneticamente e programadas para reconhecer e combater o tumor.

Há muita ciência por trás do desenho da molécula CAR. “Podemos dizer que as células CAR-T são um grande feito da biotecnologia aplicada ao tratamento do câncer”, completou. 

Para o Dr. Jayr Schmidt, do A.C.Camargo Cancer Center, é o maior avanço no tratamento do câncer dos últimos anos e pode se estabelecer como um dos pilares do combate à doença ao lado de quimioterapia, cirurgia e radioterapia.

A terapia por células CAR-T, até o momento capaz de reconhecer e atacar as proteínas CD-19 e BCMA, foi desenvolvida nos Estados Unidos, onde já é oferecida por dois laboratórios farmacêuticos, desde 2017, a um preço próximo de 400 mil dólares. 

“No Brasil, ela começa a aparecer somente agora, com quase quatro anos de atraso. Isso porque é um tratamento trabalhoso e de alto custo”, comentou Dr. Schmidt.

Aqui, o processo inclui levar o material a uma central especializada – todas até o momento são fora do país –, fazer ali a modificação genética e trazer de volta, para então infundir no paciente, ou seja, um tratamento de difícil logística e alto custo.

“Assim, para fazer o tratamento no Brasil hoje, estimo que seja preciso investir entorno de 350 a 400 mil dólares”, lamenta o especialista.
 

 

Como atuam as células Car-T

A primeira etapa é colher células do sistema imunológico a partir da centrifugação do sangue dos pacientes a serem tratados, procedimento conhecido como leucaférese, parecido com uma hemodiálise. 

Em seguida, o especialista isola um tipo de leucócito (célula de defesa) conhecido como linfócito T, um dos principais responsáveis pela defesa do organismo. Esse linfócito consegue reconhecer antígenos existentes na superfície celular de agentes externos ou internos infecciosos e de tumores para combater tais invasores. 

O próximo passo é enviar o material coletado a um laboratório que fará a manufatura dessas células, que consiste na modificação genética delas para programar os linfócitos para destruir o tumor.

Isso é feito com auxílio de um vetor viral, um vírus que tem o material genético alterado em laboratório para reconhecer e combater o tumor. Esse vetor entra no linfócito T, modifica o DNA dele e faz com que aquela célula expresse um receptor que reconheça o antígeno da doença e a ataque. 

“A modificação faz os linfócitos T atacarem as células tumorais. Antes de introduzir a célula, é feita uma quimioterapia no paciente a fim de imunossuprimi-lo para que o sistema imune não combata as células”, explicou o Dr. Jayr Schmidt. 
Dentro de sete dias após a infusão das células CAR-T, pode haver uma reação inflamatória, sinal de que os linfócitos modificados estão se reproduzindo dentro do organismo e induzindo a liberação de substâncias para eliminar o tumor. Nesse momento, além de febre, pode haver queda importante da pressão arterial e eventual necessidade de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).


Estudos brasileiros podem reduzir gargalos e preços da Car-T

A equipe do cientista Martín Bonamino no Instituto Nacional do Câncer (INCA) publicou ano passado dois artigos que apresentam eventuais saídas para uma aplicação mais ampla da terapia com células CAR-T, a fim de expandir a imunoterapia com CAR para um número maior de pacientes, ganhando escala e reduzindo custos, o que tem potencial para favorecer especialmente países de baixa renda. 

O estudo Development of CAR-T cell therapy for B-ALL using a point-of-care approach foi publicado no periódico Oncoimmunology. O outro artigo, publicado na revista Gene Therapy, tem com o título Transposon-mediated generation of CAR-T cells shows efficient anti B-cell leukemia response after ex vivo expansion.
 

Linha Aspas Simples
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A imunoterapia por células Car-T é o maior avanço no tratamento do câncer dos últimos anos e pode se estabelecer como um dos pilares do combate à doença ao lado de quimioterapia, cirurgia e radioterapia.

Dr. Jayr Schmidt, líder do Centro de Referência em Neoplasias Hematológicas do A.C.Camargo

Pesquisa no câncer: conheça três entre as mais revolucionárias

Linha Fina

São estudos que revelaram fatores de risco importantes para desenvolver tumores nos últimos 50 anos

A pesquisa no câncer é um dos pilares do A.C.Camargo Cancer Center. Em nosso CIPE (Centro Internacional de Pesquisa), o estudo de hoje se torna o tratamento de amanhã, que cura ou melhora a qualidade de vida dos nossos pacientes.

E é assim nos centros de excelência mundo afora. Essa é a premissa da integração de diagnóstico, tratamento, ensino e pesquisa do câncer, o modelo que adotamos aqui no A.C.Camargo Cancer Center, assim como nos principais Cancer Centers do mundo.

Uma evolução do conceito de saúde em oncologia para aprofundar constantemente o conhecimento sobre a doença e gerar inovação. Para nós, a pesquisa é um tema de extrema relevância. 

Para comemorar o 50º aniversário da Lei Nacional do Câncer nos Estados Unidos, a revista científica Cancer Research, da AACR (Associação Americana para a Pesquisa do Câncer, em tradução livre), compilou algumas das descobertas mais marcantes em uma lista intitulada Cancer Research Landmarks.

Nela, foram destacados 23 estudos marcantes publicados no periódico durante esse período e queremos aqui compartilhar três deles. 


Pesquisa no câncer: imunoterapia e outros marcos

Esses artigos abrangem toda a gama da pesquisa do câncer – desde a identificação dos fatores de risco e alterações celulares associadas ao aparecimento e à progressão do câncer até o desenvolvimento de terapias revolucionárias contra os tumores. 

Conheça abaixo um resumo de três deles – para ter acesso aos estudos da lista toda (em inglês), clique aqui.


1988 - Identificação do ato de fumar e beber como fatores de risco para câncer de boca e faringe

O Dr. Joseph Fraumeni, Jr. e seus colegas compararam o uso de tabaco e álcool entre 1.114 pacientes com câncer de orofaringe e 1.268 indivíduos pareados sem a doença, representando quatro áreas distintas dos Estados Unidos.

Os pesquisadores concluíram que os fumantes tinham um risco mais de 200% maior de câncer de orofaringe do que os indivíduos que nunca fumaram. Da mesma forma, o consumo pesado de álcool foi associado a um aumento de quase 800% no risco de câncer de orofaringe. 

Fraumeni e colegas também observaram que a cessação do tabagismo reduziu significativamente esse risco.

Como se sabe, essas descobertas tiveram implicações além do câncer de orofaringe – hoje, o tabaco é um fator de risco bem estabelecido para vários tipos de câncer, incluindo formas agressivas como câncer de pulmão e pâncreas.


1990 - Células relacionadas ao câncer de mama

O Dr. Samuel Brooks Jr. comandou um estudo que permitiu várias descobertas importantes sobre a biologia das células mamárias normais, bem como as alterações genéticas e celulares básicas que levam ao desenvolvimento do câncer de mama.

Entre essas descobertas fundamentais está o melhor entendimento de como as alterações dos principais oncogenes (HER2, PTEN, TP53 e BRCA1) contribuem para o desenvolvimento do câncer de mama.


2004 - Abrindo o caminho para a imunoterapia

Hoje, a imunoterapia – estratégia que estimula o organismo a identificar as células cancerosas e atacá-las com medicamentos que modificam a resposta imunológica – é uma modalidade de tratamento muito bem estabelecida. 

Mas isso não ocorria até a publicação dessa pesquisa pela equipe do Dr. Augusto Ochoa, que demonstrou a existência de células mieloides imunossupressoras no estroma tumoral.

Ao classificar as populações de células de tumores de camundongos, eles descobriram, entre outras coisas, que a inibição da enzima arginase aumentou a atividade antitumoral em modelos de camundongos, destacando a possibilidade de regular terapeuticamente a imunidade antitumoral no microambiente tumoral.

Desta forma, esse estudo lançou as bases para pesquisas subsequentes sobre o aprimoramento da imunoterapia, compreendendo as diferenças entre as células mieloides no tecido tumoral e as dos órgãos linfoides, além de explorar os inibidores da arginase como terapia contra o câncer.

Tudo sobre imunoterapia

Em oncologia, imunoterapia é qualquer forma de tratamento que busque recuperar a capacidade do sistema imunológico de reconhecer e controlar/destruir a célula tumoral. Durante muitas décadas, diversas maneiras de estimular as células de defesa contra o câncer foram testadas; infelizmente, nem todas tiveram o sucesso esperado. 

A criação da vacina é um exemplo de imunoterapia, que é um tratamento para fortalecer o sistema imunológico contra diversas doenças e infecções. Porém, na maioria dos estudos contra o câncer, vacinas não se mostraram eficazes. 

Outra forma de imunoterapia é o transplante de medula óssea, utilizado para substituir a medula doente por outra saudável, para os leucócitos (células responsáveis pela defesa do corpo) voltem a ser produzidos normalmente. Em alguns tumores, como os hematológicos, essa estratégia tem sido fundamental para algumas situações.

Recentemente, o melhor conhecimento do sistema imunológico permitiu a criação de novos medicamentos para imunoterapia (os inibidores de checkpoints imunológicos), com potencial de eficácia muito maior e melhor perfil de efeitos colaterais. Atualmente, essa forma de tratamento já possui indicação para diversos tipos de tumores. 

Foi, então, que houve o ressurgimento da imunoterapia como estratégia fundamental de combate ao câncer.  A “nova imunoterapia” está promovendo uma revolução no tratamento oncológico. 

Nesta página, você vai conhecer tudo sobre imunoterapia, desde como funciona este tratamento até as dúvidas mais comuns de pacientes. Confira!
 

ícone imunoterapia

 Entenda a imunoterapia

É um tratamento com um ou mais medicamentos endovenosos (anticorpos monoclonais) que estimulam o próprio sistema de defesa do corpo a reconhecer e atacar as células do câncer, com objetivo de controlar a doença (seja eliminando ou reduzindo o tamanho do tumor).

A imunoterapia age de forma distinta daquela promovida por qualquer outro tipo de tratamento oncológico. Enquanto os mecanismos de ação contra o tumor oferecidos pela quimioterapia e pelas drogas de alvos moleculares baseiam-se em atacar as células tumorais diretamente, a imunoterapia auxilia o próprio sistema imunológico do paciente a identificar e combater o câncer.
 

A imunoterapia não se aplica a todos os casos. A indicação tem relação com o tipo de tumor e a fase do tratamento em que o paciente se encontra. Atualmente, no Brasil, existem medicamentos imunoterápicos aprovados para os cânceres de pulmão, rim, bexiga, estômago, cabeça e pescoço, melanoma e alguns subtipos de cânceres de mama e pele (carcinoma de células de Merkel e carcinoma escamoso de pele). 
 

O A.C.Camargo conta com mais de 10 anos de experiência com imunoterapia e atende alto volume de pacientes. O corpo clínico é altamente especializado no tratamento, assim como as equipes médicas de apoio (endocrinologistas, dermatologistas e pneumologistas) e de enfermagem.

O paciente pode contar com uma equipe dedicada ao controle dos efeitos colaterais do tratamento, com profissionais da enfermagem fazendo o monitoramento remoto dos sintomas por meio de aplicativo e contato telefônico

O pronto atendimento da Instituição conta com especialistas na identificação e no manejo dos eventos adversos da imunoterapia. Já os casos mais complexos podem contar com os tumor boards, que são reuniões de uma equipe multidisciplinar de especialistas em assistência, ensino e pesquisa do câncer em busca do melhor desfecho clínico para o paciente.

ícone imunoterapia

 Imunoterapia no dia a dia

A forma de administração vai depender do tipo de imunoterapia. As maneiras mais comuns de administrar os medicamentos são: 

  • Intravenosa: administrado diretamente na veia.
  • Subcutânea: por injeção no tecido subcutâneo.

Converse com seu médico e tire todas as dúvidas que você tiver relacionadas ao seu caso. As informações sobre diagnóstico, terapias, sintomas e outros assuntos podem ser difíceis de serem assimiladas e é importante que você entenda e participe do que acontece durante o seu tratamento. 

  • Não fique em jejum: coma algo leve antes de ir ao A.C.Camargo. 
  • Não agende outros compromissos no dia da sessão.
  • Venha com um acompanhante maior de 18 anos (preferencialmente não gestantes). Caso não seja possível, combine com alguém próximo para vir buscar você. 
  • Use roupas confortáveis e lembre-se de trazer uma blusa de frio. O ar-condicionado é geladinho. 
  • Durante o tempo de aplicação do medicamento, você pode fazer algo de que goste, como ler um livro, folhear revistas, usar celulares ou tablets, assistir filmes ou ouvir músicas.
  • Traga seus documentos pessoais, termo de consentimento da primeira aplicação, o protocolo de coleta do exame de sangue ou resultados impressos.
  • Um dia antes de cada aplicação, o paciente vai coletar sangue no laboratório do A.C.Camargo para análise e o resultado será apresentado em uma consulta de retorno.
     

Quando chega ao A.C.Camargo, o paciente passa por uma triagem com um profissional da enfermagem, que fará perguntas sobre alguns sintomas, reforçará algumas orientações e fará a punção da veia, se for necessário. 

Tenha em mãos todas as informações sobre medicamentos em uso, pois a enfermeira irá solicitar na consulta de enfermagem antes de iniciar o tratamento. Depois, a medicação será administrada e o paciente está liberado para voltar para casa.

Sempre que o médico solicitar exames de sangue para a imunoterapia, será necessário comparecer para coleta no laboratório da Instituição, um dia antes da data agendada para o tratamento. 
 

É um aplicativo desenvolvido para pacientes do A.C.Camargo. Após instalar no celular, é possível fazer o acompanhamento dos sintomas relacionados a imunoterapia por equipe especializada. O objetivo é evitar o agravamento do quadro clínico de sintomas e idas desnecessárias ao pronto-socorro, principalmente considerando o cenário de pandemia. O aplicativo também oferece um canal de comunicação rápida, ágil e direto com os enfermeiros da imunoterapia, que ajudará o paciente com a instalação do aplicativo e fará as orientações de uso.

No aplicativo, o paciente é estimulado a reportar sintomas semanalmente ou sempre que identificar algum que comprometa as atividades diárias e seja incapaz de tolerar até a próxima consulta médica. 

Depois de respondidas todas as perguntas, o aplicativo analisa os sintomas por meio de algoritmos e gera um resultado que pode ser desde a orientação para que o paciente aguarde a próxima consulta até a emissão de alertas.

Se for emitido um sinal de alerta amarelo, o paciente é orientado a acompanhar os sintomas no período de 24 horas e receberá a ligação de um enfermeiro. No alerta vermelho, no qual são identificados sinais evidentes de deterioração clínica, como falta de ar e temperatura acima de 37,8° C, o paciente é orientado a seguir imediatamente para a emergência. Nestes casos, o enfermeiro monitora se o paciente compareceu ao pronto atendimento e qual foi o desfecho.
 

A imunoterapia é um tratamento com menor impacto na qualidade de vida do paciente, pois os efeitos colaterais costumam ser menores do que aqueles sentidos durante a quimioterapia convencional. Os mais frequentes são falta de disposição, coceira ou manchas na pele e diarreia.

Outra vantagem da imunoterapia é não provocar efeitos colaterais na produção de glóbulos brancos. Consequentemente, os pacientes não apresentam queda dos níveis de leucócitos, que são as células responsáveis pela defesa contra bactérias, por exemplo. Desta forma, o risco de infecção e internação é significativamente menor. 
 

Não, a queda de cabelo não faz parte dos efeitos colaterais comuns da imunoterapia.
 

A imunoterapia pode apresentar efeitos adversos leves e moderados em até 50% dos pacientes. Efeitos adversos mais sérios ocorrem em menos de 15% dos casos. Confira os principais sinais de alerta:
 

Lista de sinais de alertas
ícone imunoterapia

 Imunoterapia e covid-19

As pessoas que fazem tratamento contra o câncer a partir desse tipo de terapia devem ter os mesmos cuidados da população em geral. Os pacientes oncológicos já são grupo de risco por terem o diagnóstico do câncer e também por estarem em tratamento ativo. Mas a imunoterapia não prejudica nem fortalece a imunidade para o novo coronavírus.

Não há nenhuma restrição em relação a vacinas e a recomendação é que o paciente siga o calendário vacinal nacional.

Jamais interrompa o tratamento por conta própria. O tratamento feito da forma correta e no tempo correto aumenta as chances de sucesso.  Cada caso deve ser tratado individualmente e a interrupção do tratamento só deve ser feita se for realmente necessário.

Sim, é seguro. O A.C.Camargo Cancer Center reforça que segue as medidas de segurança estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde, além de estar capacitado para atender os pacientes oncológicos durante a pandemia de forma segura e com fluxos protegidos. 

Clique aqui e conheça como é realizado o Atendimento Oncológico Protegido no A.C.Camargo e as nossas medidas de prevenção.
 

No A.C.Camargo Cancer Center, a tecnologia salva vidas

Linha Fina

Cirurgia robótica, inteligência artificial, dermatoscopia, monitoramento remoto... Conheça as vantagens tecnológicas que operam a serviço do paciente e garantem as melhores práticas no combate ao câncer 

Para garantir as melhores práticas em oncologia, não basta ter um corpo clínico de excelência, ainda que isso seja essencial.

A tecnologia é uma grande aliada e tem de se fazer presente para ajudar a melhorar as vidas dos pacientes.

Quando se fala em tecnologia em saúde, abordamos uma ampla gama de recursos, que vão desde medicamentos até dispositivos e equipamentos, passando pelo que chamamos de saúde digital – o uso de aplicativos, softwares e algoritmos de inteligência artificial que ajudam a diagnosticar e tratar os pacientes.


Cirurgia robótica: vantagens 

Uma das grandes inovações deste milênio foi a cirurgia robótica

Desde que o FDA americano aprovou a utilização da plataforma robótica para cirurgias, a técnica não para de crescer.

Cerca de 1,2 milhão de cirurgias robóticas são realizadas anualmente mundo afora. No Brasil, onde a técnica começou em 2008, o número de operações por robô se aproxima dos 40 mil, com estimativa de aumento de 20% ao ano, de 2022 em diante.

O A.C.Camargo, que adquiriu seu primeiro robô Da Vinci em 2013, já realizou 2.829 cirurgias robóticas até o final do ano passado – em 2020 aconteceram 264 destas operações na Instituição, 175 delas em urologia. 

Esse crescimento acontece porque a robótica proporciona ao cirurgião uma melhor visão da área que está sendo operada, além de contar com instrumentos robóticos que permitem movimentos mais precisos que os utilizados nas cirurgias convencionais (aberta ou videolaparoscopia).

É que o robô Da Vinci conta com quatro braços manipuláveis: em um deles está a câmera e, nos demais, os instrumentos da cirurgia. O cirurgião pode fazer até cinco pequenos cortes no local a ser operado. A câmera e os instrumentos são colocados por meio das incisões.

O cirurgião fica posicionado na unidade de controle e enxerga a área de operação em uma tela que permite uma visão 3D (com noção de profundidade, ao contrário da laparoscopia, que é 2D), que pode ampliar de 10 a 12 vezes a imagem para observar pequenos detalhes.

Outras vantagens da robótica são: o menor tempo de internação, menos tempo com o dreno, menor perda sanguínea, menos dor, avaliação mais precisa do estadiamento do câncer, ou seja, a pessoa se recupera mais rapidamente.

Segundo o Dr. Carlos Alberto Ricetto Sacomani, assessor médico de TI e urologista do A.C.Camargo, a Instituição sempre se notabilizou pela incorporação das mais novas tecnologias para o benefício dos pacientes.

“Em 2013, quando começamos, poucos hospitais no país dispunham de cirurgias robóticas. Já na radioterapia, instalamos, recentemente, um novo acelerador linear. Na anatomia patológica, buscamos ampliar os recursos de patologia digital. Já na área de saúde digital, estamos analisando aplicativos e algoritmos de inteligência artificial possam ser utilizados no auxílio ao diagnóstico e tratamento dos pacientes, algo que deve ser feito com cuidado e respaldo científico”, explica o Dr. Sacomani.

No âmbito do Ensino, o A.C.Camargo Cancer Center é a primeira instituição a ter um programa de treinamento (fellowship) para cirurgiões em robótica nas especialidades de urologia, cabeça e pescoço.


Exames e monitoramento remoto 

Todas essas tecnologias têm impacto no desfecho clínico. No diagnóstico, um exame de destaque é a dermatoscopia, método não invasivo que auxilia na avaliação das lesões pigmentadas da pele.

É feito com o dermatoscópio, instrumento que permite uma visualização precisa para o diagnóstico de suspeitas de câncer de pele, o mais comum no Brasil.

Além de um pronto atendimento digital, importante sobretudo em tempos de covid-19, o Dr. Sacomani destaca ainda o pioneirismo no monitoramento remoto iniciado para pacientes que fazem imunoterapia – as queixas dos pacientes são divididas em alertas vermelho e amarelo.

De janeiro a julho de 2021, dos 166 pacientes que interagiram com a plataforma de monitoramento remoto – muitos, mais de uma vez –, houve 169 queixas de perda de força nos membros, 150 de dores musculares e 111 reclamações de náusea, por exemplo, todos estes sintomas que são analisados e trabalhados à distância.

“Esta tecnologia nos aproxima mais do paciente, mesmo que ele não esteja no A.C. fisicamente. Sem dúvida, um acompanhamento mais frequente e à distância poderá detectar mais precocemente eventos adversos e, com isso, atuar rapidamente para tratá-los, com claro impacto nos desfechos clínicos”, afirma o especialista. 


Custo-efetividade

Com a gestão correta dos recursos, o A.C.Camargo consegue direcionar melhor seus investimentos, sempre com o foco em trazer o melhor para o paciente.

Em janeiro, a equipe de urologia publicou um estudo no Journal of Robotic Surgery com 149 pacientes tratados com cirurgia de próstata aberta e outros 56 pacientes tratados com cirurgia robótica.

“A robótica demonstrou melhor custo-efetividade. Este tipo de análise em todas as tecnologias empregadas é importantíssimo para evitar o desperdício e alocarmos os recursos adequadamente”, encerra o Dr. Carlos Sacomani. 

Doutor Sacomani, branco, cabelo branco, jaleco branco, óculos preto, sorri de braços cruzados
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Da mesma forma que hoje usamos o celular em uma série de atividades diárias, o profissional da saúde do século 21 terá aplicativos que o apoiarão. Por mais que possa parecer um afastamento entre esses profissionais e o paciente, representa o contrário.
Dr. Carlos Alberto Ricetto Sacomani, assessor médico de TI e urologista do A.C.Camargo