Oito em cada dez brasileiros reconhecem a gravidade dos sintomas de câncer colorretal mesmo sem muito contato com a doença
Oito em cada dez brasileiros reconhecem a gravidade dos sintomas de câncer colorretal mesmo sem muito contato com a doença
Levantamento inédito revela que apesar disso, quase metade dos brasileiros que percebem os sintomas não procura ajuda médica de imediato
Levantamento inédito revela que apesar disso, quase metade dos brasileiros que percebem os sintomas não procura ajuda médica de imediato
O câncer colorretal ainda está distante do cotidiano da maioria dos brasileiros, mas isso não significa desinformação sobre seus riscos. É o que mostra a pesquisa inédita “A saúde do brasileiro, hábitos de vida e o uso de tecnologia em diagnósticos médicos”, do A.C.Camargo Cancer Center realizada pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, que ouviu 2 mil pessoas em todo o país.
Segundo o levantamento, 8 em cada 10 brasileiros reconhecem como grave a presença de sangue nas fezes ou a mudança de funcionamento no intestino por mais de um mês, dois dos principais sintomas da doença. Mas na maioria dos casos, o conhecimento não vem a partir da proximidade: apenas 21% dos entrevistados conhecem alguém que já teve a doença, sendo 15% um parente muito próximo e 6% um amigo ou conhecido. Outros 75% disseram que nunca tiveram contato com pacientes desse tipo de câncer.
O tema ganha ainda mais relevância diante dos números recentes da doença no país. Em fevereiro deste ano, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimou 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano no Brasil para o triênio 2026-2028, o que o torna o segundo tumor com maior incidência entre os brasileiros. A doença é a mesma que a cantora Preta Gil, que faleceu em julho do ano passado, enfrentou durante dois anos.
Dos 80% de entrevistados que reconhecem a gravidade de sangue nas fezes ou uma mudança no funcionamento intestinal que persista por mais de um mês, 42% consideram esses sintomas “muito grave”. Esse reconhecimento chega a 44% entre quem já conviveu de perto com a doença. Como mostra o gráfico abaixo:
Se você percebesse sangue nas suas fezes ou se o seu intestino mudasse de funcionamento por mais de um mês, o quanto você consideraria esse sinal grave? (Estimulada e única)

A pesquisa também indica que a associação entre esses dois sintomas e o câncer de intestino é majoritária, mas ainda carece de firmeza. São 67% dos brasileiros que concordam que sangue nas fezes ou alterações intestinais prolongadas podem indicar a doença, mas apenas 24% concordam “muito”. A maior parte (43%) demonstra concordância apenas moderada.
Entre o alerta e a ação, uma lacuna perigosa
Um dos achados mais relevantes do estudo diz respeito à distância entre reconhecer o risco e agir diante dele. Na vida real, 9% dos entrevistados afirmam já ter notado a presença de sangue nas fezes. Desse grupo, embora 59% tenham buscado atendimento médico imediatamente, uma parcela expressiva de 40% não teve essa reação: 19% não fizeram nada e esperaram o sintoma passar, 10% aguardaram dias ou semanas antes de procurar um médico, 7% recorreram a remédios caseiros ou mudanças na alimentação, 3% foram à farmácia buscar medicação por conta própria e 1% pesquisou na internet antes de buscar orientação profissional.
Quando você percebeu esse sintoma, qual foi a principal atitude que você tomou na época?

A busca imediata por um diagnóstico é maior entre quem tem melhores condições financeiras (86%), brasileiros acima dos 60 anos (72%) e moradores do Sudeste (72%). As mulheres (63%) também costumam buscar mais ajuda imediata do que os homens (54%). Entre os moradores do Norte/Centro-Oeste, chega a 43% o número de entrevistados que apenas esperou o sintoma passar.
Exame de rastreamento ainda é desconhecido pela maioria
Outra descoberta preocupante da pesquisa Nexus/A.C.Camargo é o desconhecimento sobre ferramentas de rastreamento precoce. Dois em cada três brasileiros (67%) nunca ouviram falar do exame “Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes” (PSO), recurso simples e utilizado para identificar sinais da doença antes mesmo do aparecimento de sintomas evidentes. Apenas 11% já realizaram o exame, enquanto 21% conhecem o procedimento, mas nunca o fizeram. O desconhecimento chega a 85% entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, e também é maior do que a média entre homens (76%), pessoas com menor renda (73%) e que estudaram apenas até o ensino fundamental (72%).
Entre quem teve ou conhece alguém que teve câncer colorretal o desconhecimento do exame cai para 56% e o percentual de entrevistados que realizaram o PSO quase triplica: 8% dos brasileiros que não têm contato com a doença já realizaram o exame contra 21% de quem já teve.
Diante do crescimento da doença no país, especialistas do A.C.Camargo reforçam a importância de não ignorar sinais como sangramento, alteração no ritmo intestinal, dor abdominal persistente e perda de peso sem causa aparente, além da realização de exames preventivos a partir dos 45 anos ou antes, conforme orientação médica e histórico familiar. “O diagnóstico precoce do câncer colorretal está diretamente ligado a taxas de cura mais elevadas, o que reforça o papel de exames simples, como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, na detecção da doença ainda em estágio inicial”, comenta o Dr. Samuel Aguiar, líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A.C.Camargo Cancer Center.