O câncer de próstata tem cura

Publicado em: 08/11/2021 - 10:11:22
Linha Fina

Fique atento aos fatores de risco e aos exames de rastreamento, pois a detecção precoce é fator determinante de sucesso

O diagnóstico precoce aumenta as chances de cura do câncer de próstata. Fique atento aos fatores de risco, formas de prevenção e quais exames são indicados para detectar precocemente o tumor.

Fatores de risco e prevenção

  • Idade: é o fator de risco mais importante. A maioria dos pacientes tem mais de 50 anos e dois terços têm mais de 65 anos. O risco vai aumentando, à medida que o homem envelhece.
  • Histórico familiar: o risco é maior quando parentes próximos, especialmente pai, irmão, avós, tios ou filho têm ou tiveram câncer de próstata, especialmente se eram jovens na época do diagnóstico. Vale destacar ainda que o histórico familiar de câncer de mama (mãe, irmã e tias) também confere maior risco de desenvolvimento de câncer de próstata nos homens.
  • Alimentação: uma dieta gordurosa, especialmente com gorduras de origem animal, com alto teor de cálcio, pode aumentar o risco. Uma alimentação rica em legumes e frutas pode reduzir esse risco.

Manter o peso corporal adequado, alimentação balanceada, praticar atividade física regularmente, exposição ao sol em horários adequados, evitar fumar e consumir bebidas alcoólicas pode reduzir as chances de ter um tumor.

Números do câncer de próstata
  • 1º tipo de câncer com maior incidência em homens no Brasil, em todas as regiões.
  • 97,3 mil casos em 2020 no Brasil.
  • Para 2040, é esperado um crescimento de cerca de 83% de casos.
  • No mundo, foram 1,4 milhão de casos.
  • Para 2040, estima-se 2,43 milhões de casos de câncer de próstata.

Detecção precoce

Os dois exames utilizados para detectar o câncer de próstata são o toque retal e o de sangue.

O exame de toque retal é rápido e indolor, com poucos segundos de duração. Por meio dele, o médico pode identificar alterações suspeitas na glândula prostática, além de estimar o volume do órgão e obter informações que ajudam a escolher o melhor tratamento para cada caso.

O exame de sangue mede os níveis de PSA, sigla em inglês para antígeno prostático específico. O PSA é uma substância produzida normalmente pela próstata. Os níveis de normalidade de PSA variam de acordo com a faixa etária. Nos homens acima de 55 anos, os níveis de PSA devem estar abaixo dos 4 ng/ml (nanogramas por mililitro). Mas, se estiver entre 4 ng/ml e 10 ng/ml, há 1 chance em 4 de diagnóstico de câncer de próstata. Acima de 10 ng/ml, as chances de se diagnosticar câncer vão subindo à medida que aumentam os níveis de PSA. 

Os homens devem iniciar a rotina de exames anuais aos 50 anos. Naqueles pacientes com histórico familiar de câncer de próstata e/ou afrodescendentes, deve-se começar a avaliação preventiva aos 45 anos de idade. Para esses casos, recomenda-se conversar com o urologista para checar a necessidade de se fazer testes genéticos, a fim de verificar se há mutações em genes como o BRCA1, BRCA2 e ATM.

Tratamento do câncer de próstata

O tratamento para cada caso depende de vários fatores, como idade, estado geral de saúde do paciente, os sentimentos em relação aos efeitos colaterais de cada terapia, o estadiamento da doença e a chance de cada tratamento curar o câncer.

As opções mais comuns de tratamento da doença localizada, isto é, que está restrita à próstata e não se espalhou, são a cirurgia e a radioterapia. A cirurgia de remoção da próstata pode ser feita por meio de técnicas diferentes. Recentemente, os métodos minimamente invasivos, como a cirurgia videolaparoscópica e a cirurgia robótica têm ganhado mais espaço devido a menor morbidade e menores riscos de complicações. O A.C.Camargo Cancer Center é o centro com maior volume de cirurgia robótica no tratamento de câncer de próstata da América Latina.

Nos casos em que cirurgia e radioterapia não são uma boa opção de tratamento (quando o câncer se espalha para outros órgãos ou volta depois do tratamento), a hormonioterapia pode ser empregada. É feita com objetivo de baixar os níveis de hormônios masculinos que estimulam o crescimento das células cancerosas, a fim de encolher o tumor e reduzir o seu ritmo de crescimento. A hormonioterapia pode ser usada depois da cirurgia e antes ou depois da radioterapia, principalmente em tumores de maior agressividade. Já o uso de quimioterapia só é empregado em fases mais tardias do tratamento.

Como alguns tipos de câncer de próstata crescem devagar, certos pacientes, que apresentam tumores de baixa agressividade, podem nunca precisar de tratamento, especialmente quando eles são idosos ou têm outros problemas de saúde. Mesmo pacientes jovens, com tumores pequenos e pouco agressivos e que desejam preservar suas atividades sexuais e padrões de micção, podem ser acompanhados por meio de consultas regulares, teste de PSA e toque retal regulares e, se necessário, novas biópsias e exames por imagem. Esse procedimento se chama vigilância ativa e, se o crescimento do tumor se acelerar, médico e paciente discutem a forma de tratamento.

Para saber mais detalhes sobre tratamentos, clique aqui.

 

Fonte: Dr. Walter Henriques da Costa, urologista do A.C.Camargo Cancer Center

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