Câncer de estômago: hábitos de risco e sinais - A.C.Camargo Pular para o conteúdo principal
 
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Câncer de estômago se constrói sobre hábitos que a maioria não reconhece como risco

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Seis em cada dez brasileiros avaliam a própria saúde como ótima ou boa. A mesma proporção de pessoas, no entanto, declara estar acima do peso ideal. É o que revela a pesquisa "A saúde do brasileiro, hábitos de vida e o uso de tecnologia em diagnósticos médicos", do A.C.Camargo Cancer Center e da Nexus, Pesquisa e Inteligência de Dados, que ouviu mais de 2 mil pessoas nas 27 Unidades da Federação. O levantamento também mostra que 41% dos entrevistados não comem alimentos frescos todos os dias.

É diante desse descompasso que o Setembro Rubi reforça a importância da conscientização sobre o câncer de estômago e do diagnóstico precoce. A combinação entre percepção de boa saúde e excesso de peso ajuda a entender por que o tumor ainda é, com frequência, diagnosticado tarde no país.

O tema do mês tem peso epidemiológico. Segundo a Estimativa 2026-2028 do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o tumor gástrico é o quarto mais incidente entre os homens brasileiros, com 13.830 novos casos por ano, e responde por 5,4% dos casos masculinos, atrás apenas de próstata, cólon e reto e pulmão.

Hábitos que aumentam o risco de câncer de estômago

O levantamento mostra que 41% dos entrevistados não comem alimentos frescos todos os dias, base de uma alimentação saudável e protetora. Na outra ponta, 33% consomem ultraprocessados três ou mais dias por semana, 31% comem frituras na mesma frequência, 41% bebem álcool ao menos uma vez por semana e 42% nunca praticam atividade física.

A diferença entre gerações é o dado mais expressivo: 17% dos entrevistados de 16 a 24 anos comem ultraprocessados diariamente, contra 4% entre os de 60 anos ou mais. É quase um em cada seis jovens, contra um em cada 25 na faixa mais velha. O dado indica que a exposição a esse padrão alimentar começa cada vez mais cedo, e nenhum desses hábitos é neutro para o estômago.

"O câncer que vai aparecer daqui a vinte ou trinta anos começa a ser construído agora", afirma o Dr. Felipe Coimbra, líder do Centro de Referência em Tumores do Aparelho Digestivo Alto do A.C.Camargo Cancer Center. "O risco tem relação com o tempo de exposição e com a dose. Quem se expõe cedo carrega isso pela vida inteira, na maior parte das vezes sem saber."

H. pylori: o principal fator de risco e o único com tratamento

Há ainda um fator biológico decisivo. A infecção pela bactéria Helicobacter pylori (H. pylori) é o principal fator de risco para o tumor gástrico e o único com tratamento específico. "É o principal fator comprovado e, diferente dos outros, tem tratamento", diz o Dr. Coimbra. "Identificar e tratar a infecção muda o risco daquela pessoa."

Por que o câncer de estômago é diagnosticado tarde

O diagnóstico tardio é a outra face do problema. Na fase inicial o tumor é silencioso, e os primeiros sintomas, como azia, queimação e sensação de estufamento, se confundem com gastrite comum. A cirurgia segue como o principal tratamento com intenção curativa, e depende de o caso ser identificado cedo.

"Alimentação, cigarro, exercício e álcool são os fatores em que cada um consegue interferir na própria rotina", afirma o especialista. "É o que está ao alcance de todo mundo, e é essa a mensagem que deve ser passada neste Setembro Rubi."

Sintomas de câncer de estômago que merecem avaliação médica

  • Azia, queimação ou desconforto abdominal que não melhoram
  • Sensação de estufamento ou saciedade precoce ao comer
  • Dificuldade para engolir
  • Perda de peso sem causa aparente
  • Anemia sem explicação ou fezes escurecidas

A maioria desses sinais tem causas benignas. A recomendação é procurar avaliação médica quando os sintomas persistem.

Metodologia

A Nexus, Pesquisa e Inteligência de Dados, entrevistou, face a face, 2.015 cidadãos com idade a partir de 16 anos, nas 27 Unidades da Federação (UFs). A amostra foi controlada a partir de quotas de sexo, idade, PEA, região e condição do município. A margem de erro no total da amostra é de 2 p.p., com intervalo de confiança de 95%. Após a coleta, foi aplicado um fator de ponderação para corrigir eventuais distorções em relação ao plano amostral; devido ao arredondamento, a soma dos percentuais pode variar de 99% a 101%. A etapa de campo ocorreu entre os dias 25 e 30 de junho de 2026. Estatístico responsável: Neale El-Dash, Conre 8656-A

Perguntas frequentes sobre o câncer de estômago
 

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