Tumores pediátricos: estudos moleculares auxiliam no diagnóstico preciso

Publicado em: 25/06/2021 - 17:06:24
Linha Fina

A discussão multidisciplinar dos casos ajuda na adoção da melhor estratégia de tratamento, conforme debate ocorrido no Next Frontiers to Cure Cancer

Os tumores pediátricos também são tema de reflexão incessante no Next Frontiers to Cure Cancer.

Entre tantos painéis, um exemplo foi Discussão de Casos Clínicos e Resultados Moleculares, um debate que teve como chair o Dr. Felipe D’Almeida, do Departamento de Anatomia Patológica do A.C.Camargo Cancer Center, e contou com a presença de outros especialistas, como a Dra. Cecilia da Costa, líder do Centro de Referência em Tumores Pediátricos do A.C.Camargo.

Segundo a médica, exames de imuno-histoquímica e histologia são fundamentais para o diagnóstico, mas os estudos moleculares também ajudam muito na classificação precisa de tumores como os sarcomas, e, assim, possibilitam que se adote a melhor estratégia de tratamento para o paciente.

“Há alguns casos muito desafiadores, como os de sarcoma, que dependem muito dessa caracterização molecular no diagnóstico”, afirma a Dra. Cecilia.


Tumores pediátricos: diagnosticando o sarcoma

Um exemplo foi um menino de 2 anos vindo de outro estado, que chegou com febre, tosse e uma pneumonia que não melhorava. Foi colocado um dreno devido a um derrame pleural e exames de imagem demonstraram um tumor paravertebral.

“Realizamos na criança um exame PET-CT e vimos um tumor paravertebral ao nível das vértebras T3 a T5, uma lesão de 30 milímetros que invadia o canal medular, com espessamento pleural”, conta o Dr. Diogo Zanella, radiologista do A.C.Camargo Cancer Center.

Em seguida, após a realização de uma biópsia, o exame histopatológico demonstrou um diagnóstico morfológico compatível com sarcoma – sarcomas indiferenciados, com presença de BCOR, são tratados com o protocolo de sarcoma de Ewing.

“A imuno-histoquímica mostrou expressão de marcadores importantes na classificação de sarcomas de células pequenas e redondas, a saber, expressão de BCOR e CCNB3. Este perfil imuno-histoquímico sugere fortemente um sarcoma com alterações moleculares no gene BCOR”, explica o Dr. Felipe D’Almeida, da Anatomia Patológica. Um teste de sequenciamento de RNA também ajudaria a confirmar molecularmente casos como este.

“Fizemos exames de imagem e, como ele estava bem, não tinha déficit motor, decidimos fazer quimioterapia neoadjuvante (antes da cirurgia). Depois, reavaliamos radiologicamente e vimos uma descompressão da medula, uma excelente resposta”, diz a Dra. Cecilia.

Além disso, o derrame pleural foi reduzido, bem como o nódulo no pulmão.

Após a cirurgia, o menino fez a quimioterapia adjuvante. “Por fim, discutimos em tumor board fazer radioterapia, mas seguimos o protocolo do sarcoma de Ewing, optando pela radioterapia em campos pulmonares, e o menino terminou o tratamento recentemente”, encerra a Dra. Cecilia. 

“Este é mais um exemplo de como a interação multidisciplinar tem o potencial de proporcionar o melhor tratamento aos nossos pacientes. Esta é uma das grandes virtudes de um Cancer Center”, completa o Dr. Felipe.

Doutor Felipe D’Almeida, branco, cabelo preto, sorri de jaleco
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Este é mais um exemplo de como a interação multidisciplinar tem o potencial de proporcionar o melhor tratamento aos nossos pacientes. Esta é uma das grandes virtudes de um Cancer Center.
Doutor Felipe D’Almeida, do Departamento de Anatomia Patológica

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