Biologia celular

Leucemia: pesquisadores brasileiros trabalham em um tratamento menos invasivo para pacientes graves

Linha Fina

Assista ao vídeo com a participação no Jornal da Record do Dr. Jayr Schimdt, líder do Centro de Referência em Neoplasias Hematológicas do A.C.Camargo

A leucemia é o décimo tipo de câncer mais comum entre os homens, com 5.920 novos casos por ano, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA).

Atinge, ainda, muitas crianças

Por isso, as pesquisas sobre o tema são recorrentes.

Neste momento, pesquisadores brasileiros trabalham em um tratamento menos invasivo para pacientes graves com leucemia.

Assista ao vídeo com a participação no Jornal da Record do Dr. Jayr Schimdt, líder do Centro de Referência em Neoplasias Hematológicas do A.C.Camargo Cancer Center:

Pesquisa feita por cientistas do A.C.Camargo está entre as finalistas do Prêmio Octávio Frias de Oliveira

Linha Fina

Estudo mostra que é possível utilizar a inteligência artificial para identificar alterações no DNA a partir da análise de imagens histológicas

Uma pesquisa feita por um grupo de cientistas do A.C.Camargo Cancer Center foi indicada como uma das finalistas do Prêmio Octávio Frias de Oliveira, que visa estimular a pesquisa científica na esfera da prevenção e do combate ao câncer.

Indicado na categoria “Inovação Tecnológica em Oncologia”, o estudo liderado pelo Dr. Israel Tojal, do Grupo Biologia Computacional e Bioinformática do Centro Internacional de Pesquisas (CIPE) do A.C.Camargo foi publicado na revista científica Cancers, sob o título Deep Learning Predicts Underlying Features on Pathology Images with Therapeutic Relevance for Breast and Gastric Cancer. O estudo também contou com o trabalho de outros pesquisadores do CIPE, da Universidade de São Paulo (USP) e patologistas do A.C.Camargo.

Dr. Israel explica que técnicas de inteligência artificial, especificamente o aprendizado profundo (do inglês, deep learning), foi capaz de detectar padrões ocultos em imagens histopatológicas que se correlacionam com alterações genéticas no DNA.

“Sabemos que existem alguns mecanismos moleculares que são preditores de resposta à terapia no câncer. Então, nós criamos um modelo computacional e treinamos o algoritmo para identificar dois tipos de mecanismos associados à deficiência no reparo do DNA, um relacionado ao câncer de mama e outro relacionado ao câncer gástrico.”

Resultados e benefícios da pesquisa

A partir da análise de cerca de 1500 imagens histopatológicas recuperadas de uma base de dados pública e do A.C.Camargo Cancer Center, o algoritmo foi capaz de predizer com acurácia pacientes com deficiência no reparo de recombinação homóloga em tumores de mama e no reparo de mal pareamento do DNA em tumores gástricos. 

Segundo Dr. Israel, a ferramenta pode ser implementada a custo baixo na rotina da anatomia patológica, permitindo ampliar a triagem de biomarcadores de prognóstico e preditivo em um grande número de pacientes desses e de outros tumores. 

Esses resultados também mostram a importância da incorporação de novos produtos e processos no cuidado oncológico a partir da convergência do conhecimento gerado pela pesquisa básica e translacional em conjunto com técnicas modernas de inteligência artificial.

“Também podemos ter benefícios imensuráveis para o paciente e o sistema de saúde. Esse algoritmo consegue fazer a detecção de mecanismos moleculares com relevância terapêutica em poucos segundos. Ou seja, teremos redução de custos, agilidade e acesso ao diagnóstico com grande potencial de possibilitar um tratamento mais personalizado que levará a uma melhor sobrevida”, finaliza o Dr. Israel.
 

CAR-T Cells podem se firmar como uma mudança de paradigma para o tratamento do câncer

Linha Fina

Conferência Magna do Next Frontiers to Cure Cancer contou com uma aula do Dr. Cameron Turtle, do Fred Hutchinson Cancer Research Center, de Seattle 

A terapia com CAR-T Cells é uma das grandes novidades no tratamento para cânceres hematológicos, entre eles, leucemias e linfomas. 

Essa inovação, inclusive, motivou o tema da segunda Conferência Magna do Next Frontiers to Cure Cancer: Fatores que Governam os Desfechos da Imunoterapia com Células CAR-T

Um painel protagonizado pelo Dr. Cameron Turtle, do Fred Hutchinson Cancer Research Center, de Seattle. 


CAR-T Cells: o que são 

As CAR-T Cells são terapias personalizadas e agem em alvos específicos, usando células do paciente e não medicamentos sintéticos. 

Trata-se de células de defesa do organismo, que são extraídas do paciente e moldadas em laboratório para combaterem seu próprio tumor. 

Depois, são infundidas de volta no paciente. Ou seja, elas atuam reprogramando as próprias células do paciente contra a doença. 
 

Achados 

De acordo com o Dr. Cameron Turtle, a terapia com CAR-T Cells CD19 é um exemplo de tratamento com células efetoras imunes que podem se firmar como uma mudança de paradigma para o câncer. 

“No caso da leucemia linfoide aguda e do linfoma não Hodgkin, há muito entusiasmo em relação à taxa global de resposta da CD19”, afirma o Dr. Cameron. 
 

Complexidades  

“Estamos ainda começando a entender as complexidades das abordagens com CAR-T Cells. Apesar dos sucessos em muitos casos, um dos problemas de modificar e ativar as células em laboratório é causar sua exaustão, pois são necessárias de umas a duas semanas para se fazer as modificações genéticas nos receptores ativos das células imunes (CAR-T), que reconhecem o tumor”, explica o Dr. Cameron Turtle.  

“A identificação das CAR-T Cells competentes e a previsão da resposta são questões complexas”, acrescenta. 
Segundo o especialista, a proliferação das CAR-T Cells nos pacientes está associada à dose de células infundidas, à carga de antígeno, à resposta imune e à qualidade intrínseca de células. 

“Esta proliferação e a sobrevivência das células nos pacientes são a chave para a boa resposta ao tratamento e à toxicidade”, encerra o Dr. Cameron. 

Doutor Cameron Turtle, branco, cabelo castanho
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A proliferação e a sobrevivência das células nos pacientes são a chave para a boa resposta ao tratamento e à toxicidade.
Doutor Cameron Turtle, do Fred Hutchinson Cancer Research Center

Tumores pediátricos: estudos moleculares auxiliam no diagnóstico preciso

Linha Fina

A discussão multidisciplinar dos casos ajuda na adoção da melhor estratégia de tratamento, conforme debate ocorrido no Next Frontiers to Cure Cancer

Os tumores pediátricos também são tema de reflexão incessante no Next Frontiers to Cure Cancer.

Entre tantos painéis, um exemplo foi Discussão de Casos Clínicos e Resultados Moleculares, um debate que teve como chair o Dr. Felipe D’Almeida, do Departamento de Anatomia Patológica do A.C.Camargo Cancer Center, e contou com a presença de outros especialistas, como a Dra. Cecilia da Costa, líder do Centro de Referência em Tumores Pediátricos do A.C.Camargo.

Segundo a médica, exames de imuno-histoquímica e histologia são fundamentais para o diagnóstico, mas os estudos moleculares também ajudam muito na classificação precisa de tumores como os sarcomas, e, assim, possibilitam que se adote a melhor estratégia de tratamento para o paciente.

“Há alguns casos muito desafiadores, como os de sarcoma, que dependem muito dessa caracterização molecular no diagnóstico”, afirma a Dra. Cecilia.


Tumores pediátricos: diagnosticando o sarcoma

Um exemplo foi um menino de 2 anos vindo de outro estado, que chegou com febre, tosse e uma pneumonia que não melhorava. Foi colocado um dreno devido a um derrame pleural e exames de imagem demonstraram um tumor paravertebral.

“Realizamos na criança um exame PET-CT e vimos um tumor paravertebral ao nível das vértebras T3 a T5, uma lesão de 30 milímetros que invadia o canal medular, com espessamento pleural”, conta o Dr. Diogo Zanella, radiologista do A.C.Camargo Cancer Center.

Em seguida, após a realização de uma biópsia, o exame histopatológico demonstrou um diagnóstico morfológico compatível com sarcoma – sarcomas indiferenciados, com presença de BCOR, são tratados com o protocolo de sarcoma de Ewing.

“A imuno-histoquímica mostrou expressão de marcadores importantes na classificação de sarcomas de células pequenas e redondas, a saber, expressão de BCOR e CCNB3. Este perfil imuno-histoquímico sugere fortemente um sarcoma com alterações moleculares no gene BCOR”, explica o Dr. Felipe D’Almeida, da Anatomia Patológica. Um teste de sequenciamento de RNA também ajudaria a confirmar molecularmente casos como este.

“Fizemos exames de imagem e, como ele estava bem, não tinha déficit motor, decidimos fazer quimioterapia neoadjuvante (antes da cirurgia). Depois, reavaliamos radiologicamente e vimos uma descompressão da medula, uma excelente resposta”, diz a Dra. Cecilia.

Além disso, o derrame pleural foi reduzido, bem como o nódulo no pulmão.

Após a cirurgia, o menino fez a quimioterapia adjuvante. “Por fim, discutimos em tumor board fazer radioterapia, mas seguimos o protocolo do sarcoma de Ewing, optando pela radioterapia em campos pulmonares, e o menino terminou o tratamento recentemente”, encerra a Dra. Cecilia. 

“Este é mais um exemplo de como a interação multidisciplinar tem o potencial de proporcionar o melhor tratamento aos nossos pacientes. Esta é uma das grandes virtudes de um Cancer Center”, completa o Dr. Felipe.

Doutor Felipe D’Almeida, branco, cabelo preto, sorri de jaleco
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Este é mais um exemplo de como a interação multidisciplinar tem o potencial de proporcionar o melhor tratamento aos nossos pacientes. Esta é uma das grandes virtudes de um Cancer Center.
Doutor Felipe D’Almeida, do Departamento de Anatomia Patológica

Podcast Rádio Cancer Center #45 - Mulheres na ciência

Linha Fina

Ouça e conheça o apaixonante e desbravador trabalho de quatro cientistas do A.C.Camargo Cancer Center

Mulheres na ciência. Sim, elas protagonizam um papel importante também neste seguimento.

Neste episódio, quatro grandes profissionais da nossa Instituição falam sobre a mulher na ciência e sobre seus trabalhos no âmbito da pesquisa produzida no A.C.Camargo, além de darem dicas para quem quer seguir este caminho.

Participam da conversa:

  • Doutora Vilma Regina Martins (foto no player abaixo), Superintendente de Pesquisa do A.C.Camargo;
  • Doutora Maria Paula Curado, head do Grupo de Epidemiologia e Estatística em Câncer (GEECAN) que faz parte do Centro Internacional de Pesquisa (CIPE), uma cientista reconhecida na lista dos 100 mil top cientistas do mundo em todos os tempos;
  • Doutora Rachel Riechelmann, head da Oncologia Clínica;
  • E a jovem Amanda Rondinelli, aluna da Iniciação Científica do A.C.Camargo que fez um trabalho de destaque.

Confira:

Câncer de mama: pesquisa aponta aumento de 40% na incidência da doença no Brasil em quase 30 anos

Linha Fina

Estudo realizado por pesquisadores brasileiros com dados do Global Burden of disease (IHM/USA) mostrou que a mortalidade por este tipo de tumor se manteve estável durante o período analisado

O câncer de mama é o segundo tipo de tumor mais frequente em mulheres, atrás apenas do câncer de pele não melanoma.

Nas últimas décadas, algumas pesquisas científicas mostraram que as taxas de mortalidade por câncer de mama foram reduzidas ou estabilizadas, principalmente em regiões mais desenvolvidas, como Estados Unidos e Europa.

No Brasil, a pesquisa Inequalities in the Burden of Female Breast Cancer in Brazil analisou 27 anos da incidência deste câncer no Brasil  e mostrou que estamos seguindo a tendência mundial em algumas regiões do país.

"Pelos estudos, pudemos observar  que a incidência de câncer de mama no Brasil aumentou em quase 40%. Entretanto, não houve queda do número de mortes", explica a Dra. Maria Paula Curado, pesquisadora no Centro Internacional de Pesquisa (CIPE), que participa do estudo.
 


Câncer de mama pelo Brasil

Esse aumento de 40% na incidência do câncer também está ligado a fatores externos, como obesidade, sedentarismo e consumo de álcool. Em algumas regiões do país, como sul e sudeste, a prevalência do câncer se mostrou alta pela facilidade de acesso ao diagnóstico e também pelo perfil populacional mais idoso.

“O foco do estudo foi  analisar o perfil da mulher brasileira com câncer de mama e evidenciar a necessidade do diagnóstico e tratamento de forma rápida. Isso proporciona às pacientes com câncer de mama  uma chance de  alta de cura”, diz.

Para conferir o estudo na íntegra (em inglês), clique aqui.
 

Tumores neuroendócrinos: pesquisa indica ligação entre Everolimo e infecções oportunistas

Doenças causadas por fungos são as principais causas infecciosas entre pacientes diagnosticados com esse tipo de câncer que fazem uso do medicamento

Uma pesquisa realizada com 111 pacientes da América Latina, diagnosticados com tumores neuroendócrinos e em tratamento com Everolimo, mostrou que o medicamento pode causar infecções graves.

O artigo Opportunistic and serious infections in patients with neuroendocrine tumors treated with Everolimus: a multicenter study of real-world patients apontou que o uso prolongado (de quatro a cinco anos) da droga pode trazer infecções – de quadro leves a moderados –, o que pode até ocasionar óbitos, segundo o estudo.

Essas infecções podem ser candidíase, toxoplasmose, pneumonia, erisipela, diarreias graves, entre outras.

A Dra. Rachel Riechelmann, head do Departamento de Oncologia Clínica do A.C.Camargo Cancer Center, é uma das autoras do artigo.


Everolimo e infecções

"A partir deste estudo, pudemos ver que essas infecções ocorriam por conta da imunidade baixa do paciente, que é a causa de um uso prolongado do medicamento. Esses fungos acometem principalmente o pulmão", explica a Dra. Rachel Riechelmann.

Com os resultados, foi possível estabelecer uma forma mais intensa de orientação sobre os possíveis sintomas do uso de Everolimo. "Aqui no A.C.Camargo, orientamos o paciente sobre riscos e possíveis sintomas de infecções graves, principalmente se ele está tomando o medicamento há mais de seis meses a um ano", acrescenta a médica.

A orientação é que o paciente seja acompanhado mensalmente por uma avaliação clínica e por exames laboratoriais.

"Durante a pandemia do novo Coronavírus, temos que estar ainda mais atentos a isso, para evitar uma contaminação pelo vírus", diz.


Outras opções

O medicamento "substituto" do Everolimo deve ser analisado a depender de cada paciente. "Podemos usar uma classe de remédios, como somatostatina, que são injeções mensais que não alteram a imunidade. Assim como o Lutécio 177, que faz parte da medicina nuclear e é aplicado com o paciente internado", conta a Dra. Rachel.

Para saber mais sobre a pesquisa (em inglês), clique aqui

Câncer de mama, estudos e seus achados

Confira os resultados promissores de três publicações realizadas pelos especialistas A.C.Camargo Cancer Center

Câncer de mama, o tipo de tumor que mais acomete mulheres no Brasil – está atrás do câncer de pele não melanoma.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), para 2020 são estimados 66.280 novos casos.

Além de atuar em diagnóstico e tratamento no Centro de Referência em Tumores de Mama, que proporciona uma visão 360º do cuidado, o A.C.Camargo é um Cancer Center por se dedicar às pesquisas, caso destas a seguir, que acabam de ser publicadas por médicos e cientistas da Instituição. 


Câncer de mama e radioterapia intraoperatória

O estudo Intraoperative Breast Radiotherapy: Survival, Local Control And Risk Factors for Recurrence (Radioterapia Intraoperatória da Mama: Sobrevida, Controle Local e Fatores de Risco para Recorrência) partiu do princípio que a irradiação total da mama reduz a recorrência locorregional e o risco de morte em pacientes submetidas ao tratamento conservador. 

Os dados conhecidos mostravam que essa radiação, quando implementada apenas no quadrante, pode ser suficiente em determinadas mulheres.

A intenção do trabalho foi relatar a experiência com a radioterapia intraoperatória – feita durante o procedimento cirúrgico, depois que o tumor foi retirado – com feixe de elétrons no acelerador linear. Outro foco era mostrar os resultados na sobrevida global, no controle local e na toxicidade tardia das 147 pacientes submetidas ao tratamento.

Os resultados, que foram publicados na revista científica Reports of Practical Oncology & Radiotherapy, evidenciaram que a sobrevida global da coorte em cinco anos, no acompanhamento médio e em dez anos, foi de 98,3%, 95,1% e 95,1%, respectivamente.

Já o controle local em cinco anos, no acompanhamento médio e em dez anos, foi de 96 %, 94,9% e 89,5%, respectivamente. Dois grupos de risco foram identificados para recorrência local, dependendo dos receptores de estrogênio ou progesterona.

Conclusão: a radioterapia intraoperatória é um tratamento seguro e eficaz, mas a seleção rigorosa é importante para alcançar grandes resultados de controle local.


Quimioterapia neoadjuvante e ressonância magnética

Outra pesquisa merece destaque: Diffusion-Weighted Magnetic Resonance Imaging of Patients with Breast Cancer Following Neoadjuvant Chemotherapy Provides Early Prediction of Pathological Response - A Prospective Study (Ressonância Magnética Ponderada por Difusão de Pacientes com Câncer de Mama após Quimioterapia Neoadjuvante Fornece Previsão Precoce de Resposta Patológica - Um Estudo Prospectivo).

Seu objetivo foi avaliar a capacidade da ressonância magnética ponderada por difusão para predição precoce da resposta patológica em 62 pacientes com câncer de mama, todas elas submetidas à quimioterapia neoadjuvante – realizada antes da cirurgia. 

A ressonância magnética foi feita antes do início do tratamento, após o primeiro ciclo de quimioterapia neoadjuvante e após a conclusão da quimioterapia neoadjuvante. 

A conclusão, apresentada no periódico Scientific Reports, é de que a resposta patológica completa na coorte, após a quimioterapia, precede a redução no tamanho do tumor na ressonância magnética convencional. Portanto, pode ser usada como um preditor precoce de resposta ao tratamento.


Mulheres jovens brasileiras

Já o Journal of Global Oncology destacou mais um trabalho dos especialistas do A.C.Camargo, intitulado Advanced Stage at Diagnosis and Worse Clinicopathologic Features in Young Women with Breast Cancer in Brazil: A Subanalysis of the AMAZONA III Study [GBECAM 0115] (Estágio Avançado no Diagnóstico e Piores Características Clínico-Patológicas em Mulheres Jovens com Câncer de Mama no Brasil: uma Subanálise do Estudo AMAZONA III [GBECAM 0115]).

O câncer de mama em mulheres jovens é menos comum e tende a apresentar características mais agressivas. Para entender e caracterizar melhor esse cenário no Brasil, foi feita essa subanálise do estudo AMAZONA III, que mapeou 2.888 pacientes diagnosticadas em 22 cidades entre janeiro de 2016 e março de 2018.

Dessas 2.888 mulheres, 486 (17%) tinham 40 anos de idade ou menos. Estas tinham maior nível educacional. A maioria estava empregada e era casada.

Tais pacientes jovens tinham casos mais sintomáticos. Também apresentaram mais frequentemente tumores em estágio III e subtipos HER-2 positivos, luminal B e triplo-negativos.

Resultados: mulheres brasileiras com menos de 40 anos apresentam características clínico-patológicas desfavoráveis na hora do diagnóstico do câncer de mama, com subtipos mais agressivos e estágio mais avançado quando comparadas às mais velhas. 

Como essas diferenças não são explicadas por desequilíbrios socioeconômicos ou étnicos, as causas de maior prevalência entre mulheres jovens no Brasil merecem investigações adicionais.

Câncer colorretal metastático: células tumorais circulantes como prognóstico

Conduzido pelo corpo clínico do A.C.Camargo Cancer Center, trabalho foi apresentado na ASCO GI 2020, em San Francisco

O câncer colorretal é, no Brasil, o segundo mais frequente entre as mulheres e entre os homens, descontando-se os tumores de pele não-melanoma. Esses dados, atualizados em 2020, são do INCA. 

Apresentado como pôster na ASCO GI (Gastrointestinal Cancers Symposium), que aconteceu entre 23 e 25 de janeiro em San Francisco, EUA, e publicado no Journal of Clinical Oncology, um estudo prospectivo analisou as células tumorais circulantes (CTCs) como um promissor marcador de prognóstico no câncer colorretal metastático.

Em tempo: as células tumorais circulantes têm esse nome porque se desprendem do tumor. 

Daí a importância de um estudo sobre elas, que teve como autor principal o Dr. Virgílio Souza, oncologista clínico do A.C.Camargo Cancer Center.


O estudo

Intitulada Prospective Study with Circulating Tumor Cells as Potential Prognosis Biomarker in Metastatic Colorectal Cancer (Estudo Prospectivo com Células Tumorais Circulantes como Potencial Marcador de Prognóstico em Câncer Colorretal Metastático), a pesquisa avaliou 75 pacientes com câncer colorretal metastático com mediana de idade de 57,3 anos.

Além de exames de imagem, os pacientes se submeteram a duas coletas de sangue com um intervalo de 60 dias. 

Isso ocorreu por meio do exame ISET, que isola do sangue as células tumorais circulantes.

Foi comparado o índice de CTCs no baseline (CTC1) com o índice no primeiro acompanhamento (CTC 2).


Conclusões 

Esse estudo prospectivo ratificou que a contagem de CTCs na linha de base (CTC1) é um importante marcador prognóstico para monitorar o câncer colorretal metastático e se correlaciona com outros fatores prognósticos estabelecidos.

“Diante destes dados associados a outros resultados do nosso grupo de pesquisa, podemos demonstrar a importância de estudos com CTCs nos tumores gastrointestinais, já que a análise das CTCs pode ser útil para melhor entender os mecanismos da doença e para monitorar a resposta ao tratamento quimioterápico, sendo uma importante ferramenta no tratamento do câncer”, explica o Dr. Virgílio Souza.

Para conferir o artigo (em inglês), clique aqui.

Doutor Virgilio Souza e Silva e o câncer colorretal

Descobrindo a Ciência, um projeto que visa aproximar o público jovem do tema

No material existem experiências e outras atividades lúdicas sobre o universo científico

Aproximar a ciência do público jovem por meio da difusão de conhecimentos sobre pesquisa científica e inovação aplicadas ao câncer. Eis o objetivo do caderno Descobrindo a Ciência.

A iniciativa faz parte do Ciência Educa, que é um dos projetos do programa do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) em Oncogenômica e Inovação Terapêutica, denominado INCiTO-INOTE.

Direcionado às crianças e aos jovens, o material inclui desde conceitos escritos de uma forma amigável a atividades lúdicas.

Por exemplo, o passo a passo com experiências para a garotada extrair o DNA de um morango, de uma cebola ou mesmo das células da própria boca.

Dá para fazer até uma placa de ágar, também conhecida como placa de Petri, para o cultivo de microrganismos. Também tem palavras cruzadas e caça-palavras.

Placa de Ágar - Descobrindo a Ciência

Para conferir o material, clique aqui