Everolimo pode oferecer controle prolongado em pacientes com tumores neuroendócrinos

Publicado em: 08/01/2020 - 11:01:31
Pesquisa
Tratamento
Biologia celular
Tumores do Aparelho Digestivo Alto

Publicado no Journal of Gastrointestinal Oncology, estudo sugere que medicamento atuaria quando esse raro tipo de câncer atinge o pâncreas de forma metastática 

Tumores neuroendócrinos pancreáticos metastáticos (pNETs) costumam ser tratados com everolimo, um inibidor oral da via mTOR, ou com sunitinibe, um medicamento antiangiogênico – bloqueia a angiogênese, que é a formação de novos vasos sanguíneos.

Em casos mais raros, pacientes com pNETs apresentam mutações hereditárias em genes relacionados à regulação da proteína mTOR, caso da neoplasia endócrina múltipla tipo 1 (MEN1) e da Síndrome de Von-Hippel Lindau (VHL).

Avaliar a eficácia do everolimo em pacientes com pNETs associados à mutação MEN1, bem como o papel do sunitinibe nas pessoas com pNETs relacionados à Síndrome de Von-Hippel Lindau (VHL), foi a motivação para a pesquisa The Efficacy of Everolimus and Sunitinib in Patients with Sporadic or Germline Mutated Metastatic Pancreatic Neuroendocrine Tumors (A Eficácia do Everolimo e do Sunitinibe em Pacientes com Tumores Neuroendócrinos Pancreáticos Metastáticos com Mutação Esporádica ou Germinativa).


Os raros tumores neuroendócrinos

“Os tumores neuroendócrinos pancreáticos metastáticos são raros. Eles representam cerca de 2% dos tumores de pâncreas; aqueles pNETs associados a mutações hereditárias como MEN-1 são ainda mais raros; daí a necessidade de realizar um estudo multicêntrico para se ter dados. Foi uma pesquisa que envolveu várias instituições do Brasil”, explica Rachel Riechelmann, head da Oncologia Clínica do A.C.Camargo Cancer Center e autora principal do trabalho. 

Esse estudo foi desenvolvido durante o programa anual de Especialização em Tumores Neuroendócrinos, que é apoiado pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica em parceria com A.C.Camargo.

Entre setembro de 2009 e abril de 2018 foram identificados 33 pacientes. A maioria (60,6%) era do sexo masculino e metástases hepáticas estavam presentes em 97% dos casos.

Trinta e um pacientes receberam everolimo, dos quais oito deles apresentavam mutações germinativas (seis nos genes MEN1 e dois nos genes VHL). Nove pacientes foram tratados com sunitinibe, dos quais três deles demonstraram mutações germinativas (dois nos genes MEN1 e um nos genes VHL). 

Em um acompanhamento mediano de 26 meses, entre os pacientes tratados com everolimo, a taxa de controle da doença foi maior em favor dos pacientes com tumores vindos de mutações na linha germinativa, quando comparados a outras causas esporádicas (87,5% versus 68,4%).

Já o sunitinibe foi utilizado por apenas um paciente com Síndrome de Von-Hippel Lindau (VHL), atingindo uma sobrevida livre de progressão de 17,6 meses. No subgrupo de pNETs esporádicos, o sunitinibe foi usado por seis pacientes, que alcançaram uma sobrevida livre de progressão de 18 meses.


Conclusões 

“O interessante no estudo é que ele identifica um biomarcador molecular que é preditivo de benefício ao everolimo então, se conseguíssemos identificar isso na prática, poderíamos selecionar os pacientes para receber everolimo sabendo que eles teriam um benefício muito maior”, analisa a Dra. Rachel, que, além de membro do conselho consultivo da Sociedade Europeia de Tumores Neuroendócrinos, é integrante do corpo docente da European Society for Medical Oncology (ESMO) e atual presidente do Grupo Brasileiro de Tumores Gastrointestinais (GTG). 

“Esses medicamentos são ministrados na prática no A.C.Camargo” afirma a médica.

Enfim, o estudo sugere que o everolimo pode oferecer um controle prolongado do câncer nos pacientes com tumores neuroendócrinos pancreáticos metastáticos (pNETS) com mutações na linha germinativa (MEN1 ou VHL), isso em comparação com os pNETs esporádicos.

“Ainda assim, precisamos de mais dados, de um estudo maior para validar os resultados”, encerra a Dra. Rachel Riechelmann. 

Para conferir o estudo na íntegra (em inglês), clique aqui.

Rachel Riechelmann e o Everolimo

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