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Triplo negativo, um atípico tumor de mama

 
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Triplo negativo, um atípico tumor de mama

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Embora possa ser mais agressivo, ele apresenta perspectivas de cura quando descoberto precocemente

O câncer de mama triplo negativo (CMTN) representa, em média, 15% dos casos de câncer de mama no mundo. Comparado a outros subtipos, ele é mais frequente em mulheres jovens: enquanto a média de idade é de 55 a 60 anos para os demais, nos CMTNs predomina a faixa etária abaixo de 50 anos, sendo a sua prevalência maior em mulheres com menos de 35 anos. 

Apesar de ser o mais agressivo entre os cânceres de mama, apresenta perspectivas de cura quando detectado precocemente.


O diagnóstico

O diagnóstico definitivo é feito através da avaliação da biópsia pelo médico patologista. Munido de dois laudos – o da análise histológica e o do estudo imuno-histoquímico –, ele ajuda a definir o planejamento terapêutico.

O que faz esse tipo de tumor mais complicado é que ele é negativo para os três biomarcadores mais importantes na classificação e definição do tratamento do câncer de mama: receptor de estrógeno, receptor de progesterona e HER2. Estas proteínas são avaliadas pelo médico patologista por meio da imuno-histoquímica.


Tratamento do câncer de mama triplo negativo

Como os CMTNs não apresentam expressão de RE, RP e HER2, hormonioterapia e terapia anti-HER2 não estão indicadas para as pacientes. Assim, a estratégia adotada é a quimioterapia, além da cirurgia e radioterapia. 

“O câncer de mama triplo negativo apresenta maiores taxas de recidiva nos primeiros três anos após o diagnóstico e também de metástases à distância. Assim, é comum a indicação de quimioterapia neoadjuvante, ou seja, tratamento sistêmico antes da cirurgia, para as pacientes com este diagnóstico”, explica Marina De Brot, coordenadora do Biobanco e patologista titular do departamento de Anatomia Patológica do A.C.Camargo Cancer Center.

“Após o término da terapia neoadjuvante, a avaliação da resposta ao tratamento pelo patologista traz informações relevantes sobre a doença”, lembra Marina, que também faz parte da diretoria da Sociedade Internacional de Patologia Mamária (ISBP). 


Calculadora

Em 2007, patologistas e cientistas do MD Anderson Cancer Center, do Texas, criaram uma calculadora online com algoritmos para a estimativa da resposta patológica ao tratamento neoadjuvante. 

“Pacientes que evoluem com resposta patológica completa à terapia, ou seja, que não apresentam tumor invasivo residual nem na mama nem nos linfonodos, têm maiores chances de cura”, conta Marina De Brot.

Surpreendentemente, as taxas de resposta patológica completa ao tratamento são maiores entre os CMTNs. “É um exame de grande valor clínico, a comprovação de que uma paciente que fez quimioterapia neoadjuvante e teve uma boa resposta tem chance bem maior de evolução favorável”, salienta. 


Triplo negativo: mais estudos

Menção honrosa a duas outras pesquisas sobre o câncer de mama triplo negativo que recentemente foram publicadas por profissionais do A.C.Camargo:

- Real World Comparison Of The Impact Of Adjuvant Capecitabine In Women With High-Risk Triple-Negative (Comparação Do Impacto Do Uso de Capecitabina Adjuvante Em Mulheres Com Câncer de Mama Triplo Negativo de Alto Risco No Mundo Real)

Resumo publicado e pôster apresentado no último congresso da ESMO, ele trata do uso da capecitabina adjuvante, medicamento que é recomendado para pacientes com câncer de mama triplo negativo que tenham evoluído com resposta ruim à quimioterapia neoadjuvante. 

Os dados mostraram que há evidências de benefício clínico com a utilização desta droga no tratamento das pacientes, indicando que a terapia com capecitabina adjuvante, um quimioterápico oral, bem tolerado, altamente disponível e de custo baixo, deve ser levada em consideração como uma opção terapêutica para a melhoria da assistência de pacientes com CMTN, inclusive em sistemas públicos de saúde de países em desenvolvimento, como o Brasil.

Para ver o texto na íntegra (em inglês), clique aqui.

- Influence of BRCA1 Germline Mutations in the Somatic Mutational Burden of Triple-Negative Breast Cancer (Influência da Presença de Mutações Germinativas do Gene BRCA1 na Carga Mutacional Somática do Câncer de Mama Triplo Negativo)

A maioria dos cânceres de mama triplo negativos hereditários está associada a mutações germinativa do gene BRCA1. No entanto, é baixa a compreensão do papel da deficiência de BRCA1 no desenvolvimento do câncer de mama triplo-negativo. 

Neste estudo, os resultados demonstraram que, na ausência de mutação germinativa de BRCA1, é necessário um maior número de mutações somáticas para o surgimento do tumor e que os processos que originam o CMTN são diferentes em pacientes com tumores hereditários e esporádicos. 

Para ver o texto na íntegra (em inglês), clique aqui.

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