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A relação entre a mortalidade por Covid-19 e o câncer

Epidemiologista do A.C.Camargo apresenta dois estudos que consideram a relação entre as duas doenças em pacientes de São Paulo

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No terceiro dia do congresso Next Frontiers to Cure Cancer 2021, do A.C.Camargo Cancer Center, Gisele Aparecida Fernandes, epidemiologista do Grupo de Epidemiologia e Estatística da Instituição, abordou a relação entre mortalidade por Covid-19 e o câncer. Foram apresentados dois artigos de sua autoria publicados sobre o tema: 

Excess mortality by specific causes of deaths in the city of São Paulo, Brazil, during the COVID-19 pandemic

Differences in mortality of cancer patients with COVID-19 in a Brazilian cancer center

O primeiro artigo abordou o excesso de óbitos durante a pandemia de Covid-19 no ano de 2020, comparado ao ano de 2019 na cidade de São Paulo. Decorrente da letalidade da doença, o grande número de óbitos também reflete a sobrecarga dos serviços de saúde com a consequente pior evolução de pacientes com doenças crônicas, como o câncer. 

Segundo Gisele, “como há poucos estudos sobre o tema no Brasil, investigar o efeito da Covid-19 no aumento de mortalidade poderá elucidar o impacto desta doença nas causas de óbito, assim como conhecer o perfil de óbitos permitirá traçar estratégias de redução de mortalidade na população de risco”.

Após analisar dados populacionais e de mortalidade extraídos do DATASUS, o estudo concluiu que no município de São Paulo, o excesso de óbitos no primeiro semestre de 2020 foi de 24,99%. Desses, 94,4% tiveram como causa básica a Covid-19. Para ambos os sexos, houve aumento na mortalidade geral (30% para homens e 20% para mulheres). A mortalidade por Sars-Cov-2 foi o dobro para os homens em relação às mulheres.

“Com estes dados, podemos concluir que é provável que uma parte das mortes classificadas como Covid-19 também possa ter um diagnóstico de câncer e doenças cardiovasculares listado no atestado de óbito, e isso pode ser responsável pela aparente diminuição da mortalidade por câncer, por exemplo”, explica Gisele.

Por isso, é importante que pessoas com comorbidades associadas ao risco de morte pela novo coronavírus busquem ações preventivas e adequações contínuas no tratamento, já que as incertezas sobre a Covid-19 permanecem.

Estudo com pacientes do A.C.Camargo

O estudo Differences in mortality of cancer patients with COVID-19 in a Brazilian cancer center considerou dados apenas de pacientes do A.C.Camargo, a fim de contribuir para delinear o perfil do paciente brasileiro em um dos maiores centros de tratamento do país e, assim, fundamentar políticas de saúde adaptadas à realidade brasileira.

O estudo considerou 411 pacientes com em tratamento oncológico e com Covid-19 e apresentou uma taxa de letalidade de 12,4%. Não houve diferença da mortalidade em relação ao sexo ou tipo de seguro e na sobrevida global dos pacientes.

“Concluímos que os pacientes com câncer não são afetados igualmente pelo novo coronavírus. É preciso realizar mais estudos detalhados para compreender o mecanismo da Covid-19 na mortalidade de pacientes oncológicos, a fim de desenhar estratégias diferenciadas que poderão ajudar a reduzir as chances de morte e não haver interrupção dos tratamentos”, finaliza Gisele.
 

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