Nível de conhecimento e prevenção ao câncer de próstata cai em dois anos no Brasil, aponta pesquisa A.C.Camargo/Nexus
Levantamento mostra que percentual de homens que fazem ou pretendem fazer o exame de toque recuou de 61% para 48%; parcela dos que dizem não saber como reduzir o risco da doença subiu 12 pontos percentuais
Mais da metade (56%) dos homens, em 2026, afirmam que não sabem como prevenir o câncer de próstata. O número, já preocupante por si só, chama ainda mais atenção quando comparado com os dados coletados em 2024, quando 44% responderam a mesma coisa. O levantamento mostra que, em dois anos, o desconhecimento dos homens brasileiros sobre a prevenção do câncer de próstata cresceu 12 pontos percentuais.
Os dados fazem parte da pesquisa A saúde do brasileiro, hábitos de vida e o uso de tecnologia em diagnósticos médicos, realizada pelo A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus, Pesquisa e Inteligência de Dados, que ouviu 977 homens, dentro da amostra total de 2.015 pessoas em todo o país.
De 2024 para 2026, a parcela dos homens que dizem saber como prevenir a doença praticamente não se moveu: foi de 36% para 35%, variação dentro da margem de erro. A mudança está no restante das respostas. Quem dizia saber "mais ou menos" passou de 17% para 8%, enquanto quem afirma não saber subiu de 44% para 56%. Ou seja, a dúvida parcial deu lugar à declaração aberta de desconhecimento.
Desconhecimento sobre a prevenção do câncer de próstata é maior entre os jovens
A pesquisa deste ano mostra que o desconhecimento é ainda maior entre os mais jovens: 71% dos homens de 16 a 24 anos não sabem como se previne o câncer de próstata, percentual que diminui conforme a idade avança e atinge 45% dos homens com 60 anos ou mais.
O desconhecimento também é maior no interior (58%) e recua com a escolaridade: são 59% entre os homens com ensino fundamental e 47% entre os que chegaram ao ensino superior. O Sudeste é a única região em que a fatia dos que dizem saber como prevenir (46%) se iguala à dos que dizem não saber (46%). Em todas as demais, o desconhecimento fica ao menos 15 pontos percentuais acima do registrado no Sudeste: 61% no Sul, 62% no Nordeste e 65% no Norte e Centro-Oeste. Como a pesquisa não mede as causas, a leitura é interpretativa, mas o padrão sugere que a informação sobre prevenção ainda se concentra no principal centro econômico e cultural do país.
Exame de toque perde adesão entre 2024 e 2026
A pesquisa também registra recuo na intenção de fazer o exame de toque, recurso do diagnóstico precoce: de 61%, em 2024, para 48%, em 2026, enquanto quem não pretende fazer foi de 30% para 38%.
A adesão é maior entre os homens com mais de 60 anos (64%), com ensino superior (63%) e que usam a rede particular ou plano de saúde (58%, contra 45% no SUS). A recusa se concentra entre os de 16 a 24 anos (57%). Entre quem sabe prevenir, 65% fazem ou pretendem fazer o toque; entre quem não sabe, 41%.
Prevenção e diagnóstico precoce do câncer de próstata: o que diz o especialista
Para o Dr. Stênio Zequi, líder do Centro de Referência em Tumores Urológicos do A.C.Camargo Cancer Center, cabe às instituições e ao sistema de saúde levar informação a quem está distante dela. "A ressonância magnética é mais acurada, mas é cara e não está disponível em muitas regiões. Por isso, o exame de toque isolado, apesar de menos efetivo, segue importante", afirma.
O médico recomenda combinar o toque ao exame de sangue PSA e à história clínica e familiar. Quem tem antecedente na família ou é afrodescendente deve iniciar as consultas entre 40 e 45 anos, e os demais, por volta dos 50.
"O câncer de próstata se inicia na juventude e leva de duas a quatro décadas para se estabelecer nos homens mais velhos. A prevenção não é dirigida apenas para a próstata, mas sim para o 'dono da próstata' como um todo", completa Zequi.
Novembro Azul e o câncer de próstata no Brasil
O Novembro Azul é um mês dedicado à conscientização sobre a saúde do homem, com destaque para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de próstata, o tipo de câncer mais incidente entre os homens no Brasil (excluindo os tumores de pele não melanoma), segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), e que representa 30,5% de todos os casos de câncer diagnosticados no sexo masculino.
A estimativa do INCA para o triênio de 2026 a 2028 é de 77.920 novos casos de câncer de próstata por ano no país.
Os números do Novembro Azul na pesquisa do A.C.Camargo e da Nexus
Base: em 2026, 977 homens foram entrevistados, dentro da amostra total de 2.015 pessoas. Comparativo com a pesquisa semelhante de 2024 onde indicado.
- Prevenção: 35% dizem saber como prevenir o câncer de próstata, 8% sabem mais ou menos e 56% não sabem. Em 2024, eram 36%, 17% e 44%.
- Exame de toque: 48% fazem ou pretendem fazer e 38% não pretendem. Em 2024, eram 61% e 30%.
- Idade: 71% dos homens de 16 a 24 anos não sabem como prevenir a doença, contra 45% dos homens com 60 anos ou mais.
- Região: não sabem como prevenir 46% no Sudeste, 61% no Sul, 62% no Nordeste e 65% no Norte e Centro-Oeste. No interior, são 58%.
- Escolaridade: não sabem como prevenir 59% dos homens com ensino fundamental e 47% dos que chegaram ao ensino superior.
- Adesão ao toque: 64% entre os homens com mais de 60 anos, 63% entre os que têm ensino superior, 58% na rede particular ou plano de saúde e 45% no SUS. Entre quem sabe prevenir, 65%; entre quem não sabe, 41%.
Metodologia: a Nexus, Pesquisa e Inteligência de Dados, entrevistou, face a face, 2.015 cidadãos com idade a partir de 16 anos, nas 27 Unidades da Federação (UFs). A amostra foi controlada a partir de quotas de sexo, idade, PEA, região e condição do município. A margem de erro no total da amostra é de 2 p.p., com intervalo de confiança de 95%. Após a coleta, foi aplicado um fator de ponderação para corrigir eventuais distorções em relação ao plano amostral; devido ao arredondamento, a soma dos percentuais pode variar de 99% a 101%. A etapa de campo ocorreu entre os dias 25 e 30 de junho de 2026. Estatístico responsável: Neale El-Dash, Conre 8656-A.
Cuidado com a saúde do homem no A.C.Camargo
O acompanhamento médico regular é o caminho para identificar alterações na próstata cedo, quando as chances de um tratamento bem-sucedido são maiores. Para agendar uma avaliação com um especialista, acesse Encontre seu médico.
A mesma pesquisa também trouxe dados sobre a prevenção do câncer de mama e sobre os sintomas e o rastreamento do câncer colorretal.
A prevenção envolve hábitos de vida saudáveis e o acompanhamento médico regular, que permite o diagnóstico precoce. Por isso, a recomendação é cuidar da saúde do homem como um todo, e não só da próstata.
A prevenção busca reduzir o risco de a doença surgir, enquanto o diagnóstico precoce identifica o tumor no início. Entenda melhor a diferença entre prevenção primária e prevenção secundária.
Sim. A ressonância magnética da próstata é mais precisa, mas não está disponível em muitas regiões. Por isso, o toque segue importante, combinado ao exame de PSA e à história clínica e familiar.
Por volta dos 50 anos. Homens com casos da doença na família ou afrodescendentes devem começar entre 40 e 45 anos. Veja também os exames indicados para o homem aos 30, 40 e 50 anos.
Que 56% dos homens não sabem como prevenir o câncer de próstata, contra 44% em 2024, e que a intenção de fazer o exame de toque caiu de 61% para 48% no mesmo período.
Foram 977 homens, dentro da amostra total de 2.015 pessoas entrevistadas face a face nas 27 Unidades da Federação, entre 25 e 30 de junho de 2026.
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