Avanços em imunoterapia perioperatória para câncer gástrico: os dados do ESMO 2025
Avanços em imunoterapia perioperatória para câncer gástrico: os dados do ESMO 2025
Os resultados apresentados no congresso ESMO 2025 reforçaram o potencial da imunoterapia perioperatória no câncer gástrico, com destaque para o estudo MATTERHORN e a combinação de durvalumabe com quimioterapia.
O tratamento do câncer de estômago vive um momento de transformação. Durante muitos anos, a cirurgia associada à quimioterapia foi o único caminho para os tumores localizados e operáveis. Agora, a imunoterapia, que já havia mostrado benefício na doença avançada, começa a demonstrar valor também nas fases mais precoces, aplicada antes e depois da cirurgia. Os dados divulgados no congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO) em 2025 deram peso a essa mudança.
Este conteúdo explica, em linguagem acessível, o que significa a imunoterapia perioperatória no câncer gástrico, o que mostrou o estudo MATTERHORN e por que essa discussão importa para o futuro do tratamento da doença.
O que é câncer gástrico
O câncer gástrico, ou câncer de estômago, ocorre quando células do órgão passam a se multiplicar de forma desordenada, formando um tumor. O tipo mais comum é o adenocarcinoma, que se origina nas células que revestem a parede interna do estômago.
Um dos grandes desafios da doença é que os sintomas iniciais costumam ser inespecíficos e facilmente confundidos com problemas digestivos comuns. Como aborda o conteúdo do A.C.Camargo sobre sintomas iniciais do câncer de estômago, queixas como dor abdominal, sensação de empachamento, perda de apetite e emagrecimento podem passar despercebidas, o que contribui para o diagnóstico tardio.
Por isso, ficar atento aos sinais da saúde digestiva e procurar avaliação diante de sintomas persistentes são atitudes importantes para o diagnóstico em fases mais tratáveis.
O que significa imunoterapia perioperatória
Para entender os avanços recentes, é útil esclarecer alguns conceitos. O tratamento perioperatório é aquele administrado ao redor da cirurgia, combinando uma fase antes do procedimento, chamada neoadjuvante, e uma fase depois, chamada adjuvante. O objetivo é duplo: reduzir o tumor para facilitar a remoção completa e, em seguida, eliminar células residuais que possam restar após a operação.
No câncer gástrico, a quimioterapia perioperatória já é um padrão consolidado, frequentemente com o esquema conhecido como FLOT, que combina os medicamentos fluorouracil, leucovorina, oxaliplatina e docetaxel. A novidade investigada nos estudos recentes é a adição da imunoterapia a essa base de quimioterapia.
Como a imunoterapia atua
Diferentemente da quimioterapia, que age diretamente sobre as células em divisão, a imunoterapia estimula o próprio sistema imune do paciente a reconhecer e atacar o tumor. Os medicamentos mais usados nesse contexto são os inibidores de checkpoint imunológico, anticorpos que liberam as defesas naturais do organismo para combater as células cancerígenas.
O A.C.Camargo Cancer Center reúne um conteúdo detalhado sobre imunoterapia no tratamento do câncer, que ajuda a compreender como esse tipo de terapia se diferencia das demais e em quais situações é indicado.
O estudo MATTERHORN e os dados do ESMO 2025
O grande destaque sobre o tema no congresso ESMO 2025 foi a apresentação dos resultados finais do estudo MATTERHORN. Trata-se de um ensaio clínico de fase 3, internacional, que avaliou a adição do durvalumabe, um inibidor de checkpoint, ao esquema de quimioterapia FLOT no tratamento perioperatório de pacientes com adenocarcinoma gástrico ou da junção esofagogástrica ressecável.
O desenho do estudo
O MATTERHORN incluiu um total de 948 pacientes, divididos entre um grupo que recebeu durvalumabe associado ao FLOT e outro que recebeu placebo associado ao FLOT. O acompanhamento mediu, entre outros desfechos, a sobrevida livre de eventos, que indica o tempo sem recidiva ou progressão da doença, e a sobrevida global.
Os principais resultados
Os dados mostraram que a adição do durvalumabe melhorou de forma significativa a sobrevida livre de eventos, com redução relevante do risco de recidiva ou progressão em comparação ao tratamento com quimioterapia associada a placebo. A combinação também apresentou resultados favoráveis de sobrevida global na análise final apresentada no ESMO 2025, reforçando o benefício observado ao longo do seguimento.
Em relação à segurança, os eventos adversos graves ocorreram em proporções semelhantes nos dois grupos, e a qualidade de vida relatada pelos pacientes foi comparável entre eles. Esse equilíbrio é importante, pois indica que o ganho terapêutico foi obtido sem um aumento expressivo da toxicidade.
O que isso representa
O conjunto de resultados levou pesquisadores a apontar a combinação de durvalumabe com FLOT como um potencial novo padrão de tratamento perioperatório para esses pacientes. É um exemplo claro da tendência de levar a imunoterapia, antes restrita aos casos avançados, para as fases iniciais da doença, quando há intenção de cura.

O contexto: outros estudos na mesma direção
O MATTERHORN não é um caso isolado. A pesquisa em câncer gástrico e nos tumores da junção esofagogástrica vem acumulando evidências sobre o papel da imunoterapia em diferentes momentos do tratamento.
Estudos anteriores avaliaram outros inibidores de checkpoint no cenário perioperatório, com resultados que ajudaram a refinar o entendimento sobre quais pacientes mais se beneficiam e em que combinações. Esse acúmulo de dados, somado aos achados em câncer de esôfago, como o estudo CheckMate 577, mostra um movimento consistente de incorporação da imunoterapia ao tratamento dos tumores do aparelho digestivo alto.
A ciência por trás dessas descobertas também avança em outras frentes. Pesquisas conduzidas em centros de referência investigam, por exemplo, como o próprio organismo do paciente pode oferecer informações úteis para o tratamento, tema de estudos como o que analisou o suco gástrico de pacientes com câncer de estômago.
O que esses avanços significam para o paciente
É fundamental contextualizar os resultados. A confirmação de benefício em um estudo de fase 3 representa um passo importante, mas a indicação da imunoterapia perioperatória depende de fatores individuais, como o tipo e o estágio do tumor, as características moleculares da doença e as condições de saúde do paciente.
Além disso, a incorporação de novos tratamentos à prática clínica envolve etapas regulatórias e de avaliação. O que os dados do ESMO 2025 reforçam é a expansão das possibilidades terapêuticas e a perspectiva de melhores desfechos para grupos específicos de pacientes com câncer gástrico operável.
O acompanhamento especializado segue sendo decisivo. A imunoterapia tem perfil de efeitos colaterais próprio, ligado à ativação do sistema imune, que exige monitoramento atento por uma equipe experiente.
Como é feito o diagnóstico do câncer gástrico
O reconhecimento dos sintomas é apenas o primeiro passo. A confirmação do câncer gástrico depende de exames específicos, e o principal deles é a endoscopia digestiva alta. Esse procedimento permite visualizar o interior do estômago e coletar amostras de tecido para análise, etapa que define o diagnóstico. Para entender como o exame funciona, vale conhecer o conteúdo sobre endoscopia.
Confirmado o diagnóstico, exames de imagem complementares ajudam a definir o estágio da doença, ou seja, se o tumor está restrito ao estômago ou se há comprometimento de outras estruturas. O estadiamento é decisivo para a escolha do tratamento, pois é ele que indica se o caso é candidato à cirurgia e, portanto, ao tratamento perioperatório que combina quimioterapia e, em situações específicas, imunoterapia.
Esse encadeamento entre diagnóstico preciso, estadiamento cuidadoso e definição terapêutica reforça por que o tempo entre o surgimento dos sintomas e a investigação faz tanta diferença no resultado final.

A importância do tratamento em centro especializado
O câncer gástrico exige uma abordagem coordenada entre cirurgia, oncologia clínica e cuidados de suporte. A entrada da imunoterapia no tratamento perioperatório torna esse cuidado ainda mais complexo e reforça o valor de um centro com experiência em tumores do aparelho digestivo alto.
No A.C.Camargo Cancer Center, o paciente com câncer de estômago conta com uma equipe multidisciplinar dedicada e com acesso às evidências mais recentes, aplicadas de forma individualizada a cada caso, sempre com o objetivo de oferecer o melhor desfecho possível.
É o uso de medicamentos de imunoterapia associados à quimioterapia ao redor da cirurgia, ou seja, antes e depois do procedimento. O objetivo é reduzir o tumor, facilitar a remoção completa e diminuir o risco de recidiva.
O MATTERHORN avaliou a adição do durvalumabe ao esquema de quimioterapia FLOT em pacientes com câncer gástrico ressecável. Os dados apresentados mostraram melhora significativa da sobrevida livre de eventos e resultados favoráveis de sobrevida global, com perfil de segurança semelhante ao da quimioterapia isolada.
FLOT é um esquema de quimioterapia perioperatória amplamente utilizado no câncer gástrico, composto pelos medicamentos fluorouracil, leucovorina, oxaliplatina e docetaxel. Nos estudos recentes, a imunoterapia foi adicionada a essa base.
Não. A indicação depende de fatores individuais, como tipo, estágio e características moleculares do tumor, além das condições de saúde do paciente. A incorporação de novos tratamentos também passa por etapas de avaliação e regulação.
Não. A cirurgia continua sendo central no tratamento dos tumores gástricos operáveis. A imunoterapia, quando indicada, é usada como complemento à cirurgia e à quimioterapia, e não como substituta.
Dor abdominal persistente, sensação de empachamento, perda de apetite, emagrecimento sem causa aparente, náuseas e dificuldade para digerir são sinais que merecem investigação, sobretudo quando duram mais de algumas semanas.