Tumor de tireoide pode ter origem na metástase de outros órgãos

Publicado em: 24/05/2019 - 09:05:40
Tratamento
Pesquisa
Epidemiologia
Tumores de Cabeça e Pescoço

Análise evidencia a importância do conhecimento dos aspectos morfológicos dos pacientes para identificar a origem da doença, cujo dia é lembrado em 25 de maio

O Dia Internacional da Tireoide, em 25 de maio, é mais uma ocasião para lembrar que o câncer nessa glândula teve 9610 novos casos no Brasil em 2018, segundo projeção do Instituto Nacional de Câncer (Inca). E são raras as metástases oriundas de outros órgãos para a tireoide, que, normalmente, é o local primário da doença. Por ser algo incomum, patologistas geralmente nem desconfiam, mas o que parece ser um tumor primário de tireoide pode, sim, ser uma metástase de outros tumores – dos rins, da mama ou um melanoma, para citar alguns. 

Um estudo realizado no A.C.Camargo Cancer Center pelos doutores Ricardo Pastorello e Mauro Saieg, da citopatologia, mostrou que a ampla experiência da Instituição em casos simples e complexos permite diagnosticar com mais precisão se o tumor é metastático ou primário. Assim, claro, é possível definir o tratamento mais adequado para o paciente e evitar, por exemplo, cirurgias desnecessárias.

“Resolvemos publicar nossa experiência como cancer center, porque temos contato com um grande número dos casos mais diversos e incomuns”, diz o doutor Mauro Saieg, em referência ao estudo veiculado na revista científica Archive of Pathology and Laboratory Medicine, uma pesquisa intitulada Metastases to the Thyroid: Potential Cytologic Mimics of Primary Thyroid Neoplasm (Metástases para a Tireoide: Potenciais Imitadores Citológicos da Neoplasia Tireoidiana Primária).

Como distinguir

A pesquisa traz exemplos que comprovam que as características das células permitem avaliar qual seria o órgão de origem da metástase. O diagnóstico vem de uma fundamental biópsia, aquela por aspiração com agulha fina (PAAF). As malignidades metastáticas, no entanto, podem causar potenciais dilemas diagnósticos, confundindo quem avalia. Neste cenário, uma correlação imediata com o histórico clínico do paciente é crucial para que o patologista esteja ciente das principais características citológicas associadas.

“Selecionamos casos de tumores primários de rins, mama, melanoma e até um de sarcoma, mais raro ainda, para dar algumas dicas a patologistas de como reconhecer essas metástases durante a biópsia”, explica o doutor Mauro. Além disso, o fato de estarmos em um cancer center facilita: o paciente está no centro do cuidado e conta com toda a expertise de uma equipe multiprofissional que atua conjuntamente. 

“A proximidade com o setor de imagem permite coletar material para exames na hora, in loco, otimizando o diagnóstico por meio de uma técnica minimamente invasiva”, finaliza o especialista. 

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