Pesquisa avalia quais pacientes de câncer de colo do útero podem se beneficiar de cirurgia menos radical

Publicado em: 13/02/2017 - 22:02:00

Estudo liderado pelo nosso Diretor do Departamento de Ginecologia, Dr. Glauco Baiocchi Neto, foi escolhido como editorial principal da edição da Gynecologic Oncology, o primeiro do gênero realizado em país em desenvolvimento.

O objetivo era identificar quais pacientes com câncer de colo de útero poderiam dispensar a parametrectomia, ou seja, a retirada do paramétrio, o tecido que sustenta o útero na bacia.

O tratamento-padrão hoje envolve a histerectomia radical, a retirada do útero, do colo do útero, da parte superior da vagina, dos linfonodos, inclusive para análise, e do paramétrio, que fica ao lado do colo do útero, explica Dr. Glauco.

De acordo com ele, a remoção do paramétrio, o primeiro tecido para onde o câncer pode se infiltrar, é feita para ter uma margem de segurança. Trabalhos recentes, porém, têm questionado o uso desse método em pacientes com câncer inicial. A cirurgia tem consequências para a qualidade de vida. O ureter, que conecta os rins à bexiga, passa por ali e precisa ser separado para remoção do paramétrio. A área também contém nervos que vão para a bexiga e o reto, o que pode causar retenção de urina ou urgência para urinar, além de perda de lubrificação vaginal e alterações no funcionamento do intestino, diz o especialista. Segundo ele, as opções são ou uma cirurgia preservadora de nervos ou não remover o paramétrio.

O estudo envolveu 345 pacientes, operadas entre janeiro de 1990 e outubro de 2016, e mostrou que as mulheres com tumores de até 2 cm, sem comprometimento dos gânglios linfáticos e sem invasão vascular linfática, uma característica determinada por análise microscópica, têm risco praticamente zero de comprometimento do paramétrio pelo tumor.

Isso representa quase 30% das mulheres pesquisadas e significa, no futuro, uma cirurgia bem mais simples e mais qualidade de vida, afirma o Dr. Glauco.

De acordo com o oncologista, ainda é muito cedo para oferecer às pacientes essa opção, mas o editorial da Gynecologic Oncology afirma que há vários estudos em andamento e que é apenas uma questão de tempo para que se tenha um novo paradigma no tratamento cirúrgico do câncer de colo de útero em estágios iniciais.

 

Avaliação de conteúdo

Você gostaria de avaliar esse conteúdo?
Esse conteúdo foi útil?
Gostaria de comentar algo sobre esse conteúdo?
Ao continuar você confirma ter ciência de nossa Política de Privacidade e dos respectivos Avisos de Privacidade e Proteção de Dados presentes em nosso Portal de Privacidade.
CAPTCHA
Esta pergunta é para testar se você é humano e para evitar envios de spam

Veja também

A bebida alcoólica eleva o risco de um câncer de boca?
A bebida alcoólica pode ser, sim, um fator de risco para o desenvolvimento de um câncer. Essa associação ocorre não apenas para um tumor de cabeça e pescoço, como boca, faringe e laringe. O álcool também pode implicar problemas no esôfago, mama e intestino grosso...
Pesquisa aponta aumento da incidência de câncer de orofaringe associado a infecção por vírus HPV
Neste Julho Verde, mês de conscientização sobre o combate aos tumores de cabeça e pescoço, conheça este estudo feito na cidade de São Paulo, que analisou mais de 15 mil casos de câncer de boca e orofaringe O papilomavírus humano (HPV) é um vírus que...
Podcast Rádio Cancer Center #18 - Julho Verde: sinais e sintomas do câncer de tireoide
Julho Verde: você já ouviu falar dessa campanha? Ela é a bandeira do mês de conscientização mundial sobre o combate aos tumores de cabeça e pescoço. O câncer de tireoide é um dos mais comuns: as projeções do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que...
Podcast Rádio Cancer Center #17 - Câncer de pele: atenção aos sinais e sintomas
Uma conversa para aprender a reconhecer os alertas que pedem uma consulta médica Câncer de pele: o Instituto Nacional de Câncer (Inca) classifica o tumor cutâneo não melanoma como o mais frequente no Brasil, correspondendo a cerca de 30% de todos os cânceres malignos registrados...
Podcast Rádio Cancer Center #16 - Os sinais e sintomas do câncer de mama
Câncer de mama: o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 66.280 novos casos para cada ano do triênio 2020-2022. Assim, é vital que as pessoas se atentem a sinais e sintomas e, ao notá-los, procurem ajuda médica. Com a palavra, o Doutor Renato Cagnacci Neto...