O A.C.Camargo no contexto da produção científica internacional em oncologia
Primeiro consenso internacional sobre o manejo do leiomiossarcoma é publicado na revista científica JAMA Oncology, uma das mais prestigiadas da área, e médico do A.C.Camargo é o primeiro autor do documento
O A.C.Camargo Cancer Center participa de mais um marco da pesquisa em oncologia. Em setembro de 2026, a revista científica JAMA Oncology publicou o primeiro consenso internacional dedicado especificamente ao diagnóstico e ao tratamento dos leiomiossarcomas, um grupo de tumores raros que está entre os tipos mais frequentes de sarcoma de partes moles em adultos.
O primeiro autor do trabalho é o Dr. Fernando Augusto Batista Campos, oncologista clínico e vice-líder do Centro de Referência em Sarcomas e Tumores Ósseos do A.C.Camargo. Ele é o único brasileiro e o único latino-americano entre os autores do documento, que reúne especialistas de centros de referência dos Estados Unidos, Canadá, Itália, Alemanha, Reino Unido, Austrália, Espanha, Belgica, Holanda, India e Taiwan.
Ter um brasileiro como primeiro autor de um consenso internacional é um feito pouco comum na oncologia e reforça a presença do A.C.Camargo entre as instituições que ajudam a definir os rumos do cuidado com o câncer no mundo.
O que é o leiomiossarcoma
O leiomiossarcoma é um tumor maligno que se origina em células com características de músculo liso, o tipo de musculatura presente em órgãos como o útero, o estômago e as paredes dos vasos sanguíneos. Ele faz parte do grupo dos sarcomas, cânceres que surgem nos tecidos de sustentação do corpo, e responde por 10% a 20% dos sarcomas de partes moles.
Os locais mais comuns de aparecimento são o útero, o retroperitônio (região no fundo do abdome, atrás dos órgãos abdominais) e os braços e pernas. Por ser raro e se comportar de formas diferentes conforme o local de origem, o leiomiossarcoma é considerado um tumor heterogêneo, o que torna o diagnóstico e as decisões de tratamento mais complexos.
Como foi construído o consenso internacional sobre leiomiossarcoma
O documento, publicado com o título "Management of Soft Tissue and Visceral Leiomyosarcomas", foi elaborado pelo Leiomyosarcoma Global Consensus Group, uma colaboração global que reuniu oncologistas clínicos, cirurgiões, radio-oncologistas, patologistas e pesquisadores, com 31 autores.
O trabalho também contou com a participação de representantes de pacientes, da National Leiomyosarcoma Foundation e da Sarcoma Patient Advocacy Global Network, que acompanharam todas as etapas, da reunião presencial à revisão final do texto.
O processo seguiu algumas etapas:
- Revisão das evidências: os grupos de trabalho analisaram estudos clínicos, estudos observacionais e diretrizes internacionais publicados sobre o tema.
- Reunião presencial: as recomendações preliminares foram debatidas durante dois dias em Berlim, na Alemanha, em outubro de 2025.
- Acordo unânime: cada recomendação só foi aprovada com a concordância de todos os participantes; os pontos sem consenso aparecem identificados no documento.
- Revisões sucessivas: o texto passou por várias rodadas de ajustes entre os autores antes da publicação.
Principais pontos do consenso sobre leiomiossarcoma
O consenso não apresenta um tratamento novo. O seu papel é organizar e harmonizar o cuidado com base nas melhores evidências disponíveis, reduzindo diferenças na forma como a doença é conduzida em diferentes centros. Entre os principais destaques estão:
- Uma doença, várias apresentações: o leiomiossarcoma não deve ser tratado como uma doença única. Local de origem, extensão do tumor, possibilidade de cirurgia e contexto clínico de cada paciente precisam ser considerados nas decisões.
- Avaliação em centro especializado: o encaminhamento precoce para um centro de referência em sarcomas, com biópsia planejada, revisão por patologista experiente e discussão do caso por uma equipe multidisciplinar, é considerado essencial.
- Cirurgia na doença localizada: quando o tumor está restrito ao local de origem, a remoção cirúrgica completa continua sendo a principal estratégia com intenção curativa.
- Quimioterapia e radioterapia caso a caso: ainda faltam evidências para indicar quimioterapia antes ou depois da cirurgia para todos os pacientes, e o papel da radioterapia varia conforme a localização do tumor.
- Doença avançada: diferentes tratamentos sistêmicos têm atividade comprovada, mas a melhor sequência entre eles ainda não está definida. Em casos selecionados, com poucas metástases, tratamentos locais podem ser considerados pela equipe multidisciplinar.
- Perfil molecular: os avanços no entendimento das características genéticas do tumor são reconhecidos, mas esse perfil ainda não deve ser usado de rotina para definir o tratamento.
- Seguimento estruturado: o documento propõe uma forma organizada de acompanhar os pacientes depois do tratamento.
O que o consenso representa para os pacientes
Para quem convive com o leiomiossarcoma, o consenso traz uma referência internacional que reúne recomendações para todas as etapas do cuidado, do diagnóstico ao acompanhamento após o tratamento.
O documento também dá espaço a temas apontados pelos próprios pacientes, como acesso ao diagnóstico, comunicação com a equipe, qualidade de vida, participação em estudos clínicos e barreiras financeiras para o tratamento.
Outro ponto importante é a transparência sobre o que ainda não se sabe. Ao apontar as lacunas de conhecimento, o consenso orienta as próximas pesquisas e os futuros estudos clínicos internacionais, com o objetivo de melhorar os resultados para os pacientes. Cada caso, no entanto, deve ser avaliado individualmente pelo médico responsável.
A pesquisa científica no A.C.Camargo
A participação no consenso reflete a vocação do A.C.Camargo para unir assistência, ensino e pesquisa científica. Como cancer center, a instituição integra o atendimento ao paciente à produção de conhecimento, com médicos que atuam no cuidado diário e também na construção de diretrizes usadas por especialistas de todo o mundo.
O Centro de Referência em Sarcomas e Tumores Ósseos organiza o atendimento de acordo com o tipo de tumor, com uma equipe multidisciplinar que reúne oncologistas clínicos, cirurgiões, ortopedistas, radio-oncologistas e especialistas em cuidados paliativos, entre outros profissionais. Essa estrutura é especialmente importante em doenças raras como o leiomiossarcoma, em que a experiência acumulada faz diferença em cada decisão.
Os trabalhos produzidos pelos pesquisadores da instituição podem ser consultados na página de publicações científicas do A.C.Camargo.
Atendimento especializado em sarcomas
Pacientes com diagnóstico ou suspeita de sarcoma podem contar com a equipe do Centro de Referência em Sarcomas e Tumores Ósseos do A.C.Camargo. Conheça o perfil do Dr. Fernando Augusto Batista Campos e dos demais especialistas na página Encontre seu médico.
Perguntas frequentes sobre leiomiossarcoma
É um tipo raro de câncer que se origina em células de músculo liso, presentes em órgãos como o útero e nas paredes dos vasos sanguíneos. Faz parte do grupo dos sarcomas de partes moles.
Os locais mais comuns são o útero, o retroperitônio e os braços e pernas. O tumor também pode surgir em outras regiões do corpo, inclusive nos ossos.
É o primeiro documento internacional dedicado ao diagnóstico e ao tratamento da doença. Foi publicado na JAMA Oncology por especialistas de diversos países e representantes de pacientes.
Não traz um tratamento novo. Ele organiza as recomendações com base nas melhores evidências disponíveis e ajuda a reduzir diferenças no cuidado entre os centros.
Depende do local, da extensão do tumor e do quadro de cada paciente. Na doença localizada, a cirurgia completa é a principal estratégia com intenção curativa, sempre definida pela equipe médica.
O Dr. Fernando Campos, do Centro de Referência em Sarcomas e Tumores Ósseos, é o primeiro autor do documento e o único brasileiro e latino-americano entre os autores.