Julho Verde: a importância da vacina contra HPV para evitar o câncer de cabeça e pescoço

Publicado em: 25/07/2019 - 15:07:06

Vírus é responsável por 75% dos casos de câncer de amígdala e 32% dos de boca; apenas 22% dos meninos estão imunizados 


Atualmente, homens cada vez mais jovens e sem os fatores de risco clássicos – tabagismo e consumo excessivo de bebida alcoólica – são acometidos por tumores de boca e amígdala. O motivo é o mesmo que alarmou as mulheres no início dos anos 2000: o papilomavírus humano (HPV). Cerca de 75% dos casos de câncer de amígdala e 32% dos de boca estão relacionados ao vírus em homens entre 30 e 45 anos, conforme levantamento do A.C.Camargo Cancer Center.

Para fazer frente ao problema, existe uma arma eficaz e segura: a vacina, que deve ser tomada quando ainda se é jovem, é capaz de proteger a população contra a maioria das infecções. Contudo, apesar de distribuída inclusive pela rede pública desde 2017, apenas 22% dos meninos no Brasil estão devidamente imunizados, segundo o Ministério da Saúde. 

O número preocupa os oncologistas e motivou uma das pautas do A.C.Camargo durante o Julho Verde, definido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como o mês de conscientização e prevenção do câncer de cabeça e pescoço.

 

400 mil casos/ano pelo mundo

Desde os anos 2000 já é usual, tanto na rede pública quanto na privada, a vacinação de meninas contra HPV. Isso porque as cepas do vírus são causadoras de quase todos os casos de câncer de colo de útero. Contudo, o HPV tem a característica de se instalar em tecidos epiteliais e mucosas. Ou seja, não está presente apenas no colo uterino. 

Hoje, é notório que o HPV é o responsável por 90% dos tumores de ânus e por cerca de metade dos de pênis, além dos casos de câncer de cabeça e pescoço, diretamente relacionados com sexo oral sem proteção. Vale ressaltar que os cânceres de boca e amígdala, juntos, são o 6º tipo de câncer no mundo, com 400 mil casos ao ano e 230 mil mortes. 

O head do Departamento de Cabeça e Pescoço do A.C.Camargo, Luiz Paulo Kowalski afirma que “estimular a vacinação nos meninos significa contribuir para um programa racional e humano de saúde pública”. O cirurgião explica: “não apenas estaremos poupando recursos como salvando milhares de vidas todos os anos.”

 

Confiança na vacina 

Alguns relatos de doenças autoimunes, vasculares e neurológicas deliberadamente deflagrados na internet após a vacinação de meninas criaram alarde na população, o que diminuiu a adesão de pacientes de ambos os sexos. Especialistas, no entanto, advertem que tais conclusões estão equivocadas. 

Segundo Helena Sato, diretora de imunização da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, na primeira fase da campanha de imunização foram vacinados quase 100% do público-alvo. Portanto, as meninas que já teriam predisposição para desenvolver alguma doença — seja de origem reumatológica, neurológica ou de qualquer outra espécie — ficaram doentes independentemente da vacina. 

“A ideia de que a vacina poderia agilizar o surgimento de doenças, funcionar como gatilho, é falsa. Se fosse verdade, nós já teríamos identificado um aumento no número de jovens com doenças de tais espécies nessa faixa etária. E não é o que se observa”, diz Helena. 

Kowalski, do A.C.Camargo, reitera a importância de se desmistificar questões como essa. “A vacina é totalmente segura e aprovada pelo Conselho Consultivo Global sobre Segurança de Vacinas da OMS”, garante o especialista.

A vacina disponibilizada para os meninos é a quadrivalente, que já é oferecida desde 2014 pelo SUS para as meninas. Confere proteção contra quatro subtipos do HPV (6, 11, 16 e 18) e tem 98% de eficácia.

 

A partir dos 11 anos 

O Brasil foi o primeiro país da América do Sul e o sétimo do mundo (atrás apenas de Estados Unidos, Austrália, Áustria, Israel, Porto Rico e Panamá) a oferecer a vacina contra o HPV para meninos em programas nacionais de imunização. 

Em 2017, crianças de 11 anos começaram a ser vacinadas na rede pública. Conforme o Ministério da Saúde, a faixa etária deve ser ampliada, gradativamente até 2020, quando serão incluídos os meninos de 14 anos. 

 

Por que tão jovens?

A proposta da imunização em idades precoces, tanto em meninas como em meninos, faz sentido. Os especialistas pretendem isolar a população-alvo antes de terem contato com o vírus. 

A decisão de ampliar a vacinação para o sexo masculino está de acordo com as recomendações das Sociedades Brasileiras de Pediatria, Imunologia, Obstetrícia e Ginecologia, além de DST/AIDS e do mais importante órgão consultivo de imunização dos EUA (Advisory Committee on Imunization Practices).

 

Como funciona 

O esquema vacinal contra HPV para os meninos é de duas doses, com seis meses de intervalo entre elas. Para os portadores de HIV, a faixa etária vai de 9 a 26 anos e o esquema vacinal é de três doses (intervalo de zero, dois e seis meses).

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