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Dia do Cirurgião Oncológico: pioneirismo e técnica

 
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Dia do Cirurgião Oncológico: pioneirismo e técnica

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Esse profissional precisa de 11 anos de formação para acumular um entendimento global do tratamento do câncer e realizar procedimentos de alta complexidade

 

O Dia do Cirurgião Oncológico é celebrado em 17 de julho desde 2017. Trata-se de uma especialidade fundamental. Afinal, esse profissional não somente é preparado para conduzir cirurgias de alta complexidade, como no caso dos pacientes cujos tumores comprometem múltiplos órgãos. Ele também detém um entendimento global do tratamento oncológico.

“O cirurgião oncológico acumula um conhecimento mais amplo da técnica cirúrgica, assim pode realizá-la na medida certa, com práticas minimamente invasivas, poupadoras de órgãos”, explica Felipe Coimbra, head do Departamento de Tumores Abdominais do A.C.Camargo Cancer Center, médico que já ocupou a presidência da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica.

Cirurgião oncologista e diretor vice-presidente do A.C.Camargo, Ademar Lopes, que também já presidiu a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica, ressalta que a cirurgia oncológica vem evoluindo muito desde o final do século XIX, quando o americano William Stewart  Halsted idealizou uma cirurgia radical para o câncer de mama em que se removia toda a mama, os músculos peitorais e os linfonodos da axila, algo que trazia significativos transtornos estéticos, psíquicos e funcionais para as pacientes. 

“A cirurgia oncológica se tornou menos mutilante e mais social, nos últimos tempos. Temos que comemorar”, celebra o doutor Ademar Lopes. “Graças ao tratamento multidisciplinar, as cirurgias diminuíram de extensão e, em alguns casos, podem até não ser mais indicadas. As cirurgias preservadoras de órgãos trazem resultados muito gratificantes”, acrescenta Ademar. “Cerca de 80% dos pacientes com câncer precisam de cirurgia oncológica em alguma fase do tratamento”, salienta o especialista.

 

Pioneirismo 

Inaugurado em 23 de abril de 1953, o A.C.Camargo Cancer Center foi um precursor, pois nasceu com a finalidade não só de assistência, mas também de pesquisa e ensino. “A instituição formou mais de um terço dos cirurgiões oncologistas desse país e muitos deles estão em vários países da América Latina; alguns até na Europa e nos Estados Unidos”, afirma o doutor Ademar Lopes.

Já naquela época, o A.C.Camargo foi pioneiro ao realizar complexas cirurgias nos moldes do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, de Nova York. No começo dos anos 1970, o professor Fernando Gentil idealizou uma cirurgia conservadora para o tratamento do câncer de mama, que trouxe resistência de muita gente, mas garantiu resultados muito melhores que os atingidos com o padrão de operação radical da época. Hoje, a cirurgia conservadora da mama é padrão ouro.

Depois, em 1983, o doutor Ademar Lopes introduziu no Brasil uma cirurgia preservadora do braço para pacientes com tumores malignos do ombro, que anteriormente eram amputados. O mesmo aconteceu no ano de 1990, quando introduziu uma cirurgia para tumores da bacia, onde preservou-se o membro em pacientes que anteriormente eram amputados. Outro marco foi a cirurgia citorredutora e a quimioterapia hipertérmica para carcinomatose peritoneal, prática implementada em 2001.

Trabalho recentemente publicado no Lancet Oncology mostra que 75% dos pacientes com câncer estão recebendo, mundo afora, cirurgia oncológica inadequada, por falta de acesso ou por problemas técnicos. Assim sendo, esta é uma especialidade que precisa ser fortemente incrementada.

 

Ao menos 11 anos de estudos

Um cirurgião oncológico se submete a uma das formações mais longas entre todas as especialidades da medicina: são 11 anos, sendo seis de faculdade, dois de cirurgia geral e outros três anos de cirurgia oncológica. 

“Após aprender sobre a parte técnica detalhada das cirurgias, o profissional passa por três anos específicos em câncer. Neles, ele conhece conceitos como o do tratamento conjunto da quimioterapia e da radioterapia, ou seja, ele trilha um caminho até se tornar apto a adotar o tratamento adequado”, finaliza o doutor Felipe Coimbra.

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