Cuidados necessários com a alimentação do paciente pediátrico oncológico

Publicado em: 28/02/2015 - 21:02:00

Quando uma criança ou adolescente inicia o tratamento de câncer, pais e profissionais de saúde precisam zelar para que os impactos desse processo sejam os menores possíveis. Nesse universo de pacientes, a alimentação requer atenção redobrada. Afinal, uma dieta inadequada, sem a correta ingestão de todos os nutrientes, pode não só comprometer os resultados da terapia, como ter efeitos sobre o desenvolvimento de um organismo ainda em formação.

A nutricionista Graziela Parnoff Pereira Baladão, que atende diretamente pacientes de 0 a 18 anos no A.C.Camargo Cancer Center, informa que crianças e adolescentes, independentemente de estarem em tratamento oncológico ou não, devem seguir uma dieta condizente com o perfil de sua faixa etária. "Cada criança deve ter uma terapia nutricional individualizada. Precisamos levar em consideração as preferências alimentares e necessidades do paciente e, ao mesmo tempo, incorporar mais frutas, legumes e verduras às suas refeições. É um processo um pouco mais difícil, comparado aos adultos, mas plenamente possível", afirma.

Durante o tratamento químio ou radioterápico, não há restrição de alimentos para o paciente pediátrico, mas podem ocorrer quadros de náuseaenjoodiarreia. Uma dieta adequada auxilia no controle desses sintomas. As indicações variam conforme a reação do organismo.

"Para náusea e enjoo, por exemplo, recomenda-se aumentar o fracionamento da dieta entre seis e oito refeições, ingerir menor quantidade de alimentos por vez e evitar frituras e alimentos gordurosos", explica a nutricionista.

Em muitos casos, é necessário o uso de suplemento alimentar hipercalórico para suprir às necessidades do paciente. Quando isso não é possível, é preciso adaptar para dietas por via enteral ou até mesmo parenteral. Em qualquer situação, no entanto, é fundamental assegurar o bom estado nutricional do paciente e evitar a desnutrição, que pode aumentar o risco de efeitos colaterais e até mesmo de toxicidade do tratamento. 

Em alguns casos, a criança se nega terminantemente a ingerir um alimento prescrito na dieta, devido a sintomas como alteração no paladar e sequidão bucal. Trata-se de uma situação difícil, mas que pode ser revertida com a colaboração da família. 

"Os pais podem caprichar na apresentação do prato. Nas refeições maiores, como o almoço, é preciso combinar as cores no prato, tanto para assegurar uma boa aparência quanto para garantir a adequação nutricional", informa Graziela. "Por exemplo, ao combinarmos arroz, feijão e carne, conseguimos reunir cereais, leguminosas e proteínas. Para acrescentar fontes de vitaminas e minerais, podemos incorporar verduras e legumes. Para a sobremesa, o mais indicado é comer uma fruta", explica a profissional. Os líquidos devem ser consumidos após as refeições, dando preferência ao suco natural, por não conter açúcar nem conservantes.

Negociação

Durante as refeições no hospital, alguns pacientes sentem falta de uma alimentação caseira e, nesse momento, a colaboração da família mais uma vez tem grande importância. "Os pais sempre tentarão satisfazer a criança, que costuma preferir as receitas e temperos comumente utilizados pela família. Tentamos, então, um acordo, negociando com a criança possíveis adaptações", conta a especialista.

Outras preocupações recorrentes de pais e profissionais são o sobrepeso e a obesidade, problemas que podem surgir durante o período de tratamento oncológico. Por isso, estimular sempre bons hábitos alimentares e o equilíbrio nutricional é tão importante.

Para oferecer a melhor orientação sobre alimentação durante o tratamento oncológico, o A.C.Camargo realiza, bimestralmente, Oficinas de Culinária com dicas de receitas saudáveis para o público infantil. Durante as oficinas, pais e pacientes aprendem a preparar biscoitos, sanduíches e até milk-shakes nutritivos.

Graziela Parnoff Pereira Baladão - CRN 38984
Nutricionista do A.C.Camargo Cancer Center

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