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Cardiopatia carcinoide: descubra como funciona esta rara doença

Publicado em: 25/02/2021 - 14:02:58
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Complicação que pode surgir em pacientes com tumores neuroendócrinos, a CC tem potencial para uma utilização alta de recursos de saúde, como mostra um estudo liderado pelo A.C.Camargo; entenda como é feito o diagnóstico precoce e o tratamento 

A cardiopatia carcinoide (CC) é uma doença rara e única, que pode ocorrer em pacientes com tumores neuroendócrinos.

Como ela evolui para a insuficiência cardíaca, a CC é uma grande causadora de óbitos. 

Ela também pode estar associada à alta utilização de recursos de saúde, algo que inclusive motivou um estudo liderado pela head da Oncologia Clínica do A.C.Camargo, Dra. Rachel Riechelmann. 


Tumores neuroendócrinos e cardiopatia carcinoide: entenda a relação 

Um tumor neuroendócrino começa nas células do sistema neuroendócrino. 

Tais células têm características tanto de células endócrinas, que produzem hormônios, quanto de células nervosas. Estão presentes em quase todos os órgãos do corpo.

A cardiopatia carcinoide, porém, não é um câncer no coração, como você pode imaginar. É uma lesão nas válvulas cardíacas, geralmente do lado direito, a parte que recebe o sangue venoso vindo do corpo. 

Essa lesão é causada pelo excesso de substâncias que alguns tumores neuroendócrinos produzem e liberam na corrente sanguínea. Um exemplo dessas substâncias é a serotonina.

Quando a serotonina ou outra substância produzida pelos tumores neuroendócrinos vai para o coração, ela causa uma lesão no mesmo, a cardiopatia carcinoide.


Cardiopatia carcinoide: diagnóstico e tratamento

Um problema importante é que os pacientes com cardiopatia carcinoide podem apresentar sintomas apenas no final do processo da doença.

Uma forma de fazer o diagnóstico precoce, segundo as diretrizes internacionais, é a realização do ecocardiograma em pacientes com ácido 5-hidroxiindolacético (5-HIAA) urinário elevado.

Uma vez diagnosticada a cardiopatia carcinoide, a substituição cirúrgica da válvula é o único tratamento potencialmente curativo.


O estudo

O objetivo da equipe liderada pela Dra. Rachel Riechelmann foi comparar pacientes com e sem cardiopatia carcinoide em relação à utilização de recursos de saúde no A.C.Camargo e em outros seis grandes hospitais na América Latina.

Foram analisados 137 pacientes com tumores neuroendócrinos e ácido 5-hidroxiindolacético urinário elevado.


Resultados 

Um terço dos pacientes (45) apresentou cardiopatia carcinoide.

“Esses pacientes com tumores neuroendócrinos que desenvolvem cardiopatia carcinoide utilizam muito mais recursos de saúde, além de apresentarem maior chance de mortalidade do que aqueles que não desenvolvem”, explica a Dra. Rachel Riechelmann.

Ou seja, isso significa mais idas ao pronto atendimento, mais ecocardiogramas eletivos, mais internações e outros procedimentos.

Esses resultados ocorreram independentemente de outros fatores, como idade, doenças cardiovasculares comórbidas e sistemas de saúde.

“Portanto, é muito importante que pacientes com tumores neuroendócrinos recebam tratamentos adequados para evitar esta complicação”, conclui a Dra. Rachel.

O estudo foi publicado no ecancermedicalscience, periódico do European Institute of Oncology. Para conferir a íntegra (em inglês), clique aqui.
 

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