Câncer de pele: diagnóstico e tratamento da doença

Publicado em: 14/12/2016 - 22:12:00
Diagnóstico
Tratamento
Sinais e Sintomas
Tumores Cutâneos

No mês de conscientização sobre o câncer de pele, conversamos com um dos nossos especialistas do Departamento de Oncologia Cutânea, Dr. Eduard René Brechtbühl, para tirar dúvidas e entender mais sobre o diagnóstico e tratamento da doença.

 

Como reconhecer um câncer de pele? Quais os sintomas e como é feito o diagnóstico?

 

Qualquer lesão na pele que estiver crescendo, coçando, sangrando ou mudando de características em um período superior a 4 semanas é uma lesão que deve ser avaliada por um especialista.

Nesses casos, deve-se consultar um dermatologista, cirurgião plástico ou cirurgião oncológico, que por meio da anamnese* e exame físico consegue na maioria dos casos fazer o diagnóstico.

*Histórico que vai desde os sintomas iniciais até o momento da observação clínica, realizado com base nas lembranças do paciente. 

 

Quando diagnosticado, o paciente com câncer de pele precisa ter algum cuidado diferente quanto à exposição ao sol?

 

Sim e não. Tanto em pacientes diagnosticados quanto na população geral, a forma mais eficaz de controlar o principal fator causal (radiação ultravioleta) é a proteção solar. Para quem já teve câncer de pele, a proteção solar deve ser uma rotina, para evitar o aparecimento de novos tumores de pele.

principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de pele são os raios ultravioleta. A incidência destes é mais intensa das 10 h às 16 h, quando as medidas de fotoproteção devem ser intensificadas, principalmente em pessoas de olhos claros, pele clara, múltiplas sardas, que nunca se bronzeiam e sempre se queimam.

 

Quais os principais métodos de proteção solar e quando utilizá-los?

 

O filtro solar ainda é o mais utilizado. O fator de proteção solar 30, por exemplo, protege a pele 30 vezes mais dos efeitos dos raios UV do que sem ele. 

Um FPS 30 bloqueia 96,7% dos raios solares, enquanto o FPS 50 bloqueia 98%. O ganho é importante para quem é altamente suscetível ao câncer de pele, por exemplo, pacientes portadores de síndromes hereditárias (com outros casos de câncer de pele na família). Para o restante da população (diagnosticada ou não), o FPS 30 é suficiente no dia a dia, desde que adequadamente aplicado. 

Atenção: não se deve economizar ao aplicar o filtro solar. Ele deve ser aplicado 30 minutos antes da exposição e em quantidade adequada. Uma regra básica é utilizar a quantidade correspondente a aproximadamente 6 colheres de chá em cada aplicação.

As marcas dermatologicamente testadas devem possuir o mesmo padrão de proteção. A diferença está na cosmética e fabricação do produto (gel, fluido, creme, oil free, perfume) e a escolha entre os produtos dependerá do tipo de pele da pessoa.

O filtro solar deve ser aplicado a cada 3/4 horas de exposição, porque, com o passar das horas e devido à sudorese, eventual contato com a água ou ainda pela função do bloqueador solar, ele perde a qualidade de proteção. A vantagem das vestes fotoprotetoras (camisas, bonés etc.) é que não há inconstância de proteção, por isso são uma boa opção para maratonistas, pescadores, tenistas, velejadores, atletas, que passam um longo tempo expostos ao sol e que não conseguem repassar o FPS ao longo da atividade, por conta de sudorese intensa.

Para uma proteção mais eficiente, o ideal é associar os métodos de proteção solar: boné, óculos escuros, protetor solar e vestes protetoras.

 

Após a cirurgia de remoção da pinta, é preciso algum cuidado especial com a área/cicatriz?

 

Os cuidados são exatamente iguais: muita proteção solar! 

Em alguns casos, é indicado o uso de placas de silicone ou cremes para minimizar o efeito estético da cicatriz e recomenda-se evitar a exposição solar por um período médio de 3 meses.

 

É possível que se formem feridas na pele ao longo do tratamento ou em decorrência do procedimento cirúrgico?

 

Uma cicatriz em uma região ou área de dobra pode se transformar em uma ferida, pois o tecido cicatricial é mais frágil que o normal. No entanto, de modo geral, não deveria haver motivos para aparição de feridas.

Por outro lado, quando a pele do paciente já foi muito danificada pela exposição solar, podem surgir queratoses, ou seja, manchas, casquinhas ou úlceras de pele, que seriam novas lesões, distintas do câncer que ele tratou; algumas delas (as queratoses actínicas) são lesões pré-malignas.

 

Com que frequência o paciente precisa retornar para as consultas de avaliação com um especialista? 

 

Quem teve um carcinoma de pele tem de 30% a 40% de risco de ter outro carcinoma (independentemente do primeiro) em um período de 5 anos; quem teve 2 ou mais carcinomas tem de 60% a 70% de risco de ter outro no mesmo período; já a ocorrência de novos melanomas é de 5% ao longo da vida.

Esses dados são importantes para que os pacientes tenham consciência de que, após o período de tratamento, que segue protocolos predefinidos de acordo com o estádio da doença, devem manter um acompanhamento periódico de consultas e exames que varia de acordo com cada caso.

 

Reposição hormonal, métodos contraceptivos e gestantes têm maior incidência de câncer de pele?

 

Não existe nenhuma relação entre a reposição hormonal, o uso de anticoncepcionais ou a gravidez e o desenvolvimento do câncer de pele. 

O que pode acontecer é a dificuldade de diagnóstico precoce, principalmente nas mulheres em período de gestação, porque é quando as pintas têm maior tendência a crescer.

 

 

Dr. Eduard René Brechtbühl - CRM 69412
Especialista em Cirurgia Plástica - RQE nº 51850

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