Aspectos psicossociais: como lidar com adolescentes e jovens adultos com câncer

Publicado em: 16/05/2019 - 18:05:20
Tratamento
Foco do paciente
Suporte e Reabilitação
Tumores Pediátricos

Os pontos de atenção para que eles tenham qualidade de vida em meio ao diagnóstico

Relações interpessoais, planos para o futuro, primeiro emprego, imagem refletida no espelho. Eis alguns dos aspectos vitais que implicam na rotina de adolescentes e adultos jovens com câncer, devidamente abordados no painel Aspectos Psicossociais no Next Frontiers to Cure Cancer, um dos maiores congressos oncológicos da América Latina, em São Paulo.

A explanação foi conduzida por Carolina Marçal, psiquiatra especializada em patologias pediátricas que pertence ao Departamento de Oncologia Pediátrica do A.C.Camargo Cancer Center, uma profissional que avalia não somente quem permanece em tratamento como também os já curados, cuidando dos efeitos tardios do processo.

Quando diagnosticados nessa faixa etária, eles são acometidos pela sensação de perda de controle da vida, muitas vezes como limitações físicas. "Por ser raro alguém ter um tumor nessa idade, a sensação de isolamento é aumentada porque não há amigos na mesma situação", afirma a doutora Carolina Marçal.

"A falta de independência e a interrupção de planos, como iniciar a faculdade, é algo que precisa ser trabalhado. O paciente não consegue planejar uma viagem daqui a 6 meses, se limita na hora de planejar sonhos", emenda a especialista.

Relações amorosas e autoestima

Os medicamentos podem transformar a imagem corporal, causar caimento dos pelos, além de perda ou ganho de peso. E há diferenças na forma como adolescentes e adultos jovens recebem essas mudanças. 

"Uma criança aceita melhor a perda do cabelo, mas o menino adolescente e o jovem adulto sofrem mais, se sentem menos másculos sem os pelos numa eventual relação sexual, pois não têm como, por exemplo, implantar barba", analisa Carolina Marçal.

Manter um relacionamento amoroso após o diagnóstico requer atenção da psiquiatra. "Careca, por vezes o paciente se fecha, ele não quer ser visto sem cabelo, com os acessos", diz a médica. Muitas vezes o(a) parceiro(a) sentimental abandona a pessoa em tratamento, ou mesmo tem dificuldade de lidar com o paciente.

Existe ainda a questão de ter filhos, já que algumas terapias podem prejudicar a saúde sexual, sobretudo radioterapia e quimioterapia. "Quando é um adulto jovem, é mais fácil falar sobre preservar espermatozoides e óvulos para ter um filho, nem que seja daqui a 15 anos. Mas é mais difícil falar disso com adolescentes", explica.

Mais ou menos positivos

Jovens adultos e adolescentes que sobreviveram ao câncer tendem a ser menos positivos que os mais novinhos. "Acham que vão ficar doentes de novo, temem planejar coisas. Nessa idade, é tudo ou nada, é agora ou nunca, eles não querem entender o tratamento, querem o agora", conta a doutora. 

Alguns ficam hiper-vigilantes: basta uma cólica mais forte para irem ao oncologista. Outros são o oposto, evitam o médico a qualquer custo, então a terapia comportamental é fundamental. 

Suicídio é um tema recorrente, logo é importante ser trabalhado. "Quanto mais se fala sobre o assunto, mais se previne. Não pode ser um tabu".

Adaptações 

Uma saída boa é manter ambientes adequados a eles no hospital durante o tratamento, o chamado foco do paciente, um valor do A.C.Camargo Cancer Center. 

Não se pode colocar um jovem adulto num ambiente com bonecas e carrinhos, mas se deve botar livros, wi-fi, juntar pessoas da mesma faixa etária. E dar flexibilidade de horário para elas frequentarem a escola e o trabalho. 

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