Adenomas de hipófise: tumores raros e de difícil diagnóstico

Publicado em: 18/05/2019 - 17:05:46
Diagnóstico
Tratamento
Sinais e Sintomas

Prolactinoma, acromegalia e doença de Cushing são alguns dos tumores neuroendócrinos mais comuns

Diferentemente de alguns outros tipos de tumores que possuem como causa relação com fatores ambientais, radiação, estilo de vida, entre outros, ainda não se sabem os gatilhos que levam ao desenvolvimento dos adenomas de hipófise. Esse grupo de tumores neuroendócrinos benignos são difíceis de diagnosticar e podem ser confundidos com outros males. O assunto ganhou destaque na palestra Tratamento medicamentoso dos adenomas de hipófise funcionantes, realizada pelo doutor Márcio Carlos Machado, endocrinologista do A.C.Camargo Cancer Center no último dia do Next Frontiers to Cure Cancer 2019.

Geralmente pequenos, necessitam de alguns exames especializados para serem reconhecidos, principalmente dosagens hormonais e ressonância magnética da hipófise. Na maioria dos casos, o tratamento é cirúrgico, podendo também ser medicamentoso ou por auxílio da radioterapia. “Apesar de serem doenças raras, causam forte impacto na qualidade de vida dos pacientes, aumentando as taxas de mortalidade e ocasionando comorbidades, como diabetes e outras doenças”, alertou o médico.

O que são os adenomas de hipófise?

São tumores que afetam a hipófise, uma glândula considerada uma das mais importantes do corpo. Considerados raros, os adenomas de hipófise representam cerca de 15% dos tumores intracranianos, que em sua maioria são benignos, apenas 0,1% dos casos possui malignidade. Os principais tumores dessa região são os produtores de prolactina (prolactinomas), GH - hormônio do crescimento (acromegalia) e ACTH (doença de Cushing).

“Esses tumores podem levar a uma produção excessiva de hormônios ou podem ser clinicamente não funcionantes. Além disso, podem ser micro ou macroadenomas, quando possuem tamanho maior que um centímetro”, disse doutor Márcio.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico inclui o quadro clínico do paciente, exames de sangue e de imagem. Os adenomas não são fáceis de serem diagnosticados, por isso, o médico faz a avaliação do quadro clínico, descartando outras hipóteses diagnósticas. “Não existem marcadores comuns dessas doenças, por exemplo, o PSA para a suspeita de carcinoma de próstata”, explica o endocrinologista.

Novos medicamentos de ação e novas moléculas vêm sendo intensamente pesquisadas para o tratamento dos adenomas da hipófise, em especial, para a acromegalia e Cushing.  “Por ser uma área em expansão, a expectativa é que no futuro a gente possa tratar essas doenças mais com medicamentos do que hoje”, esclarece doutor Márcio.

Prolactinomas

No caso dos prolactinomas, há a hiperprolactinemia, ou seja, excesso da produção de prolactina, hormônio responsável pela produção de leite. A fase diagnóstica inclui a dosagem do hormônio no sangue e exames de imagem, como a ressonância magnética, que captem alguma alteração na glândula hipófise. O tratamento padrão é por via oral do medicamento cabergolina.

Acromegalia

Caracterizada pela hipersecreção do hormônio de crescimento (GH). Mais de 80% dos tumores são macroadenomas. Além disso, há um tempo alto que varia em média de 10 anos para a realização do diagnóstico. “O diagnóstico inclui testes de sangue para dosagem do hormônio do crescimento,  IGF1 e o teste oral de tolerância à glicose. Confirmada a doença, a indicação de tratamento é individualizada mas a cirurgia hipofisária por via transefenoidal é uma das mais comuns opções iniciais”, explica doutor Márcio.

Doença de Cushing

O quadro clínico é variável e por vezes não é muito exuberante podendo o diagnóstico levar meses para ser concluído. Caracterizada por altos níveis de cortisol, a investigação da doença de Cushing inclui a dosagem do hormônio no sangue, na urina e na saliva. “Em 50% dos casos não é possível localizar o tumor hipofisário na ressonância de hipófise. Por isso, lançamos mão de outros métodos como o cateterismo de seios petrosos inferiores,” conta. O tratamento também é cirúrgico e possui remissão de 85% no A.C.Camargo, taxa excelente comparada as melhores do mundo em centros especializados.

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