A.C.Camargo e Memorial Sloan Kettering se unem em pesquisa para avaliar método não invasivo que classifica melanoma mais agressivo

Publicado em: 25/04/2017 - 21:04:00
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Um exame de imagem pode, no futuro, antecipar o início do tratamento de portadores de melanoma (câncer de pele) avançado. O estudo "Reflectance Confocal Microscopy Features of BRAF V600E Mutated Thin Melanomas Detected by Immunohistochemistry", publicado na PLOS One, envolveu pesquisadores do A.C.Camargo e do Memorial Sloan Kettering, de Nova York, e destaca o potencial da microscopia confocal como uma ferramenta complementar na identificação de melanomas com mutação em BRAF V600E e a possibilidade de utilizar esse exame para a triagem de pacientes com indicação de realizar os testes genéticos.

A classificação do melanoma em quatro subtipos histológicos tem sido questionada quanto à sua validade clínica em fornecer informações relevantes para o tratamento de tumores metastáticos. Os fundamentos responsáveis pela morfologia e biologia do melanoma podem estar relacionados, principalmente, ao seu perfil molecular (perfil de expressão gênica). Verificou-se que aproximadamente 50% dos melanomas têm uma mutação em BRAF V600. De acordo com a Dra. Juliana Casagrande, titular do Departamento de Câncer de Pele, que também assina o artigo, essa mutação específica em BRAF V600E indica um câncer mais agressivo. "Existe uma troca de aminoácido na posição 600 da proteína codificada por esse gene, aparece um aminoácido chamado ácido glutâmico onde deveria haver outro, chamado valina. Essa mutação faz o tumor apresentar uma agressividade muito maior que os demais, daí a importância de identificá-lo rapidamente", explica.

Atualmente, os microscópios confocais representam uma oportunidade única no exame não invasivo da pele, sem a necessidade de utilização dos marcadores fluorescentes ou corantes teciduais.

Na nossa pesquisa, 32 pacientes diagnosticados com melanoma, com idade entre 28 e 85 anos, foram analisados com o exame de microscopia confocal antes de ser realizada a biópsia excisional. O microscópio confocal tem a finalidade de fornecer imagens instantâneas, em tempo real, com alta resolução, in vivo, permitindo a visualização das estruturas microanatômicas (células, núcleos e arquitetura tecidual) da pele em uma resolução próxima à histopatológica.

Do total de pacientes recrutados no estudo, 9 apresentaram a mutação BRAF V600E, confirmada por análise imuno-histoquímica. Os achados do presente estudo revelam que:

  • Os melanomas com a mutação BRAF V600E são do tipo extensivo superficial;
  • Ocorrem em uma idade mais jovem;
  • Estão localizados em áreas de exposição solar intermitente;
  • Apresentam características específicas no exame de microscopia confocal (tendem a formar ninhos epidérmicos e funcionais).

Em contraste, os melanomas não mutados ocorrem em pacientes mais velhos, em áreas cronicamente expostas ao sol, e apresentam a tendência histopatológica de proliferação mais lentigiosa. Esses dados confirmam a existência de diferentes vias para o desenvolvimento dos melanomas, levando a diferentes subtipos, cada um apresentando características clínicas, dermoscópicas e na microscopia confocal particulares.

"Para os pacientes com a mutação BRAF V600E, a rapidez no início do tratamento é essencial. Se os dados do nosso estudo forem ampliados e validados, a possibilidade de identificarmos os melanomas com a mutação antes mesmo da realização da biópsia significa que poderemos começar o tratamento imediatamente e antecipá-lo em, no mínimo, duas semanas", afirma Dra. Juliana. O próximo passo do estudo é ampliar o número de pacientes.

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