AACR 2019: extração de DNA do microbioma fecal pode identificar bactérias relacionadas à resistência dos quimioterápico

Publicado em: 22/04/2019 - 14:04:56
Pesquisa
Tratamento
Biologia celular
Tumores do Aparelho Digestivo Alto

A técnica, um avanço no tratamento do câncer, poderá identificar novas bactérias relacionadas à resistência e metabolização de medicamentos quimioterápicos

Por Diana Noronha Nunes, bióloga pesquisadora do Laboratório de Genômica Médica do Centro Internacional de Pesquisa (CIPE) do A.C. Camargo Cancer Center

A Dra. Amy Bhatt, da Universidade de Stanford, apresentou resultados impactantes do desenvolvimento de uma nova metodologia de alta qualidade de extração de DNA do microbioma fecal. Essa nova técnica, que ainda não foi publicada, deve revolucionar a identificação de novas cepas (sub-grupos) de bactérias e outros microrganismos. O detalhamento da estrutura do seu material genético pode proporcionar, por exemplo, a identificação de bactérias relacionadas com resistência a antibióticos ou metabolização de drogas utilizadas no tratamento do paciente oncológico.

Um outro achado interessante apresentando pela Dra. Bhatt foi o desenvolvimento de uma metodologia de avaliação do translatoma das bactérias que compõem o microbioma intestinal. O translatoma representa o conjunto das proteínas que está sendo prontamente produzido pelas bactérias, o que permite inferir quais processos funcionais estão sendo priorizados por estes microrganismos e, assim, entender de maneira mais direcionada qual o seu papel no microbioma intestinal.

Por fim, ela apresentou resultados otimistas sobre a descoberta de uma nova categoria de pequenas proteínas produzidas pelos microrganismos que compõem a microbiota intestinal. Essas pequenas proteínas são tão diminutas que podem, por exemplo, atravessar a barreira hematoencefálica ou mesmo se difundir pelo muco intestinal, atuando como moléculas sinalizadoras para outros microrganismos, ou para as próprias células do hospedeiro humano. Eventualmente algumas destas moléculas poderão ser utilizadas no futuro como drogas.

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