7 passos para pacientes com câncer manterem a mente calma

Publicado em: 03/02/2022 - 07:02:38
Linha Fina

A imagem no espelho, família, amigos, trabalho, relacionamentos... Apresentamos maneiras para quem descobriu um tumor aquietar o coração e seguir firme no tratamento – as dicas servem também para quem faz parte do círculo desta pessoa

Pacientes com câncer são afetados em qualquer idade.

Existem, porém, formas de eles se manterem calmos e positivos, conforme se vê nas dicas abaixo.

São ideias que valem não apenas para quem está em tratamento, mas também para quem faz parte desses pacientes com câncer, sejam essas pessoas familiares, amigos ou colegas. 


1. Tudo bem não estar tudo bem

O momento do diagnóstico do câncer é muito difícil, pois a pessoa está tocando a vida dela e, de repente, vem um achado num exame de rotina ou a partir de um sintoma – há uma ruptura com o momento dela. 

Não resta dúvida que a positividade é importante no tratamento, mas a paciente deve respeitar aquilo que está sentindo naquele momento. 

É natural haver oscilações: não existe a pessoa estar sempre forte nem estar sempre se sentindo derrotada. 

Podemos pensar no câncer em fases: o diagnóstico traz um forte impacto, medo, insegurança, angústia. Depois, com o início do tratamento, muitos medos são superados, pois o paciente sente que está fazendo alguma coisa por si, e isso traz positividade.


2. A imagem no espelho 

Vejamos o exemplo do câncer de mama, que tem relação profunda e íntima com o “ser mulher”. A mama tem uma representação da feminilidade, sexualidade e maternidade, desde o primeiro sutiã, então a questão psíquica é forte neste contexto.

A mastectomia e a perda de cabelo devido à quimioterapia são alguns dos temas mais relevantes que as pacientes levam às terapeutas.

A mastectomia, por exemplo, é algo abrupto, tem de ser feito rapidamente, a mulher vai para o centro cirúrgico e sai diferente. 

Assim, é normal que a paciente se olhe no espelho e haja um luto. Todo processo de luto leva um tempo para se acomodar dentro da gente, e esse tempo deve ser respeitado.

Quanto ao cabelo, ela tem de decidir se vai usar lenço, peruca ou nada para que ela se sinta melhor no contexto do irremediável, pois o cabelo vai cair e ela vai ter que lidar com isso, assimilar primeiro dentro dela e depois para os outros. Ela precisa entender como quer ser vista pelo outro, e essas coisas não são do dia pra noite.

É uma questão muito pessoal de cada uma dessas pacientes, mas o fato é que elas jamais devem se sentir menos femininas. Elas apenas vão vivenciar um outro conceito de beleza. A beleza vai persistir – isso vem de dentro pra fora – e, quando esta mulher estiver mais segura dentro de si, vai conseguir lidar melhor com o aspecto externo.


3. Trabalho: o planejamento para lidar com curiosidades

O trabalho tem um papel importante na vida das pessoas e, ao retornar, esses pacientes conseguem autoconfiança, pois estão voltando a um lugar conhecido, do qual se afastaram por conta do tratamento. 

Também é bom pela questão social: conversas, almoço, hora do cafezinho. No entanto, é uma questão que precisa ser trabalhada em termos psicológicos.

Muitas vezes, os colegas vão fazer perguntas, querer saber como foi o tratamento, como a pessoa se sentiu, se ela já está bem, ainda mais se o cabelo estiver diferente. 

Tudo isso leva à curiosidade dos colegas, então o paciente precisa saber lidar, e isso é algo muito pessoal. Alguns pacientes vão ficar felizes em relatar como foi, mas outros não vão querer falar sobre isso.

Ajuda se o paciente fizer um planejamento interno se preparando para situações e perguntas que podem ser feitas. Muitos procuram terapia após o tratamento justamente para preparar esse retorno.

É importante que ele se planeje também em relação à fadiga, já que está retomando a rotina após o tratamento.

O essencial é que se sinta confortável em socializar com outras pessoas do ponto de vista físico e emocional.  


4. Família e amigos: apoio a questões práticas

O suporte às questões práticas também é muito importante para pacientes com câncer, que, assim, terá preocupações a menos para lidar.

No caso, atividades de rotina, como cozinhar, dirigir, lavar o carro, ajudar a limpar a casa e buscar os filhos na escola, tarefas estas difíceis de se executar após uma quimioterapia ou no período pós-cirúrgico.

Ainda no caso de os pacientes ter filhos pequenos: o cabelo pode cair, então essas pessoas do entorno podem até ajudar a comunicar isso para as crianças, dando carinho a elas. 


5. Família e amigos: apoio a questões emocionais

Sem dúvida, o suporte familiar e dos amigos é relevante, sobretudo do ponto de vista emocional, já que podem oferecer amparo a este paciente com câncer, que vai se sentir mais protegido sabendo que pode contar com essas pessoas mais próximas.

O papel principal dessas pessoas é estar ao lado do paciente: ouvir, conversar, respeitar os momentos em que ele quer ficar mais quieto, acompanhá-lo em consultas e na quimioterapia (se este for o desejo dele).

Se mostrar disponível já ajuda, pois ele saberá que não está sozinho.


6. Câncer em jovens: lidar com a interrupção 

Normalmente, estes pacientes jovens estão vivendo uma fase de ascensão profissional e acadêmica, por vezes com uma vida social agitada, namoros...

Muitas também pensam em ter filhos. Aí vem o câncer mexer com todos os planos de forma intensa e inesperada, os interrompendo.

Por causa de uma cirurgia ou quimioterapia, os pacientes acabam perdendo sua autonomia, por isso, às vezes, os jovens sentem até mais o diagnóstico. 

O importante é seguir fazendo planos para o futuro. No caso de mulheres que querem ter filhos, congelar os óvulos é uma decisão vital e que deve ser tomada rapidamente. Os homens podem optar por um banco de sêmen. 

O apoio psicológico serve como espaço de reflexão para enxergar perspectivas de futuro, o retorno ao trabalho, construir relações afetivas sólidas, ser mãe, ser pai... A terapia atua para que essas interferências negativas ganhem um sentido diferente.


7. O importante é compartilhar: em terapia, em grupos de apoio, nas redes sociais...

Sentir-se forte é algo que tem de vir de dentro pra fora, não é algo que se possa impor.

Há dias em que a pessoa com câncer está mais forte, e há outros em que está mais desanimada. Isso é natural.

O importante é a pessoa ter boa aderência ao tratamento, dividir esses sentimentos com alguém e, principalmente, sentir-se respeitada nos seus sentimentos.

Terapia ajuda muito, pois o paciente pode falar tudo o que sente, sem julgamentos. Por exemplo, ele não precisa se preocupar se estão pensando se ele está mal naquele dia, ele pode ser 100% sincero, sem medo de preocupar ninguém.

Existem grupos online de pessoas com câncer que conversam muito nas redes sociais. Elas falam sobre o tratamento, sobre como estão se sentindo... Para algumas, isso é positivo, mas há outras pessoas que preferem ficar mais introspectivas. 


Fonte: Doutora Christina Haas Tarabay, head de psicologia do A.C.Camargo

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