Inovação e tecnologia

Amor à Vida - Espiritualidade no Tratamento Oncológico

 Espiritualidade no Tratamento Oncológico foi o tema do grupo Amor à Vida do A.C.Camargo.

O Grupo Amor à Vida realiza encontros com o objetivo de proporcionar bem-estar físico e mental para pacientes oncológicos, seus familiares e cuidadores, através de programação com temas diversos, que podem ter relação com alguma etapa do tratamento, cotidiano, saúde, vida social, entre outros temas.

Nesses encontros, aqueles que se sentem à vontade podem compartilhar e trocar experiências semelhantes, vividas durante o período de tratamento.

Assista e saiba mais:

Internação Especializada – Mais inovação no acompanhamento e no tratamento dos pacientes em um Cancer Center

Linha Fina

A fim de dar um tratamento ainda mais especializado para cada paciente, a Instituição está segmentando as unidades de internação para o atendimento dos diversos perfis assistenciais, segundo a complexidade de seus diagnósticos

O A.C.Camargo sabe que cada paciente oncológico é único e merece um tratamento personalizado.

Assim, a Instituição implementou o projeto de segmentação dos leitos, isto é, estamos separando as unidades de internação para o atendimento dos diversos perfis de pacientes, de acordo com a complexidade de seus diagnósticos, a fim de trazer ainda mais qualidade e segurança na assistência.. 

Teremos andares especializados para cada característica de atendimento:

•    Andar clínico
•    Andar cirúrgico 
•    Andar hematológico
•    Andar pediátrico (entrega já concluída)

Além dos andares de internação, inauguramos em 04/07 uma ala exclusiva para preparo de pacientes em pré-operatório, onde teremos equipe assistencial especialista na recepção e preparo para o centro cirúrgico. Após a cirurgia, o paciente será encaminhado para o andar de internação especializado. 

ala pré-operatória - Internação Especializada


Além de trazer a inovação do Andar Pré-Operatório, para maior conforto dos familiares, inaugurarmos, também em 04/07, o Lounge do Acompanhante. Nesse espaço, a família do paciente que fará cirurgia poderá acompanhar o status de seu familiar dentro do centro cirúrgico, em tempo real, e a liberação dele para o quarto. Com a liberação do paciente do centro cirúrgico, o serviço de mensageria encaminhará a família até o quarto para poder aguardar seu familiar chegar e conversar com equipe médica.
 

Lounge do Acompanhante - Internação Especializada


Início das atividades com pacientes hematológicos

Foi optado iniciar o projeto de segmentação nos andares de pacientes adultos onco-hematológicos – aqueles que tratam leucemias, linfomas e mielomas –, onde se concentram no 8º andar da unidade Antônio Prudente, com início das atividades em 18/07.

A escolha da especialidade se deu analisando a criticidade da patologia. 

Esta medida reforça o conceito de Centro de Referência implantado no A.C.Camargo, que implementa diretrizes direcionadoras para as especialidades oncológicas.

O objetivo do projeto é proporcionar um atendimento ainda mais focado e direcionado para cada perfil de paciente, concentrando esforços, estreitando a relação com o corpo clínico e com a equipe assistencial, otimizando as condutas e o tempo e, sobretudo, dando a possibilidade de o paciente ser assistido de forma integrada, em um só espaço.

Ou seja, além do corpo clínico, no andar especializado vai haver uma equipe assistencial e multiprofissional totalmente qualificada e focada naquele tipo específico de câncer – no caso, os hematológicos. 

Cada andar terá além da equipe especializada, uma política de proteção aos pacientes que atendem à criticidade do diagnóstico, para que o ambiente seja totalmente seguro e propício para o tratamento. 

Por exemplo, no caso dos pacientes hematológicos, onde no seguimento da doença há grande risco de infecção, existem políticas mais sensíveis para que a estadia do paciente seja segura não apenas para eles, mas também para seus acompanhantes.

Confira aqui as nossas políticas de internação.

Não venha para o A.C.Camargo caso apresente um dos sintomas abaixo:

• Febre
• Falta de ar ou dificuldade de respirar
• Dificuldade de retomar atividades habituais
• Diarreia e dor abdominal
• Dor de garganta
• Perda de olfato ou paladar

Podcast Rádio Cancer Center #62 - Tudo sobre pesquisa clínica

Linha Fina

O que é este tipo de estudo? Os pacientes podem se beneficiar? Há risco ao participar? Entenda tudo neste episódio com o Doutor Rodrigo Taboada e o Doutor Daniel Garcia, oncologistas clínicos do A.C.Camargo

Você sabe o que é pesquisa clínica? Esses estudos de hoje são os tratamentos que salvarão vidas amanhã. Ao participar, um paciente vai contribuir com a ciência do câncer e ainda poder ter evoluções no tratamento. 

Entre as dúvidas, que são esclarecidas neste podcast, estão:

  • O que é pesquisa clínica? Como são as fases de uma pesquisa. 
  • Qual é a importância desses estudos para a comunidade científica e para os pacientes? Como os pacientes podem se beneficiar com a participação? Esses pacientes podem ajudar a salvar vidas no futuro? 
  • O que garante aos pacientes a segurança para eles fazerem parte de um estudo clínico? Muitos acabam com medo de se tornarem cobaias? Estando em um estudo clínico, os pacientes correm algum risco? 
  • Todos os pacientes são elegíveis caso haja uma pesquisa aberta para aquele tipo de câncer que ele trata? O que define a participação ou não de um paciente?
  • O que um paciente tem que fazer para integrar uma pesquisa clínica? Ele deve perguntar para o médico dele se há algum estudo aberto? Caso o paciente desista, ele pode retomar o tratamento sem prejuízos?

Saiba tudo sobre pesquisa clínica neste podcast com o Doutor Rodrigo Taboada e o Doutor Daniel Garcia, oncologistas clínicos do A.C.Camargo:

 

Se preferir, ouça este podcast em nossos agregadores de streaming: Spotify, SoundCloud, Google Podcasts e Deezer.

 

Superação e Braile: Os Desafios na Oncologia Pediátrica

Superação e Braile: Os Desafios na Oncologia Pediátrica foi o tema do grupo Amor à Vida do A.C.Camargo.

O Grupo Amor à Vida realiza encontros com o objetivo de proporcionar bem-estar físico e mental para pacientes oncológicos, seus familiares e cuidadores, através de programação com temas diversos, que podem ter relação com alguma etapa do tratamento, cotidiano, saúde, vida social, entre outros temas.

Nesses encontros, aqueles que se sentem à vontade podem compartilhar e trocar experiências semelhantes, vividas durante o período de tratamento.


Anfitriã e Moderadora:

  • Silvia Voulliéme - Gerente de Experiência do Paciente do A.C.Camargo


Palestrantes:

  • Bianca Chaló, Professora de Braile e mãe da Nicole (paciente do A.C.Camargo Cancer Center)
  • Juliane Santos, Supervisora de Ensino no A.C.Camargo Cancer Center


Assista e saiba mais:

Terapia canabinoide no tratamento do câncer: estudos mostram benefícios

Linha Fina

Entre eles, diminuição de náusea e vômito, ação ansiolítica e anti-inflamatória e redução de dores crônicas e neuropáticas 

A terapia canabinoide no tratamento do câncer é algo comprovado por vários estudos, sobretudo internacionais, inclusive reconhecidos pela ASCO (Sociedade Americana de Oncologia).

Foi esta a temática de uma das aulas de abertura do Next Frontiers to Cure Cancer, congresso internacional organizado pelo A.C.Camargo de 22 a 25 de junho.

No painel Cannabis no Controle de Sintomas em Oncologia, a Doutora Carolina Nocetti, Coordenadora Internacional da Academia Americana de Medicina Canabinoide e que tem larga experiência internacional no assunto, explicou que há mais de 100 fitocanabinoides.

"O sistema canabinoide é complexo e se relaciona com outros sistemas fisiológicos. O CB1 atua no sistema nervoso central e o CB2 nas células imunológicas", diz a médica. 


Terapia canabinoide no tratamento do câncer: não cura, mas melhora a qualidade de vida

Segundo a Doutora Carolina Nocetti, há inúmeros estudos que mostram a associação positiva do uso da terapia canabinoide no manejo de sintomas oncológicos, algo que inclusive é reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina. 

“O CBD pode atuar na diminuição de náusea e vômito induzidos por quimioterápicos, além de atenuar dores crônicas e neuropáticas, ter ação ansiolítica e anti-inflamatória e ajudar no apetite. O CBD não cura, mas pode trazer uma melhor qualidade de vida”, afirma a Doutora Carolina Nocetti.

Doutora Carolina, 40 anos, branca e cabelo curto negro, Terapia canabinoide no tratamento do câncer

A.C.Camargo realiza 6ª edição do Next Frontiers to Cure Cancer e aborda os principais avanços em pesquisa e inovação no diagnóstico e no tratamento do câncer

Entre os dias 22 e 25 de junho, acontecerá a 6ª edição do Next Frontiers to Cure Cancer, congresso internacional organizado pelo A.C.Camargo Cancer Center para discutir os principais avanços em pesquisa e inovação em diagnóstico e tratamento do câncer. Assim como na última edição, o evento será totalmente online, com mais de 300 horas, e reforçará o papel da ciência como um grande agente transformador que atua em benefício da prática médica e do tratamento oncológico.

“O Next Frontiers to Cure Cancer é um evento aguardado na agenda oncológica do país e reúne profissionais que atuam nos principais centros oncológicos do mundo para debater inovações em pesquisa, diagnóstico e tratamento do câncer. O evento ainda envolve dois pilares da nossa Instituição, que são Ensino e Pesquisa, e gira em torno das necessidades do paciente e dos profissionais que cuidam de toda a jornada oncológica com a expertise de um cancer center”, comenta Dr. José Humberto Fregnani, Superintendente de Ensino e Pesquisa do A.C.Camargo Cancer Center.

Desde 2017, o Next Frontiers to Cure Cancer acontece anualmente (com exceção de 2020 que não ocorreu devido à pandemia da Covid-19) e promove muita integração entre os profissionais. Além disso, aborda temas de extrema relevância no cenário da oncologia, como ciência, inovação e tecnologias, custo-efetividade etc. “Sabemos que o enfrentamento ao câncer é uma questão mundial. Por isso contamos com muitas parcerias com Institutos nacionais e internacionais para a troca de informações profissionais e aprimoramento de pesquisas”, reforça o Dr. Fregnani.

Entre os temas do Next de 2022 estão “O futuro da terapia com células CAR-T: será o fim do transplante alogênico?”, “Doença Residual Mínima no Mieloma Múltiplo: Estamos prontos para irmos dos estudos clínicos para a vida real?”, “Papel da imunoterapia no tratamento do câncer de esôfago localizado e metastático”, “Estado da arte da cirurgia minimamente invasiva no tratamento do câncer de estômago”, “É hora de abandonar o tratamento cirúrgico upfront no câncer de pâncreas localizado?”, “Tumores de mama”, “Neoadjuvância em câncer de mama: de sua origem até os conceitos atuais”, “Câncer de pulmão em não fumantes: por que a incidência aumenta?”, “Cuidados Paliativos e uso de Imunoterapia em idosos com câncer” etc.

O evento ainda contará com cursos livres, que abordarão os seguintes temas:

  • Anestesia em Oncologia
  • Detecção e manejo de sinais e sintomas em pacientes oncológicos: o protagonismo e atuação do enfermeiro
  • Emergências oncológicas
  • Epidemiologia do câncer
  • Medicina Hospitalar em um Cancer Center: 10 anos na assistência e auxílio na gestão
  • Oncogeriatria
  • Tumores ósseos e Sarcomas

Para participar do Next Frontiers to Cure Cancer basta acessar o site e realizar a inscrição.

O resultado inesperado de um estudo sobre câncer: remissão em todos os pacientes

Linha Fina

O estudo foi pequeno e especialistas dizem que precisa ser replicado. A head de oncologia clínica do A.C.Camargo aponta que este será o novo protocolo adotado a partir de hoje

Foi um pequeno teste, apenas 18 pacientes com câncer de reto, onde cada paciente tomou o mesmo medicamento imunoterápico. Mas os resultados foram surpreendentes. O câncer desapareceu em todos os pacientes, indetectável por exame físico, endoscopia, PET ou ressonância magnética.

Dr. Luis A. Diaz Jr., do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, autor de um artigo publicado neste domingo (05), no New England Journal of Medicine, descrevendo os resultados da pesquisa, disse que não conhecia nenhum outro estudo em que um tratamento eliminou completamente um câncer em cada paciente testado. "Acredito que esta é a primeira vez que isso acontece na história do câncer", destaca.

O tratamento revelado no congresso da ASCO (Sociedade Americana de Oncologia Clínica), que termina na próxima terça-feira (07), em Chicago, mostrou um tumor que desapareceu completamente em todos os pacientes testados.

“Um tratamento de imunoterapia em pacientes com câncer de reto localizado (sem metástases) levou a resolução de 100% dos casos. Esses pacientes deixaram de receber radioterapia, quimioterapia e não precisaram ser operados”, explica a Dra. Rachel Riechelmann, head de oncologia clínica do A.C.Camargo Cancer Center.

Apesar da amostra ser considerada pequena, 100% de resposta é um resultado inédito e chama a atenção da comunidade médica mundial. “Quanto submetido a uma cirurgia, a maioria dos pacientes fica com uma bolsa de colostomia definitiva. A partir de hoje, esse deve ser o novo padrão de tratamento”, aponta a oncologista.

Esses pacientes com câncer retal enfrentavam tratamentos extenuantes – quimioterapia, radiação e, muito provavelmente, cirurgias que podem resultar em disfunção intestinal, urinária e sexual.

Eles entraram no estudo pensando que, quando terminasse, teriam que passar por esses procedimentos porque ninguém esperava realmente que seus tumores desaparecessem.

Mas eles tiveram uma surpresa: nenhum tratamento adicional foi necessário.

"Houve muitas lágrimas de felicidade", disse a Dra. Andrea Cercek, oncologista do Memorial Sloan Kettering Cancer Center e autora do artigo, que foi apresentado domingo na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica.

Em média, um em cada cinco pacientes tem algum tipo de reação adversa a medicamentos como o que esses pacientes tomaram, o dostarlimabe, conhecido como inibidor de marcações. A medicação foi dada a cada três semanas durante seis meses e custou cerca de US$ 11.000 por dose. Ele desmascara as células cancerosas, permitindo que o sistema imunológico as identifique e destrua.

Embora a maioria das reações adversas seja facilmente gerenciada, de 3% a 5% dos pacientes que tomam inibidores apresentam complicações mais graves que, em alguns casos, resultam em fraqueza muscular e dificuldade em engolir e mastigar.

Em um editorial que acompanha o artigo, a Dra. Hanna K. Sanoff, do Lineberger Comprehensive Cancer Center da Universidade da Carolina do Norte, que não esteve envolvida no estudo, o chamou de “pequeno, mas atraente”. Ela acrescentou, porém, que não está claro se os pacientes estão curados.

"Muito pouco se sabe sobre a duração do tempo necessário para descobrir se uma resposta clínica completa ao dostarlimabe equivale à cura", disse o Dr. Sanoff no editorial.

Dr. Kimmie Ng, especialista em câncer colorretal da Harvard Medical School, disse que, embora os resultados fossem “notáveis” e “sem precedentes”, eles precisariam ser replicados.

A inspiração para o estudo do câncer retal veio de um ensaio clínico que o Dr. Diaz liderou em 2017. Envolveu 86 pessoas com câncer metastático que se originou em várias partes de seus corpos. Mas todos os cânceres compartilhavam uma mutação genética que impedia as células de reparar danos no DNA. Essas mutações ocorrem em 4% de todos os pacientes com câncer.

Os pacientes nesse estudo tomaram um inibidor de marcação por até dois anos. Os tumores encolheram ou estabilizaram em cerca de um terço a metade dos pacientes, e eles viveram mais. Os tumores desapareceram em 10% dos participantes do estudo.

Isso levou o Dr. Cercek e o Dr. Diaz a perguntarem: o que aconteceria se a droga fosse usada muito mais cedo no curso da doença, antes que o câncer tivesse a chance de se espalhar?

Eles promoveram um estudo de pacientes com câncer retal avançado – tumores que se espalharam no reto e às vezes para os gânglios linfáticos, mas não para outros órgãos. O Dr. Cercek notou que a quimioterapia não estava ajudando uma parte dos pacientes que tinham as mesmas mutações que afetaram os pacientes no estudo de 2017. Em vez de encolher durante o tratamento, seus tumores retais cresceram.

Talvez, Dr. Cercek e Dr. Diaz raciocinaram, a imunoterapia com um inibidor de checkpoint permitiria que tais pacientes evitassem quimioterapia, radiação e cirurgia.

O Dr. Diaz começou a perguntar às empresas que fabricavam inibidores de marcação se eles patrocinariam um pequeno teste. Eles o recusaram, dizendo que era muito arriscado. Ele e o Dr. Cercek queriam dar a droga a pacientes que poderiam ser curados com tratamentos padrão. O que os pesquisadores estavam propondo pode acabar permitindo que os cânceres cresçam além do ponto em que possam ser curados.

"É muito difícil alterar o padrão de atendimento", disse o Dr. Diaz. “Todo o maquinário de tratamento padrão quer fazer a cirurgia.”
Finalmente, uma pequena empresa de biotecnologia, concordou em patrocinar o estudo. 

Seu primeiro paciente foi Sascha Roth, então com 38 anos. Ela notou um sangramento retal pela primeira vez em 2019, mas se sentiu bem - ela é uma corredora e ajuda a administrar uma loja de móveis da família em Bethesda, Maryland.

Durante uma rodada de exames, ela lembrou, seu gastroenterologista disse: “Ah, não. Eu não esperava isso!”

No dia seguinte, o médico ligou para a Sra. Roth. Ele havia feito uma biópsia do tumor. “Definitivamente é câncer”, ele disse a ela. "Eu derreti completamente", disse ela.

Logo, ela estava programada para começar a quimioterapia na Universidade de Georgetown, mas um amigo insistiu que ela visse primeiro o Dr. Philip Paty no Memorial Sloan Kettering. Dr. Paty disse a ela que estava quase certo de que seu câncer incluía a mutação que tornava improvável que respondesse bem à quimioterapia. Descobriu-se, porém, que a Sra. Roth era elegível para entrar no ensaio clínico. Se ela tivesse começado a quimioterapia, ela não estaria.

Não esperando uma resposta completa ao dostarlimab, a Sra. Roth tinha planejado se mudar para Nova York para radioterapia, quimioterapia e possivelmente cirurgia após o término do teste. Para preservar sua fertilidade após o tratamento de radiação esperado, ela teve seus ovários removidos e colocados de volta sob as costelas.

Após o julgamento, o Dr. Cercek deu-lhe a notícia.

"Nós analisamos seus exames", disse ela. “Não há absolutamente nenhum câncer.” Ela não precisou de mais nenhum tratamento.

“Eu contei para minha família”, disse Roth. “Eles não acreditaram em mim.” Mas dois anos depois, ela ainda não tem nenhum traço de câncer.

*Conteúdo adaptado do texto de Gina Kolata, publicado no The New York Times em 5 de junho. Gina escreve sobre ciência e medicina. Ela foi duas vezes finalista do Prêmio Pulitzer e é autora de seis livros, incluindo “Mercies in Disguise: A Story of Hope, a Family's Genetic Destiny, and The Science That Saved Them”.

A.C.Camargo abre o primeiro estudo clínico brasileiro de células CAR-T para mieloma múltiplo

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O estudo buscará entender se há melhoria no desfecho do paciente que utiliza a terapia com células CAR-T após uma sequência inicial de três medicamentos utilizados no tratamento da doença

O A.C.Camargo Cancer Center abriu o primeiro estudo clínico brasileiro que utilizará a inovadora terapia com células CAR-T para pacientes com mieloma múltiplo recém-diagnosticado e para os quais o transplante de células-tronco autólogo não está planejado como terapia inicial.

Para os pacientes com este perfil, o tratamento atual mais recomendado é feito com uma sequência de três medicamentos. Por isso, o objetivo do estudo é entender se os pacientes que utilizam estes três medicamentos e, em seguida, fazem a terapia com células CAR-T, têm desfecho melhor quando comparados aos pacientes que fazem o tratamento somente com os medicamentos.

Como muitos dos estudos envolvendo mieloma múltiplo e CAR-T consideravam pacientes com o câncer recidivado, a inovação deste tratamento é ter como público os pacientes com diagnóstico recente da doença e ainda não terem passado por diversas fases de tratamento. 

Apesar deste estudo apresentar um cenário promissor, o mieloma ainda não tem cura. Mas, a pesquisa pode trazer uma nova perspectiva de possibilidade de remissão ainda mais prolongada para a doença se for tratada desde as fases mais iniciais.

Outro ponto positivo do estudo é oferecer a possiblidade de tratamento de ponta para os pacientes do SUS que participarem da pesquisa. Mesmo se o paciente não estiver no grupo que utilizará as células CAR-T, também poderá se beneficiar ao ter acesso aos três medicamentos, pois um deles não é disponibilizado pelo SUS.

Saiba mais sobre mieloma múltiplo

No mieloma múltiplo, os plasmócitos são anormais e se multiplicam rapidamente, comprometendo a produção das outras células do sangue. Mais recorrente em pessoas com idade superior a 60 anos, seus sinais podem ser confundidos com questões inerentes ao envelhecimento, retardando o diagnóstico.

Atualmente, os meios de prevenção do mieloma múltiplo ainda não são conhecidos, bem como suas causas. Contudo, sabe-se que, além da idade, histórico familiar, exposição à radiação e a produtos químicos, como amianto e pesticidas, também são fatores de risco.

O diagnóstico é feito pelo hematologista ou oncologista, por meio de testes clínicos, sanguíneos, de urina e biópsia da medula. Exames de imagem, como tomografia e ressonância magnética, são usados para identificar se o câncer compromete outras regiões do corpo. 

Estima-se que cerca de 95% dos casos são diagnosticados em fases avançadas da doença. Nesse quadro avançado, a taxa de sobrevida de cinco anos é de 51%, enquanto esse percentual pode chegar a 74% quando identificado em estágio inicial.

 

FONTE: Dr. Jayr Schmidt Filho, líder do Centro de Referência de Neoplasias Hematológicas do A.C.Camargo Cancer Center.

Webinar: Ciência como negócio em saúde

Linha Fina

Assista ao papo em vídeo e aprenda sobre o tema

Ciência como negócio em saúde: neste webinar, os cientistas Fábio Gandour e Israel Tojal explicam tudo sobre o tema.

Assista ao vídeo abaixo:

 

+ Podcast A.C.Camargo
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Tudo sobre células CAR-T

Em breve, estará disponível para pacientes do Brasil uma opção inovadora de tratamento contra o câncer.

Conhecida como células CAR-T, um dos medicamentos dessa terapia foi aprovado pela Anvisa em 23 de fevereiro e representa uma nova era na medicina. Aguardado há muitos anos, o tratamento com células CAR-T é uma nova forma de tratar alguns tipos de câncer por meio da reprogramação das células de defesa do corpo.

É um medicamento único, com o máximo de personalização.

O início em breve deste tratamento traz benefícios para os pacientes, ao tangibilizar novas possibilidades de tratamento e até mesmo um potencial de cura para doenças até então sem opções terapêuticas; e para a sociedade, ao propiciar que pacientes, familiares e/ou cuidadores tenham ganhos na qualidade de vida, voltando a trabalhar e buscar suas aspirações pessoais. 

Confira abaixo como é feito esse tratamento, quais tipos de tumor podem ser tratados, os possíveis efeitos colaterais e outras respostas para dúvidas comuns.
 

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 Células CAR-T

“CAR” é um acrônimo em inglês para chimeric antigen receptor (em português, receptor quimérico de antígeno). O “T” refere-se ao linfócito T, um tipo de célula do sistema imunológico que consegue reconhecer antígenos existentes na superfície celular de agentes externos ou internos infecciosos e de tumores, produzindo anticorpos para combater tais invasores. Ou seja, atua como defesa do corpo. Então, uma célula CAR-T é um linfócito T que passou por uma modificação genética.

Resumidamente, a terapia por células CAR-T é feita a partir da coleta de células T do sistema imunológico. Depois, é preciso levar o material a uma central especializada – todas até o momento são fora do Brasil –, fazer ali a modificação genética e trazer de volta, para então infundir no paciente. Essa modificação genética reprograma a célula para reconhecer e combater o tumor. Dessa forma, o próprio organismo do paciente torna-se um tratamento contra o câncer. Confira no vídeo abaixo.

 

 

 

O uso das células CAR-T tem mostrado importantes resultados, representando uma nova perspectiva no tratamento de alguns tipos de câncer que, até então, não tinham opções eficazes de terapia. É uma opção de tratamento transformadora com respostas potencialmente duradouras e até mesmo curativas.

Atualmente, as duas medicações desenvolvidas poderão ser utilizadas para pacientes com linfoma difuso de grandes células B (tipo de linfoma não-Hodgkin), leucemia linfoide aguda, leucemia linfoblástica aguda e mieloma múltiplo. 

Dr. Jayr Schmidt Filho, líder do Centro de Referência em Neoplasias Hematológicas do A.C.Camargo
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Podemos dizer que a célula CAR-T é o maior avanço no tratamento do câncer dos últimos anos e pode se estabelecer como um dos pilares do combate à doença ao lado de quimioterapia, cirurgia e radioterapia.
Dr. Jayr Schmidt Filho, líder do Centro de Referência em Neoplasias Hematológicas do A.C.Camargo

A terapia é feita com dose única, por meio de infusão intravenosa.

Dentro de sete dias após a infusão das células CAR-T, pode haver uma reação inflamatória, sinal de que os linfócitos modificados estão se reproduzindo dentro do organismo e induzindo a liberação de substâncias para eliminar o tumor. Nesse momento, além de febre, pode haver queda importante da pressão arterial e eventual necessidade de internação em unidade de terapia intensiva (UTI).

Nas primeiras semanas após infusão das células CAR-T, o paciente pode apresentar alguns sintomas neurológicos, que vão desde um quadro mais leve de confusão mental até a presença de crises convulsivas. Porém, todos estes efeitos colaterais podem ser controlados quando o paciente faz seu tratamento em um centro especializado e com equipe treinada. 

Atualmente, existem dois medicamentos aprovados pela Anvisa para uso no Brasil. A aprovação da Anvisa é apenas uma parte do processo de disponibilização do medicamento no país. No caso do medicamento aprovado, a próxima etapa é a precificação pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), órgão interministerial do Governo Federal responsável pela regulação econômica do mercado de medicamentos no Brasil.

Somente após a regulamentação do CMED, os medicamentos com células CAR-T poderão ser comercializados para o tratamento contra o câncer no Brasil.
 

Ainda não. Existem etapas de aprovação para inclusão no ROL de procedimentos obrigatórios da ANS, que devem disponibilizar o procedimento com cobertura completa pelas operadoras de saúde. A expectativa é de que, em alguns meses, o tratamento seja coberto e disponibilizado pelos planos de saúde.

A terapia com células CAR-T ainda é muito cara, pois envolve a logística de levar os infócitos T para serem reprogramados nos EUA, e, depois, voltarem ao Brasil e ser infundido no paciente, com um custo aproximado de US$ 400.000. 

O alto custo desta terapia reflete décadas de pesquisas científicas, investimentos em cadeia logística e manufatura em larga escala, bem como custos diretos e indiretos com capacitação de centros de referência, hospitais e profissionais de saúde.

Mas, existem estudos que apresentam eventuais saídas para uma aplicação mais ampla da terapia com células CAR-T, a fim de expandir a imunoterapia com CAR para um número maior de pacientes, ganhando escala e reduzindo custos, o que tem potencial para favorecer especialmente países de baixa renda.
 

Não. Cada tratamento é único e feito exclusivamente para um determinado paciente. As células T de um paciente são reprogramadas de forma personalizada, com dose preparada de acordo com seu peso.  

A quimioterapia é um tipo de tratamento que consiste na aplicação de medicamentos para destruir as células que formam os tumores, atuando em diversas etapas do metabolismo celular.

Já a imunoterapia age estimulando o sistema imunológico do paciente a atacar as células do câncer. 

O tratamento com células CAR-T é uma modalidade da imunoterapia, que utiliza células de defesa geneticamente modificadas e reprogramadas em laboratório para destruir os tumores. 
 

O A.C.Camargo Cancer Center foi um dos centros mundiais especializados no tratamento do câncer escolhidos para fazer um dos estudos clínicos de um dos novos medicamentos com células CAR-T.

Em relação ao medicamento já aprovado pela Anvisa, é uma das poucas instituições no Brasil selecionadas nesse primeiro momento e habilitada para este tipo de terapia.

Foram feitos diversos treinamentos da equipe para o processo de aférese, manuseio, recebimento e armazenamento de células dos pacientes para esta terapia específica. Os processos de qualidade também foram verificados para garantir a adesão aos requisitos necessários para fazer a terapia com segurança.