Tratamento oncológico e libido: uma relação delicada

Publicado em: 29/03/2015 - 21:03:00
Tratamento
Foco do paciente
Suporte e Reabilitação

diminuição da libido é normalmente uma questão pouco abordada quando se fala em efeitos colaterais do tratamento oncológico. No entanto, é comum entre os pacientes com câncer. Costuma afetar principalmente mulheres cujo tratamento da doença gera mutilações, como os tumores ginecológicos ou de mama, e homens que tratam tumores de próstata ou testículo, os quais podem levar à impotência.



Fatores orgânicos ou emocionais podem desencadear o problema, conforme explica Dra. Priscila Giacon, Médica Titular do Departamento de Ginecologia Oncológica do A.C.Camargo Cancer Center. O diagnóstico e a insegurança em relação ao sucesso do tratamento já são fatores que podem contribuir com a diminuição do desejo sexual. No caso das mulheres, a quimioterapia pode ter efeitos colaterais intensos e levar à perda de hormônios ou à menopausa precoce. Já a radioterapia, quando realizada na região pélvica, pode ter como sequelas alterações da mucosa vaginal, secura ou o encurtamento vaginal, o que dificulta o ato sexual e, consequentemente, interfere no desejo sexual. 

No caso dos homens, o tratamento de tumores prostáticos ou testiculares que provoquem algum tipo de disfunção erétil são as causas mais comuns da perda da libido. No entanto, também podem interferir fatores emocionais, como depressão, medo e estresse relacionados à doença.

Mudança acentuada de peso, cicatrizes, perda de cabelo e outras alterações corporais também podem impactar negativamente a autoestima e, assim, comprometer a vida sexual.

Problema transitório

Para quem sofre com a diminuição na libido, a boa notícia é que há alternativas de tratamentos, além da possibilidade de melhora completa do sintoma após o término da terapia. "No caso das mulheres, em algumas situações, pode-se optar pela reposição hormonal para atenuar os efeitos da menopausa precoce", explica Dra. Priscila, lembrando que essa indicação é individualizada e varia conforme as especificidades e as condições de saúde das pacientes. Já os homens podem contar com medicações ou próteses penianas.

Quando o problema decorre de fatores emocionais, o acompanhamento psicológico pode ser de grande valor, tanto para o paciente quanto para seu companheiro. "Em qualquer circunstância, manter uma boa comunicação com o parceiro é fundamental", lembra. "O tratamento com um profissional especializado em sexualidade também pode ajudar a enfrentar as questões trazidas por um tratamento oncológico", acrescenta. "Isso pode ajudar a fortalecer o vínculo do casal e melhorar a autoestima do paciente, contribuindo assim com o progresso do tratamento", finaliza a médica.

Dra. Priscila de Paulo Giacon - CRM 115575
Médica Titular do Núcleo de Ginecologia Oncológica

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