Pesquisadores evidenciam relação entre as células tumorais circulantes e a resposta ao tratamento de câncer de cabeça e pescoço

Publicado em: 03/06/2019 - 18:06:37

Estudo apresentado no congresso por profissionais do A.C.Camargo também avaliou o período livre de progressão e a sobrevida global

Apresentado em Chicago no Congresso anual da ASCO – sigla em inglês para a Sociedade Americana de Oncologia Clínica –, um trabalho desenvolvido por pesquisadores do A.C.Camargo evidencia a relação entre a quantidade de células tumorais circulantes (CTCs) e a resposta ao tratamento apresentada por pacientes com câncer de cabeça e pescoço. Os autores avaliaram também o período livre de progressão e a sobrevida global.

O pôster Prognostic Impact Of Baseline Circulating Cells (CTCs) Detected By The Isolation By Size Of Epithelial Tumor Cells (Iset) In Locally Advanced Head And Neck Squamous Cell Carcinoma (LAHNSCC): Results Of A Prospective Study traz os resultados da análise de CTCs provenientes de amostras de sangue de 83 pacientes tabagistas – 69 homens e 14 mulheres. Todos eles portadores de tumores primários de orofaringe, cavidade oral, laringe e hipofaringe.

“O objetivo foi avaliar o impacto prognóstico da análise de CTCs em pacientes com tumores de cabeça e pescoço não metastáticos, porém localmente avançados, em estágios III e IV”, explica o oncologista clínico Thiago Bueno Oliveira, principal autor deste trabalho translacional, ao lado da pesquisadora Ludmilla T.D. Chinen.  

Foi utilizada, após a coleta de sangue, a técnica de isolamento das células epiteliais do tumor por tamanho (ISET) para a contagem e a caracterização das CTCs. Essas células tumorais circulantes foram definidas de acordo com os critérios citopatológicos: tamanho e tipo de contorno do núcleo da célula, presença de citoplasma visível e escasso e exame de imunocitoquímica negativo para CD45. 

Os pacientes foram divididos em dois grupos, ambos com indicação de tratamento com opção de cura. Um grupo passou por cirurgia e radioterapia adjuvante (com a contagem de CTCs sendo feita antes da radioterapia). No outro grupo ficaram os pacientes candidatos a estratégias não-cirúrgicas (tumores inoperáveis ou passíveis de serem preservados), com radioterapia inicial concomitante com quimioterapia (cisplatina) ou cetuximabe (inibidor de EGFR). 

Resultados

A taxa de detecção de CTCs foi de 94% (em 78 de 83 pacientes) e as contagens dessas células presentes na circulação foram significativamente correlacionadas à sobrevivência. 

No grupo tratado com uma abordagem não-cirúrgica, para cada aumento de uma CTC por ml de sangue no início do estudo, houve um aumento relativo de 18% no risco de morte e de 16% no risco de progressão, além de redução de 26% nas chances de resposta completa ao tratamento. Na mediana das análises, os pacientes apresentaram 3,5 CTCs por ml. 

“Queremos tornar o tratamento cada vez mais personalizado e eficaz. Quando sabemos quais pacientes têm risco aumentado de progressão da doença, podemos optar por um tratamento sistêmico com medicações mais potentes”, afirma Bueno. 

Além de Ludmilla Chinen e Thiago Bueno, o estudo contou com a participação das biólogas Alexcia Camila Braun e Emne Abdallah, dos oncologistas clínicos Ulisses Ribaldo Nicolau e Victor Hugo Fonseca, do cirurgião oncológico e diretor de cabeça e pescoço, Luiz Paulo Kowalski, da enfermeira Vanessa Silva Alves e do estatístico Vinícius Calsavara, todos do A.C.Camargo Cancer Center.

Avaliação de conteúdo

Você gostaria de avaliar esse conteúdo?
Esse conteúdo foi útil?
Gostaria de comentar algo sobre esse conteúdo?
Ao continuar você confirma ter ciência de nossa Política de Privacidade e dos respectivos Avisos de Privacidade e Proteção de Dados presentes em nosso Portal de Privacidade.
CAPTCHA
Esta pergunta é para testar se você é humano e para evitar envios de spam

Veja também

Síndrome de Li-Fraumeni: estudo que envolveu o A.C.Camargo pode mudar o aconselhamento genético da doença de forma marcante
Pesquisa internacional analisou dois tipos de mutações que estão ligadas à predisposição ao câncer A Síndrome de Li-Fraumeni (SLF) é uma doença hereditária de predisposição ao câncer, relacionada a mutações no gene TP53. Uma das mutações neste gene, denominada R337H, é encontrada apenas no Brasil...
Câncer colorretal: A.C.Camargo apresenta pôster em colaboração com o MD Anderson Cancer Center
Por Samuel Aguiar Junior, cirurgião oncologista e head do Centro de Referência em Tumores Colorretais e Sarcoma do A.C.Camargo Intitulado Consensus Molecular Subtypes in Colorectal Cancer Differ by Geographic Region, este pôster apresentado na ASCO mostra resultados iniciais de uma colaboração do A.C.Camargo Cancer Center...
Atualização de seguimento de conduta terapêutica com base na assinatura genética mammaprint
Por Solange Sanches, oncologista clínica e vice-coordenadora do Centro de Referência em Tumores da Mama Existem esforços muito grandes em reduzir a indicação de quimioterapia para pacientes com câncer de mama receptor hormonal positivo precoce estadio clínico I e II ou aquelas mulheres que têm...
Câncer colorretal metastático: foco em pacientes HER2 positivos
Por Celso Abdon Lopes de Mello, oncologista clínico do A.C.Camargo Cancer Center Foi apresentado o estudo DESTINY-CRC01. Este estudo é um estudo pequeno, de fase II, multicêntrico que avaliou a eficácia de uma nova droga, o Trastuzumabe Deruxtecan (T-Dxd), em pacientes com carcinoma de cólon...
O câncer de próstata e a Oncogenética
Alguns perfis de pacientes tendem a um risco aumentado de desenvolver esse tipo de tumor e precisam antecipar o rastreamento Câncer de próstata, uma enfermidade ligada ao fator genético. Estudos mostram que de 10 a 12% desse tipo de tumor estão associados a mutações genéticas...