Osteorradionecrose: entenda esse efeito colateral

 
Publicado em: 17/07/2019 - 08:07:21

Conduzido no A.C.Camargo, estudo inédito faz alerta aos profissionais que tratam pacientes com tumores de cabeça e pescoço 

 

A osteorradionecrose é um efeito colateral grave causado pela radioterapia em quem trata tumores na região da cabeça e do pescoço. É uma doença na qual o osso irradiado se desgasta e fica exposto, já que há perda da integridade da pele e da mucosa. 

Concomitantemente à radioterapia, muitos pacientes ingerem bisfosfonatos, que combatem a diminuição da densidade mineral óssea. Assim, comparar as características da osteorradionecrose em quem usa ou não bisfosfonatos durante a radioterapia foi o objeto deste estudo inédito na literatura inglesa. 

Publicada no periódico Oral Diseases, a análise foi batizada como Influence of Bisphosphonates on Clinical Features of Osteoradionecrosis of the Maxilla and Mandible (Influência dos Bisfosfonatos nas Características Clínicas da Osteorradionecrose de Maxilar e Mandíbula). 

“Bisfosfonatos são drogas indicadas para controle da osteoporose e do envolvimento ósseo de tumores. Contudo, como efeito colateral, também podem causar necrose óssea”, afirma um dos autores do estudo, Fábio de Abreu Alves, head do Departamento de Estomatologia do A.C.Camargo Cancer Center.

 

Conclusões 

As constatações mais relevantes colocam holofotes nos pacientes que usaram bisfosfonatos durante a radioterapia. “Eles desenvolveram a necrose óssea em um tempo muito curto pós-radioterapia; e também houve mais casos nos quais a maxila foi afetada em relação aos pacientes que fizeram somente a radioterapia”, explica o doutor Fábio. 

Ademais, ele salienta que pessoas que irão irradiar na região de cabeça e pescoço e estão usando drogas anti-reabsortivas (bisfosfonatos) devem ter um cuidado minucioso em relação à saúde bucal antes, durante e após a radioterapia. É muito importante para a prevenção. 

“Pode existir um efeito sinérgico entre a radioterapia e essas drogas; então devem estar cientes disso todos os profissionais que tratam pacientes que tomam drogas anti-reabsortivas e irradiam na região de cabeça e pescoço”, decreta Fábio. 

O especialista conta que seu grupo já iniciou um novo estudo para compreender melhor a osteorradionecrose. “Provavelmente, nos próximos três anos teremos mais dados e vamos poder caracterizar melhor os mecanismos envolvidos nesta necrose”.

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