Estudos retrospectivos em parceria elevam qualidade dos resultados

Publicado em: 29/04/2020 - 17:04:25

Com maior número de casos, colaborações entre instituições fazem com que os achados se tornem muito mais precisos

Estudos retrospectivos: são várias as colaborações científicas entre médicos do A.C.Camargo e especialistas de outras entidades do exterior e do Brasil.

Oncologista clínico do A.C.Camargo, o Dr. Noam Pondé, que frequentemente desenvolve pesquisas em parceria com outros centros médicos, coloca como uma das principais vantagens de uma parceria a possibilidade de juntar o maior número de casos.

“Ter muitos pacientes num estudo permite responder à pergunta que a pesquisa propõe da maneira mais precisa possível. São perguntas extremamente complexas, então a maior amostragem agrega à pesquisa uma maior qualidade”, explica o Dr. Noam Pondé.

Além disso, parcerias com instituições de ponta como o belga Institut Jules Bordet, que renderam estudos como os que veremos a seguir, contribuem para mais pesquisas e com resultados ainda mais promissores.

“Essas parcerias fazem a gente construir pontes, canais de troca de informação que, no futuro, podem frutificar em mais colaborações entre as instituições, com maior qualidade”, complementa o médico. “O momento em que vivemos hoje, com a pandemia do Coronavírus, reforça ainda mais a necessidade que o Brasil tem de construir centros de excelência em pesquisa capazes de colaborar internacionalmente”, diz.


Estudos retrospectivos: logística

Essas parcerias entre instituições exigem certa complexidade. Do ponto de vista legal, envolvem contratos com os parceiros e às vezes com um patrocinador.

“As parcerias demandam estrutura estatística e jurídica para apoio dos pesquisadores, tanto do A.C.Camargo como dos outros institutos”, afirma o Dr. Pondé.


Sete países, 18 pesquisadores

Para publicar o estudo Reactive Stroma and Trastuzumab Resistance in Her2-Positive Early Breast Cancer (Resistência ao Estroma Reativo e ao Trastuzumabe no Câncer de Mama Precoce HER2-Positivo), o Dr. Noam Pondé foi além da parceria com o belga Institut Jules Bordet.

O médico, que também utilizou casos de outras instituições da Bélgica, teve a colaboração de dados da França, Alemanha, Finlândia, Israel e Austrália.

Com um total de 209 pacientes com câncer de mama precoce com HER2- positivo, esse estudo visou explicar melhor a razão de algumas pacientes se beneficiarem muito do medicamento trastuzumabe, enquanto outras não têm bons resultados.

“A ideia do estudo de estroma era investigar características do tumor e do tecido ao redor dele para determinar a resistência ao tratamento. Desde o inicio do uso do trastuzumabe, nos anos 1990, ficou claro que algumas pacientes não se beneficiavam do trastuzumabe, a doença delas já era resistente a essa droga, enquanto outras tinham benefícios variáveis em termos de profundidade da resposta e de duração da resposta ao tratamento”, esclarece Noam Pondé.

“Analisamos os mecanismos de resistência à droga e como poderíamos identificar a presença deles. Nossa busca era por coisas que fossem facilmente identificáveis antes do início do tratamento, assim pudemos prever quem iria se beneficiar ou não. Aquela paciente que não se beneficia, pode ir para outra pesquisa clínica, uma para o desenvolvimento de novas drogas”, complementa o médico.

Um beneficio adicional, particularmente relevante para o SUS, é o potencial para economia – se soubermos de antemão que o trastuzumabe não vai ajudar, por exemplo, podemos guardá-lo para outra paciente.


Mais Bélgica e Itália

Outra parceria do Dr. Pondé com especialistas do Institut Jules Bordet, e que envolveu também a Universidade de Gênova, na Itália, foi o estudo Trastuzumab Emtansine (T-DM1)-Associated Cardiotoxicity: Pooled Analysis in Advanced HER2-Positive Breast Cancer (Cardiotoxicidade Associada ao Trastuzumabe Emtansina [T-DM1]: Análise Agrupada em Câncer de Mama Avançado com HER2-Positivo).

Esse estudo envolveu 1961 pacientes. “Drogas cujo alvo é o HER2 têm potencial para toxicidade cardíaca. A primeira e principal é o trastuzumabe. Já o trastuzumabe emtansina está em uso clínico há sete anos, mas temos poucos dados sobre a segurança cardíaca dele. Daí a ideia do estudo”, explica Noam Pondé.


Resultados para trastuzumabe emtansina

O trabalho demonstrou que o tratamento com trastuzumabe emtansina é seguro, conforme o previsto pelos pesquisadores: o risco de acontecer algo com a paciente que toma é muito pequeno.

“É de cerca de 3,5%, e a gente mapeou características que identificam as pacientes com risco maior de desenvolverem toxicidade. Por exemplo, as mulheres idosas”, diz o Dr. Pondé.


Benefício para pacientes

Quando se fala de pesquisa translacional, algo muito importante e que o A.C.Camargo é extremamente envolvido, fala-se de um benefício futuro para as pessoas.

“Estudos como esses permitem uma melhor compreensão da doença e de como prever o beneficio do tratamento”, explica o médico. “Uma das características do A.C.Camargo como Instituição é ter a vontade, a estrutura e a expertise para colaborar em pé de igualdade com qualquer outro Cancer Center internacional, para responder às muitas perguntas que temos sobre câncer de mama e avançar o campo”, finaliza.

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