Médico conversa com paciente e preenche formulário

Estudo revela que infecção por HIV não foi independentemente associada com aumento da mortalidade hospitalar

Publicado em: 10/09/2020 - 16:09:57
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Levantamento dividiu pacientes adultos, com câncer, infectados e não infectados com HIV, que exigiam admissão não planejada na UTI do A.C.Camargo e do Hospital das Clínicas de São Paulo 
 

O impacto da infecção por HIV em pacientes com câncer e em estado crítico é desconhecido, porém, este conhecimento é indispensável para uma adequada admissão na UTI, um planejamento terapêutico e um aconselhamento a pacientes e parentes. Por isso, Dr. Pedro Caruso, head do Departamento de UTI Adulto do A.C.Camargo Cancer Center, ao lado de outros especialistas, coletou dados de pacientes internados nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) da Instituição e do Hospital das Clínicas de São Paulo, entre janeiro de 2000 e dezembro de 2018, e concluiu, no primeiro estudo mundial de pacientes gravemente acometidos pelas duas doenças, que em pacientes com câncer, a infecção por HIV não foi independentemente associada com aumento da mortalidade hospitalar. 
 
“Nós comparamos as características de pacientes com câncer em estado crítico e infectados por HIV com paciente oncológico com o mesmo perfil e não infectado por HIV e concluímos que a mortalidade hospitalar de infectados com HIV e pacientes com câncer em estado crítico não infectados com HIV foi semelhante”, conta o Dr. Pedro Caruso.  
 
Os escores de propensão foram estimados usando regressão logística e a combinação de pacientes infectados por HIV e não infectados. Além disso, todos foram pareados pelos seguintes fatores: idade, sexo, ano de admissão na UTI, escores fisiológicos, intensidade das  disfunções orgânicas, tipo de tumor (sólido ou hematológico), local de tumor sólido, uso de ventilação mecânica invasiva, uso de vasopressores e ocorrência de lesão renal aguda.  
 
“Analisando todos os pacientes, concluímos também que os infectados com HIV e com câncer em estado crítico eram mais jovens (50 vs 64 anos), tinham mais malignidades hematológicas (43% vs 23%), mais disfunções orgânicas (4 vs 2) e exigiam mais terapias de suporte durante o período de internação na UTI do que pacientes não infectados com HIV”, finaliza o Dr. Caruso.  
 
Embora a associação seja importante porque o HIV induz o aparecimento de câncer, o estudo revelou que mesmo o paciente com câncer grave e infectado com HIV tendo diversas complicações, a mortalidade no ambiente hospitalar não está aumentada porque o paciente tem também infecção por HIV. 

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