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Câncer de fígado: quando é necessário fazer o transplante hepático

 
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Câncer de fígado: quando é necessário fazer o transplante hepático

Há diversos formas de tratamento para um paciente com câncer de fígado e o transplante pode ser feito em casos específicos, trazendo melhores resultados para o paciente

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Há diversos formas de tratamento para um paciente com câncer de fígado e o transplante pode ser feito em casos específicos, trazendo melhores resultados para o paciente

O câncer de fígado atingiu mais de 900 mil pessoas no mundo em 2020, segundo estimativas mais recentes. Para 2040, a expectativa é que esse número cresça para 1,4 milhão de pessoas.

O tratamento da doença não depende apenas do estadiamento (sua extensão e presença ou não de metástases), mas também das condições clínicas do paciente, principalmente da função hepática, já que em muitos casos a cirrose está associada ao câncer. 

O transplante de fígado, tanto para adultos quanto para crianças, é feito quando os tumores estão restritos ao fígado e localizados em área de difícil remoção por cirurgia.

Pioneirismo

A equipe de hepatologia e transplante hepático do A.C.Camargo Cancer Center existe desde 2001, quando um grupo de médicos do hospital foi buscar especialização em países que já realizavam transplantes de fígado, como Japão, Estados Unidos e Europa. 

Ao aperfeiçoar a técnica e trazê-la para o Brasil, a equipe conquistou índices de sobrevida superiores a 85% e é referência nacional em diversas áreas da hepatologia, como câncer de fígado, transplante hepático pediátrico (especialmente em crianças de baixo peso) e transplante de fígado intervivos em adultos e crianças, técnica em que a equipe possui uma das maiores experiências do país, com resultados comparáveis aos dos melhores centros do mundo.

Além da preocupação em oferecer um atendimento globalizado, cerca de 1/3 dos pacientes que serão submetidos a um transplante de fígado já tem câncer e o restante tem potencial e fatores de riscos altos para desenvolver algum tumor. Assim, percebemos a importância de oferecer tratamentos complementares e paralelos ao tratamento oncológico, como o transplante.

Composta por sete cirurgiões, cinco hepatologistas pediátricos e três hepatologistas adultos, nossa equipe atua de forma multidisciplinar e integrada com anestesistas, intensivistas, hematologistas, infectologistas, enfermeiras, nutricionistas, fisioterapeutas e assistentes sociais.

Como fazemos 

A equipe recebe a informação sobre um potencial doador pela Central de Transplantes. Se a condição do doador for considerada aceitável, a equipe de transplante entra em contato com o receptor designado pela Central, solicitando sua internação hospitalar.

A seguir, o paciente é avaliado por um dos membros da equipe. Enquanto o receptor é preparado, uma equipe de cirurgiões é encarregada de fazer a captação do fígado do doador. Durante a cirurgia, o órgão é cuidadosamente avaliado. Caso o fígado do doador (enxerto hepático) não seja considerado viável para o transplante, a operação é cancelada e o receptor recebe alta hospitalar.

Ao mesmo tempo, a equipe do receptor é informada sobre as condições do fígado do doador, para só então dar início à cirurgia. A cirurgia do receptor dura em média de 6 a 8 horas, consistindo na retirada de todo o fígado doente, seguida do implante do novo fígado por meio de suturas (conexões) vasculares e biliares.

Transplante intervivos

O preparo pré-operatório do candidato é semelhante ao realizado com doador falecido, e as cirurgias do doador e do receptor são programadas e realizadas simultaneamente, por duas equipes cirúrgicas.

Esperando pelo transplante

Os pacientes são submetidos a exames clínicos, laboratoriais, exames de imagem e avaliações: pré-anestésica, psicológica, dentária e nutricional. Os exames e as avaliações são realizados para a confirmação diagnóstica, a determinação de outras terapias disponíveis para o tratamento da doença hepática e o descarte de possíveis contraindicações ao transplante hepático.

As consultas são realizadas sempre com a presença de um hepatologista e um cirurgião da equipe de transplante. 
Se o paciente for considerado candidato ao procedimento, ele será incluído na lista de Transplante com Doador Falecido da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo. Durante o período de espera na lista de transplante, o paciente deverá manter contato com a equipe através de consultas regulares para a reclassificação de acordo com o índice de gravidade (MELD).
Pós-operatório: a evolução pós-operatória e o tempo de internação variam de acordo com as condições clínicas do paciente. Na maioria das vezes, o paciente permanece de dois a três dias na unidade de cuidados intensivos e o tempo médio de internação hospitalar varia de 10 a 14 dias.

Após a alta, os pacientes devem manter contato regular com a equipe de transplante, recebendo todas as informações e orientações necessárias para os cuidados em casa. Inicialmente, o retorno para consulta é semanal, com intervalos sucessivamente maiores até a estabilização do paciente. No longo prazo, o paciente deve retornar para consulta pelo menos a cada 6 meses.

Sinais e sintomas do câncer de fígado

•    Perda de peso inexplicável
•    Dor do lado direito na parte de cima do abdome
•    Perda do apetite
•    Náusea ou vômitos
•    Febre
•    Cansaço ou fraqueza
•    Inchaço do abdômen
•    Presença de caroço duro do lado direito, abaixo das costelas
•    Icterícia, que deixa a pele e os olhos amarelados e a urina escura
•    Coceira
•    Sensação de empachamento mesmo após uma pequena refeição
•    Agravamento da hepatite ou cirrose


FONTE: Dr. Eduardo Antunes da Fonseca, head de hepatologia do A.C.Camargo Cancer Center
Global Cancer Observatory
 

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