Braquiterapia: 8 perguntas e respostas sobre a “radioterapia interna”

Publicado em: 11/04/2022 - 15:04:20
Linha Fina

Entenda o que é este tratamento, como é feito e os principais cuidados

A braquiterapia, também conhecida como “radioterapia interna”, é uma das formas de tratamento de pacientes com câncer. É um procedimento comum, mas não utilizado para todos os tipos de tumores. Confira abaixo as principais dúvidas que podem surgir sobre o tema e as respectivas respostas.

1. O que é braquiterapia?

A braquiterapia é um tipo de “radioterapia interna”, um tratamento local para apenas uma parte específica do corpo. Enquanto a radioterapia consiste na emissão de radiação de uma fonte externa para o corpo, a braquiterapia consiste na emissão de radiação por uma fonte colocada dentro do corpo.

2. Como é feita?

Para fazer a braquiterapia, pequenas cápsulas (ou “sementes”) que contêm uma fonte de radiação são inseridas no corpo, dentro do tumor ou perto do tumor, de forma temporária ou permanente.

Na braquiterapia temporária, são inseridos aplicadores, placas ou cateteres no corpo, por onde o material radiativo passa guiado remotamente por computador para que fique em determinada região por um período. Após finalizar a sessão, os aplicadores são retirados do corpo.

Na braquiterapia permanente, as sementes são inseridas após um planejamento prévio da localização e posição em que devem ficar. Sua inserção é feita através de agulhas específicas para isso e é considerado um método de tratamento minimamente invasivo.

3. Quais tipos de tumores podem ser tratados com braquiterapia?

Em geral, é utilizada a braquiterapia permanente para câncer da próstata, nas regiões do pulmão, mama, pâncreas, cabeça e pescoço, entre outros. Já a braquiterapia temporária pode ser utilizada em tumores do útero, olhos, mamas, cabeça e pescoço, esôfago e extremidades (braços e pernas). 

4. O paciente sente dor quando a radiação é emitida dentro do corpo?

Não, a fonte de radiação inserida dentro do corpo não provoca dor. Mas, para a inserção do material radioativo no corpo, na maioria das vezes é necessário um procedimento com anestesia. 

5. Quais as vantagens da braquiterapia para tratamento de tumores oculares?

Atualmente, a braquiterapia é um dos principais métodos de tratamento para os tumores oculares, sendo uma alternativa à cirurgia mutiladora em que o globo ocular é removido. O foco do método está na preservação da vida, conservação do olho e manutenção da visão.

6. Quando se deve utilizar a braquiterapia e quando se deve utilizar a radioterapia convencional?

Não existe uma regra específica e depende do protocolo de tratamento de cada tipo de câncer. Para alguns tipos de tumor, a braquiterapia pode ser utilizada de forma isolada, pois é capaz de exterminar todo o tumor de forma rápida. Como exemplo, podemos citar os tratamentos de melanomas da coroide e retinoblastomas (tumores internos dos olhos), em que placas de iodo 125 ou rutênio 106 (materiais que emitem radiação) são colocadas e retiradas em poucos dias. 

Diferindo da radioterapia convencional, a braquiterapia ocular possibilita a liberação de uma alta dose de radiação concentrada no tumor ocular e uma baixa dose de radiação aos tecidos normais circundantes. Esta focalização da radiação é o grande diferencial do método, resultando em radioproteção aos tecidos normais, minimizando as complicações e possibilitando melhores resultados em termos de preservação da visão e conservação do globo ocular, com eficácia no controle tumoral de aproximadamente 95% dos casos. 
Os tumores iniciais da próstata e do colo do útero também podem ser tratados exclusivamente com braquiterapia. Em outras situações, é comum usar a combinação de radioterapia convencional (externa) com braquiterapia para aumentar a dose de radiação dada ao tumor, como por exemplo, no caso de tumores avançados da próstata, colo de útero, mama, cabeça e pescoço e extremidades (sarcomas).

Em situações extremas, quando o paciente já recebeu uma dose alta de radioterapia convencional após uma cirurgia ou associado à quimioterapia e o tumor voltar (recidiva), a braquiterapia pode ser uma boa opção de tratamento.

7. Quais os cuidados durante e após a braquiterapia?

Os cuidados dependerão do material radioativo utilizado e do tipo de tratamento. Para a braquiterapia no caso de tumores do olho, por exemplo, o paciente fica internado em isolamento, sob cuidados médicos e de enfermagem, para não expor outras pessoas à radiação. Já no tratamento de câncer de próstata, por exemplo, o próprio organismo do paciente absorve a radiação e, após o procedimento, o paciente tem vida normal sem cuidados específicos. Com o passar do tempo, o nível da radiação emitida vai diminuindo até ficar praticamente inativo. 

No caso da braquiterapia temporária, a radiação só está presente durante o período em que os aplicadores estão inseridos no paciente. Dessa forma, após a realização de cada sessão de braquiterapia, não há necessidade de cuidados especiais, pois o paciente não está com o material radioativo em seu corpo.

8. Quais os diferencias do A.C.Camargo Cancer Center?

O A.C.Camargo é um centro pioneiro no tratamento de tumores de próstata e oculares com braquiterapia. A experiência acumulada em décadas no atendimento de milhares de pacientes com tumores nos olhos posiciona a instituição entre os maiores centros internacionais de oncologia ocular, acumulando, ainda, o pioneirismo e a maior casuística nacional na utilização da braquiterapia ocular.

Além das pesquisas e diversos estudos publicados sobre o uso desse tratamento para tumores no útero, próstata, cabeça e pescoço, a instituição também é referência de treinamento em braquiterapia para a Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA).
 

Fonte: Dr. Antônio Cassio Assis Pellizzon, head de radioterapia do A.C.Camargo Cancer Center
KÁTIA TRIGO, ENFERMEIRA SUPERVISORA DA RADIOTERAPIA DO A.C.CAMARGO CANCER CENTER
DRA. MARTHA MARIA MOTONO CHOJNIAK, HEAD DE OFTALMOLOGIA DO A.C.CAMARGO CANCER CENTER
 

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