Pulmão e Tórax

Geralmente, os sintomas do câncer de pulmão aparecem apenas quando a doença já está avançada. Por isso, a minoria dos casos é diagnostica em fase inicial e 90% dos casos estão associados ao tabaco.

Câncer de pulmão - estudo: MK-7684A-006

O estudo MK-7684A-006 é um estudo fase 3 aberto de MK-7684A (coformulação de vibostolimabe com pembrolizumabe) em combinação com quimiorradioterapia concomitante seguida por MK-7684A versus quimiorradioterapia concomitante seguida por durvalumabe em participantes com NSCLC irressecável, localmente avançado, estágio III.

Tratamento

Ilustração do tratamento do estudo MK-7684A-006

População

Pacientes com com câncer de pulmão de não pequenas células irressecável, localmente avançado, estágio III.

Objetivo

Avaliar se a medicação do estudo combinada a quimiorradioterapia seguida pela medicação do estudo é melhor que quimiorradioterapia seguida por um anticorpo monoclonal (proteínas que ajudam o sistema imunológico a combater as doenças).

 

Publicação autorizada pelo CEP FAP - A.C.Camargo Cancer Center em 11 de maio de 2022.

Saiba tudo sobre câncer de pulmão com nosso e-book gratuito

No mundo, o câncer de pulmão está entre os principais em incidência, ocupando a primeira posição entre os homens e a terceira posição entre as mulheres. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), só no Brasil, estima-se 17.760 casos novos em homens e 12.440 em mulheres para cada ano do triênio 2020-2022.

Os principais responsáveis por esse quadro, sem dúvida, são o tabagismo e a exposição passiva ao tabaco. Eles são os maiores fatores de risco para o desenvolvimento da doença e que, felizmente, podem e devem ser evitados. Para contribuir com esse esforço, desenvolvemos este e-book.

Aqui, você poderá conhecer melhor o câncer de pulmão, a relação que o hábito de fumar tem com essa doença e as melhores alternativas para prevenir ou tratar um possível tumor:
 

Tudo sobre o câncer de pulmão

Linha Fina

Confira uma seleção de conteúdos com as táticas de prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação para esse tipo de tumor

O câncer de pulmão é um dos mais comuns no mundo todo.

No Brasil, estima-se que, neste ano, mais de 30 mil pessoas serão diagnosticadas com câncer de pulmão. Destes casos, por volta de 60% a 80% serão descobertos em estágios localmente avançados ou metastáticos. 

Por isso há até a campanha Agosto Branco, que visa a conscientização sobre a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento eficaz do câncer de pulmão.

No A.C.Camargo Cancer Center, os pacientes são cuidados por uma equipe multidisciplinar no Centro de Referência em Tumores de Pulmão e Tórax, que entende a necessidade individualizada de cada paciente.

Para que você saiba mais sobre o universo dos tumores de pulmão e tórax e proteja sua saúde, apresentamos a seguir dezenas de publicações.

Elas foram divididos pelas temáticas de prevenção, diagnóstico e tratamento, alguns dos pilares que definem a jornada do paciente no A.C.Camargo.

Há vídeos, podcasts, textos objetivos... Confira:

Câncer de pulmão: prevenção e fatores de risco
Especialista ensina a se proteger da doença, que é evitável em 90% dos casos

Câncer de pulmão: e-book gratuito
Saiba tudo sobre o tema ao baixar o material de graça

Mitos & verdades sobre câncer de pulmão
Materiais de construção atrapalham? E o mofo? 

Tuberculose pode causar câncer de pulmão?
Pneumologista explica as diferenças entre as doenças, como é feito o diagnóstico e a prevenção

O que o tabagismo faz com a minha saúde?
Especialistas do A.C.Camargo alertam sobre os danos causados por esse hábito

Quais são os benefícios de se largar o cigarro? E se eu parar por um ano?
Veja abaixo os benefícios para quem larga o vício

Vídeo: a prevenção 
Assista e entenda o câncer de pulmão

Cigarro eletrônico é droga?
Neste infográfico, confira as características deste dispositivo

O cigarro eletrônico é seguro?
A falsa sensação de segurança desse dispositivo esconde riscos que muitos não buscam conhecer antes de utilizá-lo

Cigarro na gravidez
Os possíveis riscos para mãe e bebê

O que acontece com o jovem que fuma?
Entenda essa perigosa relação 

Alimentos que ajudam na prevenção do câncer...
... para colo do útero, pulmão e estômago

Podcast Rádio Cancer Center #59 - Dia Mundial de Combate ao Câncer
Assista ao vídeo e aprenda a se defender

Podcast Rádio Cancer Center #14 - O cigarro eletrônico
Ouça e compreenda melhor este hábito que tem alcançado muita gente, sobretudo os jovens

Câncer de pulmão em não fumantes
Por que a incidência aumenta?

Câncer de pulmão: como fazer o rastreamento
Entenda se você tem perfil para buscar o diagnóstico precoce

Câncer de pulmão: e-book gratuito
Saiba tudo sobre o tema ao baixar o material de graça

Broncoscopia e ecobroncoscopia pulmonar: a endoscopia dos pulmões
Exames permitem visualização e biópsia do sistema respiratório feitos de forma minimamente invasiva

Vídeo: prevenção e diagnóstico precoce
Assista e entenda o câncer de pulmão

Tenho casos de câncer na família, devo me preocupar?
Ouça o podcast e saiba como se antecipar

Tomografia computadorizada 
Exame favorece o diagnóstico precoce do câncer de pulmão em fumantes

O diagnóstico precoce do câncer de pulmão
Menos casos e maior sobrevida: a importância 

Genômica, a ciência que faz diferença
Assista ao vídeo e entenda melhor como ela contribui para o combate ao câncer

Cirurgia robótica para câncer de pulmão: 7 vantagens
Técnica é utilizada em tumores pulmonares malignos e benignos, do mediastino e da parede torácica

Tenho câncer de pulmão: preciso parar de fumar?
Confira a coluna “Fala, Doutor”, que traz as dúvidas mais frequentes

Pulmão, um guia
Tudo sobre o tratamento

Vídeo: novos tratamentos no câncer de pulmão
Assista e confira os avanços

Câncer de pulmão: participe de nossos estudos clínicos
Com segurança, você pode contribuir com a ciência e ajudar a salvar vidas

Adenocarcinoma de pulmão: a transformação nos últimos 15 anos
Terapias-alvo e imunoterapia melhoraram o tratamento

O que o paciente com câncer deve saber sobre interações medicamentosas?
Chás e alguns medicamentos podem interferir na ação dos quimioterápicos 

Podcast Rádio Cancer Center - Como manter a mente calma em tempos de Covid-19
Uma conversa que ensina táticas para se reinventar e passar bem por esta atípica fase 

Vídeo: combata a disgeusia com esta salada caprese com pesto
Assista e aprenda uma receita feita para quem tem diminuição ou alteração no paladar

Tratamento oncológico e libido: entenda a relação
Fatores orgânicos ou emocionais podem desencadear problemas

Câncer de pulmão - estudo: Mariposa 2

O estudo Mariposa 2 é um estudo de fase 3, aberto, randomizado de Amivantamabe e Lazertinibe em combinação com quimioterapia à base de platina comparado com quimioterapia à base de platina em participantes da pesquisa com câncer de pulmão de não pequenas células localmente avançado ou metastático com mutação no EGFR após falha com Osimertinibe.

Tratamento

Ilustração de Randomização do estudo mariposa

População

Pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células localmente avançado ou metastático com mutação no EGFR após falha com Osimertinibe.

Objetivo

Comparar a eficácia de uma duas terapias alvo com quimioterapia versus quimioterapia para câncer de pulmão de não pequenas células avançado ou metastático.

 

Publicação autorizada pelo CEP FAP - A.C.Camargo Cancer Center em 11 de maio de 2022.

Cirurgia robótica para câncer de pulmão: 7 vantagens

Linha Fina

Técnica é utilizada em tumores pulmonares malignos e benignos, além do mediastino e da parede torácica

A cirurgia robótica para câncer de pulmão é um tratamento que apresenta inúmeras vantagens se compararmos à intervenção convencional ou por videolaparoscopia.

Trata-se de uma forma de tratamento importante, já que o câncer de pulmão vai atingir cerca de 30 mil brasileiros neste ano, de acordo com a projeção do Instituto Nacional de Câncer (INCA).

Saiba mais neste infográfico:

Cirurgia robótica para câncer de pulmão: as vantagens

Câncer de pulmão: como fazer o rastreamento

Linha Fina

Entenda se você tem perfil para buscar o diagnóstico precoce

O câncer de pulmão é um dos mais frequentes em todo o mundo. 

No Brasil, estima-se que, neste ano, mais de 30 mil pessoas serão diagnosticadas com câncer de pulmão. Destes casos, cerca de 60% a 80% serão descobertos em estágios localmente avançados ou metastáticos. 

Na maioria das vezes, o câncer de pulmão não apresenta nenhum sintoma nas fases iniciais, ou os sintomas podem ser confundidos com outras doenças, como pneumonia, bronquite, enfisema pulmonar, entre outras. 

Por este motivo, aguardar a presença de sintomas para fazer o diagnóstico leva à descoberta da doença em estágios mais avançados e, consequentemente, com menores chances de cura. 

O rastreamento do câncer de pulmão é realizado para diagnosticar a doença em indivíduos assintomáticos, considerados de alto risco para desenvolver um tumor pulmonar. 

As pessoas com as seguintes características são consideradas de alto risco para ter câncer de pulmão:

1.    Idade acima de 55 anos
2.    Fumante ativo
3.    Ex-fumante que cessou há menos de 15 anos

Os tabagistas ou ex-tabagistas são considerados de risco alto quando tiverem carga tabágica acima de 30 maços/ano (deve-se multiplicar o número de maços de cigarro fumados por dia pelo número total de anos de tabagismo).


Câncer de pulmão: exames 

O exame de rastreamento que deve ser realizado nas pessoas classificadas como de alto risco é uma tomografia computadorizada de baixa dose de radiação. 

É um tipo de tomografia que utiliza pouca radiação, mas que identifica lesões pulmonares que podem ser câncer. 

O objetivo do exame de rastreamento é identificar câncer de pulmão em estágios iniciais, que são curáveis, na grande maioria das vezes. Estudos já demonstraram que realizar tomografia de tórax de baixa dose em indivíduos de risco reduz a chance de se morrer por câncer de pulmão. 

Aconselha-se que os fumantes e os ex-fumantes procurem orientação médica para serem avaliados quanto à necessidade de realizar o exame de rastreamento. 

A interpretação do exame também é muito importante, pois a tomografia pode mostrar muitas alterações e o radiologista deve classificar estes achados conforme o risco de câncer. 

Exames adicionais podem ser necessários para a investigação diagnóstica de lesões pulmonares suspeitas.


Benefícios 

O benefício de realizar o rastreamento em indivíduos assintomáticos de alto risco é aumentar significativamente as chances de cura do câncer de pulmão.

Para aqueles que ainda continuam fumando, é fundamental verificar com o médico sobre a indicação de realizar o exame de rastreamento, mas ainda mais importante é parar de fumar o quanto antes, pois cessar o tabagismo reduz significativamente o risco de morte por câncer de pulmão e por diversas outras doenças causadas pelo consumo de tabaco.


Texto: Dr. Jefferson Gross, líder do Centro de Referência em Tumores de Pulmão e Tórax do A.C.Camargo

Doutor Jefferson Gross, 55 anos, grisalho, magro, de jaleco, trata Câncer de Pulmão

Câncer de pulmão - estudo: ZEAL

O estudo ZEAL (213400) é um estudo de fase 3, randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, multicêntrico comparando o Niraparibe mais Pembrolizumabe versus Placebo mais Pembrolizumabe como terapia de manutenção em participantes cuja doença permaneceu estável ou respondeu à quimioterapia de primeira linha à base de platina com Pembrolizumabe para câncer de pulmão de células não pequenas estágio IIIB ou IV.      

Tratamento

Ilustração do tratamento do Zeal. Randomização 1:1. Braço1 > niraparibe + pembrolizumabe(n-325).
	Braço2 > placebo + pembrolizumabe (n-325).

População

Para pacientes portadores de doença incurável e que acabaram de receber quimioterapia de primeira linha para doença incurável.

Objetivo

Avaliar se combinação de imunoterapia combinada a terapia alvo é melhor do que imunoterapia isolada.

 

Publicação autorizada pelo CEP FAP - A.C.Camargo Cancer Center em 11 de maio de 2022.

Pesquisa no câncer: conheça três entre as mais revolucionárias

Linha Fina

São estudos que revelaram fatores de risco importantes para desenvolver tumores nos últimos 50 anos

A pesquisa no câncer é um dos pilares do A.C.Camargo Cancer Center. Em nosso CIPE (Centro Internacional de Pesquisa), o estudo de hoje se torna o tratamento de amanhã, que cura ou melhora a qualidade de vida dos nossos pacientes.

E é assim nos centros de excelência mundo afora. Essa é a premissa da integração de diagnóstico, tratamento, ensino e pesquisa do câncer, o modelo que adotamos aqui no A.C.Camargo Cancer Center, assim como nos principais Cancer Centers do mundo.

Uma evolução do conceito de saúde em oncologia para aprofundar constantemente o conhecimento sobre a doença e gerar inovação. Para nós, a pesquisa é um tema de extrema relevância. 

Para comemorar o 50º aniversário da Lei Nacional do Câncer nos Estados Unidos, a revista científica Cancer Research, da AACR (Associação Americana para a Pesquisa do Câncer, em tradução livre), compilou algumas das descobertas mais marcantes em uma lista intitulada Cancer Research Landmarks.

Nela, foram destacados 23 estudos marcantes publicados no periódico durante esse período e queremos aqui compartilhar três deles. 


Pesquisa no câncer: imunoterapia e outros marcos

Esses artigos abrangem toda a gama da pesquisa do câncer – desde a identificação dos fatores de risco e alterações celulares associadas ao aparecimento e à progressão do câncer até o desenvolvimento de terapias revolucionárias contra os tumores. 

Conheça abaixo um resumo de três deles – para ter acesso aos estudos da lista toda (em inglês), clique aqui.


1988 - Identificação do ato de fumar e beber como fatores de risco para câncer de boca e faringe

O Dr. Joseph Fraumeni, Jr. e seus colegas compararam o uso de tabaco e álcool entre 1.114 pacientes com câncer de orofaringe e 1.268 indivíduos pareados sem a doença, representando quatro áreas distintas dos Estados Unidos.

Os pesquisadores concluíram que os fumantes tinham um risco mais de 200% maior de câncer de orofaringe do que os indivíduos que nunca fumaram. Da mesma forma, o consumo pesado de álcool foi associado a um aumento de quase 800% no risco de câncer de orofaringe. 

Fraumeni e colegas também observaram que a cessação do tabagismo reduziu significativamente esse risco.

Como se sabe, essas descobertas tiveram implicações além do câncer de orofaringe – hoje, o tabaco é um fator de risco bem estabelecido para vários tipos de câncer, incluindo formas agressivas como câncer de pulmão e pâncreas.


1990 - Células relacionadas ao câncer de mama

O Dr. Samuel Brooks Jr. comandou um estudo que permitiu várias descobertas importantes sobre a biologia das células mamárias normais, bem como as alterações genéticas e celulares básicas que levam ao desenvolvimento do câncer de mama.

Entre essas descobertas fundamentais está o melhor entendimento de como as alterações dos principais oncogenes (HER2, PTEN, TP53 e BRCA1) contribuem para o desenvolvimento do câncer de mama.


2004 - Abrindo o caminho para a imunoterapia

Hoje, a imunoterapia – estratégia que estimula o organismo a identificar as células cancerosas e atacá-las com medicamentos que modificam a resposta imunológica – é uma modalidade de tratamento muito bem estabelecida. 

Mas isso não ocorria até a publicação dessa pesquisa pela equipe do Dr. Augusto Ochoa, que demonstrou a existência de células mieloides imunossupressoras no estroma tumoral.

Ao classificar as populações de células de tumores de camundongos, eles descobriram, entre outras coisas, que a inibição da enzima arginase aumentou a atividade antitumoral em modelos de camundongos, destacando a possibilidade de regular terapeuticamente a imunidade antitumoral no microambiente tumoral.

Desta forma, esse estudo lançou as bases para pesquisas subsequentes sobre o aprimoramento da imunoterapia, compreendendo as diferenças entre as células mieloides no tecido tumoral e as dos órgãos linfoides, além de explorar os inibidores da arginase como terapia contra o câncer.

Estudos clínicos trazem a medicina do futuro para o presente

Linha Fina

É possível contribuir com a ciência do câncer e evoluir no seu tratamento; entenda o que são estas pesquisas e como funcionam

Os estudos clínicos de hoje podem se tornar os tratamentos de amanhã. 

Ao participar, você pode se beneficiar e ajudar a salvar vidas no futuro. 

Entenda tudo a seguir.


Estudos clínicos: segurança do paciente em primeiro lugar 

Um medicamento não pode ser oferecido a pacientes sem que seus riscos e benefícios sejam conhecidos em detalhes. Da produção da molécula – que ainda não pode nem ser chamada de medicamento – até chegar ao paciente, há um caminho longo, que demanda anos e muitos estudos.

Primeiramente, a molécula é testada em células de laboratório, depois em modelos de animais, respeitando todo o cuidado ético com animais de experimento.

Somente após estes testes começam os estudos clínicos, em voluntários humanos em quatro fases distintas. Dada a importância do desenvolvimento de novos tratamentos, a quantidade de estudos clínicos aumentou mundialmente em 700% em uma década. 


Quem garante a segurança do paciente?

O principal objetivo de um estudo clínico é gerar conhecimento médico-científico, protegendo o participante da pesquisa, enquanto busca-se avaliar se o medicamento realmente apresenta a eficácia a que se propõe.

No Brasil, os estudos clínicos são monitorados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), órgão governamental regulatório que tem como equivalentes o FDA americano, o EMA europeu e o PMDA japonês, entre outros, que visam garantir a segurança dos participantes em pesquisas clínicas. 

Além da vigilância realizada pela ANVISA, os estudos clínicos se submetem à supervisão dos comitês de ética das instituições de saúde e ao Comitê Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP), que tem a responsabilidade de zelar pela ética na condução das pesquisas e pelo direito dos participantes, do início ao fim dos estudos.

O voluntário deve estar ciente dos compromissos, riscos e incertezas referentes ao estudo, de forma que permita a tomada de uma decisão informada. Esse conhecimento sobre os detalhes, riscos e eventuais benefícios protege o paciente, que será um participante ativo, voluntário do estudo, e não uma cobaia. O voluntário também deve ser informado sobre o número de pacientes, hospitais e países participantes, a frequência de efeitos colaterais e o direito de sair da pesquisa sem prejuízo para seu tratamento.

“Assim, há certa desconfiança de alguns pacientes por desconhecimento, apesar dos benefícios que a pesquisa clínica pode trazer, o que é absolutamente aceitável. Afinal, estar em tratamento é um momento de estresse para o paciente. Essa desconfiança pode ser maior ou menor a depender do esclarecimento que o paciente recebe sobre o estudo”, analisa o Dr. João Paulo Lima, oncologista clínico do A.C.Camargo e coordenador médico de Pesquisa Clínica.

Somente com toda essa vigilância e cuidado teremos certeza de que a molécula é mesmo um medicamento eficaz e seguro.


É complicado conduzir estudos clínicos?

Conduzir um estudo clínico demanda um serviço organizado com suporte das equipes médica e não médica com expertise na doença. Isto explica porque poucos centros brasileiros desenvolvem pesquisas na atualidade. 

Segundo a Associação Brasileira das Organizações Representativas de Pesquisa Clínica (ABRACRO), considerando o período entre 2006 e 2020, 247.168 estudos clínicos foram realizados no mundo todo – desse total, pouco mais de 6.000 no Brasil, um número que ainda pode melhorar. 

“Há espaço para muito crescimento da pesquisa clínica no Brasil. Temos hospitais e pessoal extremamente capazes”, esclarece o Dr. João Lima.


Fases

Saiba como funcionam as etapas dos estudos clínicos:

Fase 1: os pesquisadores testam a molécula num pequeno número de pessoas, administrando-a em pessoas saudáveis ou pacientes, a fim de avaliar a sua segurança, determinar uma variação de dosagem segura e identificar efeitos colaterais indesejáveis. Nesta fase inicial, a grande preocupação é com a segurança, pois será a primeira vez que humanos receberão esta molécula. É colhida uma grande quantidade de amostras de sangue para avaliar como o organismo lida com a molécula. É avaliada a forma de administração da molécula, que pode ser via oral ou intravenosa.

Fase 2: nesta etapa, a molécula se mostrou segura, já é conhecida a via de administração e a frequência de uso. Um número maior de pacientes com diferentes condições (câncer de mama avançado, de pulmão...) é convidado a participar. Nesta fase, os pesquisadores observam se há algum sinal de eficácia contra as diferentes doenças, pois uma molécula pode mostrar atividade muito boa contra câncer de pulmão, mas ser inútil para tratar câncer de intestino.

Fase 3: precisamos validar se o tratamento experimental é melhor do que o tratamento padrão. Agora, um número grande de pacientes com determinada doença é convidado a participar do estudo, que comparará a molécula versus o tratamento padrão. Nesta fase acontece a randomização dos pacientes: eles são aleatoriamente divididos entre os que recebem o tratamento padrão ou a molécula. Ocorre um sorteio, uma randomização feita pelo computador central, entre todos os pacientes do mundo para que idade, distribuição de gênero e tratamentos prévios sejam idênticos entre o grupo do tratamento experimental e o grupo do tratamento padrão. Assim, se os pacientes que receberam o tratamento experimental responderam melhor do que os submetidos ao tratamento padrão, este benefício deve ter vindo do tratamento e não de algum outro fator.

Muitas vezes, o tratamento padrão pode apenas consistir em cirurgia, acompanhamento ou controle de sintomas. Assim, esses estudos randomizados podem oferecer como tratamento padrão o placebo após a cirurgia ou junto do acompanhamento. Imagine que o médico e o paciente saibam que o paciente está recebendo a molécula experimental; é comum pensar que tantos os sintomas como os benefícios possam advir dessa molécula. O placebo evita este viés.

Fase 4: nesta etapa ocorrem os estudos realizados depois que um medicamento se torna disponível para comercialização, e busca-se avaliar efeitos colaterais raros.


Participar é ajudar a salvar vidas

Os tratamentos que hoje curam tantas pessoas foram validados graças a estudos clínicos feitos previamente, que contaram com muitos pacientes.

Além de colaborar para salvar outras vidas, ao participar, o paciente poderá receber uma molécula inovadora com potencial de ser eficaz dentro de um ambiente altamente controlado, como é a pesquisa clínica. 

“Existe, sim, uma chance de o paciente ter um benefício caso essa nova medicação seja efetivamente mais eficaz e não tenha um perfil de efeito colaterais inaceitável. O importante é o paciente saber que vamos tentar protegê-lo ao máximo”, conta o Dr. João.


Como fazer parte 

Seu médico pode convidá-lo a participar se observar que você tem o perfil para um determinado estudo, se notar que você está dentro dos critérios de elegibilidade. 

Você também pode perguntar diretamente a ele sobre a possibilidade de participar de um estudo. 

Para saber mais ou avaliar se você pode participar de algum de nossos estudos clínicos, mande um e-mail para [email protected]. Nosso time irá avaliar a mensagem e responder com todos os esclarecimentos. 

Adenocarcinoma de pulmão: a transformação nos últimos 15 anos

Linha Fina

A perspectiva do oncologista em pauta no Next Frontiers to Cure Cancer

O adenocarcinoma de pulmão, um dos tipos de câncer mais comuns do mundo, foi mais um dos temas discutidos no Next Frontiers to Cure Cancer.

Durante a aula A Transformação do Adenocarcinoma de Pulmão nos Últimos 15 Anos – Perspectiva do Oncologista, o Dr. Helano Freitas, colíder do Centro de Referência em Tumores de Pulmão e Tórax do A.C.Camargo, destacou os avanços nos tratamentos.


Terapias-alvo e imunoterapia 

Segundo o Dr. Helano, o cenário do tratamento do adenocarcinoma de pulmão mudou drasticamente para melhor nos últimos 15 anos – graças às terapias-alvo e à imunoterapia.

“Mutações no gene EGFR estão presentes em cerca de 20% dos casos de adenocarcinoma de pulmão. Inibidores de EGFR foram as primeiras terapias-alvo a demonstrar maior eficácia e melhor tolerância em relação à quimioterapia, há cerca de uma década. Desde então, temos três gerações de inibidores de EGFR e conhecemos bem mais sobre como o tumor consegue ficar resistente ao tratamento. O reflexo disso é que os pacientes estão vivendo mais e melhor”, explica o médico.

Alterações em outros genes como ALK (5-7%) e ROS1 (1%), embora menos frequentes que as mutações em EGFR, têm terapias-alvo direcionadas também mais eficazes e menos tóxicas que a quimioterapia, e estão aprovados para uso no Brasil.

Recentemente houve importantes avanços com a aprovação de novas drogas alvo direcionadas contra MET, RET e contra um tipo menos comum de mutação de EGFR, chamadas inserções no éxon 20. 

Essas drogas foram aprovadas pelo FDA, o órgão americano equivalente à ANVISA no Brasil. 

Embora tais drogas ainda não estejam aprovadas no Brasil, a expectativa é que elas estejam aptas a serem usadas por aqui em um futuro próximo.


Imunoterapia 

A imunoterapia também tem contribuído de maneira importante para o aumento de sobrevida dos pacientes com câncer de pulmão. 

No caso do câncer de pulmão de células não pequenas, a imunoterapia comprovadamente aumenta a sobrevida de pacientes com doença localmente avançada ou metastática. 

Para exemplificar a magnitude desse impacto, pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas, metastático, cujo tumor tem alta expressão de PD-L1 (≥50%) e que são tratados com imunoterapia, têm uma chance em três de estarem vivos cinco anos após o diagnóstico – na era da quimioterapia exclusiva, essa chance era de apenas uma em cada 50.