Sinonasal

Câncer sinonasal, um tumor de incidência baixa no Brasil, assim como nos Estados Unidos, aonde representa cerca de 2% das neoplasias do trato respiratório.

Essa raridade faz com que muitos centros tenham pouca experiência no tratamento desse grupo complexo de doenças. Uma das maiores experiências nacionais é a do A.C.Camargo Cancer Center, onde cerca de 100 pacientes por ano são tratados pela equipe multidisciplinar.

Diante da suspeita de um câncer de fossa nasal ou de seios paranasais, a primeira coisa a fazer é procurar um especialista, ou seja, um otorrinolaringologista ou um cirurgião de cabeça e pescoço, que vai avaliar o caso e pedir exames para descartar ou confirmar a suspeita de câncer.

O crescimento de tumores nasossinusais pode ser lento ou muito rápido, dependendo do tipo de tumor. 

Geralmente, não há manifestação detectável nas fases iniciais – o diagnóstico é feito em fases avançadas de evolução da doença – e o tipo de manifestação clínica depende das estruturas envolvidas

A obstrução nasal unilateral com secreção sanguinolenta ou com pus misturado com sangue são os principais sintomas.

Outros sinais:

  • Alterações visuais (olho saltado, visão dupla, perda visual)
  • Lacrimejamento
  • Assimetria facial
  • Amortecimento da região malar (maçã do rosto)
  • Amolecimento e má oclusão dentária
  • Abaulamento do palato, de gengiva superior ou externamente a ela
  • Dificuldade de abertura da boca (trismo)
  • Perda do olfato (anosmia)
  • Dor de cabeça (cefaleia) 
  • Dor facial

Doenças comuns, como resfriado, gripe e sinusite, podem causar sintomas semelhantes, mas eles são de curta duração e geralmente comprometem os dois lados do nariz. 

Pelo contrário, em tumores, os sintomas começam de um lado só, pioram progressivamente e só na fase mais avançada comprometem os dois lados.
 

FATORES DE RISCO

Tumores nasossinusais não apresentam relação com tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas. 

Descreve-se um maior risco para pessoas que trabalham em indústria metalúrgica que utiliza níquel e aquelas que são expostas ao pó de serra na indústria madeireira. 

Outros riscos ocupacionais são descritos em pessoas que trabalham no processamento de couros, ou foram expostas a gás mostarda, isopropanol e à radiação ionizante pelo radium. 

O papel de sinusites crônicas é muito controverso.

O único exame diagnóstico definitivo é a biópsia, que pode ser feita em consultório ou centro cirúrgico, dependendo da localização e do tamanho do tumor.

Se a biópsia for feita no consultório, a região receberá anestesia local. Se o tumor não estiver acessível pela fossa nasal, o procedimento poderá ser feito em centro cirúrgico com anestesia geral.

Os exames por imagem usados para se conhecer a extensão da doença podem incluir tomografia, ressonância magnética e tomografia por emissão de pósitrons (PET-CT).


ESTADIAMENTO

O estadiamento é uma forma de classificar a extensão do tumor e se, ou quanto, ele afetou os gânglios linfáticos ou outros órgãos. 

Para isso, é usada uma combinação de letras e números: T de tumor, N, de nódulos (ou gânglios linfáticos) e M de metástase e números que vão de 0 (sem tumor, gânglios afetados ou metástase) a 4, esse último indicando maior acometimento.

As opções de tratamento para pacientes com câncer nasossinosal são cirurgia, radioterapia e quimioterapia, geralmente usadas de forma combinada. Algumas vezes, utiliza-se também terapia-alvo ou imunoterapia, dependendo do estádio do tumor. 

O médico vai abordar as diversas alternativas com o paciente, levando em consideração o estado geral de saúde, o tipo e o estádio do tumor, as chances de cura e o impacto do tratamento na estética, respiração e preservação da visão.

Como o tratamento de alguns tipos de câncer de cabeça e pescoço envolve a perda de parte da estrutura óssea do rosto, podem ocorrer efeitos estéticos que comprometem a autoestima do paciente. 

Cirurgias da maxila podem comprometer a região do globo ocular e a base do crânio. É importante, porém, saber que avanços recentes, tanto na produção de próteses como nas técnicas de cirurgia plástica, podem dar ao paciente aparência praticamente normal.

Quando a quantidade de tecido sadio retirada com o tumor é pequena, não costuma haver necessidade de reconstrução, mas a cirurgia reconstrutora pode ser necessária para reparar defeitos na face ou no palato provocados pela remoção de tumores maiores. 

Algumas vezes, uma fina secção de pele, tirada da coxa, abdome, braço, antebraço ou perna, pode ser usada para reparar o defeito. Para extensões maiores, uma parte de músculo e osso também pode ser transplantada.

Graças aos avanços da microcirurgia reconstrutiva (sutura de pequenos vasos sanguíneos com a ajuda de microscópio), os cirurgiões dispõem de mais opções para a reconstrução da região nasal e dos seios paranasais.

Em centros de tratamento especializados, como o A.C.Camargo Cancer Center, as cirurgias reconstrutivas são planejadas em conjunto com a equipe que realiza os procedimentos para tratamento, otimizando, assim, os resultados dos dois procedimentos. 

Pode-se associar o emprego de implantes osseointegrados para reabilitação dentária de pacientes com tumores maiores, cuja ressecção implica a necessidade de remoção da gengiva superior e do palato (céu da boca).

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