Estudo avalia biomarcadores que podem afetar a eficácia do tratamento do câncer de cabeça e pescoço

Publicado em: 31/07/2019 - 09:07:42

O objetivo é entender quem se beneficia mais com o medicamento cetuximab 

 

Uma das formas de avaliar a eficiência de medicamentos no tratamento do câncer é pela investigação de biomarcadores. Estes são proteínas, genes e outras moléculas que atuam em como as células tumorais crescem, se multiplicam, reagem aos tratamentos. Assim é possível entender se determinados pacientes vão responder bem ou não a certas terapias.

Não havia biomarcador conhecido para avaliar a eficácia do medicamento cetuximab – terapia-alvo para tratamentos paliativos – no câncer de cabeça e pescoço. Isso até a publicação do estudo The Roles of PTEN, cMET, and p16 in Resistance to Cetuximab in Head and Neck Squamous Cell Carcinoma (Os Papéis do PTEN, cMET e p16 na Resistência ao Cetuximab no Carcinoma de Células Escamosas de Cabeça e Pescoço).

Publicado na Medical Oncology, ele testou o prognóstico e o impacto dos biomarcadores PTEN, cMET e p16 nos pacientes com câncer de cabeça e pescoço que fazem uso do cetixumab.

“O cetuximab é usado para controlar a doença quando ela recidiva ou em metástases. O estudo revelou que pacientes com perda da expressão da proteína PTEN têm pior prognóstico. Os outros biomarcadores testados, cMET e p16, não alteraram em nada os resultados”, explica o autor do trabalho, o doutor Alexandre Balieiro da Costa, do Departamento de Oncogenética do A.C.Camargo.

 

A metodologia 

Foram avaliados 112 pacientes. A média de sobrevivência dos indivíduos que foram tratados com cetuximab mais quimioterapia foi de 11,4 meses, contra 7 meses para quem só fez quimioterapia. Já os pacientes com perda da expressão de PTEN tiveram média de sobrevida de apenas 5,8 meses. 

“O estudo mostrou que o impacto negativo da perda de PTEN foi observado nos pacientes tratados com cetuximab mais quimioterapia, e não no grupo que fez apenas químio. Isso aponta para o fato que pacientes com perda de PTEN não se beneficiam tanto com esse medicamento”, diz Balieiro. 

Se novos estudos confirmarem esses dados, no futuro podem ser pensadas alternativas para os tratamentos dos pacientes com perda de PTEN.

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