Dengue: Fique atento!

Publicado em: 26/02/2016 - 21:02:00
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Doença infecciosa causada por um vírus, a Dengue traz preocupações para a saúde brasileira desde a década de 1980 – apesar de termos registros de seu transmissor, o mosquito Aedes aegypti, desde o século XVI. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 390 milhões de casos de Dengue devem surgir anualmente. O Aedes é também o responsável por transmitir Chikungunya Zika, outras doenças infecciosas e de sintomas semelhantes, que surgiram nos últimos anos em vários Estados brasileiros e países pelo mundo.



Apesar de não se conhecer uma relação entre as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti e o risco de desenvolvimento do câncer, o paciente em tratamento oncológico deve ter bastante cuidado. "A Dengue, em suas formas mais graves, pode causar problemas hematológicos, como anemia, plaquetopenia e sangramentos. Além disso, durante o tratamento oncológico, o paciente pode ficar mais suscetível a quadros graves da Dengue, pois está com a imunidade fragilizada", observa Dr. Ivan França, diretor do Departamento de Infectologia e SCIH do A.C.Camargo. "Outro ponto de atenção são os sintomas, muito semelhantes a reações observadas no tratamento quimioterápico, como náuseas, diarreia e dores no corpo", ressalta o especialista.

A infecção causada pelo Aedes aegypti pode também potencializar os efeitos adversos causados pela quimioterapia. Por isso, ao ser feito o diagnóstico de DengueChikungunya ou Zika, a conduta terapêutica para o câncer deve ser pausada. "Geralmente orientamos interromper a quimioterapia até a recuperação do quadro de Dengue. Quando encerrado o período de reabilitação do paciente, ele retorna para o tratamento oncológico", explica Dr. Ivan. 

Para se prevenir da picada do mosquito, recomenda-se o uso de repelentes. Os compostos por icaridina ou dietiltoluamida (DEET) não apresentam contraindicações para pacientes oncológicos e protegem por algumas horas, se usados conforme a orientação do fabricante.
 

O agente transmissor

Aedes aegypti é um mosquito com hábitos diurnos e que vive em ambientes domésticos. Os climas tropical e subtropical, predominantes no Brasil, são favoráveis à proliferação do agente transmissor. A fêmea da espécie precisa do sangue humano para conseguir produzir os ovos, que são armazenados em água parada. Se o mosquito que picar o ser humano estiver infectado, por exemplo, com o vírus da Dengue, ele pode transmitir a doença à pessoa picada.
 

Diferenças entre Dengue, Chikungunya e Zika

Apesar de todos serem transmitidos pelo Aedes aegypti e manifestarem sintomas semelhantes, os três tipos de vírus apresentam algumas características distintas.

Dengue costuma apresentar o pior prognóstico para o paciente, com febre alta e fortes dores no corpo. Em seus quadros mais graves, pode causar desidratação, sangramentos, anemia, hipotensão arterial, alterações neurológicas e insuficiência respiratória.

Chikungunya causa dores menos intensas, que ocorrem principalmente nas articulações das mãos e dos pés. Também pode causar hemorragias graves.

Por último, os principais riscos da Zika ainda estão sendo estudados. Cerca de 80% dos infectados não demonstram sintomas, que geralmente são dores leves, manchas vermelhas pelo corpo e febre baixa. No último ano, foi descoberta uma relação entra o Zika vírus e a ocorrência de microcefalia (má-formação congênita, na qual o cérebro do feto não se desenvolve adequadamente).
 

Cuidados importantes para evitar a proliferação do Aedes aegypti

  • Mantenha a caixa d'água fechada e tampe barris e tonéis que possam acumular água.
  • Não deixe a água da chuva acumular em locais como lajes ou calhas.
  • Coloque areia na borda de vasos de plantas – ou lave o pratinho com água e sabão semanalmente.
  • Não acumule garrafas, potes e latas. Coloque todo o lixo em sacos plásticos e mantenha tudo bem fechado.
  • Prefira roupas que minimizem a exposição da pele durante o dia e utilize telas nas janelas ou mosquiteiros.
  • Semanalmente, lave todos os tanques e locais de armazenamento de água.



Dr. Ivan Leonardo Avelino França e Silva - CRM 93300
Diretor do Departamento de Infectologia e SCIH

Fontes:
<http://combateaedes.saude.gov.br>.
<http://www.brasil.gov.br/saude>.

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