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Confira nossa coluna de outubro na Revista Veja

Dra. Fabiana Makdissi fala sem rodeios sobre como foi ser médica e paciente de câncer de mama ao mesmo tempo

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Médica ou paciente? Minha vivência nos dois lados do consultório

Especialista em câncer de mama relata sua experiência diante da doença - inclusive em sua própria pele. 

Meu nome é Fabiana, tenho hoje 50 anos, sou mastologista há mais de 25 e trato diariamente pessoas com câncer de mama, na sua grande maioria mulheres.

Aos 45,  já liderando o Centro de Referência da Mama do A.C.Camargo, recebi o diagnóstico de câncer de mama. “Calma lá, doutora, como assim?”, você pode indagar. Sim, isso mesmo: sou médica, e já fui paciente.

Durante um bom tempo, não entendia muito bem o motivo desse questionamento. Mesmo convidada a falar abertamente sobre o tema neste espaço, ficava me perguntando quanto essa informação poderia ser útil ou interessante à leitora e ao leitor.

O fato é que, durante mais de um ano, só pessoas próximas sabiam do meu diagnóstico — a família, amigos e colegas com os quais fiz exames e tratamentos. 

Muita gente foge de conversas que podem causar algum tipo de desconforto, tanto que boa parte das minhas se queixa comigo que o câncer traz isolamento social. É óbvio que não é igual para todas, mas a maioria relata que amigos se afastam e a relação no ambiente de trabalho muda — como se virássemos “café com leite”. 

Talvez por ouvir diariamente tantas mulheres com histórias semelhantes, pensei que eu mesma, passando pela mesma experiência, não teria nada a agregar para os outros. No entanto, como viver à sombra de algo que foi tão significativo e marcante em sua vida, guardando-o só para si? 

A vida após o diagnóstico

Como todas as outras mulheres que recebem esse mesmo diagnóstico, minha história começa em um dia normal. Afinal, coisas boas e ruins acontecem a todos, sem aviso prévio. 

Eu estava com meus exames atrasados e fui alertada por minha ginecologista — como muitas das minhas próprias pacientes, tudo era prioridade na vida, exceto o autocuidado. 

Cuidados com a casa, os filhos, o cachorro, o gato e o papagaio… Com frequência, nos esquecemos de nos incluir na nossa agenda. Os resultados da biópsia na mama chegaram em uma segunda-feira. Quando abri a porta do consultório para liberar a paciente que estava comigo na sala, na recepção estavam duas pessoas, a paciente seguinte e uma amiga também mastologista. 

E assim foi: a pessoa que seria a minha médica estava sentada do outro lado da mesa, de onde minha paciente anterior tinha acabado de sair, e eu, a médica e dona do consultório, acabava de virar paciente.

A vida segue, apesar do nó na garganta. 

Artigo escrito pela Dra. Fabiana Makdissi, líder do Centro de Referência em Tumores de Mama do A.C.Camargo Cancer Center e publicado pela Revista Veja Saúde.

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