Elias de Oliveira
Sou paciente do A.C.Camargo a quase 25 anos. Minha história com o hospital começou ainda na infância, quando fui diagnosticado com Neurofibromatose tipo 1 e minha família, principalmente minha mãe, percorria centenas de quilômetros em busca de tratamento. Cresci dentro desses corredores, primeiro como paciente, aprendendo a enfrentar medos e incertezas, e hoje como colaborador.
Ao longo desses anos, o que mais me marcou não foi apenas a excelência técnica, mas o cuidado humano. O olhar atento, o respeito, a forma como cada profissional entende que existe uma pessoa por trás do diagnóstico.
Recentemente, estou passando por novos desafios de saúde. Após a identificação de um cisto no cérebro que apresentou um crescimento importante, precisei passar por uma cirurgia, e a biópsia confirmou um glioma de baixo grau. Estar novamente na posição de paciente, mesmo já fazendo parte da equipe, trouxe uma perspectiva ainda mais profunda sobre o que significa cuidar e ser cuidado.
Hoje atuo na área de Anatomia Patológica e tenho me identificado cada vez mais com esse universo. A macroscopia, especialmente, tem despertado em mim um interesse genuíno. Entender a doença de forma concreta, visualizar aquilo que um dia também fez parte da minha própria história, é transformador.
Trabalhar no lugar que me acompanha há tantos anos não é apenas uma escolha profissional. É um propósito. É retribuir, de alguma forma, o cuidado que recebi. É estar do outro lado sabendo exatamente o que um paciente sente ao atravessar aquela porta.
O A.C.Camargo faz parte da minha trajetória, não apenas como hospital, mas como um espaço de recomeços.