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Canetas emagrecedoras e câncer de tireoide: entenda quando o uso é contraindicado

Especialista do A.C.Camargo Cancer Center esclarece que a restrição não é para todos os tipos de tumor e explica como proceder com segurança

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A popularidade das canetas emagrecedoras, medicamentos à base de GLP-1 como semaglutida e tirzepatida, trouxe à tona uma dúvida frequente e carregada de preocupação: pacientes com histórico de câncer de tireoide podem usá-las? A resposta, segundo o endocrinologista Dr. Felipe Hening, do A.C.Camargo Cancer Center, não é um simples sim ou não. Tudo depende do tipo específico de câncer, e a proibição absoluta, na verdade, é uma exceção, não a regra.

A contraindicação formal e absoluta é direcionada a um grupo muito específico. Ela vale apenas para pessoas com diagnóstico pessoal ou histórico familiar do Carcinoma Medular de Tireoide (CMT), um tipo raro, ou da síndrome genética Neoplasia Endócrina Múltipla tipo 2 (NEM2). Essa restrição, por precaução, se mantém mesmo para quem já está curado e em remissão.

Para a grande maioria dos casos, porém, a situação é diferente. “Pacientes com histórico dos tipos mais comuns de câncer de tireoide, como o carcinoma papilífero ou folicular, ou ainda de outros tumores como mama, intestino ou próstata, podem, em princípio, usar a medicação”, confirma o especialista. Isso porque estudos em humanos até o momento não demonstraram de forma consistente que esses remédios aumentem a incidência de câncer. A decisão, contudo, não é automática. Ela deve ser fruto de uma avaliação médica cuidadosa e individualizada, que pese os benefícios metabólicos e cardiovasculares comprovados contra quaisquer riscos teóricos.

É importante destacar que, para pacientes que estão em tratamento ativo contra o câncer, a principal preocupação muda de foco. “O risco não está em ‘causar um novo câncer’, mas sim em agravar os efeitos colaterais dos tratamentos oncológicos. As canetas emagrecedoras podem piorar a perda de peso e de massa muscular (sarcopenia), um problema sério em muitos casos. Seus efeitos gastrointestinais, como náuseas e vômitos, podem se somar aos da quimioterapia, levando a desidratação e intolerância ao tratamento. Além disso, o medicamento pode interferir em cirurgias, devido ao risco aumentado de aspiração pulmonar durante anestesias, e exigir atenção em casos de pancreatite”, relata o Dr. Hening.

Para qualquer pessoa com histórico de câncer que tenha uma indicação real para usar essas medicações a decisão deve ser tomada caso a caso, em uma consulta detalhada. “É fundamental que o acompanhamento seja feito por um especialista experiente, que esteja habituado tanto com o uso desses medicamentos quanto com os cuidados específicos que o paciente oncológico requer”, diz. Portanto, informação precisa e diálogo com o médico são as chaves para tomar a decisão mais segura e benéfica para a saúde.
 

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