Esôfago
O esôfago é um órgão em forma de tubo que leva o alimento desde a garganta até o abdome, onde se encontra com o estômago. De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados 10.990 novos casos de câncer de esôfago no Brasil para cada ano do triênio de 2023 a 2025.
O revestimento do esôfago tem várias camadas, e o câncer desse órgão começa nas células do revestimento interno, cresce para dentro do canal do esôfago e dali para as suas paredes. O esôfago tem dois esfíncteres, um em cada extremidade. O de cima deixa que alimentos e líquidos entrem no esôfago e o inferior permite não só que ambos entrem no estômago, mas também impede que o suco gástrico, a solução de ácido clorídrico e as enzimas do estômago, volte para o esôfago, causando azia e indigestão. Essa é a doença do refluxo que, com o tempo, faz com que as células da parte inferior do esôfago sejam substituídas por células parecidas com as do revestimento do intestino. Essa condição é chamada de esôfago de Barrett e é considerada uma lesão pré-maligna, que precisa ser acompanhada por médico.
Conheça a cartilha sobre câncer de esôfago com informações sobre o diagnóstico e o tratamento
Existem dois tipos de câncer de esôfago, o adenocarcinoma, que começa nas glândulas desse órgão e está associado à doença do refluxo e ao esôfago de Barrett, e o carcinoma de células escamosas, associado ao fumo e ao consumo de álcool.
Sintomas
O câncer de esôfago não costuma apresentar sintomas nos estágios iniciais, mas alguns sintomas são:
- indigestão e azia;
- dificuldade ou dor ao engolir;
- dor, pressão ou queimação na garganta ou no peito;
- perda de peso e de apetite;
- fezes escuras;
- vômitos;
- anemia;
- rouquidão;
- soluços persistentes;
- tosse crônica.
Diagnóstico
O exame que confirma ou descarta o diagnóstico de câncer de esôfago é a biopsia, feita por endoscopia guiada por ultrassom ou tomografia, quando é retirada uma amostra de tecido que é enviada para análise pelo patologista. Além disso, o médico pode pedir tomografia de tórax e abdome, broncoscopia. PET-CT e ecoendoscopia para avaliar o estágio do tumor, sua disseminação e sua profundidade. Esses exames podem ser repetidos ao longo do tratamento, para verificar como está progredindo.
Estadiamento
O estadiamento é uma forma de classificar a extensão do tumor e se ou quanto ele afetou os gânglios linfáticos ou outros órgãos. Para isso é usada uma combinação de letras e números: T de tumor, N, de nódulos (ou gânglios linfáticos) e M de metástase e números que vão de 0 (sem tumor, ou sem gânglios afetados ou sem metástase) a 4, este último indicando maior acometimento.
Fatores de risco
Alguns fatores aumentam o risco de desenvolver câncer, mas isso não quer dizer que necessariamente você vai ter câncer de esôfago.
- Refluxo e esôfago de Barrett: são os principais fatores de risco e aparecem em metade dos casos de câncer de esôfago.
- Fumo: aumenta o risco tanto do adenocarcinoma como do carcinoma de células escamosas.
- Álcool: o consumo excessivo também integra a lista de fatores de risco, principalmente associado ao fumo.
- Idade: a maioria dos casos ocorre em pessoas com mais de 55 anos.
- Sexo: a incidência é três vezes maior em homens do que em mulheres.
- Histórico de outros carcinomas de células escamosas associados ao fumo, como boca, garganta e pulmões.
Tratamento
O tratamento do câncer de esôfago começa pela cirurgia para remoção do órgão com margem de segurança e retirada dos gânglios linfáticos ao redor do esôfago e do estômago. É importante que o procedimento seja feito por cirurgiões especializados em operar câncer e em cirurgias de alta complexidade. Hoje em dia, esse procedimento é realizado por laparoscopia ou por cirurgia robótica, que torna todo o processo mais preciso, acelerando também a recuperação e a alta hospitalar.
Atualmente, a cirurgia aberta raras vezes é realizada, mas ainda pode ser necessária nos casos de tumores grandes. Quando o tumor é pequeno e atingiu apenas a superfície do esôfago, sem invadi-lo, é possível removê-lo por meio de endoscopia, um procedimento minimamente invasivo, em que o câncer recebe uma solução salina, uma bolha se forma sob ele que é, então, retirado por sucção. Alguns tumores podem ser retirados usando-se eletrocoagulação.
Alguns procedimentos cirúrgicos são usados também para dar mais conforto ao paciente, como a colocação de stents para a abertura de áreas obstruídas do esôfago, permitindo que o paciente se alimente com mais facilidade.
A cirurgia pode ser associada à radioterapia e à quimioterapia, antes ou após a cirurgia, principalmente quando o tumor for grande e houver risco de sua disseminação. Essas opções de tratamento também podem ser empregadas sem cirurgia em casos especiais ou, ainda, para alívio dos sintomas.
O que é um Centro de Referência?
No A.C.Camargo, os atendimentos são organizados de acordo com o tipo de tumor, integrando a linha de cuidado com equipes médicas e multiprofissionais dedicadas às necessidades dos pacientes de cada Centro de Referência.
Saiba maisDúvidas Frequentes
Encontre respostas rápidas para as perguntas mais comuns sobre o câncer de pulmão e seus diversos aspectos.
É um tumor maligno que surge no esôfago, tubo que leva os alimentos da boca até o estômago.
Tabagismo, consumo excessivo de álcool, obesidade, refluxo gastroesofágico crônico e esôfago de Barrett.
Dificuldade para engolir (disfagia), dor ou desconforto ao engolir, perda de peso rápida, rouquidão e tosse persistente.
Com endoscopia digestiva alta e biópsia da lesão. Exames de imagem ajudam a avaliar a extensão.
Dependendo do estágio em que é descoberto, há possibilidades de controle e tratamentos que podem levar à remissão. Diagnóstico precoce faz toda diferença.
Cirurgia, quimioterapia, radioterapia e, em alguns casos, imunoterapia.
Alguns procedimentos podem trazer desconfortos, mas as equipes de saúde oferecem suporte para controlar sintomas e efeitos colaterais.
O oncologista é o especialista indicado para acompanhar, orientar e definir o melhor tratamento em conjunto com uma equipe multiprofissional.
Quem sofre de refluxo frequente deve acompanhar com um gastroenterologista para investigar e prevenir complicações.
Sim, é o principal exame para visualizar o esôfago por dentro e coletar biópsias, sendo essencial para o diagnóstico preciso.
É possível reduzir riscos evitando cigarro, álcool em excesso, cuidando do peso e tratando o refluxo corretamente.
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