Tipos de Câncer

Garganta
Garganta

Publicado em: 23/07/2020 - 14:43

O câncer de garganta, também conhecido como orofaríngeo, desenvolve-se na parte da garganta que fica logo atrás da boca, que os médicos chamam de orofaringe. Ela inclui a base da língua (a parte posterior da língua), o palato mole, as amígdalas, os pilares, as paredes laterais e posterior da garganta.

Como a boca, a garganta participa da respiração, fala, alimentação e deglutição, contendo vários tipos de células e tecidos, nos quais diferentes tipos de tumores podem se desenvolver. Mais de 90% dos cânceres de boca e garganta são carcinomas de células escamosas, também chamados de carcinomas espinocelulares ou ainda carcinomas epidermoides.

O carcinoma espinocelular começa como um conjunto de células anormais e, em alguns casos, sua forma inicial é chamada de carcinoma in situ, ou seja, que só está presente nas células da camada de revestimento, chamada de epitélio. Um carcinoma espinocelular invasivo significa que as células do câncer penetraram em camadas mais profundas da orofaringe.

 

Conheça os fatores que aumentam a probabilidade de desenvolver câncer de garganta.

Fumo: ainda é o principal fator de risco para o câncer de garganta.

Álcool: sozinho, o consumo de bebidas alcoólicas já é um fator de risco importante, particularmente entre os chamados bebedores pesados. Combinado com o fumo, o risco se multiplica.

Idade: pode ocorrer em qualquer idade e o risco aumenta com o passar dos anos. Até recentemente, metade dos pacientes tinha mais de 65 anos. Nos últimos anos, tem se observado muitos casos em pacientes mais jovens, que não bebem e não fumam, mas geralmente associados a infecção pelo vírus do HPV.

Sexo: a maioria dos pacientes são homens.

Sexo oral e HPV: o papilomavírus humano (HPV), que pode ser transmitido por meio de relações sexuais desprotegidas, é uma das causas da doença. Por isso, é importante utilizar preservativo, inclusive durante a prática de sexo oral.

Produtos químicos: a exposição a substâncias como níquel, amianto e gases de ácido sulfúrico também aumenta o risco de câncer de garganta.

História familiar: há maior risco de câncer de garganta para pessoas com familiares que tiveram este tipo de câncer.

Os sintomas de câncer de garganta variam de pessoa para pessoa. Porém, os sintomas iniciais mais comuns são:

  • Mudanças na voz (como se tivesse uma "batata na garganta”);
  • Dificuldade para engolir ou sensação de que alguma coisa está presa na garganta;
  • Irritação da garganta que não passa;
  • Dor de ouvido;
  • Caroço no pescoço;
  • Tosse;
  • Dificuldade para respirar;
  • Perda de peso inexplicável.

Em caso de sintomas suspeitos de câncer de garganta, é preciso procurar um otorrinolaringologista ou um cirurgião de cabeça e pescoço, que perguntará sobre sua saúde, estilo de vida, hábitos de beber e fumar, além de sua história médica familiar.

A biópsia, em que o cirurgião remove parte ou todo o tecido suspeito, é o meio diagnóstico mais importante. A biópsia com punção e aspiração por agulha fina (PAAF), realizada em ambulatório com anestesia local, é a opção quando há um nódulo no pescoço que pode ser sentido. A amostra é então analisada pelo patologista. A endoscopia, através da boca ou do nariz, pode ser usada não apenas para visualizar órgãos internos, mas também para remover amostras de tecido para exame.

Os exames por imagem podem incluir tomografia, ressonância magnética, tomografia por emissão de pósitrons (PET-CT), raio-X (inclusive dentário) e série do trato gastrointestinal superior com contraste de bário para avaliar a deglutição.

O desenvolvimento das cirurgias robóticas mudou bastante o cenário do tratamento do câncer de garganta. Elas são técnicas menos invasivas, mais precisas, aceleram a recuperação do paciente e praticamente não causam alterações na fala e na deglutição. No A.C.Camargo Cancer Center, a cirurgia robótica é padrão para o câncer de orofaringe, reduzindo o risco de que outras estruturas necessárias para a fala e a deglutição sejam afetadas.

Muitas vezes, o câncer de garganta atinge os gânglios linfáticos do pescoço e, dependendo da localização e do estádio da doença, pode ser preciso remover esses nódulos através de uma cirurgia chamada esvaziamento cervical. A extensão da cirurgia vai depender do tamanho do tumor primário e do quanto se disseminou para os gânglios linfáticos. Esse procedimento também pode ser realizado por cirurgia robótica em casos selecionados.

Os efeitos mais comuns de qualquer esvaziamento cervical são dormência da orelha (causada por ressecção do nervo grande auricular) e fraqueza ao erguer o braço acima da cabeça (causada por ressecção do nervo espinhal acessório). Na dissecção seletiva, a fraqueza do braço geralmente desaparece depois de alguns meses, mas, se algum nervo tiver que ser retirado como parte da dissecção radical ou por envolvimento de tumor, a fraqueza será permanente.

A fisioterapia melhora bastante a movimentação do pescoço e dos ombros após qualquer esvaziamento cervical.
Quando a quantidade de tecido sadio retirada com o tumor é pequena, geralmente não há necessidade de reconstrução. Mas a cirurgia reconstrutora pode ser necessária para reparar a região da garganta e do pescoço após a remoção de tumores maiores. As cirurgias reconstrutivas são planejadas em conjunto com a equipe que realiza os procedimentos para tratamento, otimizando os resultados.

Se o câncer bloqueia a garganta e é grande demais para ser retirado, uma traqueostomia vai permitir que o paciente respire com maior conforto. Se um grande inchaço é esperado após a extração do tumor, o médico pode optar por uma traqueostomia temporária, para que o paciente respire melhor até que o inchaço desapareça.

Como o câncer de garganta às vezes dificulta a alimentação, pode ser preciso colocar um tubo através da pele e dos músculos do abdômen levando água, alimentos e medicamentos diretamente ao estômago. Se o problema de deglutição for temporário, o médico pode optar pela colocação de uma sonda nasogástrica, que entra pelo nariz e passa pelo esôfago até atingir o estômago. A equipe médica vai ensinar ao paciente e sua família como lidar com esses tubos.

A radioterapia pode ser utilizada como opção de tratamento do câncer de garganta, e também, em casos selecionados para eliminar eventuais depósitos de células cancerosas que não podem ser vistas ou retiradas na cirurgia, como para aliviar sintomas como dor, sangramentos, dificuldades para engolir e problemas causados por metástases ósseas. A radioterapia utiliza uma fonte externa, a convencional, mas de alta precisão, com dosagem e posicionamento calculados por computador. São cinco sessões semanais ao longo de um período que varia de cinco a sete semanas.

A quimioterapia é o uso de drogas anticâncer, por via oral ou injetadas, que caem na corrente sanguínea e podem alcançar células cancerosas que atingiram órgãos distantes da cabeça e do pescoço. Às vezes, ela é utilizada para reduzir o tumor antes da cirurgia ou radioterapia, na chamada quimioterapia neoadjuvante, e também como tratamento paliativo nos casos de cânceres de cabeça e pescoço grandes demais para serem inteiramente removidos ou ainda para tumores que não são controlados por radioterapia.

A quimioterapia também é usada junto com a radioterapia para reduzir tumores que não podem ser removidos cirurgicamente ou em casos específicos em que esta combinação oferece as mesmas possibilidades de cura que o tratamento convencional de cirurgia e radioterapia. Outra alternativa que surgiu recentemente é a imunoterapia, que consiste no uso de drogas que estimulam as defesas imunológicas do organismo a agir contra o câncer.

O estadiamento é uma forma de classificar a extensão do tumor e se ele afetou os gânglios linfáticos ou outros órgãos. Para isso, é usada uma combinação de letras e números: T de tumor, N de nódulos (ou gânglios linfáticos) e M de metástase, além de números que vão de 0 (sem tumor, sem gânglios afetados ou sem metástase) a 4, que indica maior acometimento.